Transformações no capitalismo, aos poucos, parte 6. Aguardem, por Rui Daher

Nós brasileiros, ‘campeões em empreenduberismo’ e saltados umbigos, xavecamos: “o rombo deixado por antigos governos era muito grande, está melhorando, vamos dar mais tempo a ele”.

Foto Repórter Brasil

Transformações no capitalismo, aos poucos, parte 6. Aguardem

por Rui Daher

(para o GGN)

Sim, Durango Kid, Cavaleiro Negro, Roy Rogers, Gene Autry, Wyatt Earp, Bat Masterson, me pegaram, na figura de único Orange Skin e de seu simulacro brasileiro, capitão mal reformado, Jair Bolsonaro, o Regente Insano Primeiro, por nós criado, sem qualquer conclusão clara de nossos cientistas sociais.

Meu palpite. Não somos mais do que isso, ele e seu pensamento ogro e conservador, daí estarmos paralisados a aguentar. Regina Duarte está na Cultura. Bárbara injustiça com Sandy, do Júnior, que inventou o panetone churrasquinho e bacon (grato Márcio Alemão).

A atual edição impressa de CartaCapital tenta expor o non-sense, pouco entendi.

(Originalmente publicado em CartaCapital)

Quem avisa é o grupo Cairns formado por 19 países exportadores agrícolas: até 2030, os subsídios cedidos aos agricultores, em suas diversas formas, poderão saltar dos quase US$ 800 bilhões, em 2016, até US$ 2 trilhões.

A coalização, que inclui países do Mercosul, Austrália, Canadá, Indonésia e Tailândia, entre outros, sugere o ase assunto ser discutido no âmbito da OMC, Organização Mundial do Comércio, e lá tratadas possíveis regulações, onde o Regente Insano Primeiro (RIP) releva nossos direitos para se entregar à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), babando ovo para Donald “Pele Laranja” Trump, quem instigou a China fez piorar o comércio internacional.

Nós brasileiros, ‘campeões em empreenduberismo’ e saltados umbigos, xavecamos: “o rombo deixado por antigos governos era muito grande, está melhorando, vamos dar mais tempo a ele”.

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Distraídos, comemoramos os pontos da Bovespa mais um recorde no Valor Bruto da Produção (VBP), para R$ 675 bilhões, 7% acima do recorde na safra anterior, como informa o ministério Tóxico.

Estranharam eu não usar Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o MAPA? É que adoro quando o Brasil é líder em alguma coisa. E somos. Na temporada 2018/2019, a venda de agrotóxicos atingiu US$ 11,5 bilhões, segundo estudos da consultoria Kleiffmann Group. Apesar da queda de 5% em dólares, as vendas cresceram 9% em reais.

De qualquer forma, uma vitória de RIP sobre ‘Orange Skin’, segundo colocado. Sim, a argumentação venenosa virá “reflexo do clima tropical do país, que favorece a proliferação de pragas e doenças”.

Só não se menciona a escuridão no bolso do agricultor. Segundo o Rabobank, possuidor de um bom setor de análise agropecuária, nas últimas cinco safras, “os herbicidas tiveram um aumento de preços de 52% em real, os fungicidas 53%, e os inseticidas 38%, enquanto a inflação acumulada foi de 30,6%”.

Constatação pessoal em Andanças Capitais: houve queda no custo por hectare dos tratamentos com o herbicida glifosato, o famoso Roundup (antes Monsanto, hoje Bayer), função da concorrência chinesa, de outros genéricos, e de produtos naturais capazes de potencializar o efeito dos herbicidas, diminuindo as doses aplicadas.

Com os defensivos, tóxicos e não, a tarefa é mais difícil pela variedade de culturas plantadas no Brasil, a multiplicar o número de pragas e doenças específicas a cada uma delas.

É importante notar que essas moléculas, em sua maior parte, são desenvolvidas por empresas dos EUA e Europa, sendo pouco expressiva a participação de empresas nacionais.

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Isso se pode dizer dos fertilizantes químicos. Em 2019, mais de 85% da demanda foi atendida por importações. Depois de privatizadas as fábricas estatais de matérias-primas, pouco se investiu em produção nacional e a indústria se concentrou em poucas empresas multinacionais, tornando abissal sua expressão diante dos pequenos misturadores regionais, hoje em dia, vários deles vendidos, incorporados, ou em recuperação judicial. De 2016 a 2019, a produção nacional caiu 22% e representa pouco mais de 10% do consumo.

Acelerada pela equipe econômica de Paulo Guedes, e expressa em sua vontade “por mim, vendia tudo, mas não dá”, o caminho entreguista chega agora às distribuidoras de insumos agrícolas, nas formas de aquisições, participações e joint-ventures.

A canadense Nutrien, maior produtora de potássio do mundo (vendas globais de US$ 16,5 bilhões, nos nove primeiros meses de 2019), comprou a Agrosema Comercial Agrícola, de Elias Fausto/SP, que vende US$ 60 milhões por ano. Prometem colocar mais lojas no carrinho.

Vale o mesmo para o setor de nutrição humana e animal, com compra pela ADM da paranaense Yerbalatina.

Nos últimos 10 anos, o consumo de cafés especiais cresceu acima de 20% ao ano. Em Minas Gerais, grande interesse é relatado.

“Não disse que estava tudo bem”? Se não mudar de ideia, volto ao assunto. Inté. Se percuntarem por mim, Melodia, do Conselho Celestial do Dominó de Botequim, saberá dizer.