4 de junho de 2026

Gilberto Miranda no esquema desbaratado

Sem teorias conspiratórias, pelo menos até se ter mais dados sobre a Operação da Polícia Federal que desbaratou uma suposta quadrilha de venda de pareceres.

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Entre os envolvidos, um dos ícones da corrupção política do país, o ex-senador Gilberto Miranda. Nos anos 90, ligado a José Sarney, Miranda dominou a Zona Franca de Manaus, tornando-se milionário. Durante certo período, só conseguia cotas de importação quem passasse por ele.

Seu irmão, Egberto Baptista, foi um dos principais operadores dos esquemas que atuaram no governo Fernando Collor.

Gilberto foi peça central no escândalo dos precatórios, na condição de senador responsável pela aprovação do aumento de endividamento das prefeituras e governos do estado. E foi um dos autores do Dossiê Cayman, àquela altura ligado ao ex-prefeito Paulo Maluf, beneficiário também dos precatorios.

Por sua ilha passaram inúmeros jornalistas e políticos. Nos anos 80 era frequentada por políticos que iam do então senador Fernando Henrique Cardoso a Paulo Maluf.

Sua influência estendia-se aos jornalistas, também. No episódio dos precatórios, levei vários tiros de colegas de Brasília, inclusive da sucursal da Folha na época, alimentados por ele. Narro a história no meu livro “O jornalismo dos anos 90”.

Os dois irmãos participavam também de jogadas empresariais, utilizando grampos e jornalistas. Um dos casos clássicos foi na disputa entre Kayser e Ambev, no episódio da compra da Antárctica. Contratados pela Kayser, os irmãos grampearam uma conversa entre o advogado Ayrton Soares e a conselheira do CADE Hebe Tolosa. Passaram para o mesmo jornalista que atuou com eles na divulgação do caso Cayman e no acobertamento da operação dos precatórios.

A matéria iria sair com estardalhaço em um jornal paulista. Aí a assessoria da Ambev ligou para o proprietário dizendo que o jornalista ligara para a empresa, em um período em que o aparelho ina não era muito conhecido. Os assessores deram retorno no número registrado e o telefone era do próprio escritório de Gilberto Miranda.

A matéria foi abortada.

Agora, se Gilberto Miranda está envolvido no episódio, pode-se ter certeza de que era jogada graúda.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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