Da Folha
Elio Gaspari
Os caçadores de cabeças do andar de baixo
Um grupo de executivos trabalha duro para ajudar crianças que, se receberem um empurrão, realizam seus sonhos
Em 2011 um grupo de jovens executivos colocou-se a seguinte questão: o que se pode fazer para ajudar uma criança pobre que tem um brilhante desempenho escolar e enfrenta a lei da gravidade social que tenta retê-la no andar de baixo? Nasceu assim o “Primeira Chance”.
Ontem, em Fortaleza, cinco desses executivos passaram o dia entrevistando 35 jovens que cursam o ensino fundamental em escolas públicas. Quando tiverem terminado o serviço, estarão escolhidos os garotos e garotas que cursarão o ensino médio como bolsistas nas duas melhores escolas da cidade (Ari de Sá e Farias Brito). Resolvido? Como diria Fred Astaire, o segredo de um bom dançarino está em dar aos outros a impressão de que é fácil.
Os executivos do Primeira Chance ralaram. Como achar os garotos? Fácil. Selecionaram 250 crianças do ciclo fundamental bem colocadas em olimpíadas de conhecimento, como as de matemática, português, ciências e física. Como contatá-las? Pedindo ajuda às escolas? Não dá certo, muitos diretores temem que lhes queiram roubar os bons alunos. Mandando-se uma carta ao aluno, para o endereço do colégio, ele vai recebê-la. Resolvido? Nem sempre. Um garoto não tinha telefone (móvel ou fixo) em casa. Para chegar a ele foi preciso ligar para a residência onde sua tia trabalhava como empregada doméstica.
Em todo o processo, o Primeira Chance busca crianças que, além de terem bom desempenho, mostram uma surpreendente capacidade de batalhar pelo que querem. Um menino sem pai, com mãe e avó analfabetas, tinha medalha olímpica de matemática. Aos dez anos, soubera que na cidade da avó havia uns austríacos que ensinavam inglês de graça. Mudou-se para a casa dela. Seis anos depois, sua entrevista em Fortaleza deu-se em inglês. Ele também descobriu uma professora de matemática que lecionava para pobres e colocou-se sob sua proteção.
Das 250 cartas enviadas, tiveram 75 respostas e os candidatos foram convidados para uma prova e uma entrevista. A renda média de suas famílias era de R$ 1.000 por mês. Feito? Nada. Metade deles não veio. Um garoto que tinha duas medalhas de olimpíadas não poderia sair de sua cidade (Jijoca de Jericoacoara) a sete horas de Fortaleza, pois não tinha como pagar o ônibus. A turma do Primeira Chance cacifou as passagens e ele veio com o pai, que trazia consigo currículos para tentar um emprego de porteiro na capital, caso o filho se desse bem.
Catapultados para boas escolas como o Ari de Sá ou no Farias Brito, resolvia-se apenas uma parte do problema. Faltava o resto. Os colégios dão os livros, e o Primeira Chance cobre as despesas de material, transporte e alimentação. Em alguns casos, pagam também a hospedagem num pensionato. Um garoto jamais calçara sapatos, usava sandálias artesanais. Pela lei da gravidade, quando terminasse o ciclo fundamental, iria para a roça do pai.
Cada jovem amparado pelo Primeira Chance ganha um mentor que acompanha seu desempenho, com quem se comunica durante todo o tempo em que cursa o ensino médio e se capacita para o vestibular. Um bolsista custa R$ 4.000 por ano. Tendo começado em 2011, o grupo de executivos já deu 14 bolsas. O garoto que foi morar com a avó analfabeta para estudar inglês ganhou mais três medalhas olímpicas, foi aprovado nos vestibulares do Instituto Militar de Engenharia e do Insper, que oferece bolsas para jovens do Primeira Chance. O menino de Jijoca de Jericoacoara ganhou mais uma medalha na Olimpíada de Física e passou no vestibular do IME quando ainda cursava o segundo ano do ensino médio.
Nenhum dos executivos do Primeira Chance é milionário. Quase todos estão apenas devolvendo o que receberam da Viúva, pois estudaram em universidades públicas gratuitas, seis deles no Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Alguns, ralando como os meninos que beneficiam. Além de um núcleo de 17 pessoas, têm a ajuda de 15 voluntários. A idade média do grupo está em menos de 30 anos. O que eles fazem não custa um tostão à Viúva, numa época em que dinheiro da Boa Senhora é usado para construir estádios e o Rio de Janeiro corre o risco de perder a maior faculdade de medicina do país –decadente, porém a maior.
Essa turma prefere que se divulgue mais o site do Primeira Chance do que seus nomes. O endereço é primeirachance.org. Vale lembrar que grandes universidades privadas americanas, interessadas em preservar a diversidade de seus alunos, despacham expedições para achar talentos.
Nunca é demais lembrar a frase de Andrew Carnegie, dono da maior fortuna dos Estados Unidos no final do século 19: “Morrer rico é uma desgraça”. Em dinheiro de hoje, ele distribuiu bilhões de dólares. Morava num palacete na esquina da rua 91 com a Quinta Avenida. É mais modesto do que o palácio erguido pelo barão de Nova Friburgo no Rio de Janeiro. A mansão de Carnegie foi doada ao governo. Repetindo, doada. O palácio do barão tentou virar hotel, faliu e acabou vendido à Presidência da República por algo como 15 milhões de dólares, em dinheiro de hoje. É o Palácio do Catete.
Vão aqui os nomes das empresas que, com recursos ou serviços, colaboram com o grupo do Primeira Chance:
Colégio Ary de Sá, Colégio Farias Brito, Instituto Ling, Fundação Beto Studart, escritório de advocacia Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey e Quiroga, Yázigi, Adbat/Tesla, Locaweb, Curso Simétrico, Editora VestSeller, Accord, Sindicato da Escolas Particulares do Ceará, Sinepe, Organizze e Insper.
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CAIU A FICHA
Na segunda-feira o empresário Eike Batista voou de São Paulo para Nova York na primeira classe da American Airlines.
Há alguns meses ele tinha uma frota de quatro aviões e dois helicópteros.
EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota e soube da seguinte história, contada pela repórter Natuza Nery:
Em dezembro o ministro Moreira Franco, da Secretaria de Aviação Civil, discutiu com a doutora Dilma a concessão de cinco aeroportos do interior de São Paulo para a iniciativa privada. Ela congelou a ideia.
No último dia 9, o “Diário Oficial” da União circulou com a autorização de Moreira Franco para que o governo paulista procedesse à licitação das concessões que colocariam mel nos favos das empreiteiras.
O tempo fechou, a autorização foi cancelada, a mumunha foi atribuída a um erro do funcionário que encaminhou o papel assinado pelo ministro, e ele foi demitido.
O idiota é vizinho de um servidor que trabalha na impressão do “Diário Oficial” que publicou a autorização de Moreira. Eremildo teme que nessa história acabe sobrando para ele.
SUPERPODERES
A ministra Cármen Lúcia abriu mão de incorporar aos seus poderes o da ressurreição.
Caiu-lhe na mão um pedido de habeas corpus para uma traficante de drogas condenada a quatro anos de prisão.
O habeas corpus foi pedido em outubro de 2013, mas senhora morrera em 2010.
Aviso aos navegantes: desde o dia em que chegou ao STF, há oito anos, Cármen Lúcia mantém um diário, registrando inclusive seus solilóquios durante as sessões da corte.
JB Costa
19 de janeiro de 2014 12:33 pmEsses exemplos impressionam e
Esses exemplos impressionam e nos dão ânimo. As pessoas, sejam de que origem for, precisam apenas de uma chance. Agora me pergunto: quantas vocações, genialidades, foram e continuam sendo ceifadas e inexploradas por conta dessa maldita exclusão social?
Cabe ao Estado a responsabilidade maior para suprir essa demanda. Iniciativas isoladas serão sempre bem-vindas e aplaudidas. Mas a solução final deve partir do Ente Público. Ensino de excelência deveria começar a partir da escola pública, e não da privada.
Nesse aspecto, dou louvor ao senador Cristovão Buarque que se dedica a pregar(até agora no deserto) que a educação é a única saída para este país.
Walker
19 de janeiro de 2014 1:01 pm“Cabe ao Estado a
“Cabe ao Estado a responsabilidade maior…”
Por que essa tua tara estranha pelo Estado Diego Costa?
evandro condé de lima
19 de janeiro de 2014 1:01 pmO Estado, como mostra o
O Estado, como mostra o texto, possui outras prioridades.
Obelix
19 de janeiro de 2014 2:13 pmA filantropia: bomba semiótica do capitalismo.
Prezados e prezadas,
É bom antes de começarmos, que eu possa situar minha opinião sobre Eremildo Gaspari. O objetivo não é tratar das coisas em esfera ad hominem, haja vista que aqui (no blog) eu não passo de um avatar, e Gaspari é um personagem muito maior que todos nós, inclusive dele mesmo, o Elio.
Gaspari (Eremildo) é outro caso típico, porém específico, de articulista (colonista, como gosta PHA) que é resultado do momento de transição do jornalismo para o seu precipício, quando a informação sobre o fato, que desde sempre já vinha impregnada das escolhas políticas editorais (mas que continham alguma verdade), passaram ao viés da opinião subjetivista, alimentada com bastidores (off), informes clandestinos, sussuros de meias-verdades. O que o Senhor Nassif poderia chamar de “esgoto”, mas que polidamente aqui eu chamo de “reciclagem de jornalística”.
Algo que os entendidos chamam de jornalismo literário teve vez, e pessoas com algum talento e imaginação, como Eremildo Gaspari, alçaram a ribalta, não sem o sacrifício de sua credibilidade, e o sequestro do homem (jornalista) pelo personagem que criou.
Este personagem escravizou de tal ponto seu bom senso, que o Senhor Elio criou metalinguagens, para chamar aqueles que ousavam não enxergar o mundo tal e qual como ele de Eremildos, uma versão mais sofisticada do Hommer Simpson de William Bonner.
Dias destes, o Senhor Nassif comparou o Vargas Llosa ao Jabour, e foi confrontado. Não entrei no mérito, pois conheço bem menos o Vargas que necessitaria, e muito mais do Jabour do que desejaria para compará-los.
Mas eu me arrisco a dizer que o Senhor Elio é um tipo de Jabour mais elaborado, mais refinando, mais bem informado e com uma vivência cultural diferente, porém, se prestam ao mesmo objetivo sórdido de sempre: transformar vontade em fato.
Por isto é que não dá para analisar o que Eremildo Gaspari escreve sem haver uma introdução sobre o próprio. Eles são um caso a parte: O Senhor Elio, o Senhor Eremildo Gaspari e o que escrevem, pois são um mundo à parte, onde a prinicipal regra é não ter regra, ou pior, as regras sempre serão aquelas que eles disserem.
Vamos ao texto:
O caso é auspicioso, é verdade. Empresários “caçando” cabeças de talento. Não vou entrar no tedioso debate sobre a falácia da meritocracia. Não é o caso agora.
Mas o texto traz várias mensagens embutidas. A primeira dela é a exaltação de um modelo estadunidense de expiação de culpa, diferente do brasileiro.
Ele não é melhor ou pior, é, como eu disse, diferente. Ricos estadunidenses (alguns deles) têm a propensão a retribuição (geralmente tardia) de parte do que conquistaram, revertendo parcelas consideráveis de suas fortunas às instituições de ensino nas quais se formaram, ou a fundações e programas de aceleração de estudo e seleção de talentos, dentre outras formas de filantropia.
Passaram a vida toda explorando sua mã-de-obra a exaustão, seja em Detroit ou em Bangladesh, disseminam desigualdade e concentram fortunas na proporção de enormes represas, e depois dão algum em conta-gotas para alguns escolhidos ou beneficiários aleatórios, mas certamente, nunca os que construíram a sua riqueza.
Ainda que reconheçamos algum mérito na iniciativa, e que nos EEUU é fonte de financiamento de boa parte das melhores Universidades do país, há de perguntarmos a título de investigação da relação de causa e efeito, para além dos sentidos simbólicos ou sentimentais: Qual o resultado, estas iniciativas alteram as curvas sociais de desigualdade?
Alguns responderão que se não fossem estas iniciativas, talvez as curvas fossem mais agudas. Eu concordo, pode ser, mas só um estudo poderia nos revelar o impacto real da filantropia.
Na ausência destas estatísticas e estudos, resta-nos a análise conceitual e de princípios.
Uma mensagem do texto deixa claro que as medidas pontuais de desenvolvimento educacional, e de busca por aceleração de desempenho e seleção de talentos, sempre estarão restritas aos limites impostos pela realidade adversa que as cercam, onde as condições sócio-econômicas são mais determinantes para o aprendizado que a mera noção “meritocrática” individualista, que a iniciativa busca contemplar.
Ou seja, sem financimento completo dos ciclos educacionais, acesso a tranporte público, saneamento, segurança, saúde, enfim, sem distribuição de renda não conseguiremos implantar uma etapa virtuosa educacional, aina que existam vagas, escolas, professores, etc, porque esta realidade sempre colidirá com a realidade do aluno, o que o Eremildo Gaspari chama de gravidade social.
Se é para “caçar cabeças” (que termo horrível) pode até dar certo, aliás, ambientes degradados costumam oferecer ótimas “oportunidades de negócios futuros”, como também são escolinhas de futebol, ou show de calouros para crianças na periferia. Dá até um verniz de responsabilidade social tão cara as agências de publicidade.
Porém, apresentar estas inciativas como um cobrança subliminar aos esforços dos governos, dizendo: “viram, só é preciso competência e vontade”, desculpem, é de uma cretinice sem par.
E qual a solução para a ausência de financiamento e distribuição de renda? Como o governo não gera riqueza, e como não pode imprimir dinheiro sem gerar caos inflacionário, resta a justiça tributária como ferramenta para dar aos que precisam o que eles precisam.
É nesta momento que a filantropia estanca: O filantropo estadunidense ou brasileiro não quer que o Estado seja o legítimo representanta dda vontade coletiva, e que pelos sistemas representativos decidam quem vai ter o quê, estruturado em uma base universalista de direito.
Possivelmente, se perguntarmos aos filantropos se preferem “gastar” (boa parte é deduzida nos impostos, isto Eremido Gaspari não disse, óbvio) seu dinheiro ou aumentar 10 ou 20% dos impostos que devem, eles urrarão contra a carga tributária!
Isto porque o filantropista quer decidir ele mesmo, o que é importante, quem merece ou não, e onde ele vai colocar sua caridade, isto é, a privatização da política social apresentada como contraponto a “ineficiência do Estado”, a “corrupção”, “o descaso dos professores”, que vistos de forma estanque, podem até ser verdadeiros, mas que colocados dentro de seus contextos, revelarão que são o efeito e não a causa do nosso fracasso.
Talvez o Senhor Elio tenha razão, talvez sejamos todos uns idiotas mesmo.
Edmar
19 de janeiro de 2014 3:45 pmTalvez o Senhor Elio tenha
Talvez o Senhor Elio tenha certeza de que somos todos uns idiotas mesmo. Afinal, desde 2011 (3 anos) foram “aquinhoados” com uma oportunidade de soltar-se da “graidade social” RELEVANTES 14 (isso mesmo QUATORZE) felizardos, quiçá suficientes pra mudar a situação social do país. São menos beneficiários do “projeto” que beneméritos beneficiados pela publicidade gratuita aqui dada às suas empresas e instituições). Mero pretexto pra auto elogios! Que esses “executivos” evitem sonegar impostos, praticar “planejamento tributário” como virarrem “PJ-Pessoa Jurídica” apenas pra reduzir as contribuições devidas à Previdência Social, e estarão ANONIMAMENTE (tá difícil hein!) contribuindo pra dar oportunidade a um número muito maior de jovens através da melhoria dos programas de transporte escolar (ônibus ou bicicletas hoje doadas pelo Governo Federal atrávés das Prefeituras), por exemplo. Que criem instituições pra FISCALIZAR o que governadores e prefeitos estão fazendo com a grana e os equipamentos que recebem pra aplicar em seus estados e municípios em EDUCAÇÃO, SAÚDE, SANEAMENTO. Tavez não tivessem publicidade do que com esse tal programa que atende MENOS DE CINCO JOVENS POR ANO.
Obelix
19 de janeiro de 2014 5:27 pmEremildo Simpson.
Prezado Edmar,
Mas aí a coisa não teria graça. Veja que não se trata de ser anônimo, como reinvidicam nosso Batmans caçadores de Robins.
Nada demais caso eles assumissem uma postura política: pagar impostos, lutar por justiça trobutária – quem pode mais, paga mais – e fiscalizar atos de execução dos orçamentos públicos de vários níveis, incentivar a participação popular, etc.
Seria uma plataforma legítima para uma luta coletiva, viesse acompanhada de busca por votos ou não, afinal, isto é Democracia.
Porém, o intuito é a anti-política, é a lógica do indivíduo sempre, ainda que pretensamente “preocupado” com o outro.
E assim, no lugar da redistribuição de renda (ampla e universalizada), temos a retribuição de renda (restrita e seletiva).
Saudações.
Jose Dias
22 de janeiro de 2014 2:14 amLeitura
Prezados Obelix e Edmar,
Uma leitura normal do texto e uma pesquisa básica sobre a iniciativa mencionada acima evitaria tremendas barbaridades proferidas por vocês por aqui.
O grupo em questão são de jovens (que exageradamente foram entitulados de “executivos” no texto) e não de empresários, com toda a cadeia de adjetivos citadas.
Pergunto-me que tipo de ação indíviduos como vocês fazem em prol da sociedade de modo geral, além de criticar a tudo e a todos. Pagar impostos é só mais uma obrigação de todos.
Nicolas Crabbé
19 de janeiro de 2014 6:45 pmSua argumentação é um exemplo
Sua argumentação é um exemplo gritante do que em francês se chama de “procès d’intention”, cuja definição é: acusação ou crítica baseada não em atos, mas em supostas intenções. Você tem todo direito de gostar ou não gostar do Gaspari e ter uma opinião clara a respeito dele, mas me parece que essa sua opinião contamina sua análise. Gostaria de saber onde o texto de Gaspari infere, mesmo que subliminarmente, que o esforço desses empresários é para expiar a culpa, como é o cado do modelo estadounidense. Onde está a crítica subliminar ao governo incapaz, mostrando que “viu, como é simples, só falta um pouco de boa vontade e de competência”? Onde está escrito que esses executivos não aceitam de forma alguma um aumento de impostos, ou que o Gaspari apoia quem sonega impostos? É claro que um caso como este não pode generalizar-se e não representa a panaceia universal, longe disso. Afinal, foram pouquíssimas crianças beneficiadas até hoje, e as dificuldades práticas são enormes. Mas daí a desancar quem publica o artigo usando elementos que não apareçem no texto mas que “fazem todo sentido porque com certeza o Gaspari pensa assim” também é de uma cretinice sem par, para usar sua expressão.
Obelix
19 de janeiro de 2014 7:35 pmPrezado Nicolas,
Apesar de
Prezado Nicolas,
Apesar de ser gaulês, não falo francês.
Mas eu posso inverter a pergunta e te dizer: Onde, no meu texto, não está dito o que o senhor disse que eu não disse?
Porque afinal, não dá para substituir a minha opinião pela sua, dando a esta última o condão de verdade, ou dá?
Talvez você tenha entendido mal o que eu disse, eu vou tentar explicar:
Primeiro, eu deixei clara a minha opinião em relação a ele, e refutei, desde o início quem chama quem não lhe entende, ou quem discorda dele de idiota (eremildo), com recurso de metalinguagem. Esta introdução foi necessária para que eu atacasse a visão de mundo que ele representa, sendo ele quem é!
Bom, a partir desta compreensão (que o senhor concorda ou não, é seu direito) eu elaborei minha compreensão do texto dele, e aí, esta compreensão é minha, apenas minha, e não a dele ou sua.
Não preciso de fatos para tecer um opinião sobre um texto, eu preciso de fatos para desdizer os fatos do texto, por exemplo, o programa, e não cometi esta asneira.
Exemplo: Se o Jabour fala que Cuba matou 100 pessoas fuziladas, eu só posso:
a) dizer que jabour só fala isto de Cuba, e porque é um reacionário (minha opinião);
b) ou dizer que ele é um cretino mentiroso reacionário, porque na verdade, Cuba executou duas pessoas.
O senhor tem todo direito de defender o autor do texto (ou o programa) por decisão de afinidade ou ideologia (e nem vamos pedir uma procuração dos supostos ofendidos para tanto), mas o fato é que o senhor não tem o menor direito de interpelar minha opinião sobre o que está escrito, a não ser que me apresenta contra-argumentos plausíveis para tanto.
O que o senhor, infelizmente, não fez.
Em resumo: disse o que penso sobre a filantropia (anestésico individualista de sinal duplo: para a plebe e para o rico, que expia culpa) e sobre o autor do texto, que usa o seu espaço para traficar suas opiniões políticas sob o manto do “jornalismo literário”.
E dá certo, veja que o senhor está defendendo a posição dele (eremildo gaspari) como se fosse um fato inatacável.
Vou me abster de usar o adjetivo cretino para rebater o Senhor. Neste nível aí embaixo, não tenho experiência, nem falando francês.
Com todo respeito.
macedo
19 de janeiro de 2014 3:24 pmRoberto Mangabeira Unger defendia iniciativas de “caça talentos”
O Prof. Roberto Mangabeira Unger defendia este tipo de iniciativa de “caça talentos” mas que fosse executada de forma institucionalizada pelo Estado.
http://www.law.harvard.edu/faculty/unger/portuguese/docs/artigos40.pdf
“A medida mais importante para alcançar os pobres é um programa federal maciço de bolsas de custeio que identifique em cada etapa do ensino as crianças mais dotadas ou aplicadas e que responda com ajuda pública generosa a cada demonstração de talento e de esforço. O resultado será revelar entre nossas crianças, sobretudo nas pobres e de cor, a genialidade oculta da nação. ”
Eduardo Pereira
19 de janeiro de 2014 10:49 pmTudo muito bonito mas …
Acho maravilhosas essas atitudes cidadãs por parte da sociedade em geral ( no caso desses empresários ) , mas , gostaria de colocar aqui uma questão polêmica relativa a esse tipo de ação : Será que isso tudo não significa a tristre e repetitiva história de uma grande tragédia nacional : O reconhecimento da falência da nossa Educação Pública !
Será que esse tipo de trabalho benfeitor e voluntário não poderia ser realizado se inserindo dentro do próprio Sistema Educacional , com ações estruturais , idéias concretas etc , que beneficiem e criem chances iguais para todos esses jovens , e não apenas para alguns poucos , privilegiados pela natureza !
Eu sei que um pouco é melhor do que nada ( e muitos irão defender esta tese aqui em relação ao assunto do post ) , mas coloco tal afirmação como objeto de debate e reflexão acerca desse tema importantíssimo e , que , para mim , é o verdadeiro ” calcanhar de aquiles ” do Brasil , e que vai nos causar ainda grandíssimos e complicados problemas ainda por décadas , que é a nossa fraquíssima Educação Pública Fundamental ( isto mesmo , da Alfabetização até a 8a. Série , onde se forma a base de qquer sociedade , cidadã – esta a mais importante – e a do conhecimento ) !
Sem isto , lamentavelmente , e acima das nossas diversas e evidentes melhorias de índices em outros campos nos últimos tempos , nosso país vai penar duramente por longas décadas até alcançar uma sociedade digna como almejamos !
Aliás , caro Nassif , considero seu blog talvez a melhor coisa da internet ( embora mais leio do que comente ) , mas desafio você e a todas as boas cabeças ( indepentemente de posição ideologica ) a realizar aqui um grande debate sobre esse tema vital que é ” A EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL E SEUS DESAFIOS NO BRASIL DE HOJE E PARA O FUTURO ” ! Vamos ver quem é o iluminado a dar o pontapé inicial !
Abraços a todos .