
do Observatório da Imprensa
A falácia do jornalismo tipo ‘ele disse, ela disse’, por Carlos Castilho
Os telejornais, a principal fonte de informação dos brasileiros, abusam cada vez mais da ferramenta editorial conhecida pelo jargão norte-americano como “ele disse, ela disse”, baseada na norma de ouvir os dois lados numa notícia. Pode tranquilizar redatores e editores, mas o telespectador fica perdido no meio de um tiroteio informativo .
O procedimento quase padrão nas reportagens de telejornais é partir de uma denúncia, dado ou fato impactante para em seguida apresentar declarações do denunciante, autor do dado ou protagonista do fato. Depois disso vem a declaração do lado contrário, geralmente com justificativas, explicações burocráticas ou o recurso a novos dados ou fatos, que aumentam ainda mais a confusão do leitor.
O “ele disse, ela disse” tem uma consequência ainda mais nefasta porque consagra a omissão dos repórteres e editores de investigar os fatos, eventos e dados numéricos objeto da notícia ou reportagem. Basta um ser contra e outro a favor para a tarefa jornalística ser considerada cumprida.
Tomemos um caso ocorrido recentemente e que serve de paradigma para a esmagadora maioria das notícias dos telejornais dos canais abertos. Fraude do leite. Destaque para a prisão dos suspeitos, seguindo-se a declaração de policiais e procuradores que explicam a fraude, os detalhes da captura, e fazem questão de sempre mencionar os anos de prisão a que estão sujeitos os acusados. No final, vêm as explicações dos advogados de defesa e dos suspeitos que dizem não ter feito nada de ilegal. O telespectador que se vire para entender quem tem e quem não tem razão.
É necessário reconhecer que uma notícia importante e digna de ser incluída num telejornal geralmente envolve questões complexas, cujo esclarecimento exige tempo e trabalho, dois itens críticos no ritmo industrial de produção de um noticiário como o Jornal Nacional, por exemplo. As questões operacionais servem de justificativa para jogar todo o peso do esclarecimento sobre os entrevistados, já que o repórter não teve tempo para checar os dados e situações citados pelas fontes ou personagens da notícia.
Até os contínuos das redações sabem que cada protagonista procura justificar o seu lado. Para o entrevistado não importa a verdade, mas sim a forma como ele será visto e julgado pelo telespectador. A maioria dos políticos, funcionários públicos importantes e empresários já passaram por sessões de “media training” e sabem como escolher palavras e abordagens que não prejudiquem a sua imagem pública. Nestas condições, uma notícia num telejornal quase sempre acaba se transformando num desfile de performances, para aflição dos telespectadores que sabem que o principal não está sendo dito, mas não conseguem identificar onde está a verdade.
Se formos analisar ao pé da letra, o “ele disse, ela disse” não é jornalismo. Principalmente num contexto em que o público está cada vez mais necessitado de profissionais que o ajudem a entender um mundo cada vez mais complexo. Nós, os jornalistas, precisamos perceber que não é dessa maneira que manteremos a confiança de leitores, ouvintes, telespectadores e internautas. Mais do que nunca temos a obrigação de focar mais no contexto do que na espetacularidade das ações policiais, no impacto das denúncias de procuradores e nas manobras de políticos ou empresários.
As redações precisam se preocupar mais com o público do que com as fontes. Isto já foi dito várias vezes por inúmeras pessoas, mas parece que ninguém escuta em redações automatizadas pela rotina de produzir material noticioso que serve para separar um anúncio de outro. Os executivos ainda estão convencidos de que a credibilidade do público na imprensa é infinita, mas o que se nota no contato informal e direto com as pessoas é um criticismo crescente em relação a jornais, revistas e telejornais.
Messias Franca de Macedo
16 de maio de 2015 8:13 pmURGENTE![MAIS UM] ESCÂNDALO
URGENTE!
[MAIS UM] ESCÂNDALO ENVOLVENDO O CONLUIO PIG/Tucanos!
INACREDITÁVEL!…
NO MÍNIMO, UMA CPMI!
E DENÚNCIA A TODAS AS INSTÂNCIAS INTERNACIONAIS!…
ENTENDA
Ontem (15/05/2015) – já da tarde da noite (sic), o portal uol/Folha estampou, no topo da página, a manchete:
Campanha de Richa recebeu R$ 2 mi de esquema, diz auditor
CARLOS OHARA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM LONDRINA (PR)
15/05/2015 23p6
(…)
[ http://www1.folha.uol.com.br/p… ]
Pois bem, hoje a mesma matéria foi deslocada para a parte inferior e, pasme, substituída pelo título
Acusação de auditor é ‘coisa de bandido’, diz Richa em *vídeo
CARLOS OHARA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CURITIBA
16/05/2015 16h05
(…)
[ http://www1.folha.uol.com.br/p… ]
PASME: dos portais da denominada grande mídia, somente o *G1.Globo repercutiu este escândalo do PSDB do Paraná!
E, justamente, apresentando o vídeo no qual o governador Beto Richa desqualifica o delator e, pasme novamente(!), acusa o governo federal pela patifaria!
EM TEMPOS FASCIGOLPISTAS: a bem da verdade, apenas o site do jornal ‘O Globo’ reverberou a notícia!
Ainda que postada praticamente no rodapé da página principal!
*O VÍDEO – http://g1.globo.com/pr/parana/…
Richa repudia denúncia sobre propina em campanha: ‘Passaram dos limites’ – 16/05/2015 15p7
Governador postou vídeo no Facebook na tarde deste sábado (16).
Auditor disse que campanha de Richa à reeleição teve dinheiro de propina.
É surreal!
Temos que reagir!…
Messias Franca de Macedo
Feira de Santana, Bahia
República de ‘Nois’ Bananas
JB Costa
16 de maio de 2015 8:15 pmObservo que esse viés “ele
Observo que esse viés “ele disse, ela disse” tem características bem singulares quando se trata do noticiário político e econômico.
A depender do que e de quem se fala haverá uma assimetria cavalar nas ênfases e principalmente no tempo dado ao “ele” e a “ela”.
Se a notícia for denúncias contra o governo ou PT ao “ele” se incorpora para fortalecê-lo o próprio meio, ou seja, meio(JN, da Globo, por exemplo) tomando partido por um lado. Matérias enormes e super produzidas com tabelas, gráficos, explicações minuciosas, entoadas por sua vez pela voz sorumbática e gestos e trejeitos do apresentador galã , devidamente corroboradas por várias testemunhas, quando chega a vez do “ela”, tadinha, com míseros segundos para dar sua versão, a cabeça do distinto público já está impregnada pela versão do “ele”. Tão apressado que parece aquele refrão que sai no final das propagandas de remédios(Se os sintomas não desaparecerem……..)
Na realidade,o jornalismo do tipo arguido não é só uma falácia: é um método que facilita a prática do jornalismo tendencioso, portanto desonesto.
Messias Franca de Macedo
16 de maio de 2015 8:32 pmO DEMoTUCANO BETO RICHA
O DEMoTUCANO BETO RICHA DESMORALIZA A OPERAÇÃO LAVA JATO, o ‘miniSTÉRIO’ PÚBLICO, A PF, O PIG E “O JUIZ DO ‘braZ$il'”!
ENTENDA AS ENTRELINHAS DA LAMBANÇA!…
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RICHA DIZ QUE DELAÇÃO DE CRIMINOSO NÃO VALE
Sob pressão, governador tucano afirma que tem sido “alvo de ataques de todos os tipos”, mas que “agora passaram do limite”; “Pegaram um criminoso, réu confesso, preso por abuso de menores, para me acusar sem nenhuma prova”, diz Beto Richa, em vídeo no Facebook, ao negar que tenha usado dinheiro de propina em sua campanha, conforme delatou o auditor da Receita Estadual do Paraná Luiz Antônio de Souza; nessa semana, o ex-presidente Lula fez uma defesa semelhante em referência ao doleiro Alberto Youssef, delator na Lava Jato, que faz acusações sem provas contra o PT; o que o PSDB dirá neste caso?
16 DE MAIO DE 2015 ÀS 17:13
(…)
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… É caso de Papuda e/ou internação em manicômio de segurança máxima (sic)?
E o golpe jurídico-midiático fazendo água por todos os lados!
Em breve, os primeiros ratos começarão a pular da canoa furada – e IMUNDA!
Ah golpistas desavergonhados!
Corruptos até a enésima geração!
joão adalberto
16 de maio de 2015 8:57 pmJean Wyllys
Incrível!!!
[video:https://mmv255.whatsapp.net/d/e2oGXocav54pf1W4ODqfa1VXm3A/AtXdXfiAQT4ZWM1v66mCM0WB9Ii6PR9Y9j4E95xWpBW5.3gp?x=2%5D
Renato Lazzari
17 de maio de 2015 11:51 amQuanta verdade você pode suportar?
“Ele disse, ela disse” é melhor que nada e com certeza melhor do que confiar na interpretação e contextualização oferecidas pelos jornais. É que estes tem vindo contaminados por interesses comerciais e políticos dos editores. Não que se espere isenção perfeita e absoluta mas o que tem feito as grandes empresas de produção de notícia mais atrapalha que ajuda.
Essas grande empresas tem adotado recentemente a técnica de “colocar a vaca na sala de visitas”¹, fazendo publicar mentiras tão deslavadas – vide, por exemplo, a questão da beneficiária do Ciências sem Fronteira que voltou para o Brasil ou a entrevista de Marcelo Nova, do Camisa de Vênus – que faz com que outras matérias “apenas”manipuladas passem por verdadeiro Jornalismo, ou até que se desista de buscar notícia nesses jornais e se passe a usá-los apenas como confirmação do que já se quer previamente acreditar, como se o porte da empresa significasse garantia de qualidade do produto. O caso de Nova especificamente é tão absurdo que há até quem imagine que o músico ajudou a carregar essa vaca para dentro de casa… Infelizmente as grandes empresas não têm sabido manter suas credibilidades.
Talvez se possa traçar um paralelo entre a indústria alimentícia e a de notícias: assim como se deve tomar muito cuidado antes de comer ou bebr algo, é mais importante do que nunca prestar total atenção ao que se toma como verdade. A Parmalat, gigante dos laticínios, já foi flagrada vendendo leite contaminado. Se bem que no caso dos alimentos, há um órgão estatal que bem ou mal faz verificação de qualidade. Mas tomar certos “jornalismos” como bons apenas pelo porte das firmas que os produz pode ser tão ou mais danoso que crer em notícia “batizada”.
Na minha opinião é muito importante, prá quem deseja notícia, buscá-la em todas as fontes possíveis. E não se apegar às próprias ideias sobre tradição e credibilidade. Dá trabalho se informar mas cada um é responsável por si mesmo.
¹ – Um homem, inconformado com o pequeno espaço de seu casebre, foi consultar um sábio que lhe disse que para que sua casa ficasse maior, o ideal fosse que se colocasse um de seus carneiros na sala de estar, o que o homem fez de imediato. Passado um mês esse homem voltou ao sábio e disse que a situção havia piorado. O sábio, então, recomendou ao homem que além do carneiro mantivesse também seu burro na sala, ao que o homem atendeu. Mais uma semana e o homem voltou ao sábio, relatando que tinha ficado pior ainda morar, ao que o sábio respondeu: “Paciência, falta pouco. Agora inclua também, a sua vaca na sala”. Dos dias depois o homem voltou ao sábio dizendo que tinha ficado absolutamente insuportável permanecer naquela casa. Dessa vez o sábio mandou o homem tirar da sala todos os animais. Passado um mês o sábio encontrou o homem na rua, perguntou-lhe como estava a casa sem os animais e o homem respondeu: “Agora, sim, minha casa ficou grande e boa de morar”.