19 de junho de 2026

Um outro Brasil é possível, por Clovis Nascimento*


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Por Clovis Nascimento*

2017 foi um ano marcado por retrocessos, mas também por resistências. Apesar do golpe ao mandato da presidenta Dilma Rousseff, milhares de brasileiros e brasileiras se manifestaram ao longo do ano em defesa dos direitos. O Brasil vive uma crise política sem precedentes na História, fato que aprofunda a recessão na economia. E esse cenário é desastroso para a engenharia nacional, uma vez que as políticas implementadas favorecem o capital estrangeiro.

Os efeitos da operação Lava Jato contabilizam mais de 50 mil de engenheiros desempregados, de acordo com o Caged. Antes do golpe presidencial, entre 2005 e 2014, a engenharia viveu seu auge, apontando crescimento de 72,8% na evolução do estoque de empregos, segundo os dados compilados pelo Dieese, da RAIS/Ministério do Trabalho. 

O desmonte das empresas nacionais de engenharia e a abertura irrestrita ao mercado internacional são medidas que afetam a soberania, ao contrário do que muitos países privilegiam, que é o investimento no mercado interno, em infraestrutura e na produção nacional, como motivadores da economia e de geração de empregos.

De outro lado, o governo acelera o programa de privatizações, com as empresas do setor elétrico, a Eletrobrás, aeroportos e empresas de saneamento. Essa semana, a Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro concedeu liminar para suspender a venda da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae), graças à mobilização dos trabalhadores, movimentos sociais e sindicatos.

Por outro lado, os cortes no orçamento reduzem drasticamente programas sociais como “Minha Casa, Minha Vida”, “Bolsa Família” e enxugam todos os investimentos públicos em ciência e tecnologia. Pesquisadores brasileiros estão saindo do país para dar continuidade a seus estudos, estes que podem ser fundamentais para curas de doenças, desenvolvimento de novas tecnologias e inovação, por exemplo. As ciências que constroem o campo de conhecimento das engenharias formam um patrimônio cognitivo essencial para pensar e promover o desenvolvimento. 

Em uma avalanche de retirada de direitos, o Congresso Nacional aprovou uma reforma trabalhista, que acaba com a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] e desmonta a organização sindical. Trabalhadores comerciários e bancários já dão demonstrações de resistência com paralisações e mobilizações contra a reforma trabalhista, que já provoca demissões e precarização das relações de trabalho.

Na engenharia, a reforma trabalhista irá reduzir os contratos celetistas, priorizando os chamados PJ (Pessoa Jurídica), além de possibilitar o não pagamento do Salário Mínimo Profissional, histórica conquista de nossa categoria. Não satisfeito, o governo federal ainda pretende aprovar, para o próximo ano, a Reforma da Previdência, que irá negar o direito de aposentadoria a milhares de brasileiros e brasileiras.  

Ao longo do ano, a Fisenge [Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros] seguiu o lema “Resistir! Em defesa da engenharia e da soberania nacional”, que foi o tema central do nosso 11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros. Centramos em quatro pilares fundamentais: a resistência , a defesa da engenharia, o desenvolvimento e a soberania nacional.

Fazer balanços ao final de um período significa, para além de fazer uma análise crítica, assumir responsabilidades. A engenharia é responsável por inúmeras transformações sociais no campo e na cidade e temos o compromisso de irmanarmos e filarmos trincheiras de resistência e luta com o conjunto da classe trabalhadora pela debelação dessa crise política e retomarmos o desenvolvimento em defesa da soberania nacional.

E se a História nos ajuda na compreensão dos processos, resgato a fala do engenheiro, idealizador do Salário Mínimo Profissional e político brasileiro Rubens Paiva, que foi assassinado pela ditadura civil-militar: “Os outros são os golpistas que devem ser repelidos e, desta vez definitivamente, para que o nosso país veja realmente o momento da sua libertação raiar”. 

Para 2018, a nossa tarefa central deve ser a de mudança de rumos para o nosso país. Um outro Brasil é possível.  

Clovis Nascimento é engenheiro e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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7 Comentários
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  1. Gersier

    22 de dezembro de 2017 3:20 pm

    Amanhã haverá de ser um outro dia…

    Um certo paulo levou um pato clonado pra paulista, onde outros patos o acompanhava. Na galera os paneleiros imbecilizados principalmente por uma mídia sem compromisso com os interesses maiores do Brasil, onde atuam pseudo jornalistas preocupadíssimos com o umbigo de seus patrões. E nós que fazemos parte da maioria da população, aquela que não tem o espírito de vira lata, que amamos demais esse país agora destroçado e o seu sofrido povo, é que  estamos pagando o pato. Apesar de tudo que nosso país está passando por obra e (des)graça dos golpistas e seus asseclas, desejo a todos os frequentadores desse blog  um Feliz Natal.

  2. C.Poivre

    22 de dezembro de 2017 3:38 pm

    Resistências?

    Discordo. Não vi nenhum tipo de resistência que incomodasse os golpistas, pois as lideranças(?) tradicionais se demitiram de sua missão prioritária que é se entender em torno de uma agenda mínima, organizar uma verdadeira resistência popular e convocar o povo às ruas. Fora isso qualquer outro simulacro de “resistência” é ineficaz.

  3. Renato Lazzari

    22 de dezembro de 2017 3:45 pm

    Boa iniciativa, caro Clovis.

    Boa iniciativa, caro Clovis. Apenas lembraria de que não basta uma virada pontual, momentânea. É preciso constância para fugir do chamado “loop da classe média”:

    1) classe média, empobrecida, vota em governo de “esquerda” (executivo e legislativo)

    2) governo de “esquerda” promove prosperidade geral e popular

    3) próspera, classe média vota em privatista, liberal de “direita”

    4) governo de “direita” promove a concentração da riqueza na elite, empobrecendo a classe média

    5) volte ao passo 1)

    É preciso, enfim, consciência de classe: por mais diferenciados que sejam os engenheiros (tanto quanto profissionais que-tais, médicos, advogados, jornalistas, economistas etc.), em sua enorme e acahapante maioria não são elite, apesar de amiúde iludirem-se numa identificação com ela.

    Obs.: Os termos “esquerda” e “direita” estão entre aspas por serem imprecisos, anacrônicos e obsoletos. Governos de “esquerda” como são os do PT, lato sensu, estão mais para um estado de bem estar social do que para o Socialismo.

  4. C.Poivre

    22 de dezembro de 2017 7:09 pm

    FAB é entregue aos EUA

    Golpistas entregam a jóia da coroa da FAB ao Pentágono: https://youtu.be/J3HY9Xy-qSI

  5. Dorival

    22 de dezembro de 2017 7:25 pm

    E O MEU DESEJO É BEM OUTRO, GERSIER

    Você, como cabe a toda pessoa educada, desejou a todos os frequentadores desse blog um Feliz Natal…mas eu,sob pena de ser bem mau-educado, só quero desejar que os vermes golpistas tenham não só o pior natal, mas o pior resto de suas vidas, preferencialmente apodrecendo em vida com cânceres da pior espécie.   Que maravilha seria saber que estrumes como um certo juizeco de curitiba estão com câncer na língua, assim como o procurador com nome de remédio, assim como as outras bestas da lava jato, o tucanato todo, os estrumes do PMDB como temer e companhia……..que a pior doença pra eles começe em suas gargantas, que implorem por remédios para dor e que a gente possa lhes dar ferro em brasa, malditos…….e que o resto de imbecilizados por este país afora vá comer merda, víboras…..

  6. Dorival

    22 de dezembro de 2017 7:25 pm

    E O MEU DESEJO É BEM OUTRO, GERSIER

    Você, como cabe a toda pessoa educada, desejou a todos os frequentadores desse blog um Feliz Natal…mas eu,sob pena de ser bem mau-educado, só quero desejar que os vermes golpistas tenham não só o pior natal, mas o pior resto de suas vidas, preferencialmente apodrecendo em vida com cânceres da pior espécie.   Que maravilha seria saber que estrumes como um certo juizeco de curitiba estão com câncer na língua, assim como o procurador com nome de remédio, assim como as outras bestas da lava jato, o tucanato todo, os estrumes do PMDB como temer e companhia……..que a pior doença pra eles começe em suas gargantas, que implorem por remédios para dor e que a gente possa lhes dar ferro em brasa, malditos…….e que o resto de imbecilizados por este país afora vá comer merda, víboras…..

  7. Luiz Cláudio Batista de Oliveira

    22 de dezembro de 2017 8:14 pm

    Um outro Brasil é possível só com resistência . . .

    Respeito a opinião de Clovis Nadcimento, mas concordo com o comentário de C. Poivre. Não vi nenhuma resistência. Percebo um movimento crescente de indifrença e de que “o que está acontecendo é coisa da política brasileira”. Se não houver um contínuo e gigantesco movimento “contragolpe” – aliás, acho que já passou da hora disso acontecer –  acabaremos aceitando tudo que aí está. Não nos esqueçamos que o discurso ao qual o grande público tem acesso é o da grande e podre mídia. 

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