Em mais um exemplo de biomimética, área de estudo que desenvolve tecnologias inspiradas no que já existe na natureza, cientistas da Universidade de Hardvard, nos EUA, desenvolveram um protótipo robótico capaz de voar ao imitar a estrutura das asas e os movimentos de uma mosca. O protótipo é chamado RoboBee, e é resultado de 12 anos de pesquisas.
Menor do que uma moeda, o robô possui apenas 80 miligramas de peso e é capaz de fazer mudanças rápidas de direção e sentido, o que inclui voar para trás e para os lados instantaneamente – além de poder ajustar o curso de voo a partir de sensores existentes na própria estrutura do equipamento. O trabalho começou quando o engenheiro mecânico Robert Wood, responsável pelo trabalho, quis entender a mecânica dos movimentos por trás da agilidade das moscas em voo.
Outra motivação do cientista foi a “impossibilidade” de fazer algo do tipo, na avaliação de outros cientistas pouco mais de uma década atrás. Na época, não se acreditava ser possível fazer um robô do tamanho de uma mosca porque não havia controladores e sensores pequenos o suficiente para a tarefa. Além disso, pouco se sabia sobre como as moscas alteravam a direção das asas para realizar os movimentos ágeis. Compreender princípios de aerodinâmica em escala tão pequena parecia improvável.
Contudo, após muitos testes em que o robô era incapaz de sair do chão, Wood finalmente conseguiu fazer seu protótipo levantar voo ao usar, no corpo do equipamento, uma estrutura leve constituída por fibra de carbono, películas de polímero e pequenas partes de cerâmica. Toda a estrutura precisa ser montada e retocada com ajuda de uma pinça e vista a partir de um microscópio. O desenho das asas teve de ser refeito várias vezes até serem capazes de bater e girar ao mesmo tempo.
A tensão gerada para o movimento das asas vem de um arame fino, que liga o robô a uma fonte de energia e a um computador. Com os sensores, a pequena mosca-robô consegue realizar um voo controlado. Nos experimentos de voo, oito câmeras acompanham os movimentos do RoboBee e retransmitem informações da trajetória ao computador – este responde com novas coordenadas de voo, redirecionando as asas para manter o voo estável.
Apesar do sucesso, a engenhoca ainda tem suas limitações. Os passeios da mosca-robô duram, no máximo, 20 segundos, uma vez que a alta velocidade dos pequenos motores gera desgaste quase que instantaneamente. No total, um protótipo do RoboBee – que leva dois dias para ser construído – tem vida útil de, no máximo, 15 minutos de tempo de voo, somadas todas as vezes em que é acionado para testes. Agora os pesquisadores focam as pesquisas na substituição das pequenas partes mecânicas do robô com materiais mais duráveis.
Além de ajudar a compreender os métodos de voo de várias espécies, como as moscas e as libélulas, depois de otimizado o protótipo pode ter várias aplicações. De acordo com os cientistas, a mosca robótica pode auxiliar equipes de emergência a vistoriar áreas de risco em que não seja seguro a presença de uma pessoa ou mesmo para estudar as condições de estruturas que correm risco de desabar. Os cientistas não fizeram menção a usos militares.
Deixe um comentário