Redes Sociais: a perpetuação de um modelo maçante e infantilizado

Por: Eliana Rezende

Em outras oportunidades já abordei as questões envolvendo o Facebook e os padrões de comportamentos dos seus usuários. 

Neste post concentro-me em uma análise das chamadas redes sociais, e até a ‘profissional’: LinkedIn.

Quando do seu surgimento, as redes apontavam com uma possibilidade inédita de interação, troca por compartilhamentos e possibilidades de interação em tempo real. Parecia, aos observadores, que encontrávamos um novo modelo, inovador e renovador, para relações e trocas sociais. A comunicação parecia romper fronteiras de tempo, espaço, classes sociais e culturas. Paradigmas seriam rompidos quase que na mesma proporção em que tecnologias fossem sendo criadas e disponibilizadas à usuários pelo mundo, através de gadgets variados.

 

Transcorridos, tempo e tecnologia, as projeções se mostraram diametralmente opostas. Hoje, o que vemos em larga escala é, apenas e tão somente, a variação de “mais do mesmo”. As plataformas digitais repetem fórmulas, e apenas reforçam aquilo que diferentes profissionais de áreas sociais apontam: uma sociedade egoica, onde as redes funcionam apenas e tão somente como veículos potencializadores, com lentes de aumento em atitudes individuais. E  que vez por outra alcançam ‘movimentos de manadas’. As pessoas reproduzem e amplificam aquilo que nem entendem o que seja.   

Ao invés de estreitamento e proximidade, as redes em geral, oferecem a solidão, o isolamento e ensimesmamento de indivíduos. 

Do ponto de vista de compartilhamentos, nota-se uma padronização infantilizante de postagens, em geral compostas por itens de simplificação de uma imagem e uma foto. Com o desenvolvimento e facilidade de criação de vídeos, ganham notoriedade os rasos e rápidos. O processo se repete de forma entendiante por plataformas ditas de mídias sociais, mas também alcançam redes consideradas profissionais. Um exemplo disso, foi quando o LinkedIn passou a permitir que fotos e vídeos pudessem ser anexados. A partir deste ponto a rede social virou um braço amigo e semelhante de redes como Facebook. A quantidade de insignificâncias aumentou e escondidos os logos de identificação da plataforma, não somos capazes de determinar em que rede estamos, tal a similaridade desinteressante compartilhada.

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De outra sorte, mas igualmente repetindo modelos cansativos temos as ditas pílulas de motivação, autoestima ou autoconhecimento. Repetem-se, ad nauseam, pelas diferentes plataformas como forma de servir de “incentivo” ou expressar “pensamentos”. Óbvio que estão longe de uma reflexão, e tornam-se apenas modismos desconfortáveis, repetidos exaustivamente por toda uma rede. É comum vermos a mesma pílula compartilhada “N” vezes até à exaustão. O fato merece destaque, pois revela um ‘sedentarismo social’ implícito nas repetições constantes de postagens alheias, em especial na ausência de busca de conteúdos inéditos: afinal, é sempre mais fácil e mais rápido copiar ou compartilhar o que já está ali pronto. The lowest hanging fruit (O fruto mais fácil a ser colhido). 

Mas ainda há aquilo que, de mais vil as redes tem produzido: a agressividade. Tal agressividade chega às raias de produzir discursos xenofóbicos, preconceituosos, racistas, e de muitas outras formas de ataque utilizando-se o anonimato em rede para esconder-se grosseira e covardemente daqueles a quem se dirige todo seu ódio destilado. 

Quando isso não ocorre, temos apenas a superficialidade.

Ninguém mais é capaz de ir além de três parágrafos, quer para escrever, quer para ler.

Daí o uso de postagens imagéticas para “facilitar” supostos conteúdos. E é neste terreno que a pasteurização apresenta-se como a mais aterradora em rede: os conteúdos tendem a ser rasos e simplistas. Posts proliferam-se como apenas exercícios de recorta e cola e em raras possibilidades encontramos uma escrita fluente, aprofundada e consistente. Aquela que é pensada intencionalmente antes de ser postada. Aquela que de fato é uma criação. 

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A massiva mediocrização também é um elemento de repetição e constância em rede. 

Guardo para este ponto aquilo que considero o ápice do que chamo fórmulas massantes, desinteressantes e sem criatividade: as listas. 

Odeio visceralmente as listas! 

E odeio a partir de duas constatações: será que quem escreve não consegue ser claro, didático e incisivo se não dispor numericamente o que quer falar? Ou será o leitor considerado tão incapaz que, se não for através de uma lista, se perderá no meio da leitura. 

DEPLORÁVEL.

É a única palavra que consigo encontrar para designar esta forma de escrita que vejo aos borbotões em inúmeros posts, escritos muitas vezes às pressas e, que copiam o que um dia foi uma grande sacada. Hoje é só mais uma forma de perder importância e valor de conteúdo. 

 

O que é seguro afirmar, é que as redes não se renovam exatamente porque seus utilizadores não desejam isso. Exprimem-se e buscam sempre a mesma forma de repetição de fórmulas, e mesmo quando uma nova rede é lançada, sua adesão dependerá em grande parte de sua capacidade de imitar e colar a anterior. Em última instância, são os usuários que tornam os ambientes estagnados, cansativos, repetitivos e extremamente distante daquilo que possa se chamar criativo, inovador ou agregador.

As redes apenas massificam e distribuem conteúdos pasteurizados. A multidão apenas repete a fórmula, sem nada questionar ou criar. E isso me preocupa, porque nunca antes tivemos um exército tão grande que apenas responde a estímulos, ou neste caso, a cliques. 

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Como digo, não sei para onde vamos, mas sei que vamos muito mal!

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Publicado originalmente no Blog Pensados a Tinta

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19 comentários

  1. Ironia

    Entendo o dilema da divulgação ampla do blog, mas não deixa de ser irônico que ao mesmo tempo que a autora se queixa, com razão, da pobreza de conteúdo e do discurso raso das redes sociais, ela coloca no próprio site “Curta/Acompanhe o Blog através de sua página no Facebook”.

    Tirando isso, concordo plenamente com as críticas da autora às redes sociais. Tenho perfil no LinkedIn por motivos profissionais, mas é cada vez mais difícil encontrar um tópico que valha a pena ler ou uma discussão que faça sentido participar. Quanto ao Facebook e outras redes, não sou membro nem pretendo ser.

    • Ironia

      Ol@ Nicolas…

      Vou responder o mesmo que respondi abaixo para Celeide. Não há ironia alguma aqui: 

      “A resposta é muito simples à sua indagação: se não tentar estar onde estes equivocos acontecem como posso tentar fazer algo?

      Antes de toda e qualquer coisa sou uma docente e mostro por exemplo que mesmo uma plataforma mediocre pode ter conteúdo relevante… só isso… basta pensar!”. 

      Não tive Orkut e Facebook entrei e fiquei 4 dias: não aguentei. Mantenho perfil no LKD, e sou muito atuante. Mas ele está se “facebookizando”. 

      Mas insisto em continuar a falar e tentar fazer as pessoas pensarem dentro da caixa em que estão. 

      Abs

      Eliana

  2. Face… Já vai tarde!

    Já cheguei a ter mais de mil “amigos” no Face, hoje tenho ao redor de cem e ainda acho muito. Os comentários e postagens (que se assemelham a filmes, para um bom existem 99 ruins) são óbvios e fúteis e (concordo com a autora do texto acima) visam apenas engrandecer os autores que necessitam, patologicamente, mostrarem o quão diferenciados e inteligentes são. Também muito semelhantes às músicas sertanejas, ou se está contando vantagem ou lamentando a vida. No andar da carruagem, fecho minha conta ainda este ano. E quer saber? Já vai tarde, Face…

  3. Redes Sociais: a perpetuação de um modelo maçante e infantilizad

     

    Coisa estranha isso: “Curta/Acompanhe o Blog através de sua  página no Faceboobk”…

    Será que é o seguinte: _ Faça o eu digo, mas não faça o que eu faço?

     

    Bom, o texto é ótimo de fato! Vou até enviar para amigos “esclarecidos”, mas que é estranho é….

    • redes sociais…

      Ol@ Celeide…

      A resposta é muito simples à sua indagação: se não tentar estar onde estes equivocos acontecem como posso tentar fazer algo?

      Antes de toda e qualquer coisa sou uma docente e mostro por exemplo que mesmo uma plataforma mediocre pode ter conteúdo relevante… só isso… basta pensar!

      Abs

      Eliana

       

  4. Artigo legal. Mas eu acho que

    Artigo legal. Mas eu acho que elitizar a livre expressão entre os cultos, intelectuais e capacitados não é a solução. Monopólio da palavra também é ruim…deixa o povo se expressar…como diz meu ídolo e vocalista do Nenhum de Nós, Thedy Correa: “Não me mandem sadismos, por quê eu aperto o botão “desfazer amizade” sem o menor problema.” Para os casos de ódio, existe o isolamento…basta isolar o artista e a platéia…mas será que a tentação de ter 400 amigos no face é grande demais para começar a podar o jardim? 

  5. Caramba, custava rever o

    Caramba, custava rever o texto antes de publicar? Criticar a infantilização provocada pelas redes sociais em texto tão cheio de erros mata sua credibilidade já na saída.

    • Erros? Do que vc está falando?

      Censurar o Português dos outros é elitista e antidemocrático. É tb manifestaçao de desconhecimento. As línguas têm variedades, e todas elas sao válidas. Sem contar que a descriçao da língua contida nas gramáticas normativas é uma ficçao. Procure se informar melhor a respeito.

  6. Quanto mimimi

    cada um posta o que bem entender e se for ilegal tem ferramenta de denúncian o face, na PF, no MP e agora tem até esse diacho do Humaniza Redes; tem quie ficar td hora postando política e ser sério?? onde está escrito isso??

     

    e outra o ser humano sempre foi individualista, só se alia a outro por interesse(sexual, financeiro, afetivo ou qualquer outro), a esquerda quer empurrar goela abaixo a quebra da individualidade para empurrar ideologias que levam ao totalitarismo…

    • Menos mimimi por favor

      Seu comentário enquadra-se perfeitamente na análise da autora do texto, tanto pela brevidade da exposição do raciocinio quanto pelo maniqueismo a que ele remete.

      Veja você que o mero convite à uma reflexão sobre a maneira como utilizamos as redes sociais já irrita e é resumido como fruto de totalitarismo.

      Ora isso é um paradoxo na medida em que é justamente o apelo à diversidade e às diferenças de pensamento a proposta do texto.

      Totalitarismo é exatamente o que está identificado na analise da autora quando se refere ao copia e cola das noticias e comentários. Individuos cada vez mais mostram-se incapazes de pensar por si mesmo e fazem como o senhor acaba de fazer: simplificam tudo e jogam nas costas de uma suposta ideologia ou que nome tenha. Isso sim é o tipico pensamento unico.

      Acrescente-se ainda o indisfarçavel desejo de ofender e caracterizar como ilegal a simples exposição de uma idéia.

      Abraços

  7. Quanto o adjetivo vence o substantivo

    Olá debatedores,

    acho que  compreendi a autora e posso até concordar com boa parte do que ela  disse.

    Todavia, da outra boa parte do que ela disse , desculpem-me, discordo.

    Ora, Facebook, you tube, linkedin, entre outros, estão aí como INSTRUMENTOS que inegavelmente, nos ajudam a contatar pessoas em  várias partes do mundo.  

    A internet , na verdade,  é a que começa toda essa loucura de contatos unversais. Contatos inimagináveis na década de 1980, por exemplo.

    Nesse sentido, meus caros debatedores, não há como construir um discurso forte contrário ao facebook e cia.

    Todavia, a propagação de “mais do mesmo” ou cópias de “pensamentos” , de ódio, de racismo, de tudo, fica por conta dos usuários.

    Aí sim, podemos perceber muita IMBECILIDADE( na minha opinião) por parte dos usuários. Evidentemente, tem muita coisa boa também. 

    Esclareço-lhes que quando eu digo imbecilidade tento passar a ideia daqueles pensamentos mais baixos, contrários ao  convívio humano razoável( digamos assim) , ou mesmo, ilegais, por exemplo, racismo, homofobia, ofensas à dignidade da pessoa humana etc. Estes últimos   já são crimes   e devem ser tratados assim.

    Mas, convenhamos, alguns  “posicionamentos”, que não se enquadram em tipos penais , mas que muitas vezes beiram ao absurdo ou representam o próprio absurdo,  refletem o pensamento daqueles que escrevem. Ora, refletem o meio em que vivem, o que pensam, os “valores” que defendem ou a “ideia” de vida que defendem  etc.

    Lendo estes “posicionamenos”,  a gente começa a perceber ou elaborar   , mais ou menos,  um certo “diagnóstico” do meio social de uma determinada região, lugar etc.  Percebe-se, noutras palavras,   os “valores” de uma  “sociedade”.

     

    Mas é claro que há também um outro problema, qual seja:

    O que era apenas um INSTRUMENTO, uma FERRAMENTA,  passa a ser SUBSTÂNCIA, MATÉRIA. 

    E ai , abre o espaço para a MANIPULAÇÃO das mentes idiotas.

    O comentário no “facebook”, torna-se “o” comentário, “a” verdade, o substantivo.

    O facebook maravilhoso comenta. ( sujeito: O facebook; núcleo do sujeito:”face”)

    … e os néscios agradecem. ( oraçao subordinada idiota completiva do sujeito adjetivado)

     

    Saudações 

     

     

     

     

  8. Vale pra aqui também

    vale (e que venham inspetora do blog e quem mais for). Há uma linha de pensamento único, com um ridículo espaço a opiniões diferentes que logo são inibidas (o blog poderia receber muito mais participantes, mas parece que é isso que alguns ou uma Irmandade não quer: que venham outros participantes). Amostra: um visitante unica vez publicou pra que eu largasse esses Posts do Dia dizendo que o pessoal é muito infantil (sic), cito a palavra literalmente. A linha editorial é originalmente boa, porém me parece que , por omissão, talvez, foi se estreitando, e  (exceções confiram a regra) a seção Posts do Dia se transformou numa unanimidade de pensamento (variantes há, mas variantes), e o partidarismo salta aos olhos.

    • todos temos nossos dias de lua cheia e de bobagens

      claro que este nickname também. Mas ficar com xingamentos (imbecil isso, burro aquilo, e outros termos e frases grosseiras) afugenta até mesmo quem se viciou não no GGN, mas na Seção Posts do Dia. Aposto (até prqoeu conheço ) que há pessoas bem boas mas que só esporadicamente olham pra cá, ou deixaram de olhar, de tão previsíveis são os comentários (exceções confirmam…). E se alguém (cito a mim mesmo) cometo uma bobagem, lá vem alguém no meu pé com termos que deixam triste, não a mim, mas por a pessoa que vem me corrigir ou dar lição disso e daquilo. Outros visitantes, não cadastrados ou cadastrados já caíram fora. A Irmandade quer mesmo ficar com a bola e o campo todo, mas parece.

      • qualidades e problemas na seção Posts do Dia

        um mérito do GGN é que há seções que não são dedicadas “àquilo” (Fora de Pauta, Multimídia do Dia, e, na Home, Cultura, Blogs, etc). É um blog (nesta seção ) que reúne num só lugar várias notícias ou acontecimentos e eventualmente algum artigo, análise, do próprio GGN ou do Nassif, ou de algum convidado, que valem a pena (e, destes, há textos que não valem a pena, e, nesse tempo de superficial leitura, apressada, basta um convidado de tendência de centro-esquerda ou esquerda (cois muito relativas, claro), ou do GGN, ou assinadas pelo Nassif, que a galera logo só vê qualidades, aplaudem e na pressa não percebem contradições ou bobagens nalguns textos.

        • uma amostra

          Noutro dia, acho que foi o Daniel Quiroga, emitiu uma opinião que acharam direitosa, contrastando com outras opiniões que ele costumava fazer, e foi patrulhado, como se pecado fosse uma posição de direita (às vezes uma posição, por não ser petrificada, é confundida com o que a pessoa não pensou, e ficou bem claro naquele caso).

          • mais amostra

            Só não listo mais amostras porque pouco vejo, pouco leio desde os posts-títulos, e muitomenos os comentários – me contento com 1 ou 2, o restante é mesmice (mas estou repetindo oque já disse noutros momentos, mas não adianta, é como o pessoal que me enviou orações, citações bíblicas, e insinuações, porque eu falei da liberdade de crença e de descrença, e que a maioria mais discriminada somos os ateus e atéias, não fiz proselitismo, não que não os despreze, os proselitismos, mas me cansam militâncias que, apartir da palavra, lembram quartel, seguimento cego, obediência, punição a quem sair das regras).

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