Política externa de Trump bate na parede, por Andre Motta Araujo

Trump é um oportunista político-financeiro e opera a política externa como "marketing" pessoal, sem qualquer lógica de interesse nacional.

Política externa de Trump bate na parede

por Andre Motta Araujo

Os Estados Unidos articularam sua política externa depois da Segunda Guerra por uma sólida doutrina elaborada pelo mais influente diplomata americano no Século XX, George Kennan, cujas “Memórias 1915-1950” foram editadas em português pela Top Books. Dei minha pequena contribuição ao entusiasmar o editor Jose Mario Pereira a essa edição que nada teve de comercial.

Kennan foi Embaixador dos EUA na antiga União Soviética e depois foi o primeiro chefe do Planejamento Estratégico do Departamento de Estado. Sua “Doutrina de Contenção” governou a política americana na Guerra Fria e levou ao fim da URSS, como Kennan já tinha previsto em 1947 no seu famoso “Long Telegram” ao Presidente Truman, uma peça de 49 páginas onde expunha sua doutrina.

Uma política externa com princípios, começo, meio e fim, não é o que hoje se opera nos EUA. A política externa da Presidência Trump não existe como tal.

Trump é um oportunista político-financeiro e opera a política externa como “marketing” pessoal, sem qualquer lógica de interesse nacional.

Foi assim que rompeu o bem articulado Acordo de 16 países com o Irã, construído pelo seu antecessor Barak Obama. O Acordo estava em pleno funcionamento e atendendo seus objetivos, não havia nada de errado com o Acordo, segundo a opinião de todos os demais países participantes. O Irã estava cumprindo com sua parte MAS, para Trump, havia um defeito insanável no Acordo, tinha sido elaborado e assinado por Obama e não por ele, Trump.

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Então, sem um motivo plausível, Trump rompeu com o Acordo e pretendia celebrar um novo Acordo, agora com sua marca e foto na assinatura.

Entre uma coisa e outra, as sanções comerciais e financeiras para estrangular a economia iraniana para obrigá-los ao seu Acordo com Trump (com foto).

Mas o Irã não é para amadores, é um País grande, complexo, com milenar história de potência regional e tem aliados, a Turquia, a Rússia e a China.

Ao jogar o Irã contra a parede, para obrigar seu Presidente a ir a Washington e tirar uma foto celebrando um novo acordo, essa é a meta de Trump, não se previu que o Irã, antes disso, poderia reagir às brutais sanções americanas e provavelmente reagiu, atacando a Arábia Saudita, aliada de Trump.

Se não foi o Irã diretamente seriam forças patrocinadas no Yemen ou no Iraque, o Irã tem potencial para fazer estragos e arruinar o oportunismo de Trump.

O SECRETÁRIO DE ESTADO

Uma política externa exclusivamente de auditório nega a histórica presença de grandes Secretários de Estado no período durante e após a Segunda Guerra.

Nomes como Edward Stettinius, George Marshall , grande General e grande Secretário, criador do Plano Marshall que recuperou a Europa, Dean Acheson, cuja menor biografia de 550 páginas, Foster Dulles, Dean Rusk, James Baker, personalidades da História de nossos tempos. Hoje temos Mike Pompeo, que diz amém a Trump sempre, não importa o que Trump queira, isso é parte da atual tragédia da política externa americana, uma política de twitter.

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