Para o crescimento do PIB precisamos de menos “tamancos” sociais, por Albertino Ribeiro

Pesquisas realizadas por organismos internacionais apontam que o salário desigual entre homens e mulheres reduz o desenvolvimento econômico e a expansão do PIB.

Arte Pausa para Refletir

Para o crescimento do PIB precisamos de menos “tamancos” sociais

por Albertino Ribeiro

No Brasil, segundo o DIEESE, as mulheres ganham 22% menos do que os homens, e a maior diferença está no Mato Grosso do Sul, estado predominantemente conservador, 30%.

Contudo, não é apenas a mulher que perde com essa realidade, mas todo o país é alijado do processo de crescimento econômico.

Pesquisas realizadas por organismos internacionais apontam que o salário desigual entre homens e mulheres reduz o desenvolvimento econômico e a expansão do PIB.

Essa constatação macroeconômica é confirmada também no contexto micro, porque foi também comprovado que as empresas, que valorizam a diversidade de gênero no quadro funcional, tem um desempenho melhor no mercado.

Segundo o FMI, como as mulheres trazem novas habilidades para o trabalho, reduzir as barreiras à participação delas na força de trabalho produz ganhos de produtividade e crescimento.

“De fato, nosso exercício de calibragem sugere que, nos países que se situam na metade inferior de nossa amostra em termos de desigualdade de gênero, eliminar a diferença entre os gêneros poderia aumentar o PIB em 35%, em média.”

Nesse sentido, discriminar a mulher não se trata apenas de algo imoral, mas é contraproducente, contribuindo para um baixo crescimento.

Na semana que antecede o dia internacional da mulher, Míriam Leitão, reporte da Globo News, entrevistou a ministra do Supremo Tribunal, Carmem Lúcia. A magistrada afirmou que uma sociedade que bate na mulher, e mata a mulher, não é uma sociedade do bem-estar social.

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De fato, a sociedade entorpecida pelo machismo não tem noção do mal que causa a si mesma quando sabota as mulheres. Trata-se de uma verdadeira lei do retorno.

Um fato interessante, que aconteceu na França no século XIX, serve para ilustrar e justificar a presença da palavra tamanco no título deste artigo. Naquela época as operárias que trabalhavam nas fábricas eram forçadas a uma jornada de 16 horas diárias.

Destarte, quando a carga de trabalho tornava-se insuportável, as mulheres tiravam seus tamancos e utilizava-os para um propósito muito especial. Naquele momento, o hoje despojado e casual calçado de madeira, ia desfilar sua conhecida resistência entre as engrenagens das máquinas, paralisando à produção.

Foi dessa estratégia que surgiu a palavra sabotagem, palavra de origem francesa que significa “sabote”, ou seja, tamanco.

Não muito diferente das fábricas, a sociedade engendrou um tipo de maquinário opressor que sabota a qualidade de vida e o futuro de muitas mulheres, tal estado de coisas provoca naturalmente uma reação resistência e luta por mudanças.

É por isso que diz a Rita Lee: “por isso não provoque, é cor de rosa choque”.

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1 comentário

  1. A disparidade entre lucros e salários reduz com muito mais força o desenvolvimento econômico e a expansão do PIB.

    Os empregadores vão contribuir para evitar a redução do desenvolvimento econômico e para a expansão do PIB, reduzindo os salários dos homens ao nível dos salários das mulheres, e não elevando os salários das mulheres para o patamar dos salários dos homens.

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