12 de junho de 2026

O sociólogo Gustave Le Bon e a mediocridade do espírito

Por Humberto Francelino

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Comentário ao post “O documentário argentino “La Educación Prohibida”

Lembrei de um texto que li do sociólogo Gustave Le Bon. “O nosso máximo esforço de independência consiste em opor, por vezes, um pouco de resistência às sugestões quotidianas. A grande massa humana nenhuma resistência opõe e segue as crenças, as opiniões e os preconceitos do seu grupo. Ela obedece-lhe sem ter mais consciência do que a folha seca arrastada pelo vento. 

Só numa elite muito restrita se observa a faculdade de possuir, algumas vezes, opiniões pessoais. Todos os progressos da civilização procedem, evidentemente, desses espíritos superiores, mas não se pode desejar a sua multiplicação sucessiva. Inapta a adaptar-se imediatamente a progressos rápidos e profundos em demasia, uma sociedade tornar-se-ia logo anárquica. A estabilidade necessária à sua existência é precisamente estabelecida graças ao grupo compacto dos espíritos lentos e medíocres, governados por influências de tradições e de meio.

É, portanto, útil para uma sociedade que ela se componha de uma maioria de homens médios, desejosos de agir como toda a gente, que têm por guias as opiniões e as crenças gerais. É muito útil também que as opiniões gerais sejam pouco tolerantes, pois o medo do juízo alheio constitui uma das bases mais seguras da nossa moral. 

A mediocridade de espírito pode, pois, ser benéfica para um povo, sobretudo associada a certas qualidades de carácter. Instintivamente, a Inglaterra o compreendeu, e é por isso que nesse país, embora seja um dos mais liberais 
do universo, o livre-pensamento sempre foi bastante mal visto”, in  “As opiniões e as crenças’.

Partindo desse princípio, qual seria a proposta de mudança ? Continuo achando que a elite continuará determinando o modo de viver da maioria, simplesmente porque o sistema capitalista tem essa característica. Sabemos disso. O que talvez a maioria não saiba, é que o sistema baseado no “crescimento econômico” tem seus limites. Não se pode crescer indefinidamente. O papel da nova escola deve oferecer alternativas viáveis à nossa própria existência no planeta, uma vez que o abismo gerado pela exploração dos recursos se aproxima.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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