25 de junho de 2026

Conservadorismo e democracia, por Ivan Salomão

Quando o absurdo passa a ser o novo normal, é preciso dizer o óbvio: há uma distância oceânica a separar a defesa de valores tradicionais do fascismo néscio e abjeto.

Conservadorismo e democracia

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por Ivan Salomão

Em algumas semanas, o futuro do país em que vivemos passará por provações profundas, as quais poderão representar, simbólica e concretamente, um passo inequívoco rumo ao século 14. Assim, se a mim fosse concedida a prerrogativa de sugerir alguma reflexão por parte dos eleitores – e disso não passaria, uma simples sugestão –, penso que à parcela conservadora da sociedade brasileira caberá um papel decisivo na história contemporânea do país. Tenho vários amigos entre eles, alguns bastante próximos e por quem nutro a mais verdadeira estima.

A você, que considera a possibilidade de sufragar o candidato racista, misógino e homofóbico de extrema-direita, gostaria de lembrar a existência de diversos nomes – de todos os gostos e sabores, do crente ao ímpio, do frugal ao nababesco – os quais poderiam aplacar todos os seus anseios eleitorais sem que se incorra em retrocessos que estuprariam garantias individuais dura e paulatinamente conquistadas desde a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789. Não se trata mais de divergências políticas, econômicas ou ideológicas; estamos diante de um dramático veredito civilizatório.

A vocês, as opções abundam. Geraldo Alckmin, católico fervoroso; Marina Silva, evangélica diligente; Álvaro Dias, a concubina da Lava Jato; Henrique Meirelles, banqueiro transnacionalizado; João Amoêdo, usurário impudico; José Maria Eymael, um democrata cristão; Cabo Daciolo, servo que honra e glorifica o nome dEle.

Todos liberais. E todos, sem exceção, mais conservadores que a Nossa Senhora de Guadalupe.

A robustez das instituições dos Estados Unidos permitiu aos norte-americanos a eleição de um ser anencéfalo que, misteriosamente, sobreviveu por 72 anos; a fragilidade das nossas nos veda qualquer peripécia racionalizada pelo pâncreas. A democracia brasileira é um bebê recém-nascido que está prestes a ser jogado em uma jaula do UFC diante de alguém disposto a aniquilá-lo em nome de sua ignorância.

Quando o absurdo passa a ser o novo normal, é preciso dizer o óbvio: há uma distância oceânica a separar a defesa de valores tradicionais do fascismo néscio e abjeto.

Para não ser acusado de sectarismo, porém, reconheço, sim, eventuais virtudes no Triboulet brasileiro. Ainda assim, o único que se pode verbalizar em seu benefício é o fato de que, aos 63 anos, o cidadão ostenta a cabeça inteiramente coberta por cabelos. Eu, com pouco mais da metade disso, já estou ficando careca.

Ivan Salomão, professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. Marcus Tulio

    18 de setembro de 2018 10:08 pm

    Bom lembrar que o banqueiro

    Bom lembrar que o banqueiro Meirelles foi o presidente do BACEN no governo Lula. E que em Dilma 2 teve o Sr. Levy na Fazenda. Pra quem gosta de números o Brasil pagou quase 10 Trilhões de dívida pública em 12 anos…

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