Conflito violento no Amazonas desde o dia 25 , só hoje começa a saltar das redes sociais para a grande imprensa … silêncio por aqui também .
“Explodiram carros, lanchas, barcos, duas salas da Funai. Hoje (26/12) arruaceiros invadiram novamente o prédio da Funai. Uma cena catastrófica. Os índios tiveram que fugir e os servidores ficaram tocaiados. Parece que a intenção das pessoas foi se valer desse fato das pessoas que sumiram para fazer uma grande manifestação contra os índios. Oitenta por cento da população de Humaitá está contra os índios. Tem envolvimento político nesse protesto”, disse a servidora.
Ivaneide Bandeira, coordenadora da ONG Kanindé, que trabalha com etnias do sul do Amazonas, disse que entre os índios refugiados no quartel está uma índia Juma, que pertence ao grupo isolado. “Um indígena juma está protegida no quartel com medo. Tem mulheres e crianças na mesma situação. Isso só aconteceu porque o governo não tomou uma atitude no momento certo. Agora estão incitando a discriminação e o ódio contra os índios”, afirmou.”
Prédio da Funai foi incendiado por manifestantes de Humaitá (Foto: Divulgação)
26/12/13 Elaíze Farias (jornalista do Amazônia Real)
“Informações que chegaram a mim hoje sobre a situação do conflito em Humaitá (sul do Amazonas), envolvendo a população da cidade e os indígenas daquele município, já que algumas pessoas perguntaram se eu estava sabendo de algo: instituições como Ministério Público Federal, Secretaria-Geral da Presidência da República e Polícia Federal estão sendo acionadas para ir à terra indígena Tenharim. Mas a ida vai depender da disponibilidade dos órgãos. Quanto aos tenharim, as lideranças estão nas suas respectivas comunidades, onde não há sinal de celular. Os tenharim que estão na cidade estão recebendo proteção do Exército. Por opção das lideranças, os indígenas não vão se manifestar sobre a questão, por ora.
Com muitas pessoas já sabem, ontem ocorreu um protesto anti-indígena em Humaitá, durante o qual prédios da Funai e de atendimento à saúde indígena foram incendiados. A revolta teria sido uma represália da população contra os tenharim, que são suspeitos de matar um professor, um comerciante e um funcionário da Manaus Energia. “Oficialmente”, o protesto foi contra a falta de informação acerca do desaparecimento destes três homens. Por outro lado, os indígenas também estariam revoltados contra a morte de uma liderança tenharim, o Ivan Tenharim. Como se nota na cobertura da imprensa, as apurações são confusas e incompletas e com fontes limitadas à polícia (e, não por acaso, criminalizadora por antecipação).
Na maior parte, estou acompanhando esta história como leitora. A única informação que tive foi a que escrevi acima.
A Terra Indígena Tenharim fica no sul do Amazonas. Ela é atravessada pela Transamazônica. A reserva é alvo constante de invasões de suas terras, especialmente de madeireiros. Ao redor da TI, a maior parte do território é composto por campos de pastagem e terras griladas.”
FORÇA-TAREFA INVESTIGARÁ DESAPARECIDOS NA RESERVA TENHARIM (AM)
KÁTIA BRASIL
ELAÍZE FARIAS
Após 24 horas de conflitos em Humaitá, no sul do Amazonas, a Polícia Federal de Rondônia anunciou nesta quinta-feira (26) que enviará uma força-tarefa, com apoio da Força Nacional de Segurança e da Polícia Militar do Amazonas, nas próximas horas para investigar dentro da reserva dos índios Tenharim o paradeiro de três pessoas desaparecidas há 11 dias.
Como consequência dos desaparecimentos, manifestantes ameaçaram de morte 140 índios das etnias tenharim, parintintin e juma. Eles estão refugiados dentro do quartel do 54° Batalhão de Infantaria de Selva (BIS) do Exército desde a madrugada de quarta-feira (25) na cidade Humaitá, da qual o único acesso é a rodovia Transamazônica, a 591 quilômetros de Manaus.
Segundo o comandante da Polícia Militar de Humaitá (AM), major Luzeiro, a proteção dos índios dentro do quartel ocorreu depois que cerca de 3.000 moradores da cidade atearam fogo em carros e barcos da Funai (Fundação Nacional do Índio), na sede do órgão, na Casa do Índio da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), único local de tratamento de saúde indígena.
Funcionários da Funai (aproximadamente dez no total) também estão recebendo ameaças. Desde esta quarta-feira (25), quando a revolta explodiu, eles deixaram suas casas pelo receio de também serem agredidos. As ameaças têm sido constantes e muitos estão retirando os pertences de suas casas com temor de novos ataques, segundo os servidores.
O portal apurou que a presidência da Funai está organizando uma logística para retirar os servidores do órgão de Humaitá e levá-los para outro local. “Os indígenas estão seguros no batalhão. Mas não podemos ir para lá. Estamos encurralados, com medo. Agora à tarde até fecharam o acesso na estrada que vai até o quartel, que fica a oito quilômetros da cidade. Estamos tentando nos esconder”, disse uma funcionária do órgão que pediu para seu nome não ser publicado por questões de segurança.
Segundo a Polícia Federal, os manifestantes responsabilizam os índios tenharim pelo sequestro e desaparecimento de três pessoas, sendo um funcionário da Eletrobrás. Nos protestos, eles exigiram uma investigação dentro da reserva indígena para localizar o paradeiro dos desaparecidos.
Em nota, a Polícia Federal de Rondônia informou que uma equipe de policiais federais se deslocou no dia 19 de dezembro para reserva indígena Tenharim/Marmelo a fim de localizar os desaparecidos, mas as diversas diligências não tiveram êxito. Diante das informações coletadas, a PF decidiu deflagrar uma operação para identificar o paradeiro dos desparecidos
Vingança
A Polícia Militar trabalha com a suspeita de que os desaparecimentos estejam relacionados com a morte do cacique Ivan Tenharim, 45 anos. Ele foi encontrado com marcas de espancamento às margens da BR 230, Rodovia Transamazônica, no dia 2 de dezembro. Os desaparecimentos podem ser uma vingança, suspeita o policial.
O major Luzeiro disse que alguns moradores ameaçaram atear fogo em casas de indígenas ou mesmo atirar contra eles na estrada, caso os encontrassem. Um site de notícias, diz o policial, está sendo investigado por incitação à violência e discriminação no caso.
Um reforço de 130 homens da PM, segundo o major Luzeiro, foi enviado de Manaus para controlar a multidão revoltada em Humaitá. “Por volta das 4h da madrugada de ontem (25) a situação estava mais calma, mais controlada. Mas tivermos que proteger os índios para evitar mais violência à pedido da Funai”, disse o comandante. “Também estamos investigando o site de notícia por incitação e discriminação à violência e incitação”, concluiu.
Suposto Assassinato
A reportagem procurou à Funai (Fundação Nacional do Índio), em
Brasília, já que os funcionários de Humaitá também estão ameaçados de morte. Segundo Carlos Travassos, da Coordenação-geral de Índios Isolados, a Funai trabalha com a suspeita de assassinato para a morte do cacique Ivan Tenharim.
Um inquérito foi aberto na Polícia Federal, mas não há pistas sobre os autores do crime. Travassos disse que em razão da morte do cacique, o clima estava tenso entre os índios. “Mas não fazemos ideia do motivo do sumiço das três pessoas. Só tem crime, quando tem corpo”, afirmou Travassos.
Carlos Travassos disse que a reação da população de atear fogo no prédio da Funai e ameaçar os índios, homens, mulheres e crianças, é inexplicável. “Não entendi essa reação da população. Eles destruíram os carros e barcos, passamos três anos para equipar a coordenação de Humaitá”, disse.
A mesma funcionária da Funai que falou com o Amazônia Real disse que a situação se descontrolou e que a revolta contra os três homens desaparecidos tomou outro rumo, com “pessoas se aproveitando” da situação.
“Explodiram carros, lanchas, barcos, duas salas da Funai. Hoje arruaceiros invadiram novamente o prédio da Funai. Uma cena catastrófica. Os índios tiveram que fugir e os servidores ficaram tocaiados. Parece que a intenção das pessoas foi se valer desse fato das pessoas que sumiram para fazer uma grande manifestação contra os índios. Oitenta por cento da população de Humaitá está contra os índios. Tem envolvimento político nesse protesto”, disse a servidora.
Ivaneide Bandeira, coordenadora da ONG Kanindé, que trabalha com etnias do sul do Amazonas, disse que entre os índios refugiados no quartel está uma índia Juma, que pertence ao grupo isolado. “Um indígena juma está protegida no quartel com medo. Tem mulheres e crianças na mesma situação. Isso só aconteceu porque o governo não tomou uma atitude no momento certo. Agora estão incitando a discriminação e o ódio contra os índios”, afirmou.
O portal apurou que muitos indígenas refugiados no quartel tinham ido à Humaitá para participar de uma reunião sobre atendimento de saúde nas aldeias. No grupo, há também mulheres e crianças, além de algumas lideranças indígenas.
A reportagem não conseguiu contato com os indígenas que estão no quartel ou com alguma liderança tenharim. Nas aldeias, não tem sinal de celular.
Desaparecidos
Os três desaparecidos são: Stef Pinheiro de Souza, que é professor da rede pública municipal de Apuí, Aldeney Ribeiro Salvador, gerente da Eletrobrás Amazonas Energia em Santo Antônio do Matupi (Distrito de Manicoré) e Luciano da Conceição Ferreira Freire, representante comercial e mora em Humaitá.
Stefanon Pinheiro de Souza, irmão do professor Stef Pinheiro de Souza, disse aoAmazônia Real que sua família não participou do protesto violento, mas admitiu que “entendeu” a revolta da população. Segundo ele, a manifestação serviu para que “as autoridades deem respostas e que tomem providências em relação aos índios”.
Stefafon acredita que o irmão e os outros dois homens estejam vivos, mas que é preciso dar respostas sobre o motivo que os indígenas terem “sequestrados”.
“A gente tem certeza que foram os índios que pegaram eles. Mas queremos uma resposta das autoridades. Não dá para ficar esperando. Hoje soube que estão montando a ida de um contingente de 300 homens para ser enviado para a aldeia e eu quero participar disso. Vou estar na frente ou atrás, mas quero ir”, disse Stefafon.
Em nota, a Funai repudiou a violência e os atos de vandalismo em Humaitá. “Atos de vandalismo contra o patrimônio público são injustificáveis e configuram ilícitos”. Também solicitou a população de Humaitá, que ainda realiza manifestações, que libere os acessos aos municípios da região para que as autoridades policiais possam realizar seus trabalhos e tranquilizar todos moradores daquela região.
Quem são os tenharim
O povo tenharim vive na região do rio Madeira, no sul do Amazonas, e pertence ao conjunto de povos que se autodenominam Kagwahiva, falantes da língua Tupi-Guarani. Hoje são cerca e 1.200 índios, segundo a Funasa.
Suas reservas estão homologadas e somam 1.311.024 hectares dividas nas terras: Sepoti, Tenharim/Marmelo, Igarapé Preto, Tenharim/Marmelho (Gleba B).
As terras são ameaçadas de invasões de madeireiros e grileiros com o avanço das frentes de desmatamentos na região de Santo Antônio de Matupi, distrito do município de Manicoré, localizado na BR-230 (Transamazônica). O local é mais conhecido como “180″, por estar localizado no KM-180.
Desde de 2006, os tenharim cobram pedágio no quilômetro 145 da rodovia Transamazônica aos motoristas que trafegam na estrada. Para a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), o pedágio é como uma compensação por décadas em que a estrada passa dentro da reserva e um ressarcimento pelos danos causados à etnia.


mpaiva
27 de dezembro de 2013 10:46 pmMANIFESTANTES INVADEM ALDEIAS TENHARIM (AM), DIZEM INDÍGENAS
MANIFESTANTES INVADEM ALDEIAS TENHARIM (AM), DIZEM INDÍGENAS
27/12/13
ELAÍZE FARIAS
KÁTIA BRASIL
Aproximadamente 300 pessoas invadiram na manhã desta sexta-feira (27) as aldeias da Terra Indígena Tenharim, em Humaitá (a 675 quilômetros de Manaus), no sul do Estado do Amazonas, com a justificativa de estarem em busca dos corpos de três homens desaparecidos. Segundo índios da etnia tenharim, a invasão começou em uma grande manifestação na BR 230 (Transamazônica), iniciada no município de Apuí, vizinho de Humaitá. A Polícia Militar, por outro lado, afirma que está ocorrendo uma “tentativa de invasão”.
O índio Ivanildo Tenharim, que está refugiado no quartel do Exército em Humaitá, disse ao Amazônia Realque mulheres com crianças fugiram para a floresta com receio de serem atacadas. Ficaram nas aldeias apenas os homens. Há informações de que uma casa da aldeia chegou a ser incendiada, mas os indígenas optaram por não reagir para evitar conflito.
Conforme Ivanildo, a comunicação entre os tenharim que estão na aldeia com os que estão no quartel vem ocorrendo por meio de um orelhão (telefônico público).
A distância entre as aldeias tenharim e a rodovia Transamazônica é de apenas 200 metros. Já a distância das aldeias para Humaitá é de aproximadamente 123 quilômetros. Segundo Ivanildo, há muitas aldeias com apenas três famílias.
“Soubemos que os manifestantes estão fazendo arrastão, dizendo que estão procurando os corpos. Eles já passaram por quase todas as aldeias. Estamos tentando pedir apoio da polícia para ver esta situação, mas ainda não tivemos respostas”, disse Ivanildo, que é secretário municipal para os povos indígenas da prefeitura de Humaitá e também teve que fugir de sua casa na última quarta-feira (25) após os violentos protestos contra os indígenas na cidade.
O tenente coronel Everton Cruz, que comanda a força de segurança pela Polícia Militar na área, admitiu ao portal que está ocorrendo uma “tentativa de invasão” iniciada ontem (26). O grupo de invasores é formado por fazendeiros e madeireiros.
“Identificamos fazendeiros e madeireiros e funcionários deles tentando invadir a reserva. Nós vamos fazer de tudo que tiver ao nosso alcance para evitar que eles não entrem na reserva. Não podemos garantir 100%. Se tiver um confronto com a polícia, não vamos atirar em ninguém. Estamos tentando convencer no diálogo”, afirmou o tenente coronel Everton Cruz.
Rosinho Tenharim, que também está refugiado no quartel do Exército, disse ao Amazônia Real que mulheres e crianças escondidas na mata estão sem proteção.
“Com o ataque nas aldeias, elas fugiram com as crianças. Mas como tem chovido bastante, as crianças estão começando a ficar doentes, gripadas”, disse Rosinho, que é presidente da Organização dos Povos Indígenas do Alto Madeira, e estava em Humaitá para participar de uma reunião.
Moradias de aldeia da etnia tenharim, no Amazonas. Foto: Arquivo Funai.
Refugiados
Estão refugiados no quartel 140 indígenas, entre eles, 50 crianças, a maioria da etnia tenharim. Vinte indígenas doentes que estavam na Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) também tiveram que ser retirados do local, junto com seus acompanhantes, e levado ao quartel depois dosataques dos moradores de Humaitá.
Os indígenas fugiram ou foram retirados de suas casas pela polícia após manifestantes ameaçarem incendiá-las. Alguns indígenas fugiram quando estavam na balsa que faz a travessia do rio Madeira de Humaitá para as aldeias.
“A mensagem que eles nos deram é que não queriam nenhum índio nas ruas da cidade se não iam nos matar”, disse Ivanildo.
No grupo de indígenas que estão no quartel há lideranças, caciques, funcionários públicos e estudantes universitários.
Ainda não há previsão da retirada deles do quartel, mas as lideranças que conversaram com o portal disseram que, por enquanto, não pretendem continuar na cidade e vão recomendar o mesmo para os outros tenharim. “Vamos dar um tempo nas aldeias. Não há condições de a gente continuar em Humaitá porque as ameaças continuam”, disse Ivanildo.
Desaparecidos
Os indígenas também negaram que os tenharim tenham sido os responsáveis pelo desaparecimento do professor Stef Pinheiro de Souza, de Apuí, Aldeney Ribeiro Salvador, funcionário da Eletrobrás Amazonas Energia, e Luciano da Conceição Freire, comerciante do distrito de Santo Antônio do Matupi, localizado no KM-180 da Transamazônica.
“Não foram os indígenas. Quando o indígena faz alguma coisa, ele assume. Se fosse nós, já teríamos assumido. Já tínhamos comunicado à Funai e dito o motivo”, afirmou Ivanildo Tenharim.
Rosinho Tenharim reitera a informação de Ivanildo. Na sua avaliação, “estão querendo culpar” os índios sem provas. “Falam que é a gente como se só a gente morasse na BR. Tem muitas outras pessoas que vivem na estrada. Há muitas fazendas”, afirmou.
Nesta quinta-feira (26), segundo Rosinho, dois caciques que estão refugiados no quartel escaparam de serem mortos por pessoas que afirmaram ser das famílias dos desaparecidos.
“Vieram aqui com a gente e propuseram nos acompanhar na aldeia. Disseram que iam fazer busca, mas queriam que alguém da gente lhes acompanhasse. Só que quando os caciques chegaram perto da balsa, viram que era uma armadilha. Muitas pessoas afirmaram que iam matar eles. Depois disso, não queremos mais nenhum diálogo”, disse Rosinho.
A Terra Indígena Tenharim é composta por três áreas: Tenharim-Marmelos, Tenharim Marcelos (Gleba B) e Tenharim do Igarapé Preto.
Foco de tensão
Procurada pelo portal, a Polícia Militar do Amazonas informou que madeireiros e fazendeiros do sul do Amazonas estão tentando invadir a Terra Indígena Tenharim para fazer buscas das três pessoas desaparecidas. Mais de 250 policiais militares estão em pontos estratégicos na área que é o foco de tensão a partir do quilômetro 180 da BR 230 (Transamazônica), principal entrada para reserva, em Santo Antônio do Matupi, Distrito de Manicoré.
O tenente coronel Everton Cruz disse que está aguardando apoio de um helicóptero do Exército para auxiliar a segurança. Também devem chegar nas próximas horas mais de 200 homens da Polícia Federal e Força Nacional de Segurança, que já tem pequeno contingente dentro da reserva.
A força da Polícia Militar se concentra, segundo o comandante, no km 150 da BR 230 (sentido Apuí) e no porto de Humaitá no rio Madeira. “Do efetivo nosso são 250 policiais. Nós estamos fazendo de tudo para não ter invasão, mas preciso de um transporte para chegar de imediato”, disse.
A Delegacia da Polícia Civil de Apuí confirmou que fazendeiros e madeireiros também tentam invadir a Terra Indígena Tenharim desde a noite de quinta-feira (26) para fazer buscas aos três homens desaparecidos. Mas foram contidos, segundo o delegado Robson Janes, por forças do Exército, da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança e da Polícia Militar do Amazonas.
O delegado Robson Janes disse que parentes e amigos estão no grupo. “Ontem (26) saiu daqui (de Apuí) 29 caminhonetes com essas pessoas. Eles tentaram invadir à reserva para fazer buscar de informações sobre o professor Stefano. Chegando em Santo Antônio do Matupi, essas pessoas foram contidas pelo Exército e Polícia Federal e demais forças”, afirmou.
Procurada na manhã de hoje, a Funai disse por meio da assessoria de imprensa que a “Coordenação Local do órgão não detectou nenhuma invasão de não-índios em aldeias da região até o presente momento”. Disse também que “a Polícia Federal e a Força Nacional estão se deslocando para a região”.
Em outra nota, enviada após novamente ser procurada pelo portal, a Funai não negou (mas também não confirmou) sobre a possível invasão e novamente disse que Polícia Federal, junto com a Força Nacional, já está se deslocando para a região para apurar o caso.
“Não temos atribuição para investigar denúncia de crimes. Trabalhamos em parceria com a Polícia Federal para facilitar as investigações, acompanhando-os às aldeias, ajudando no diálogo e negociação com os índios. Apenas a polícia pode/deve investigar a denúncia de crimes. A Funai está à disposição da Polícia para auxiliar na resolução do caso o mais rápido possível”, diz a nota.
A Secretaria do Gabinete da PF em Porto Velho (RO) confirmou que um contingente de policiais federais, da Força Nacional e da Polícia Rodoviária Federal está se dirigindo ao local da manifestação.
mpaiva
27 de dezembro de 2013 10:58 pmno G1 Amazonas , hoje (27/12)
Madeireiros e fazendeiros incendeiam aldeia indígena no Sul do AM
27/12/2013 18p1 – Atualizado em 27/12/2013 18p7
Moradores queimaram barreiras de pedágio e cortaram energia da aldeia.143 índios Tenharim estão recebendo segurança do Exército após ataques.Eliena Monteiro Do G1 AM
Aldeias indígenas foram incendiadas nesta sexta
(Foto: Reprodução/TV Amazonas)
Um grupo de madeireiros e fazendeiros ateou fogo em casas localizadas em uma aldeia indígena situada na área do município de Manicoré, no Sul do Amazonas, no início da tarde desta sexta-feira (27), segundo a Polícia Militar (PM). A informação é de que moradores da cidade de Apuí e do distrito de Santo Antônio de Matupi invadiram a área e depredaram barreiras de pedágio na BR-230 (Rodovia Transamazônica). O conflito na área se agravou na terça-feira (24), quando moradores de Apuí e de Humaitá queimaram bens da Fundação Nacional do Índio (Funai) e Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O grupo acusa índios da etnia Tenharim de manterem reféns homens que desapareceram na rodovia.
(Foto: Reprodução/Youtube)
De acordo com o tenente-coronel Everton Cruz, da PM, as aldeias localizadas na altura do km 130 da Rodovia Transamazônica foram invadidas por volta de 12h. Segundo a PM, naquela região, há pelo menos quatro etnias indígenas, entre elas a Tenharim. Mais de 800 indígenas habitam a área invadida.
Cruz informou ainda que o grupo que invadiu o local é formado por madeireiros, fazendeiros e moradores de Apuí e do Distrito de Santo Antonio do Matupi, situado no quilômetro 180 da Rodovia Transamazônica, em Manicoré.
Ainda segundo informações do tenente-coronel, a operação na região ainda não dispõe de helicópteros. “Não há informações precisas sobre o que está acontecendo no local. Deslocamos, por via terrestre, uma tropa do Comando de Policiamento Especializado (CPE) para conter os ataques, enquanto aguardamos ajuda do governo federal”, disse o tenente-coronel.
Invasão
Segundo a Polícia Militar, a operação conta com policiais do CPE, Comando de Policiamento do Interior (CPI), e do 4º Batalhão da Polícia Militar.
Os ataques às aldeias dividem os moradores na região do Sul do Amazonas. Desde o início da manhã desta sexta, um grupo ameaçava invadir as aldeias. Os comboios seguiam de Apuí para o distrito de Santo Antônio do Matupi, região do conflito. Moradores dos dois municípios tentavam se entender, mas o acordo não aconteceu, porque um grupo mantinha acampamento nos limites das terras indígenas, distante 30 km da comunidade.
O objetivo do acampamento, segundo o grupo, era proteger as comunidades agrícolas de um ataque indígena. Algumas pessoas chegaram a ir ao local para levar o grupo de volta para a comunidade, onde o grupo maior estava reunido, mas não obtiveram sucesso. O grupo seguiu para a reserva indígena e destruiu a chave da rede elétrica da área, deixando a comunidade sem fornecimento de energia.
O presidente da Associação dos Madeireiros de Matupi disse que os moradores são contra a cobrança de pedágio no trecho que corta a reserva. “Nós não queremos mais os pedágios na área indígena, porque quando chega um carro e para, nós ficamos a mercê da vontade dos índios. Se eles tiveram qualquer situação para apresentar contra a gente, a hora oportuna é quando a gente está no carro. Aí, eles podem sequestrar, nos assassinar, nos torturar”, declarou.
Em entrevista ao G1, o vice-presidente da Articulação dos Povos Indígenas de Rondônia (AIR), Marcos Apurinã, confirmou que a cobrança de pedágio por parte dos índios não é legalizada. “Para nós indígenas, isso é legal, apesar de que não existir na Lei. A rodovia levou à degradação do meio ambiente, introdução do álcool nas aldeias, entre outros problemas. Esses danos não foram reparados e nós entendemos que deveríamos fazer a cobrança como forma de compensação. Cabe ao governo regularizar, caso contrário vai continuar morrendo índios e não-indígenas. E nós queremos a harmonia”, disse.
Em uma reunião de emergência com os prefeitos de Apuí, Humaitá e Manicoré, a Polícia Federal se comprometeu a entrar na aldeia até o próximo sábado (28) para realizar buscas pelos homens que estão desaparecidos desde o dia 19 deste mês.
Região de conflito
O Sul do Amazonas é uma região marcada por conflitos agrários. A reserva indígena dos Tenharim é cortada pela Transamazônica e cercada por campos de pastagem. Em março de 2012, a trabalhadora rural amazonense Dinhana Nink, de 28 anos, foi assassinada na madrugada em Nova Califórnia, Rondônia. O filho da vítima, de cinco anos, testemunhou o crime. Ela era natural de Lábrea, município a 610 km de Manaus, e estava na lista elaborada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) de pessoas ameaçadas de morte na Amazônia por conflitos agrários.
EPAMINONDAS
6 de janeiro de 2014 4:29 pmSou morador de Humaitá-Am,
Sou morador de Humaitá-Am, essa foi a pior das reportagens que já vi, totalmente sem noção e irresponsável uma vez que os argumentos estão todos distorcidos em favor dos índio que mataram 03 inocentes por acharem que os mesmo seriam os autores da morte do cacique Ivan Tenarim… aff que imundice de matéria