21 de maio de 2026

Tratores, carros, motos, aviões, motores e turbinas: qual a distância tecnológica entre produtos?, por Paulo Gala e Gabriel Galipolo

O trator está mais próximo da soja, do pneu ou do motor? Medicamentos para uso veterinário estão próximos do boi, do frango, de hormônios ou de químicos em geral? E os carros? Estão mais próximos das motos ou aviões?

Tratores, carros, motos, aviões, motores e turbinas: qual a distância tecnológica entre produtos?

por Paulo Gala e Gabriel Galipolo

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O tratado de Versalhes proibiu a produção de aviões na Alemanha; a BMW que produzia turbinas começou a produzir motores de moto, motos e carros. Na Suécia a Saab fazia aviões e começou a produzir carros (depois vendida aos chineses). A Rolls royce começou a produzir carros e depois foi para as turbinas.

A Lamborghini começou produzindo tratores e depois avançou para carros após uma richa do fundador com Enzo Ferrari (sobre a má qualidade das ferraris). Hyundai começou na construção civil, avançou para navios e depois para carros. No Canadá a Bombardier começou fazendo veículos para andar na neve, depois avançou para aviação e trens. A divisão de veículos recreacionais da Bombardier, a Bombardier Recreational Vehicles, explora até hj produtos como sea-doo, ski-doo (jet skis e snowmobiles).

O trator está mais próximo da soja, do pneu ou do motor? Medicamentos para uso veterinário estão próximos do boi, do frango, de hormônios ou de químicos em geral? E os carros? Estão mais próximos das motos ou aviões? Em grande breakthrough empírico e analítico, a perspectiva das redes complexas é capaz de calcular essas “distâncias tecnológicas de trás para frente”.  Ao calcular as probabilidades de co-exportações de produtos em diversos países essa metodologia mede as distâncias tecnológicas num espaço produtivo mundial. Dois produtos são “próximos” se vários países exportam esse par. Por exemplo, vinhos e uvas. Muitos países exportam só uvas, muitos outros exportam só vinhos, mas uma quantidade razoável de países do bancos de dados exportam ambos, donde se conclui que vinhos e uvas são próximos. Claro que nesse exemplo a conexão é intuitiva, mas em casos mais complicados a metodologia ajuda muito a entender quais produtos estão próximos. Por exemplo, medicamentos e aparelhos de raio x, que estão “próximos”, apesar de não parecer intuitivamente.

A importância da “proximidade” está na medida indireta que esta carrega sobre as capacidades locais de produção envolvidas em diversos bens. Com essas proximidades os autores são capazes de construir redes de conexões entre produtos. Os muito próximos formam clusters ou “comunidades” nós termos do atlas. Essas comunidades são depois rankeadas em termos de complexidade de seus produtos. Em geral os produtos de alta conexão são complexos e os produtos de baixa conexão não são complexos, segundo as medidas do próprio atlas. O exemplo aqui também é bom: petróleo tem pouquíssimas conexões e nenhuma complexidade; no outro extremo, máquinas têm muitas conexões e são bastante complexas. As comunidades complexas abrigam produtos que têm características típicas de estruturas de mercado de concorrência imperfeita; o inverso se aplica para os produtos não complexos.

O mapa abaixo retirado do atlas da complexidade econômica mostra esse espaço produtivo de 120 países no comércio internacional de 750 produtos em 2012. As cores representam categorias de produtos, sendo os mais sofisticados as máquinas e equipemos na cor azul no centro.  No cinturão externo estão as commodities agrícolas, minerais e energéticas. Os produtos altamente complexos estão no centro da rede e os de baixa complexidade estão na periferia. Os países ricos produzem e exportam os produtos do centro da rede, os países pobres produzem e exportam os produtos da periferia da rede – como diria a CEPAL. Países pobres estão longe do “core” das tecnologias de ponta.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. Anônimo

    1 de fevereiro de 2020 4:36 pm

    Há uma saída que passa exatamente por este conceito e que pode num país com nível médio de industrialização ser tocado por políticas governamentais de médio curso, a indústria de sensores, ou seja, equipamentos que transformam a informação de variáveis físicas como as básicas (velocidade, distância…) em sinais elétricos ou mesmo digitais.
    A chave de toda a indústria sofisticada de máquinas e ferramentas está na existência de sensores sofisticados para medir características físicas cada vez com maior precisão, acurácia e velocidade de aquisição. Para a robotização de equipamentos isto é o básico.
    Caso um governo centralizasse recursos de financiamento maciço de P&D neste desenvolvimento se quebraria a hegemonia de países desenvolvidos.

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