“Daquilo-que-é-e-ninguém-pode-mudar”
por Eduardo Ramos
Não lembro que pensador disse algo do tipo: “algo não se torna verdadeiro porque multidões creem naquela ideia ou informação”. Mas concordo totalmente, é claro. A verdade é tão linda, digna, preciosa, quanto absoluta – no sentido de não depender, sequer mesmo, que uma única pessoa a enxergue ou nela acredite.
Um exemplo? Há alguns séculos não havia uma pessoa no mundo, umazinha só, que afirmasse que a Terra girava em torno do sol. Na verdade, milênios se passaram até um primeiro doido-ousado-genial perceber que algo estava errado com a tal “verdade incontestável” e correr o risco de ser queimado vivo por achar a… verdade!
Esse meu breve texto encerra paradoxos, muitos, um deles, gritante: há ou não “verdades absolutas”? – para mim, sim, eu não tenho a menor dúvida quanto a esse fato. Como não tenho a menor dúvida que o oposto é também verdadeiro: há verdades que não trazem absolutos, são relativas, e/ou incompletas, e/ou paradoxais, a “verdade”, como as coisas complexas do existir, encerra prismas variados, é um mosaico, impossível enxergá-la, apreendê-la se presos apenas a um dos seus ângulos. É como a física: a quântica complementa a tradicional, não a anula, alguns temas tendem ao infinito, bobagem tentar “engaiolá-los”.
Todo esse preâmbulo para confessar uma alegria infantil que carrego comigo há décadas: a crença que “existem algumas coisas que são, e nada nem ninguém pode evitar esse destino”.
Falo do que em meu léxico íntimo nomeio “os mitos absolutos”, os maiores em suas áreas no imaginário e idolatria populares, eternos, imutáveis, inquebrantáveis, que serão celebrados dessa forma daqui a mil anos…
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Pelé no futebol, Beatles na música moderna, Muhhamad Ali no boxe, a torcida do Flamengo no esporte, Lula, Gandhi e Mandela como estadistas, João Saldanha ao falar de futebol, enfim, tenho essas convicções, serenas, firmes como pedras íntimas, e que independem mesmo do meu gosto pessoal ou de me comoverem mais ou menos do que seus pares nas áreas em que atuaram/atuam.
Assisto cem vídeos do lateral direito Leandro do Flamengo para um de Pelé, é gosto pessoal, é emoção, paixão, não importa. Mesmo assim, nem Leandro, craque, um talento inesquecível, me faz rever a ideia de que “Pelé é Pelé”, e sempre será o maior de todos…
Sempre vou preferir Pink Floyd a Beatles, e. de novo, é quando escuto os meninos de Liverpool que eu sinto essa sensação de: “é… estou ouvindo os maiores de todos os tempos, o mito dos mitos das bandas de rock…”
E por aí vai.
Gosto de saber que Lula está nesse grupo de minhas convicções míticas íntimas. Séculos passarão, Bolsonaro será conhecido como o genocida demente, Moro como um ser humano patético e arrogante, um juiz fraco e corrupto, e mesmo assim nos rodapés dos livros de História… Lula? Visto com admiração e respeito, mesmo diante de seus equívocos, que evidentemente ocorreram e ocorrerão ainda. Mas nenhum estadista, nenhum, sequer chegará perto “do-que-ele-foi-e-é-como estadista-popular-no-Brasil”.
Algumas coisas simplesmente “SÃO”, nasceram ou se tornaram especiais, além de raras, únicas ou quase únicas em seu meio de existência.
A mim, me alegra que seja assim.
São as minhas celebrações íntimas
“das coisas que são”.
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(eduardo ramos)
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Orlando Gusela
19 de setembro de 2022 10:56 pmC………lho. Foi na mosca.