Wanderley Guilherme dos Santos critica ações da esquerda diante do “golpe” e golpistas

Jornal GGN – O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos criticou, em artigo publicado no dia 25, o apoio da imprensa digital posicionada à esquerda a mais uma proposta do PT para atingir o governo do “usurpador” Michel Temer (PMBD): ter apoiado Marcelo Castro (PMBD) e, depois, Rodrigo Maia (DEM) – que votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff – para a presidência da Câmara, numa tentativa de atingir o grupo de Eduardo Cunha (PMDB).

Santos já havia criticado, em outro artigo, a defesa do plebiscito como alternativa à vitória do impeachment no Senado, em agosto. Para ele, não faz sentido, nem sabe-se como a esquerda seria beneficiada, com a proposta de retorno de Dilma apenas para que novas eleições sejam convocadas. A ideia sofre alguma resistência no PT, mas é apoiada por parte dos movimentos sociais e por blogues de esquerda. 

Essa semana, alguns analistas também escreveram que se o impeachment for consumado, o PT, através da figura do ex-presidente Lula, tenderia a aceitar o duro golpe e negociar com Temer a aprovação de projetos, no Congresso, que interesse à manutenção de conquistas sociais.

Para Wanderley Guilherme dos Santos, não há espaço para ações de apoio ao governo Temer, pois este é ilegítimo e assim deve ser tratado até o final. “Se consumado o impedimento, cumpre insistir na oposição ao governo, cuja ilegitimidade não compete a nenhuma decisão do Senado absolver. O restabelecimento da dignidade do voto não é matéria de decisão legislativa e o apoio ao governo deve ser implacavelmente coberto de vergonha. Basta de oposição sem pudor.”

Por Wanderley Guilherme dos Santos

A última flor do pântano oposicionista

No Segunda Opinião

A esta altura está difícil saber se a direita imita a liderança da esquerda ou se esta aderiu ao estilo daquela. Virou moda a manipulação de informação, formação de panelinhas, discriminação, censura e difamação. A mídia tradicional tem tarimba e competência, faz passar gato por lebre mesmo onde não existam nem gato nem lebre. Já a esquerda é desastrada e tosca quando perde o rumo do nariz. A estranha patacoada de condicionar, em nome de quem não se sabe, apoio à recuperação do mandato de uma Dilma Rousseff comprometida a abdicar, se reempossada, continua a pipocar na opinião dos mais esquisitos personagens a propósito de coisa alguma. Podem chamar de plebiscito, é a velha sacada da direita de chamar golpe de revolução. Assim como extrair respostas embutidas em perguntas prontas é outra manobra tipo batedor de carteira de reportagens encomendadas. Aliás, não é de hoje que a velhacaria de assassinar caráter de dissidentes abandonou a fidelidade partidária e se vulgarizou como recurso vadio, vinte e quatro horas à disposição de qualquer um.

A real liberdade de imprensa, finalmente promovida pela internet, tudo aceita, sem filtrar páginas que reproduzem a imagem escarrada dos jornalões, com o contrapeso de uma linguagem rude. Não há novidade no que se lê, nem no que não se lê na internet, cópia dos diários impressos, que não surpreendem ninguém. Previsivelmente, grande parte das matérias dos jornalões divulga reportagens e editoriais contradizendo as bandeiras da esquerda. Vingança da dialética, a esquerda pautando a direita. Mas nem dela escapa a esquerda, com três quintos constitucionais dos blogues sobrevivendo por necrofilia, excomungando as opiniões da direita. Se os jornalões falirem haverá estrondosa mortandade entre os postes – é isso mesmo, postes, da esquerda.

Última flor do pântano, blogues especializados soltaram balões com a revolucionária proposta de apoiar um trêfego participante da salada golpista (aquela de 17 de abril) à presidência da Câmara dos Deputados. Alegadamente, um dardo letal contra Eduardo Cunha e o governo interino e usurpador de Michel Temer. O oportunismo próprio de amadores, quando não disfarça solerte manobra utilitária, ofende ao grande contingente que se vai consolidando na resistência à usurpação. Aconteça o que acontecer na decisão do Senado em agosto: se o processo de impedimento for derrotado, caberá campanha punitiva dos sabotadores da democracia. Basta de anistia a psicopatas, exploradores de pobres, mercadores do patrimônio nacional. Se consumado o impedimento, cumpre insistir na oposição ao governo, cuja ilegitimidade não compete a nenhuma decisão do Senado absolver. O restabelecimento da dignidade do voto não é matéria de decisão legislativa e o apoio ao governo deve ser implacavelmente coberto de vergonha. Basta de oposição sem pudor.

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