Uma boa discussão: o Governo Bolsonaro é fascista?, comentário de Bo Sahl

Não se pode definir um sistema político por seu sucesso (ou fracasso), mas por seu "jeitão". Ditaduras existem de direita e de esquerda. Podem ser bem ou mal sucedidas

Por Bo Sahl
comentário no post O Governo não é fascista, por Andre Motta Araujo

1) Definições de espectro político são complexas, localizadas e temporais: o fascismo italiano nos anos 20-40, que acabou” com o fim da guerra, não é idêntico ao fascismo alemão (nazismo) dos anos 30-40, ou o espanhol de Franco (e português de Salazar) ou mesmo alguns da europa oriental.

2) Não se pode definir um sistema político por seu sucesso (ou fracasso), mas por seu “jeitão”. Ditaduras existem de direita e de esquerda. Podem ser bem ou mal sucedidas (o nazismo pré-guerra foi muito bem sucedido para a Alemanha).

3) Até o comunismo tem facetas de sucesso e fracasso. Na Rússia (uma clara ditadura comunista até talvez Gorbachev) produziu um “sucesso” científico-militar que polarizou o mundo e a maior economia do mundo, a China, caminhando também para a liderança tecnológica.

4) No Brasil, ditaduras como a de Vargas trouxeram evolução econômica e social. A militar, um desatre político-ssocial, manteve por algum tempo sucesso econômico, até ser subjugada pelo neoliberalismo externo, que decidiu ser melhor ter “democratas” traidores, como os fernandos.

5) O socialismo-capitalista escandinavo é um sucesso em termos de desenvolvimento e bem estar humano, sem se submeter ao financismo ilimitado.

6) Os exemplos de desastres do autoritarismo (ditaduras, democracias, monarquias, socialismo, capitalismo, comunismo, anarquismo, cleptocracismo, etc.) são inúmeros. Há também os de sucesso (Tito na Iugoslavia?)

7) Portanto, “carimbar” um governo é extremamente confuso. O fato brasileiro é que:
O governo Bolsonaro, corretamente identificado por vc como religioso-obscurantista autoritário”, tem clara INSPIRAÇÂO fascista, embora tão incompetente (Franco, Tito, Mussolini e Hitler eram competentes, ademais de suas eventuais psicopatias) que mistura tudo (neoliberalismo, etc.), dificultando (propositadamente?) seu entendimento, tornando-se apenas um grande e ridículo

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Saco de gatos.

É discutível se o governo Bolsonaro tem inspiração fascista, mas para estabelecer esta comparação falta o componente essencial: o líder carismático. Bolsonaro é um tipo caricato, sem carisma.

Ironicamente, Bolsonaro idolatra o antigo regime militar brasileiro de 1964, que seguia uma política econômica diametralmente oposta à dele.

Concordo que “carimbar” um governo é extremamente confuso, mas no caso do governo atual, eu diria que ele promove um amálgama de teses conservadoras que são do agrado do povão das periferias, que vive acossado pelo crime e pela falta de valores cívicos e morais.

  • 1) Nenhum dos que vc chama de “líder carismático” era líder de TODO o povo, mas exatamente da parte mais “afeita” à um líder “carismático”, exatamente como no braZil, onde os Bozistas (todos que conheço, a maioria de boa posição social e curso superior) se comportam à semelhança (por ex.) de seus “colegas “alemães, que não diziam “salve a Alemanha”, mas “Heil Hitler”…
    Por mais ridícula que seja a sua fala ou comportamento, todos eles (sem exceção) apressam-se a defendê-lo incondicionalmente, inclusive contra o mundo, que o ridiculariza! Portanto, para eles (que ajudaram a elegê-lo, junto com os conservadores comuns e os anti-petistas,) sobra “carisma” e temo que se não fosse os 45% restantes nas instituições, ele os levaria ao inferno, junto com todos. Como fizeram Hitler (que criou uma versão mais cruel do fascismo, posto que era admirador de Mussolini) e o próprio criador do (nome) fascismo (apenas um símbolo de flor de fáscio), que na verdade é o que MENOS importa. O que importa de verdade é o “jeitão” geral.
    É o que estamos ameaçados, por tentativa e erro. E incompetência, felizmente!

    2) Quanto à visão econômica (ou qualquer outra), Bolsonaro não tem NENHUMA. Ele, como qualquer autoritário de cabeça vazia e fígado (ou intestino grosso?) carregado, privilegia os que lhe mostrem lealdade e obediência. Guedes, Moro, Weintraub, Salles, Araujo, Cristina, Alvim, Duarte, Wajngarten, etc. não precisam estar alinhados à sua visão (a menos da “ideologia de luta contra a “ameaça” socialista). Tanto faz! E tanto, que os filhos o Olavo e outros podem indicar qualquer monte de fezes, que ele não se incomoda, desde que a lealdade e obediência (coisa de hierarquia militar de que ele nunca conseguiu se livrar). Pensa que o mundo é um quartel…
    Mas daqueles que jamais foram expostos à uma guerra de verdade.

    3) Com relação ao que vc se refere como “povão das periferias” (GENTE), eles foram CONVENCIDOS pela míRdia diuturna que a culpa seria do governo Federal, quando tanto a segurança quanto o ensino básico e médio e a maior parte da saúde são responsabilidades municipais e estaduais. E não me parece que a “esquerda” (na verdade o PT é muito mais trabalhista e social-democrata) governou os 27 unidades federativas e os cerca de 5.500 municípios, com todo tipo de bons e maus, sérios e bandidos, de um extremo à outro. Mais eficaz do que se preocupar (só) com a “punição” (que é parte necessária),todos os mais de 5.500 governos no país precisam minimizar a “FABRICAÇÂO” de bandidos. Se assim não fôr, nunca teremos prisões e punições suficientes, apenas massacres inúteis.

    4) Quanto aos valores cívicos e morais, eu prefiro me preocupar com a nação do que um pedaço de pano colorido ou a mão no peito que a simboliza, Primeiro precisamos poder nos orgulhar dela LEGITIMAMENTE, depois o símbolo representará esta verdade. Isto é “civismo”

    5) Valores morais? Respeito aos valores alheios, diferentes dos nossos é um dos mais importantes valores morais. Na comparação entre uma família de pais responsáveis de mesmo sexo e outra de pais héteros, por ex. um alcoólatra violento e uma “devassa” vaidosa, o que atende melhor aos seus valores?
    Ou vc acha que “valores morais” são só os seus?

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4 comentários

  1. Dos ditadores citados, regime de Bolsonaro parece mais como o do Franco. Este não era fascista. Ele absorveu os uniformes e um tanto da retórica da Falange quando uniu todos os movimentos de direita, mas as forças predominantes eram o capital tradicional, principalmente agrário, e a igreja, neste caso católica, no caso do Bozo os pentecostais dinheiristas, apoiados por parte dos outros. Os militares foram cooptados, mas lá não houve a subjugação abjeta a outro país. Hitler tentou incorporar Franco a seu grupo, mas o baixinho soube manobrar para ficar fora da guerra, mandando uma tropa simbólica e ganhando fazendo negócios com todos os lados. Que se diga a seu favor que sempre foi espanhol e defendeu seu país, nunca se entregando. Fez barbaridades, como quase todos os ditadores.

    • Franco foi fascista. Com todas as letras.
      Beneficiado pelo apoio de Itália e Alemanha na Guerra Civil Espanhola (a última mandou até a Legião Condor, que pode experimentar suas últimas armas contra os republicanos). Mandou tropas para o fronte oriental (leia-se frente russa (soviética)). Era figadalmente anticomunista. Só deu um tempo neste apoio ao Eixo quando os aliados (mormente os norte-americanos) ameaçaram a Espanha de invasão, quando então assumiu um tom mais moderado e uma neutralidade mais acentuada.
      Quando da formação da NATO foi contemplado com um “passa mão na cabeça” e aderiu ao bloco atlanticista.
      Foi um ditador fascista e sanguinário.

  2. O pessoal chama de pós-verdade. Daqui a pouco vão dizer que foi bom para a Índia a invasão britânica para, no próximo passo, enaltecer as ações dos EUA contra nosso país.

    “Primeiro levaram os negros
    Mas não me importei com isso
    Eu não era negro

    Em seguida levaram alguns operários
    Mas não me importei com isso
    Eu também não era operário

    Depois prenderam os miseráveis
    Mas não me importei com isso
    Porque eu não sou miserável

    Depois agarraram uns desempregados
    Mas como tenho meu emprego
    Também não me importei

    Agora estão me levando
    Mas já é tarde.
    Como eu não me importei com ninguém
    Ninguém se importa comigo.”

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  3. Em defesa da boa discussão, conforme lembrado neste post, ressalto que o post original do André traz, como de hábito, relevantes informações e comparações. Talvez o título não tenha sido feliz, embora categorizar o saco de gatos que é este nosso governo seja realmente uma “mission: impossible”.
    Certamente encaixa-se na categoria: bizarro…
    O que para este “gigante pela própria natureza”, já é inacreditável.
    Mas é uma realidade. Muito triste!

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