Conservadorismo e democracia
por Ivan Salomão
Em algumas semanas, o futuro do país em que vivemos passará por provações profundas, as quais poderão representar, simbólica e concretamente, um passo inequívoco rumo ao século 14. Assim, se a mim fosse concedida a prerrogativa de sugerir alguma reflexão por parte dos eleitores – e disso não passaria, uma simples sugestão –, penso que à parcela conservadora da sociedade brasileira caberá um papel decisivo na história contemporânea do país. Tenho vários amigos entre eles, alguns bastante próximos e por quem nutro a mais verdadeira estima.
A você, que considera a possibilidade de sufragar o candidato racista, misógino e homofóbico de extrema-direita, gostaria de lembrar a existência de diversos nomes – de todos os gostos e sabores, do crente ao ímpio, do frugal ao nababesco – os quais poderiam aplacar todos os seus anseios eleitorais sem que se incorra em retrocessos que estuprariam garantias individuais dura e paulatinamente conquistadas desde a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789. Não se trata mais de divergências políticas, econômicas ou ideológicas; estamos diante de um dramático veredito civilizatório.
A vocês, as opções abundam. Geraldo Alckmin, católico fervoroso; Marina Silva, evangélica diligente; Álvaro Dias, a concubina da Lava Jato; Henrique Meirelles, banqueiro transnacionalizado; João Amoêdo, usurário impudico; José Maria Eymael, um democrata cristão; Cabo Daciolo, servo que honra e glorifica o nome dEle.
Todos liberais. E todos, sem exceção, mais conservadores que a Nossa Senhora de Guadalupe.
A robustez das instituições dos Estados Unidos permitiu aos norte-americanos a eleição de um ser anencéfalo que, misteriosamente, sobreviveu por 72 anos; a fragilidade das nossas nos veda qualquer peripécia racionalizada pelo pâncreas. A democracia brasileira é um bebê recém-nascido que está prestes a ser jogado em uma jaula do UFC diante de alguém disposto a aniquilá-lo em nome de sua ignorância.
Quando o absurdo passa a ser o novo normal, é preciso dizer o óbvio: há uma distância oceânica a separar a defesa de valores tradicionais do fascismo néscio e abjeto.
Para não ser acusado de sectarismo, porém, reconheço, sim, eventuais virtudes no Triboulet brasileiro. Ainda assim, o único que se pode verbalizar em seu benefício é o fato de que, aos 63 anos, o cidadão ostenta a cabeça inteiramente coberta por cabelos. Eu, com pouco mais da metade disso, já estou ficando careca.
Ivan Salomão, professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Marcus Tulio
18 de setembro de 2018 10:08 pmBom lembrar que o banqueiro
Bom lembrar que o banqueiro Meirelles foi o presidente do BACEN no governo Lula. E que em Dilma 2 teve o Sr. Levy na Fazenda. Pra quem gosta de números o Brasil pagou quase 10 Trilhões de dívida pública em 12 anos…