CONHECIMENTO – Vamos a Mao Tse Tung em seu texto sobre a contradição:
“(…)Frequentemente falamos da “substituição do velho pelo novo”. Tal é a lei geral e imprescritível do Universo. A tranformação dum fenómeno noutro, por saltos cujas formas variam segundo o carácter do próprio fenómeno e segundo as condições em que ele se encontra, eis o processo de substituição do velho pelo novo. Seja em que fenómeno for, há sempre uma contradição entre o velho e o novo, o que determina uma série de lutas de curso sinuoso. Dessas lutas resulta que o novo cresce e eleva-se à posição dominante, enquanto que o velho, pelo contrário, decresce e acaba por morrer. Assim que o novo conquista uma posição dominante sobre o velho, o fenómeno velho transforma-se qualitativamente num novo fenómeno. Daí resulta que a qualidade dum fenómeno é sobretudo determinada pelo aspecto principal da contradição, o qual ocupa a posição dominante. Logo que o aspecto principal da contradição, o aspecto cuja posição é dominante, muda, a qualidade do fenómeno sofre uma mudança correspondente(…)”
http://www.marxists.org/portugues/mao/1937/08/contra.htm
“(…) 6.3: A lei da negação da negação: em qualquer esfera da realidade material ocorre constantemente o processo de esgotamento do velho, do caduco, e de aparecimento do novo. A substituição do velho pelo novo é o desenvolvimento; e a superação do velho pelo novo, que surge tendo por base o velho, é o que se denomina negação. O termo “negação” em filosofia foi introduzido por Hegel, mas este lhe conferia um sentido idealista. Do seu ponto de vista, por meio da negação desenvolve-se apenas a idéia, o pensamento. Marx e Engels, tendo conservado o termo, interpretavam-no do ponto de vista materialista. Demonstraram que a negação representa um momento inseparável do desenvolvimento da própria realidade material. “Em nenhuma esfera – indicava Marx – pode ocorrer um desenvolvimento que não negue suas formas anteriores de existência”. A negação não é algo introduzido de fora no objeto ou no fenômeno. É o resultado de seu próprio desenvolvimento interno. Os objetos e fenômenos, como já dissemos, são contraditórios e, desenvolvendo-se na base de contradições internas, criam as condições para a sua própria destruição, para a passagem a uma qualidade nova e superior.
A dialética e a metafísica concebem de modo diverso a questão da essência da negação. A metafísica, deformando o processo de desenvolvimento da realidade material, compreende a negação como a eliminação e a destruição absoluta do velho. Os dialéticos denominam tal concepção da negação como inútil, pois ela exclui qualquer possibilidade de desenvolvimento posterior. A concepção dialética da negação parte de que o novo não destrói simplesmente o velho, mas conserva tudo o que de melhor estava contido neste. Mas é preciso ter em vista que o novo nunca toma o velho inteiramente em sua forma anterior. Conserva-o, reelaborando-o; o eleva a um grau mais elevado. A dialética marxista, por exemplo, não incorporou simplesmente as conquistas do pensamento filosófico do passado, mas reelaborou-as criticamente, enriqueceu-as com as novas conquistas da ciência e da prática, elevou a ciência filosófica a um estágio qualitativamente novo e superior. Assim, como conseqüência da negação, soluciona-se uma ou outra contradição, o velho é destruído e afirma-se o novo. Mas, cessará com isso o desenvolvimento? Não, com o aparecimento do novo o desenvolvimento não cessa. Tudo que é novo não permanece eternamente novo. Ao desenvolver-se, prepara as premissas, as condições para o aparecimento do que é ainda mais novo e avançado .
Na natureza a negação da negação se expressa de diversas formas, como por exemplo, o grão de cevada. Todos os dias, milhões de grãos de cevada são moídos, cozidos e consumidos na fabricação de cerveja. Mas, em circunstâncias normais e favoráveis, esse grão plantado em terra fértil, sob a influência do calor e da umidade, experimenta uma transformação específica: germina. Ao germinar, o grão, como grão, se extingue, é negado e, em seu lugar, brota a planta, que nascendo dele é a sua negação. E em seguida essa planta floresce, é fecundada e produz, finalmente, novos grãos de cevada, devendo, em seguida ao amadurecimento desses grãos, morrer, ser negada . E assim sucessivamente. E um processo semelhante se dá com os insetos, como a mariposa, por exemplo. Nascem, estas, também do ovo, por meio da negação do próprio ovo, destruindo-o, atravessando depois uma série de metamorfoses até chegar a maturidade sexual, se fecundam e morrem por um novo ato de negação. No campo da formação geológica fica nítido como ocorre o ato da negação, pois toda a geologia não é mais do que uma série de negações negadas, uma série de desmoronamentos de formações rochosas antigas, sobrepostas uma às outras, e de justaposição de novas formações.
O mesmo acontece com a História. Todos os povos civilizados têm em sua origem a propriedade coletiva do solo. E ao penetrar numa determinada fase primitiva, o desenvolvimento da agricultura, a propriedade coletiva converte-se num entrave para a produção. Ao chegar este momento, a propriedade coletiva se destrói, se nega, convertendo-se, após etapas intermediárias mais ou menos longas, em propriedade privada. Mas, ao chegar a uma fase mais elevada de progresso no desenvolvimento da agricultura, fase essa que se alcança devido à propriedade privada do solo, se converte, então, num obstáculo para a produção, conforme hoje já se observa no capitalismo. Nestas circunstâncias, surge, por força da necessidade, a aspiração de negar também a propriedade privada e de convertê-la novamente em propriedade coletiva . Esta nova aspiração não visa restaurar a primitiva propriedade comunal, mas, sim, uma forma muito mais elevada e mais complexa de propriedade coletiva. Na história dos modos de produção, o escravismo negou o comunismo primitivo, o feudalismo negou o escravismo, o capitalismo negou o feudalismo e, agora, está colocado na ordem do dia a negação do capitalismo por um sistema imensamente mais desenvolvido e racional: o socialismo. O socialismo não surge de um desejo humanista, mas da negação das próprias tendências retrógradas do capitalismo. Este novo sistema social, ao negar o velho através da revolução socialista, conserva suas forças produtivas, as conquistas da ciência, da técnica e da cultura, mas para libertá-las das amarras e deixá-las se desenvolver plenamente e conscientemente. O próprio desenvolvimento do socialismo faz surgir uma nova etapa, superior, de desenvolvimento social, o comunismo, quando a humanidade se libertará de todos os resquícios da sociedade de classe. As contradições nesta sociedade, evidentemente, não deixarão de existir, mas não serão contradições de classe; serão de outra ordem(…)”
(In: Site Luta Marxista: http://lutamarxista.org/artigos/Teoria/textosteoria/introducaodialetica.html )
Ludwig Feuerbach
12 de janeiro de 2014 8:04 pmsobre a filosofia de Hegel
O movimento de suspensão (Aufhebung ) pelo qual o senhor descreveu tanto o ser essente do grão de cevada, quanto o vir a ser da realidade histórica, mostrou uma análise que apesar de cheia de coerência, razão e propriedade, não amenizou o desconforto que tive ao ler sua interpretação acerca da filosofia hegeliana. Desculpe, mas parece-me que o senhor não é leitor de Hegel, e se leu, julgo que não o entendeu. Esta parte me causou terrível incomôdo: “O termo “negação” em filosofia foi introduzido por Hegel, mas este lhe conferia um sentido idealista. Do seu ponto de vista, por meio da negação desenvolve-se apenas a idéia, o pensamento.” Obviamente que o senhor não leu a ‘Ciência da Lógica”, nem a “Enciclópedia das Ciências Filósoficas”, e não está a par da semântica dos conceitos hegelianos, logo, não está apto para falar de sua obra e muito menos tirar conclusões (como por exemplo:”do seu ponto de vista, por meio da negação desenvolve-se apenas a ideia, o pensamento”). O senhor sabe que a realidade e o pensamento em Hegel não estão separados? Sabe do que Hegel está falando quando escreve a palavra “Ideia”? Obviamente não. Por isso, faça esta gentileza para com seus leitores. Não se aventure em terreno desconhecido para ficar falando coisas sem fundamento. Se informe com cautela antes de querer elaborar pensamentos complexos.
Eduardo Cunha
24 de abril de 2016 7:29 pmDúvida
Ei Feuerbach (rsrsr), Estou fazendo um curso de graduação em filosofia, tenho muita dificuldade em entender hegel. Poderia me dar alguma sugestão, pode ser um site, especialmente no que tange essa noção de “idéia” que me aparece muito ao longo do curso.
Juan Pablo Isoton de Santana
10 de julho de 2018 5:29 amCaro colega, esse texto é na
Caro colega, esse texto é na verdade de Engels, o famoso parceiro de Marx.
Segue link para que vossa senhora possa averiguar a referência:
https://www.marxists.org/portugues/marx/1877/antiduhring/cap13.htm
joao candido
10 de outubro de 2014 7:26 pmdialética
Penso, e tenho como verdade, se bem qu sempre questionavel, que se permanecer algo da tese, e mesmo da antítese, não estamos mais na dialética e sim no pensamento lógico aristotélico. A novidade ou mudança é o princípio que da vida a dialéletica. Talvez por pensar na conservação é que os comunistas que tomaram o poder aos burgueses, insistiram e mantê-lo…. e o comunismo, despresando as sínteses ou novidades, deu com os burros n”água….
joao candido
10 de outubro de 2014 7:33 pmPenso, e tenho como verdade,
Penso, e tenho como verdade, que a permanência de algo da tese ou mesmo da antítese na síntese implicaria ficarmos atrelados a lógica aristotélica. A síntese é sempre novidade e mudança. Talvez por isso ao derrubar a urguesia do poder, os comunistas tiveram seus sonhos amputados, posto que primaram pela permanência de várias aspectos capitalistas e mesmo os novos rumos implementados eram truncados pela visão causal.
Spin D de deriva
3 de novembro de 2016 4:09 pmAmigo Fuerbach o texto não é
Caro amigo Ludwig Feuerbach, grato pelo seu comentário mas o texto não é de minha autoria…foi para evitar este tipo de dúvida que aspei os trechos, além isso estão devidamente linkados …,….quem dera que eu tivesse conhecimento científico tão amplo como o seu e, não o tendo, calo me no lugar de replicá lo sobre Hegel, diexo isso a cargo dos sábios: estou mais para a poesia do que para a epistemologia…rss
Nota do Spin D de Deriva: Vários anos se passaram e somente hoje, por ter sonhado sobre o velho vs novo, achei o artigo acima ao fazer uma busca no google…também os publiquei no meu blog
https://josecarloslima.blogspot.com.br/2013/01/mensario-de-marte-1-de-janeiro-14-de.html