Viciados em ‘Curtidas’ e vítimas de agressões morais programadas, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Há uma evidente diferença entre o que o Facebook e os usuários da rede social plantam e colhem.

Viciados em ‘Curtidas’ e vítimas de agressões morais programadas, por Fábio de Oliveira Ribeiro

No texto anterior desta série, vimos como Shoshana Zuboff explorou as contradições da obra de Alex Pentland, autor que defende a inevitabilidade dos grilhões que mantém as pessoas subjugadas ao capitalismo de vigilância https://jornalggn.com.br/artigos/as-duas-distopias-em-curso-e-o-renascimento-do-pensamento-utopico/. Neste, veremos quais são as características destes grilhões.

Ao longo do capítulo 16, a autora explora diversos estudos científicos feitos sobre o comportamento dos usuários de redes sociais.

“…A 2012 survey concluded that emerging adults devote more time to using media than any other daily activity, spending nearly twelve hour each day with media of some form. By 2018 Pew Research reported that nearly 40 percent of young people ages 18-29 report being online ‘almost constantly’, as do 36 percent of those ages 30-49. Generation Z intensifies the trend: 95% uses smartphones, and 45 percent of teens say they are online ‘on a near-constant basis’. If that is how you spend your days and nights, then the findings of a 2016 study are all too logical, as 42 percent of teenage respondents said that social media affects how people see them, having adopted what the researchers call an outside-looking-in approach to how they express themselves. Their dependency penetrates deeply into their sense of well-being, affecting how they feel about themselves (42 percent) and their happiness (37 percent).” (The Age of Surveillance Capitalism, Shoshana Zuboff, PublicAffairs, New York, 2019, p. 447)

Tradução:

“… Uma pesquisa de 2012 concluiu que os quase adultos dedicam mais tempo ao uso da mídia do que qualquer outra atividade diária, gastando quase doze horas por dia com mídia de alguma forma. Em 2018, a Pew Research relatou que quase 40% dos jovens entre 18 e 29 anos relatam estar on-line ‘quase constantemente’, assim como 36% entre 30 e 49 anos. A geração Z intensifica a tendência: 95% usa smartphones e 45% dos adolescentes dizem que estão online ‘quase constantemente’. Se é assim que você passa seus dias e noites, as conclusões de um estudo de 2016 são muito lógicas, pois 42% dos adolescentes disseram que as mídias sociais afetam a maneira como as pessoas as veem, adotando o que os pesquisadores chamam de “olhando para fora” na abordagem de como eles se expressam. A dependência deles penetra profundamente em sua sensação de bem-estar, afetando como eles se sentem sobre si mesmos (42%) e sua felicidade (37%).”

Um pouco adiante, a autora esclarece quais são os efeitos deletérios do botão “Curtir” do Facebook:

“On the demand side, Facebook ‘likes’ where quicly coveted and craved morphing into a universal reward system or what onde young app designer called ‘our generation’s crack cocaine’. ‘Likes’ became those variably timed dopamine shots, driving users to double down on their bets ‘every time they shared a photo, web link, or status update. A post with zero likes wasn’t just privately painful, but also a kind of public condemnnation’. In fact, most users craved the reward more than they feared humiliation, and the ‘Like’ button became Facebook’s signature, spreading across the digital universe and actively fusing users in a new kind of mutual depedency expressed in a pastel orgy of giving and receiving reinforcement.

The ‘Like’ button was only the start of what was to be an historic construction of a new social world that for many users is defined by fusion with the social mirror, especially among the young. Just as gamblers chase the zone in fusion with the machine, a young person embedded in the culture of mutuality with the challenge of the self-other balance, the ‘Like’ button and its brethren continuously tip the scales towar regression.” (The Age of Surveillance Capitalism, Shoshana Zuboff, PublicAffairs, New York, 2019, p. 458)

Tradução:

“Do lado da demanda, o Facebook ‘Curtir’ cobiçava e ansiava por transformar-se em um sistema de recompensa universal ou o que um jovem designer de aplicativos chamou de ‘crack da nossa geração’. As ‘Curtidas’ tornaram-se aquelas doses de dopamina com tempo variável, levando os usuários a dobrar suas apostas ‘toda vez que compartilhavam uma foto, link da web ou atualização de status. Uma postagem com zero curtidas não era apenas dolorosa em particular, mas também uma espécie de condenação pública’. De fato, a maioria dos usuários ansiava mais pela recompensa do que temia a humilhação, e o botão ‘Curtir’ se tornou a assinatura do Facebook, espalhando-se pelo universo digital e fundindo ativamente os usuários em um novo tipo de dependência mútua expresso em uma orgia pastel de dar e receber reforço.

O botão ‘Curtir’ foi apenas o começo do que seria uma construção histórica de um novo mundo social que para muitos usuários é definido pela fusão com o espelho social, especialmente entre os jovens. Assim como os jogadores perseguem a zona em fusão com a máquina, um jovem incorporado à cultura da mutualidade com o desafio do equilíbrio entre si, o botão ‘Curtir’ e seus irmãos continuamente inclinam a balança para a regressão.”

O estrago causado pelo News Feed do Facebook não é muito diferente:

“Facebook’s science and design expertise aim for a closed loop that feeds on, reinforces, and amplifies the individual user’s inclination toward fusion with the group and the tendency to over-share personal information. Although these vulnerabilities run deepest amont the youg, the tendency to over-share is not private to them. The difficulty of self-imposed discipline in the sharing of private thoughts, feelings, and other personal information has been amply demonstrated in social research and summarized in an important 2015 review by Carnegie Mellon professors Alessandro Acquisti, Laura Brandimarte, and George Loewentein. They concluded that because of a range of psychological and contextual factors, ‘People are often unaware of the information they are sharing, unaware of how it can be used, and even in the rare situations when they have full knoledge of the consequences of sharing, uncertain about their own preferences…’ The researchers cautioned that people are ‘easily influenced in what and how much they disclose. Moreover, what they share can be used to influence their emotions, thoughts, and behaviors…’ The result is alteration in ‘the balance of power between those holding the data and those who are the subjects of that data’.

Facebook’s has Pentland’s prized God view on its side, an unparalleded resource that is drawn upn to remake this haturally longed-for fusion into a space of no escape. Science and capital are united in this long-game project, Yesterday it was the ‘Like’ button, today it is augmented reality, and tomorrow will be new innovations added to this repertoire. The company’s growth in user engagement, surplus capture, and revenue are evidence that these innovations have hit their marks.” (The Age of Surveillance Capitalism, Shoshana Zuboff, PublicAffairs, New York, 2019, p. 460)

Tradução:

“A experiência científica e de design do Facebook visa um ciclo fechado que se alimenta, reforça e amplia a inclinação do usuário individual em se fundir com o grupo e a tendência de compartilhar informações pessoais. Embora essas vulnerabilidades sejam mais profundas entre os jovens, a tendência de compartilhar demais não é particular para eles. A dificuldade da disciplina autoimposta no compartilhamento de pensamentos, sentimentos e outras informações pessoais foi amplamente demonstrada em pesquisa social importante de 2015 revisada pelos professores de ‘Carnegie Mellon’ Alessandro Acquisti, Laura Brandimarte e George Loewentein. Eles concluíram que, devido a uma série de fatores psicológicos e contextuais, ‘as pessoas muitas vezes desconhecem as informações que estão compartilhando, desconhecem como elas podem ser usadas e até mesmo nas raras situações em que têm pleno conhecimento das consequências do compartilhamento, incertos sobre suas próprias preferências… ‘Os pesquisadores alertaram que as pessoas são ‘facilmente influenciadas no que e quanto divulgam. Além disso, o que eles compartilham pode ser usado para influenciar suas emoções, pensamentos e comportamentos…’ O resultado é uma alteração no ‘equilíbrio de poder entre aqueles que detêm os dados e aqueles que são os sujeitos desses dados ‘.

O Facebook tem a premiada ‘visão de Deus’ de Pentland, um recurso incomparável, elaborado para refazer essa fusão odiada por um desejo esquecido em um espaço sem saída. Ciência e capital estão unidos neste projeto de um jogo longo. Ontem foi o botão ‘Curtir’, hoje é realidade aumentada e amanhã serão adicionadas novas inovações a esse repertório. O crescimento da empresa no envolvimento do usuário, captura excedente e receita são evidências de que essas inovações atingiram suas marcas.”

Às doses diárias de entorpecentes (botão Curtir) e à vulnerabilidade causada pelo compartilhamento de informações pessoais (News Feed) a autora acrescenta o efeito de comparação social, que causa ansiedade e depressão especialmente em adolescentes.

“… According to the 302 most significant quantitative research studies on the relationships between social media use and mental healt (most of them produce since 2013), the psychological process that most defines the Facebook experience is what psychologists call ‘social comparison’. It is usually considered a natural and virtually automatic process that operates outside of awaraness, ‘effectively forced upon the individual by his social enviroment’ as we apply evaluative criteria tacitly internalized from our society, community, group, family, and friend. As one research reviw summarizes ‘Almost at the moment of exposure, an initial holistic assessment of the similarity between the target and the self is made’. As we go through life being exposed to other people, we naturally compare ouselves along the lines of similarity and contrast – I a like you. I am different from you – subliminal perceptions that translate into judgments – I am better than you. You are better than I.” (The Age of Surveillance Capitalism, Shoshana Zuboff, PublicAffairs, New York, 2019, p. 461)

Tradução:

“… De acordo com os 302 estudos quantitativos mais significativos sobre as relações entre o uso de mídias sociais e a saúde mental (a maioria deles produzido desde 2013), o processo psicológico que mais define a experiência no Facebook é o que os psicólogos chamam de ‘comparação social’. Geralmente, é considerado um processo natural e praticamente automático que opera fora da consciência, ‘efetivamente imposto ao indivíduo por seu ambiente social’, à medida que aplicamos critérios de avaliação tacitamente internalizados de nossa sociedade, comunidade, grupo, família e amigo. Como a revisão de uma pesquisa resume ‘Quase no momento da exposição, é feita uma avaliação holística inicial da semelhança entre o alvo e o eu’. À medida que passamos a vida sendo expostos a outras pessoas, naturalmente nos comparamos ao longo das linhas de semelhança e contraste – eu gosto de você. Sou diferente de você – percepções subliminares que se traduzem em julgamentos – sou melhor que você. Você é melhor do que eu.”

Após fazer uma breve exposição sobre como a televisão afetou de maneira negativa a vida das pessoas expondo-as às realidades diversas e, eventualmente melhores, do que aquelas às quais elas estavam geográfica e socialmente confinadas, Shoshana Zuboff volta a tratar da comparação imposta pela dinâmica das redes sociais.

“Both television and social media deprive us of real-life encounter, in which we sense other’s inwardnesss and share something of our own, thus establishing some threads of communality. Unlike television, however, social media entails active self-presentation characterized by ‘profile inflation’ , in which biographical informaation, photos, and updates are crafed to appear ever more marvelous in anticipation of the stakes for popularity, sel-worth, and happiness. Profile inflation triggers more negative sel-evaluation among individuals as people compare themselves to others, which then leads to more profile inflation, especially among larger networks that include more ‘distant friends’. As one study concluded , ‘Expanding one’s social network by adding a number of distant friends through Facebook may be detrimental by stimulating negative emotions for users’.

One consequence of the new density of social comparison triggers and ther negative feedback loop is a psychological condition known as FOMO (‘fear of missing out’). It is a form of social anxiety defined as ‘the uneasy and cometimes all-consuming feeling that… your peers are doing, in the know about, or in possession or more or something better than you’. It’s a young person’s affliction that is associated with negative mood and low levels of life satisfaction. Research has indentified FOMO with compulsive Facebook use: FOMO sufferers obsessively checked their Facebook feeds – during meals, while driving, immediately upon waking or beforte sleepong, and so on. This compulsive behavior is intended to produce relief in the form of social reassurance, but it predictaby breeds more anxiety and more searching.” (The Age of Surveillance Capitalism, Shoshana Zuboff, PublicAffairs, New York, 2019, p. 462/463)

Tradução:

“Tanto a televisão quanto as mídias sociais nos privam do encontro na vida real, no qual sentimos a interioridade de outras pessoas e compartilhamos algo próprio, estabelecendo assim alguns fios de comunalidade. Ao contrário da televisão, no entanto, as mídias sociais envolvem a autoapresentação ativa caracterizada por ‘inflação de perfil’, na qual informações biográficas, fotos e atualizações são criadas para parecerem cada vez mais maravilhosas, com antecipação dos riscos de popularidade, valor pessoal e felicidade. A inflação de perfis desencadeia uma autoavaliação mais negativa entre os indivíduos, à medida que as pessoas se comparam a outras, o que leva a mais inflação de perfis, especialmente entre redes maiores que incluem mais ‘amigos distantes’. Como um estudo concluiu, ‘expandir a rede social adicionando vários amigos distantes pelo Facebook pode ser prejudicial ao estimular emoções negativas nos usuários’.

Uma consequência da nova densidade de gatilhos de comparação social e do ciclo de respostas negativas é uma condição psicológica conhecida como FOMO (‘fear of missing out’, ou seja, ‘medo de perder’ em português). É uma forma de ansiedade social definida como ‘a sensação desconfortável e às vezes consumidora de que… seus colegas estão fazendo, sabendo ou possuindo ou mais ou algo melhor que você’. A aflição de um jovem está associada a um humor negativo e a baixos níveis de satisfação com a vida. Pesquisas identificaram o FOMO com o uso compulsivo do Facebook: quem sofre de FOMO verifica obsessivamente seus feeds do Facebook – durante as refeições, enquanto dirige, imediatamente após acordar ou esquecer o sono, e assim por diante. Esse comportamento compulsivo visa produzir alívio na forma de reafirmação social, mas previsivelmente gera mais ansiedade e mais procura.”

Há uma evidente diferença entre o que o Facebook e os usuários da rede social plantam e colhem.

“Facebook entered the world bypassing old institutional boundaries, offering us freedom to connect and express ourselves at will. It is impossible to say what the Facebook experience might have been had the company chosen a path that did not depend upon surveillance revenues. Instead, we confront the sudden accretion of an instrumentarian power that spins our society in an unanticipated direction. Facebook’s applied utopistics are prototype of an instrumentarian future, showcasing feats of behavioral engineering that groom populations for the rigors of instrumentarianism’s coercive harmonies. Its operations are designed to exploit the human inclination towarad empathy, belonging, and acceptance. The system tunes the pitch of our behavior with the rewards and punishments of social pressure, herding the human heart toward confluence as a means to other’s commercial ends.

From this vantage point, we see that the full scope of the Facebook operation constitutes a vast experiment in behavior modification designed not only to test the specific capabilities of its tuning mechanisms, as in its official ‘large-scale experiments’, but also to do so on the broadest possible social and psychological canvas. Most significantly, the applied utopistics of social pressure, its flywheel of social comparison, and the closed loops that blind each user to the group system vividly confirm Pentland’s theoretical rendering of the case. Instrumentarian social principles are evident here, not as hypotheses but as facts, facts that corrently constitute the spaces where our chindren ae ment to ‘grow up’.” (The Age of Surveillance Capitalism, Shoshana Zuboff, PublicAffairs, New York, 2019, p. 468/469)

Tradução:

“O Facebook entrou no mundo ultrapassando as antigas fronteiras institucionais, oferecendo-nos liberdade para nos conectar e nos expressar à vontade. É impossível dizer qual poderia ter sido a experiência no Facebook se a empresa tivesse escolhido um caminho que não dependesse das receitas de vigilância. Em vez disso, confrontamos o acréscimo repentino de um poder instrumentário que coloca nossa sociedade em uma direção imprevista. As utopísticas aplicadas do Facebook são um protótipo de um futuro instrumentarista, apresentando proezas da engenharia comportamental que preparam as populações para os rigores das harmonias coercitivas do instrumentarianismo. Suas operações são projetadas para explorar a inclinação humana em relação à empatia, pertença e aceitação. O sistema sintoniza o tom do nosso comportamento com as recompensas e punições da pressão social, conduzindo o coração humano à confluência como um meio para fins comerciais de outros.

Desse ponto de vista, vemos que todo o escopo da operação do Facebook constitui um vasto experimento de modificação comportamental, projetado não apenas para testar as capacidades específicas de seus mecanismos de ajuste, como em seus ‘experimentos de larga escala’ oficiais, mas também para fazer assim, num quadro social e psicológico mais amplo possível. Mais significativamente, as utopísticas aplicadas da pressão social, seu volante de comparação social e os ciclos fechados que cegam cada usuário ao sistema do grupo confirmam vivamente a interpretação teórica de Pentland do caso. Os princípios sociais instrumentaristas são evidentes aqui, não como hipóteses, mas como fatos, fatos que constituem corretamente os espaços em que nossas crianças se empenham em ‘crescer’.”

Num dos capítulos anteriores do livro, a autora demonstrou como e porque é inútil confrontar o poder excepcional sem precedentes, a “auctoritas virtual”, dos capitalistas de vigilância no ambiente que eles criaram. Qualquer coisa que o usuário fizer na internet apenas reforçará a expropriação de excedente comportamental. A assimetria garante tanto o sucesso do capitalismo de vigilância quanto sua perpetuação.

Soshana Zuboff termina esse capítulo com uma reflexão em torno do drama “Sem saída”, de Jean-Paul Sartre, cujo personagem Garcin chega à famosa conclusão “O inferno é as outras pessoas.” A saída desse inferno cientificamente desenhado para viciar os usuários, sujeitando-os às doenças identificadas pelos pesquisadores mencionados pela autora, talvez seja a responsabilização civil do Facebook.

O serviço que a rede social presta, supostamente gratuito, somente produz lucro em virtude dos excedentes comportamentais expropriados dos usuários com a finalidade de otimizar a propaganda e possibilitar aos engenheiros de software se tornarem engenheiros sociais. Quando cria um perfil no Facebook a pessoa deseja afirmar publicamente sua dignidade e não ser rebaixada à condição de rato num imenso laboratório virtual.

O Código Civil brasileiro possibilita a reparação de danos em dois casos: a prática de ato ilícito e o abuso de um direito.

“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.”

Não me parece ser juridicamente impossível levar ao conhecimento do Poder Judiciário uma pretensão de indenização contra o Facebook se o usuário desenvolver qualquer uma das doenças psicológicas que a arquitetura da rede social foi desenhada para provocar a fim de maximizar os lucros da empresa. Não é lício induzir o vício dos usuários de uma rede social, especialmente porque esse dano poderia ser evitado com a adotação de uma arquitetura diferente. Fazer as pessoas adoecerem para maximizar os próprios lucros pode, no mínimo, ser considerado um abuso do direito de explorar uma atividade economicamente lucrativa.

A gratuidade do serviço não isenta seu prestador de responsabilidade em relação aos danos que ele causa.

Também me parece juridicamente plausível, no contexto do Direito Civil brasileiro, um pedido de indenização fundamentado na violação do princípio do respeito à dignidade humana (art. 1°, inciso III, da Constituição da República). Nesse caso, pouco importa o que diz o “manual” do Facebook que foi aceito pelo usuário: a empresa não pode tratar seus usuários como animais num laboratório, sujeitando-os a modificações comportamentais ignoradas que eles mesmos não desejariam se tivessem consciência de que seriam manipulados para garantir os lucros de terceiros.

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