Sobre Eduardo Bolsonaro e o risco de uma guerra civil no Brasil, por Eduardo Ramos

Há elementos de sobra, visíveis "a olho nu", no comportamento, nas falas, nas expressões corporais, no olhar, no ódio e na insanidade latentes, nos membros da "famiglia Bolsonaro"

Sobre Eduardo Bolsonaro e o risco de uma guerra civil no Brasil

por Eduardo Ramos

(referente ao post do Nassif no GGN, “Xadrez do golpe de Bolsonaro a caminho”)

Do dramático post do Nassif (dramático porque é um alerta que deve ser levado muito a sério sobre o risco de uma guerra civil em nosso país…) o fragmento mais grave, o que envolve a maior possibilidade REAL de consequências nefastas é o discurso de Eduardo Bolsonaro sobre a “necessidade” da população se armar, citando como exemplo a Venezuela de Maduro.

Há elementos de sobra, visíveis “a olho nu”, no comportamento, nas falas, nas expressões corporais, no olhar, no ódio e na insanidade latentes, nos membros da “famiglia Bolsonaro”, que nos permitem concluir que há ali patologias várias que deformam o ser; tudo neles remete a Hitler, à arrogância louca de quem só admite um mundo que seja espelho de suas crenças, preconceitos, fanatismos, ressentimentos e ódios generalizados. As pessoas riam de Hitler e seus asseclas quando o nazismo ainda era “o ovo da serpente”. Pararam de rir quando as milícias nazistas começaram a agredir com selvageria, intimidar pela força, e até matar seus opositores. Mariele não terá sido um aviso, uma demonstração de que essa gente não tem limites? O terror psíquico imposto a Jean Wyllys e Márcia Tiburi pela multidão de fanáticos bolsominions, levando os dois a se auto exilarem por medo por suas vidas, não é igualmente, uma demonstração da insanidade terrível desse momento único em nossa História?

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Lembro do olhar, da expressão de arrogância serena do Eduardo Bolsonaro, quando falou em uma palestra a empresários que “para fechar o STF não era preciso nem um jeep, bastavam um cabo e um soldado…” – e o sorriso irônico de quem tinha absoluta certeza daquele fato. Não estamos lidando com “gente normal” – Bolsonaro e seus filhos não têm limites éticos, morais, existenciais, políticos, nada, nenhum limite! Pudessem, tivessem hoje o exército sob seu domínio veríamos no Brasil uma das ditaduras mais perversas e sangrentas de todos os tempos. O modo como essa gente vê um opositor – qualquer um que pense diferente… – é “o modo como olharam para Mariele Franco” – pessoas a serem exterminadas, se não se calarem, se não se submeterem. De repente, é para se levar a sério as ameaças de Bolsonaro de “exterminar os petralhas”. Passo hoje, a não duvidar de que ele faria isso se um dia tivesse o PODER DE FATO (uma ditadura “convencional”) em suas mãos.

O modo drástico, radical, que Bolsonaro passou a tratar os militares em seu governo, é quase inacreditável, de tão DESAFIADOR da autoridade desses militares. É como se mandasse um recado muito claro: “Quem manda sou eu, Olavo está do meu lado, portanto, por mim ele falará o que quiser, quando quiser, sobre quem ele quiser, inclusive os senhores generais…” – Como se aumentasse propositalmente as fichas na mesa do jogo, por acreditar que não vão pagar a aposta e tirá-lo do poder.

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Estamos portanto, num impasse terrível, e concordo INTEGRALMENTE com o Nassif: O MAIOR DE NOSSA HISTÓRIA!

Aceitarão os generais as humilhações das ofensas inomináveis de Olavo de Carvalho? Aceitarão as nossas instituições Bolsonaro liberar armas para vários segmentos da sociedade, tornando o país um barril de pólvora INCONTROLÁVEL num futuro muito próximo?

O Alto Comando de nossas Forças Armadas deveria refletir com toda a sensatez de que fossem capazes e enxergar que NÃO HÁ SAÍDA FORA DO RETORNO DA DEMOCRACIA NO BRASIL. Exatamente como foi no fim da ditadura de 64, quando o país só respirou normalidade, civilidade, alguma paz social, através da POLÍTICA e de um mínimo funcionamento das instituições. NÃO HÁ COMO DAR CERTO ESSA AVENTURA DE UMA “DITADURA DISFARÇADA”, que é o que vivemos hoje em nosso país! Bolsonaro e seus filhos PRECISAM SER IMPEDIDOS URGENTEMENTE! Mas não será através de um governo militar através de Mourão e as centenas de militares que enxertariam o “novo governo”, a solução. Ou se constrói algum tipo de PACTO SOCIAL sem essa loucura do viés único da extrema direita, do ódio a Lula e às esquerdas, das instituições usadas como meio de esmagar toda a oposição, como ARQUITETOU E FIZERAM Moro e os procuradores da Lava Jato com o apoio da Globo e dos próprios militares, ou seguiremos no pântano fétido da incivilidade, da barbárie, do país mergulhando mais uma vez no atraso do Estado de Exceção.

Mas hoje, até Mourão se torna mais palatável e até NECESSÁRIO, se a opção outra for a loucura, a selvageria, o nazismo, o horror e a GRAVE AMEAÇA que a família Bolsonaro e Olavo de Carvalho representam para o Brasil.

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Alguma espécie de consenso precisa ser construído com esse objetivo específico – eliminar a loucura armamentista, o risco de uma guerra civil ou o que o post do Nassif preconiza: nos tornarmos de vez uma nação dominada por milicianos assassinos.

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3 comentários

  1. Risco de guerra civil? É possível, mas ainda se está longe deste quadro.
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    Pensar que Bolsonaro não procure lançar o país numa guerra civil principalmente se ele se sentir acuado contra a parede, não é um absurdo, porém entre o desejo e o fato há uma imensa distância.
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    Estava revisando os meus últimos seis anos de artigos aqui no GGN, e vi que há dois tipos de previsões que fiz, as de curtíssimo prazo, em que errei feio na maioria das vezes, e as de médio e longo prazo que uma parte delas vem se realizando e as outras que estão no caminho de se realizarem.
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    Qual seriam as razões para este comportamento? Simples, fatos de curtíssimo prazo, são fatos que seguem a uma tática momentânea das forças políticas, e quando a correlação de forças é favorável a um dado lado do espectro político, geralmente este lado vence os embates táticos. Entretanto raciocínios a médio e longo prazo, quando a análise é correta e baseada em algo a mais do que a correlação de forças no momento atual, o que vence são os raciocínios estratégicos, pois estes que condicionam as táticas no futuro.
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    Logo, a luz destas premissas vamos tecer alguns comentários sobre o título, a possibilidade de Bolsonaro se vendo acuado e colocado contra uma parede qual seria a capacidade dele implementar um autogolpe que possa levar o país a uma guerra civil.
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    Quanto aos itens de vontade, insanidade e forças para começar algo grave como uma guerra civil, ele tem cem por cento nos dois primeiros itens e cinquenta por cento no terceiro, porém para colocar um país em guerra civil, e mais importante, não ser sufocado quase que instantaneamente as possibilidades de Bolsonaro são quase nulas, e vejamos porquê.
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    A primeira coisa que Bolsonato teria que ter seria um apoio do alto comando das forças armadas, que provavelmente ele não tem para esta empreitada, teria que ter apoio disseminado em todas as unidades da federação, e nessas apoio de governadores e seus comandantes das polícias militares nestes estados, que topem entrar num luta que pode lhes render algo bem mais precioso do que seus governos, ou seja, as suas vidas.
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    Para que Bolsonaro lançasse o país numa guerra civil, teria que ter no mínimo uns dez Witzels nos governos dos Estados mais poderosos, porém tanto em São Paulo, Minas Gerais e Bahia, ele tem no caso dois governadores com projeto de poder próprio, e outro contra o seu governo. Sem o apoio dos governadores, as polícias militares teriam que dar um imenso salto que se chama a quebra da hierarquia, que em corporações militares pode ser “pior a emenda do que o soneto”.
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    Por outro lado, para entrar numa empreitada como esta, ele teria que contar com o apoio de parte do comando das forças armadas, pois sem esta entraria na mesma situação que foi descrita no último parágrafo. Bolsonaro dispõe de forte apoio nas camadas mais baixas do exército, suboficiais e talvez tenentes e capitães, porém de novo o mesmo problema se repete.
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    Há outros problemas militares que simplesmente não os colocarei aqui para simplesmente não alertar os gansos, mas são problemas, como disse militares e não políticos. Ninguém que leia este artigo não deve esquecer que Bolsonaro não passou de tenente, e como um tenente era um que mais se dedicava ao esforço físico do que intelectual, logo em questão de estratégia militar e mesmo em tática ele nunca apreendeu nada, ou o que ele apreendeu já esqueceu.
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    Mas um dos maiores impedimentos de um autogolpe que possa levar a uma guerra civil há um fator muito mais importante que os acima mencionados, o apoio externo.
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    Se olharmos com mais carinho a realidade internacional, está começando um refluxo dos projetos de extrema-direita no mundo inteiro, simplesmente porque as forças do imperialismo verificaram que a agudização da extrema-direita, pois esta começa incomodar as visões futuras do capital no médio e longo prazo. A razão do desconforto do Imperialismo com os movimentos ditos de extrema-direita é por exemplo o acordo que a Itália está fazendo com a China, ou também a nova fraterna amizade entre a Turquia e a Rússia. Ou seja, como no cenário internacional surge uma força que pode fazer frente ao Imperialismo norte-americano, os projetos de médio e longo prazo lançados há algumas décadas, terão que ser refreados, pois dentro destes países com governo de extrema-direita, ou no mínimo com um discurso mais nacionalista uma proposta com mais dinheiro e com mais futuro pode retirar pedras importantes do tabuleiro.
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    Uma aventura como uma guerra civil, é exatamente o que o Império neste momento não quer, pois numa guerra civil, ninguém consegue a priori determinar quem serão os vencedores.
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    Vamos lembrar da última aventura de guerra, no caso não civil, que se meteram ditaduras na América do Sul, a Guerra das Malvinas. Apesar de todo apoio popular que teve surpreendentemente a ditadura, a derrota levou seus comandantes para a cadeia e no caso de uma guerra civil, quem perder vai, como gosta de dizer Bolsonaro, para a ponta da praia, e neste caso pode ser o próprio que irá.
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    Não podemos brincar com palavras sérias levianamente, guerra civil é a pior das guerras, logo não podemos naturalizar a ideia, porque assim o fazendo simplesmente aumentaremos a vontade de quem a quer, mas não aumentando a probabilidade de ser exitoso.

  2. Há vários indicadores que Bolsonaro, sua família e apoiadores mais próximos estão preparando a facção da qual pertencem – as milícias – para uma guerra civil, com consequências imprevisíveis.
    Os mais evidentes são (podem haver outros):

    – Intenção de liberar armamento pesado para uso civil;

    – Intenção de liberar munição (5 mil cartuchos, por pessoa, por ano) em quantidades industriais;

    – Intenção de aprovar a figura jurídica do excludente de ilicitude para civis;

    – Intenção de aprovar a desativação de radares com câmeras em rodovias e vias públicas, tornando impossível o rastreamento de ações terroristas, como a que vitimou a vereadora Marielle Franco;

    – Intenção de liberar armamento para crianças, viabilizando a formação de milícias de guerrilheiros crianças e adolescentes, como ainda ocorre em pelo menos 7 países da África Subsaariana, e Birmânia, Ucrânia e outros rincões subdesenvolvidos.

    Outro sinal importante foi a demonstração do poder de fogo miliciano contra outras facções criminosas protagonizada pelo governador do RJ, em sobrevoo de helicóptero em Angra dos Reis, na semana passada. A pantomima contou inclusive com a presença (registrada em vídeo) do mais cruel e violento miliciano que comanda o crime na região. Não por acaso o suposto assassino de Marielle Franco (e vizinho do presidente da Republica) tem casa de veraneio em condomínio de alto luxo no município.

    Todos esses sinais indicam claramente que o comando do crime organizado das milícias, além de possuir um ideólogo em Virgínia (EUA), com grande capacidade de argumentação intelectual, e recursos de inteligência artificial para ataques virtuais em massa no estilo Steve Bannon, tem conseguido também estender seus tentáculos sobre os 3 Poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário), nas 3 instâncias da Federação: Municipal, Estadual e Federal.

    O crime avança. Os caras atravessaram o Rubicão. Resta saber se a Nação terá capacidade de resistir a eles no curto prazo.

  3. O que está sendo liberado até agora não é armamento “pesado”, muito menos munição para armas semi-automáticas, e tenho quase certeza que isto não será liberado.

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