Peron era simpatizante do nazifascismo, absolutamente nada a ver com esquerda, por Andre Motta Araujo

O PERONISMO é um fenômeno político próprio, exclusivo e específico, muito anterior e muito mais sólido do que o bolivarianismo, com o qual não tem nenhum parentesco.

Peron era simpatizante do nazifascismo, absolutamente nada a ver com esquerda

por Andre Motta Araujo

O líder carismático Juan Domingo Peron, fundador do movimento político Justicialista e Presidente da Argentina em dois períodos, tem no DNA de sua liderança, nascida em 1943, uma admiração dos regimes de extrema-direita da Europa, antes, durante e depois da Segunda Guerra.

A Argentina durante a Guerra foi NEUTRA e só se declarou pró-aliados em março de 1945, para poder ingressar na ONU.

Durante toda a Guerra, foi simpatizante do Terceiro Reich e da Itália fascista, depois da Guerra foi o refúgio preferido de nazistas de alto coturno, como Adolf Eichmann, comandante geral do Holocausto. Havia uma colônia inteira de nazistas fugidos da derrota do Reich acolhidos na Argentina sob a proteção de Peron, situação amplamente documentada. A Argentina de Peron foi o último refúgio do nazismo.

O APOIO DE PERON À ESPANHA FRANQUISTA

No imediato pós-guerra, a Espanha franquista, uma ditadura de extrema-direita que tinha sido apoiadora da Alemanha nazista, enviando à frente russa duas Divisões de Exército (o “Exército Azul”), foi considerada um regime pária pelos aliados anglo-americanos e impedida de ingressar na ONU. Com seu isolamento internacional o regime de Franco não teria sobrevivido sem o apoio da Argentina de Peron, que garantiu de 1945 a 1951, o suprimento de trigo e carne, a crédito, para a Espanha.

A visita triunfal de Eva Peron à Espanha (a “Viagem do Arco Iris”) onde foi recebida pelo Generalíssimo Franco e sua esposa, Doña Carmen Polo, na escada do avião (exigência de Peron) e com faustosa recepção onde recebeu a Ordem de Isabel a Católica (a mais alta da Espanha, também exigência de Peron), é apenas a marca de uma aliança fundamental entre os regimes peronista e franquista. A Argentina era então um dos países mais ricos do mundo em reservas cambiais, supriu os exércitos aliados de carne e outros alimentos e se entupiu de dólares.

O PERONISMO é um fenômeno político próprio, exclusivo e específico, muito anterior e muito mais sólido do que o bolivarianismo, com o qual não tem nenhum parentesco. A base social da Argentina é CLASSE MÉDIA, o nível educacional é alto, Buenos Aires tem 600 livrarias, mais que todo o Brasil, os argentinos pouco emigram e quando o fazem é basicamente para a Europa, na Argentina há uma riqueza oculta e razoavelmente distribuída representada por economias em DÓLAR, tanto na classe média como nos ricos, estima-se essa poupança em 250 a 300 bilhões de dólares.

Leia também:  O apagão ambiental de Bolsonaro: queima-se tudo, menos dinheiro, por Gilberto Maringoni

Nas 11 crises econômicas argentinas dos últimos 50 anos, NÃO se conhece emigração para o Brasil em nenhuma escala, há poucos argentinos no Brasil, mas a Argentina já recebeu, nos últimos três anos, 400.000 venezuelanos. Os argentinos só vêm ao Brasil para desfrutar de suas praias, mas voltam.

ARGENTINA E VENEZUELA

São países completamente diferentes na história e na geopolítica. A formação demográfica da Argentina vem de brancos espanhóis, italianos e ingleses, não houve escravidão e mestiçagem. A Venezuela foi formada por galegos em pequena escala, nas montanhas ao lado de Tajira há mais brancos e, na costa, grande mescla de índios caribe (canibais) e escravos trazidos da África (caso de Chavez), uma sociedade pouco equilibrada, uma minoria branca no topo da pirâmide e uma massa de pobres na base. Há mais semelhança entre Argentina e Polônia do que entre Argentina e Venezuela.

Em resumo, não existe possibilidade histórica de representar o Partido Justicialista e suas vertentes como algo parecido com ESQUERDA.

Abaixo um clip do General Peron, grande líder político sul-americano, companheiro histórico de Vargas e Haya de la Torre, acima das ideologias.

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33 comentários

  1. Na Argentina havia preocupação com o bem estar de todo o povo (isso é patriotismo!).
    Aqui depois de 20 anos de ditadura o último ditador, Figueiredo, reclama que o povo não sabe nem usar escova dental. Não entra na cabeça dessa gente que “a medida que o país desenvolve tudo deve ser distribuído para a população” (Leonel Brizola).
    Ficaram fazendo o que durante 20 anos de ditadura?
    Já li que 5.000 Argentinos foram voluntários para a guerra contra o Nazismo.

    • Leonel Brizola arranjou um casamento com a irmã de João Goulart (Jango) latifundiário e estancieiro, para conseguir ascensão financeira e política. Juntos promoveram sua ‘ ideologia socialista ‘ protegendo e promovendo a Ditadura de Golpe Civil Militar Fascista de outro familiar, o também estancieiro Getúlio Vargas.

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  2. POR LOS PRINCIPIOS SOCIALES ,QUE PERÓN A ESTABLECIDO , EL PUEBLO ENTERO ESTÁ UNIDO Y GRITA DE CORAZÓN !! VIVA PERON , VIVA PERON

  3. Antes de vir para o Brasil, Mengele viveu na Argentina peronista e no Paraguai de Stroesnner. Dois bastiões do nazifascismo dos quais Bolsonaro, aliado dos judeus ortodoxos, sempre apoiou.

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  4. Para se rotular algo como esquerda ou direita é necessário saber se defende a equanimidade ou a manutenção dos privilégios de certas classes. Rotular baseado em relações com outros países é muito pouco.

  5. Há algumas imprecisões neste artigo. Se é certo que no no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX a chegada de imigrantes europeus forjou o estereótipo rioplatense, também é certo que houve escravidão na Argentina, abolida na constituição de 1853.
    Estima-se que 50% da mão de obra era formada por escravos africanos, em algumas províncias a população negra superava os 50%. A redução da presença negra na sociedade argentina se dá principalmente pelo abandono desse contingente social por parte do estado (há vasta documentação e literatura que demonstra que epidemias – como a febre amarela – nos guetos urbanos dizimaram muitos negros), e também pelo uso de seus participantes nas guerras de independência e na guerra do Paraguai. Entre os 5.000 homens que cruzaram os Andes com o General San Martin, a metade era formada por negros. Além disso, em várias províncias mulheres negras solteiras ou viúvas de soldados da Guerra do Paraguai eram forçadas a terem filhos com homens brancos.
    A mestiçagem é um traço fundamental na formação do povo argentino, principalmente entre a população indígena e europeus. Uma vista pelas provincias de Corrientes, Misiones, Chaco, Jujuy demonstra essa afirmação. Um erro comum quando falamos de Argentina é reduzi-la a Buenos Aires.
    Um dado interessante é que nas estatísticas demográficas argentinas, somente em 2006 foi permitido às pessoas entrevistadas declararem-se “negros”, o que evidencia a intenção de invisibilizar a presença de negros no país, ainda que o principal gênero musical do país, o tango, tenha raízes africanas. Também se encontram várias palavras africanas no espanhol rioplatense, como milonga, mina, candombe, quilombo etc.
    Outra imprecisão relevante no artigo é sobre a emigração argentina. Segundo dados de 2012 da Organização Internacional para las Emigrações (OIM) é fato que o maior número de argentinos que emigram vão para a Espanha (30%), mas em seguida vem os EUA (23,3%) o Chile (8,5%), e Paraguai (6,1%). O Brasil ocupa a 7ª posição, com aproximadamente 3%. Entre os 10 destinos dos emigrantes argentinos (86,2%), somente um está na Europa e representa pouco menos que um terço de seus imigrantes. O segundo destino europeu é a França, destino escolhido por apenas 1,2% de emigrantes argentinos.

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      • Andre, embora eu esteja de acordo sobre a Argentina ter mais brancos em comparação a outros países da América do Sul, outro estudo aponta uma composição diferente: “Las investigaciones del grupo han permitido sacar cuentas distintas de las de muchos manuales respecto de la composición de la población argentina: un 65% de europeos, un 30% de amerindios y la aparición de un elemento que en la mayoría de las descripciones aparece negado: un 5% de componente africano. ”
        http://argentinainvestiga.edu.ar/noticia.php?titulo=un_30_por_ciento_de_componente_mestizo_en_la_poblacion_argentina&id=1531

      • André, esse estudo do Factbook só pode estar errado, e por uma simples razão: não há distinção por cor ou raça nos censos argentinos, como no Brasil. Com absoluta certeza o percentual não é esse apresentado. Nem no bairro mais “cheto” (gíria porteña para ricaço) de Buenos Aires esses números devem valer.

      • André, outro reparo: o CIA World Factbook diz que 2,4% são ameríndios PUROS.
        Os mestizos entram no grupo dos 97,2%.
        Mesmo assim, provavelmente está errado, pois o censo argentino não faz distinção de raça nos moldes do censo brasileiro.

      • André, outro reparo: o CIA World Factbook diz que 2,4% são ameríndios PUROS.
        Os mestizos entram no grupo dos 97,2%.
        Mesmo assim, provavelmente está errado, pois o censo argentino não faz distinção de raça nos moldes do censo brasileiro.

      • Parabéns ao autor. Você conhece bem a história recente da Argentina. O fascismo de Perón foi muitas vezes denunciado tanto pela esquerda tradicional, quanto pelo stalinismo e pelos conservadores mais democráticos. Ainda não foi escrito um livro fidedigno, neutral, equidistante e documentado, embora haja vários livros especializados sobre temas parciais, como a relação de Perón con os refugiados da SS, de Uki Goñi. É importante entender nossos vizinhos para comprender com mais precisão o colonialismo.

      • Parabéns ao autor. Você conhece bem a história recente da Argentina. O fascismo de Perón foi muitas vezes denunciado tanto pela esquerda tradicional, quanto pelo stalinismo e pelos conservadores mais democráticos. Ainda não foi escrito um livro fidedigno, neutral, equidistante e documentado, embora haja vários livros especializados sobre temas parciais, como a relação de Perón con os refugiados da SS, de Uki Goñi. É importante entender nossos vizinhos para compreender com mais precisão o colonialismo.

  6. Com seu grande conhecimento, talvez o André me desminta, mas não me lembro de um país equivalente a Argentina em termos de população e território e importância mundial em que o nome de um político chegou a virar um substantivo-adjetivo em seu jogo político até hoje. No Brasil, apesar da importância total de Vargas para criação do Brasil como o conhecemos hoje, não se criou um movimento político como o peronismo – talvez um dos motivos é a personalidade muito introspectiva, quase enigmática de Vargas. No campo internacional, na minha humilde opinião a condução de Vargas em relação ao nazismo foi muito melhor do que a de Péron. Além de ter sido o único país da América Latina a mandar soldados contra o nazifascismo,o que ajudou em termos de imagem mundial ( e segundo André até Austria foi oferecida ao Brasil rs ) Vargas, com sua habilidade que não tem paralelo com nenhum outro que teve o poder máximo por aqui, não deu essa apoio pelos belos olhos de Roosevelt e nem porque detestava o nazismo, mas sim recebendo em troca a usina de Volta Redonda, marco do Brasil industrial.

  7. André, acho que na parte que você fala composição étnica da Venezuela há uma confusão. Seriam caraíbas em vez de canibais.

  8. O peronismo foi um movimento de inspiração fascista, portanto de direita, e obviamente oposto à esquerda. Até aí a análise do artigo está correta. Mas é preciso lembrar que nos primórdios do século 20, fascismo e socialismo derivavam do mesmo tronco e disputavam o mesmo público constituído basicamente de trabalhadores e intelectuais descontentes, enquanto a classe média se alinhava aos partidos liberais e conservadores. Vários líderes de direita, como o próprio Mussolini. foram socialistas em sua juventude, o que demonstra o parentesco entre as duas correntes. O partido nazista intitulava-se partido nacional-SOCIALISTA. No Brasil, Getúlio Vargas, acusado várias vezes de imitar Perón, não teve nenhuma dificuldade em passar de simpatizante do nazi-fascismo nos anos 30 a esquerdista nos anos 50.

    Por haver brotado justamente desta área difusa de intersecção entre direita e esquerda (na acepção que esses termos possuem hoje) o peronismo manteve essa dicotomia por toda a sua história. O braço armado do peronismo dividiu-se entre os Montoneros, de esquerda, e a Aliança Anticomunista Argentina, do ministro Lopez Rega e da presidenta Isabelita. Desde sua origem o peronismo brandiu um discurso anti-classe média e de glamurização dos pobres (os descamisados).

    Portanto, existe sim um parentesco longínquo mas bem flagrante entre o peronismo dos anos 40 e o atual bolivarianismo venezuelano. Ambos são ultra-nacionalistas, estatistas, autoritários e cultuam lideres carismáticos. Não suprimem o capitalismo nem a burguesia, mas colocam-nos sob a égide do Estado (na verdade praticam um capitalismo de estado e criam uma burguesia para seu próprio uso, seja beneficiando burgueses aliados ou enriquecendo seus acólitos).

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    • Agradeço o comentario. Estamos hoje no Brasil inventando uma nova ideologia, uma direita anti-nacionalista, que se oferece em vassalagem a outro Pais, os EUA. O que vc comenta sobre isso?
      Lembra o nazismo de Vidkun Quisling na Noruega, vassalo da Alemanha.
      Quanto ao resto não há marxismo no peronismo, há sindicalismo na base mas Peron sempre se ligou a grandes empresarios como Jorge Antonio, Dodero, Bulgueroni, os Montoneros foram um grupo
      independente que se postava como peronista mas não era comandado pela estrutura do peronismo.

      • A questão é que o termo “direita” pode ter acepções muito diferentes, sobretudo se é usado apenas como antônimo de esquerda. A direita fascista do início do século passado era ulta-nacionalista e belicista. O governo dos militares de 1964 foi várias vezes acusado de servilismo aos EUA, mas manteve o nacional-estatismo herdado de Vargas, característica que o aproxima do nacionalismo próprio dos regimes de direita. Já o governo atual, nada tem a ver com o governo de 1964, exceto pela admiração pueril de Bolsonaro, que não fez parte daquele governo porque nem era formado na época.

        A política do governo atual aproxima-o do liberalismo de FHC, com seu discurso privatista de estado mínimo. Enfim, não o considero direitista na acepção original do termo, mas um governo liberal comandado por um presidente boquirroto que gostaria de ser fascista.

  9. André, seu texto traz alguns pontos interessantes para debate, mas, como outro leitor apontou, alguns equívocos. E também algumas repetições de lugares-comuns brasileiros sobre a Argentina (como a falsa estatística do número de livrarias, uma mentira que volta e meia reaparece nesse tipo de debate). Na condição de ex-morador do país, preciso fazer algumas correções (além daquelas que o Pietro já fez).

    Dizer que não houve mestiçagem na formação étnica da Argentina é um equívoco grave. Nem no auge da imigração europeia para aquele país isso foi verdade, quanto menos agora. O povo argentino sempre teve um importante componente indígena, muito visível no interior e mesmo nas regiões do conurbano bonaerense (a região metropolitana da capital). Há províncias argentinas oficialmente bilingues, com o espanhol convivendo com as línguas originárias, à maneira do que ocorre no Paraguai e na Bolívia. No norte argentino, a grande maioria da população é de origem indígena.
    No passado também teve um componente africano, que quase desapareceu pelos motivos que o Pietro bem colocou.
    O grosso dos europeus que emigraram pra Argentina foram italianos do sul e espanhóis. Ingleses foram em número muito reduzido, restritos a alguns industriais e donos de frigoríficos, e estão presentes apenas na classe alta do país.
    Reduzir a Argentina à classe média alta e alta porteña é como reduzir o Brasil à zona sul do Rio de Janeiro ou a alguma cidade de colonização alemã do sul do país.

    Sobre o peronismo: há mil peronismos diferentes. Aquele representado pelos Kirchner (a sua última “encarnação”, por assim dizer) tem sim muitos pontos em comum com o bolivarianismo, e foi seu aliado e continua a ser. O peronismo “de Perón” por assim dizer tem várias diferenças em relação a este que os Kirchner representam.

    Sobre a Venezuela, também há erros. A Venezuela também recebeu um número muito grande de imigrantes europeus entre os anos 40 e 70 e boa parte da classe média venezuelana descende deles.

    Por último, Argentina e Venezuela são países diferentes, mas com muito mais semelhanças entre si do que diferenças. Inclusive o fato de terem tido períodos de glória no passado.

    • Agradeço o comentario, o tema sempre esta aberto para debate. Há diferenças completas na colonização e formação cultural da Argentina e da Venezuela. Na essencia a Argentina é um Pais europeu, há sim população indigena ao norte mas a marca da Argentina é europeia porque essa
      base cultural já estava formada na virada do seculo XIX para o XX. Já a Venezuela era um Pais
      pouco estruturado até a descoberta do petroleo no governo de Juan Vicente Gomez nos anos 20,
      a base da população era espanhola nos contrafortes dos Andes, Gomez era de Tajira e mestiça no litoral, a imigração europeia recente de 1946 a 1960 não sedimentou como fator social e muitos
      deixaram a Venezuela após Chavez, a sociedade venezuelnaa é completamente diferente da argentina, conheço bem porque tive por anos ligações com o grupo da Electricidad de Caracas,
      a primeira grande empresa estatizada por Chavez. Caracas era uma cidade com um topo da sociedade ligada a Miami e uma base extremamente pobre, sem industria e sem empregos, com
      10.000 botecos nas periferias, um tipo de massa popular que não havia na Argentina onde a base é europeia não só em Buenos Aires, mas tambem em Rosario, Cordoba, Santa Fé, Cordoba em
      um centro cultural sofisticado, algo que nunca existiu na Venezuela.

      • Não há diferenças completas, André. Claro que há diferenças, mas os dois paises tem muito mais em comum entre si do que vc imagina.
        Primeiro, não existe “essencia” quando se fala de países, e menos ainda de um país como a Argentina, que modificou substancialmente a sua estrutura étnica ao longo do tempo.
        A Argentina até o fim do século XIX, quando começou a aumentar a população europeia, era um país tão ou mais mestiço quanto qualquer país latinoamericano. O gaucho argentino era um mestiço e os gauchos que restaram são quase sempre mestiços. A cultura argentina é cheia de marcas indígenas (o mate, a música folclórica, parte da indumentárias e dos instrumentos musicais, expressões como “che” que é um vocativo do guarani etc etc etc).
        Os europeus que chegaram misturaram-se com essa base, que não é europeia e sim mestiça. A influencia europeia de que vc fala está presente na classe média e alta porteña e em algumas províncias como Entre Rios, Santa Fé e algumas partes da Patagonia, mas mesmo essa base tem muita influencia cultural gaucha ou nativa.
        Qto as cidades que citou, Rosário tem uma população de origem italiana muito forte mas muitos mestiços nas classes baixas. Cordoba é uma cidade majoritariamente mestiça, com mto legado cultural espanhol. E olhe que nem estou falando de cidades como Tucumán, com 1 milhão de habitantes e imensa maioria de indígenas e mestiços, uma cidade que poderia perfeitamente ser peruana ou boliviana. Há muitas outras.

        Sobre a massa popular e os botecos que vc fala de Caracas, sugiro que vc dê uma passeada pelo conurbano bonaerense e conheça seu mil “boliches” (botecos locais), onde o povo baila ao som da cumbia villera (e não tango como vc decerto imagina, o tango é música para turistas), come mandioca frita e bebe aguardente enquanto espera pelo próximo jogo do Boca Juniors.

        Quando vc conhecer essa Argentina de fora do circuito de turistas brasileiros, entendera de onde saiu o peronismo e o kirchnerismo.
        E pra finalizar, Perón era outro mestiço, sua mãe tinha sangue tehuelche (indios patagonicos).

    • Você levantou pontos interessantes. Pelo senso comum, a Argentina é um país “branco”, e o Brasil é um país “negro”. Mas isso tem a ver com o mito fundador que cada país construiu para si, a Argentina louvando sua herança européia, o Brasil glorificando sua mestiçagem. Desta forma, foram exportadas imagens distintas para consumo externo, enquanto o país real só é conhecido pelos que vivem ou já habitaram ali.

      Estritamente falando, tanto imigração quanto miscigenação não derivam de preferências, mas da necessidade prática. As pessoas emigram porque a vida em seu país de origem está difícil, e se unem a parceiros(as) de outra raça porque não encontram gente de sua própria raça disposta a uma união. Ironicamente, o Brasil deveria ser considerado um país “mais europeu” do que a Argentina, porque ao contrário de lá, aqui não existem vastas regiões bilingues. É também curioso notar que a imigração italiana, em em termos brutos, foi mais numerosa no Brasil do que na Argentina (de fato, mais numerosa do que em qualquer outro país do mundo) mas poucos italianos têm ciência disto. Para eles, o país que recebeu seus emigrantes foi a Argentina, posto que isso corresponde à imagem “européia” exportada pelos argentinos, e o Brasil é um país de mulatas, posto que isso corresponde à imagem “miscigenada” exportada pelos brasileiros, além de atiçar um imaginário colonial que vê os nativos das antigas colônias como sempre negros.

      Na prática, o Brasil não se parece com a Europa, mas em termos de composição étnica, se parece muito com os Estados Unidos, fato que é sempre minimizado e se costuma apontar sempre os EUA como o exato oposto do Brasil.

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      • 80% da população argentina tem sangue italiano, bem diferente do Brasil. A Argentina é muito mais européia que o Brasil…

        • São 40% e grande partes deles miscigenados com outros povos inclusive os indígenas (há mtos exemplos famosos). O que se está dizendo é que no Brasil não há Estados bilingues com idioma indigena, ao contrário da Argentina.

          De todo modo, nenhum dos dois é “europeu”, nenhum país fora da Europa pode se dizer assim, nem a Australia (essa sim com população quase que só eurodescendente).
          Repito o que disse antes: já havia Argentina e argentinos antes da imigração europeia. O país não é produto somente dela.

    • Olá. Sou bibliotecário e gostaria da fonte correta sobre a estatística da quantidade de livrarias em Buenos Ayres. Para um projeto que estou escrevendo. Obrigado

  10. Uma das coisas mais complicadas de entender o peronismo para quem não é argentino é que, em torno de Perón e do Partido Justicialista, se juntou toda a matiz ideológica possível. O resultado é que o PJ abrigou a Aliança Anticomunista Argentina e os Montoneros, abriga Carlos Menem e Cristina Fernández de Kirchner, e por aí vai.

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