5 de junho de 2026

Pelos que ficaram em Pistóia!, por Manuel Domingos Neto

A FEB não foi à Itália decidir a guerra. Representou um modestíssimo contingente sob o comando do Exército Americano. Mas mostrou ao mundo a opção brasileira pela liberdade.

Pelos que ficaram em Pistóia!

por Manuel Domingos Neto

Ao dizer que o Exército estaria se associando ao genocídio, o ministro Gilmar Mendes falou o que os mais informados deveriam estar gritando há muito tempo.

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O governo federal menospreza a vida dos brasileiros. Como instância pública responsável por coordenar o esforço nacional contra a pandemia, não cumpre o seu papel. Desrespeita o sofrimento da sociedade, manipula estatísticas, receita remédio ineficaz, agride a ciência, atrapalha governadores e prefeitos que lutam para atenuar a catástrofe. Age em favor da morte de multidões indefesas. É genocida.

Na linha de frente dessa disposição macabra estão os militares. Um general da ativa responde pelo Ministério da Saúde. Com a autorização do Comandante do Exército, deixou a tarefa para a qual foi preparado e assumiu outra da qual não tem noção. Camaradas seus ocupam na pasta as cadeiras em que deveriam sentar civis especializados.

A conta está chegando para as Forças Armadas e não é pequena, alertou Gilmar Mendes.

Além das dezenas de milhares de vítimas da pandemia, os brasileiros sofrerão crescentemente os efeitos da desastrosa política econômica, das estultices da política externa vassala de Washington, do desmonte do sistema de ensino, ciência e tecnologia, dos estragos no meio ambiente, da ameaça de extinção dos povos originários…

Tormentas e apertos que vivemos hoje serão pequenos diante do que nos espera no curtíssimo prazo. A responsabilidade pelos estragos será cobrada.

Oficiais reagiram indignados às palavras de Gilmar. O Ministro da Defesa, articulado com os comandantes, disse que o contingente militar mobilizado contra a pandemia seria superior ao enviado à Itália.

Não há limites para a insensatez. Esta comparação não tem cabimento.

Os generais devem um mínimo de respeito aos heróis que entregaram suas vidas na Itália. Eram homens de origem modesta, saídos das periferias das cidades e de vilarejos do interior. Deixaram o Brasil mal treinados, mal vestidos, desavisados do terror que teriam pela frente. No zunido das balas compreenderam que lutavam contra o tedesco feroz, o direitista extremado, fundamentalista, racista, terrorista, inimigo da democracia, insensível ao sofrimento dos povos do mundo, avesso ao que há de bom na civilização.

Alguns ficaram em Pistóia até 1962, quando seus restos passaram a repousar no Brasil. Morreram combatendo as proposições hoje defendidas por Bolsonaro. Comandantes vilipendiam ao usar a memória destes homens para se defender de seus erros. Os parentes dos pracinhas persistem espalhados nas periferias das cidades e pelos sertões afora. Constituem a maioria das vítimas da pandemia.

A FEB não foi à Itália decidir a guerra. Representou um modestíssimo contingente sob o comando do Exército Americano. Chegou quando a derrota do nazifascimo estava decretada. Mas o seu peso simbólico é imensurável: mostrou ao mundo a opção brasileira pela liberdade.

Pedir que não lhes sejam cobradas suas responsabilidades, comandantes? Como disse Flávio Dino, quem entra no jogo político tem que aprender a receber críticas.

Está passando da hora de o comandante Pujol reunir a família militar, encher os pulmões e ordenar: “pela memória dos que ficaram em Pistóia, abandonaaar cargos, sinecuras e prebendas! Meia volta, volver!”

O Brasil precisa de Forças Armadas respeitadas.

Manuel Domingos Neto – História, especializado em história militar do Brasil.

Manuel Domingos Neto

Manuel Domingos Neto nasceu em Fortaleza em 1949. Graduou-se em História pela Universidade de Paris VI, mestre pela Universidade de Paris III e Doutor em História pela mesma universidade, em 1979. Professor da Universidade Federal do Ceará e professor associado da Universidade Federal Fluminense

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5 Comentários
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  1. Carlos Guilherme Pfau Lenz

    14 de julho de 2020 2:00 pm

    Excelente !!!
    Estes “oficiais” de boquinha, DESONRAM os combatentes da FEB e das FFAA brasileiras.
    São tchutchucas com o olavo do Carvalho e tigrinhos com o gilmar do stf…
    Covardes, ignorantes e incompetentes ! Vocês envergonham a farda que vestem/vestiram e serão responsabilizados como e com o genocida do Planalto.

  2. SERGIO LAMARCA LEITE

    14 de julho de 2020 2:27 pm

    Excelente artigo.

  3. Zé Sérgio

    14 de julho de 2020 2:55 pm

    “…quando a derrota do nazifascimo estava decretada. Mas o seu peso simbólico é imensurável: mostrou ao mundo a opção brasileira pela liberdade…” O Brasil é fruto desta surrealidade inacreditável. As Forças Armadas que lutaram por Democracia, Liberdade, Republicanismo, Voto Livre, Direto e Facultativo, voltaram a um país onde eram comandados por um Estado Nazifascista de Getúlio Vargas e Eurico Gaspar Dutra. Existe aberração maior na face da Terra? Nosso Povo vai para a Europa lutar pelas conquistas que Nossa Nação e Estrutura, haviam perdido em 1930 !! Conquistam tal façanha para o Mundo, enquanto voltam sujeitadas ao Caudilhismo Fascista Ditatorial, que foi obrigado pelo que restou das Forças Progressistas Democráticas Paulistas, a abandonar o apoio aos Párias Mundiais Nazifascistas e lutarem ao lado do Mundo Livre e Democrático. Mesmo depois da derrota desta Aberração Genocida, o Brasil ao invés de liderar o Mundo com sua Vanguarda e Progressismo que lhe era natural até 1930, segue seu projeto de Estado Ditatorial Absolutista Caudilhista Assassino Esquerdopata Fascista durante 90 anos de NecroPolítica. Não abandonando este projeto nem mesmo em 40 anos de farsante Redemocracia. Alguns dizem não compreender como chegamos aqui em 2020 !!! Lutamos na Europa pelo que e contra quem? Só para deixar claro. Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

    1. Paulo F.

      14 de julho de 2020 5:17 pm

      Forças Progressistas Democráticas Paulistas?
      Fala sério!
      Mandonismo, clientelismo e coronelismo.
      Arranjo político das oligarquias por meio das política dos governadores e a política do café com leite
      Desigualdade social e uma política corrupta (aqui nunca foi o paraíso).
      A Revolução (?) de 32 resgatando a “Vanguarda e Progressismo que lhe era natural até 1930” que delírio.

  4. Ligia Soares Skrebsky

    15 de julho de 2020 6:15 am

    Só tem uma explicação pra tanta confusão e descalabros… o diabo descacou ?um ovo As autoridades estão confusas Peço a Deus pelo nosso país e pela nossa gente: -“Altíssimo Senhor que mora no seu refúgio, rochedo e proteção” Nossa Senhora pisa na cabeça da serpente. Seu Imaculado Coração triunfará. Jesus eu confio em vós. Há dois mil anos veio ao mundo para nos salvar, seja nosso mediador.

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