Em defesa da civilidade nacional
por Rogério Cezar de Cerqueira Leite
Pois não é que o ogre da indústria transnacional ataca outra vez?
Lá vem ele irritando o Supremo Tribunal Federal e focando o seu furor no grande defensor da democracia brasileira durante os momentos de convolução pelos quais passou o país.
Moraes é um símbolo da coragem e cidadania brasileira, mais corajoso que Caxias, 350 vezes mais cidadão e exemplo de cidadania do que Caxias. E aí vem esse moleque, que teve a sorte de ficar rico, tentando destruir o que restou de decência no país. Pois, é da lama que ele nutre o seu poder e é isso que ele quer fazer do resto do mundo.
Muito bem, o canalha se alia à canalha nacional sob o pretexto da defesa da liberdade de expressão. Se aliou à extrema direita fascista do país para denegrir a imagem do Supremo e seu principal membro, Alexandre de Moraes, o que só se compreende como ligação com o empresariado de extrema direita. Refiro-me, obviamente, aos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, pseudos defensores da imparcialidade e dos princípios morais que deveriam nortear a civilidade nacional.
Rogério Cezar de Cerqueira Leite – Prof. Emérito da Unicamp. Presidente do Conselho de Administração do Centro de Pesquisas em Energias e Materiais – CNPEM.
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Antonio Uchoa Neto
4 de setembro de 2024 4:12 pmAdmiro o prof. Cerqueira Leite, como admiro o prof. José Geraldo, para citar apenas dois intelectuais brilhantes que, nesses tempos sombrios, se insurgiram contra a canalhice que assola o país, de todos os lados e por todos os poros. Mas creio que é necessário abordar um lado da questão da incivilidade generalizada que toma conta da política nacional, e, ao que parece, seduz cada vez mais e mais extratos da população – principalmente suas classes mais baixas. Antes de mais nada, para que meu argumento tenha alguma credibilidade, é preciso um tipo de “suspension of disbelief”, em consideração à minha visão do que se chama, comumente, de ‘povo’; eu, que vivo em bairros pobres há 30 anos, rejeito qualquer visão edulcorada, ou idealista, dessa entidade da qual faço parte. Antes, quando me enquadrava nos extratos mais baixos da classe média, eu não tinha noção, nem vivência, de que havia qualquer tipo de fosso, ou separação, entre as classes – hoje, e nesses últimos trinta anos, vivo no centro da questão. É precisamente o apelo à incivilidade – o que inclui desde a linguagem chula (e, portanto, perfeitamente compreensível ao vulgo), até a demonização do ‘adversário’ (processo um pouco mais complicado, mas cuja complexidade pode ser facilmente contornável, apelando-se a termos consagrados como ‘comunista’, no passado, ou ‘ideologia de gênero’, dentre outros, hoje) o que torna a ação dos bolsonaros, marçais, et caterva, bem sucedida, e arrebanha milhares de seguidores. O brasileiro não é, pelo menos o brasileiro médio, um povo generoso, solidário, altruísta. Alguns indivíduos são; mas o conjunto da população não é. Alguns desses são pouco mais que entertainers, gente intelectualmente medíocre (vide a imortal ‘jantada’ que sofreu a deputada Carol de Toni por parte do prof. José Geraldo), mas falam linguagem que o pobre entende, agem de forma que o pobre entende, e o principal, atacam um inimigo bem definido, bem identificado, o político. Todo político é ladrão, como se sabe, no imaginário popular; e quando aparecem esses espertalhões aproveitadores, insultando, xingando, e desqualificando os políticos, está completo o quadro, que leva o pobre a se sentir representado, por gente que sabe interpretar a incivilidade do povo, antes recolhida, e agora exposta em toda a parte. O ser humano tem um lado ideal – o que inclui a generosidade, a solidariedade, o altruísmo – mas também tem um lado real – e este o impele a abraçar um ataque à injustiça social prevalente, à pobreza e à falta de oportunidades, quando vê essas pessoas identificando um inimigo palpável – o político – e responsabilizando-o pela situação de miséria e penúria a que estão submetidos. O prof. Alysson Mascaro, em uma palestra, narrava o contraste entre os socialistas na Alemanha, comparecendo aos meetings políticos com estatísticas, gráficos, para tentar explicar o porquê da situação alemã no entre guerras, e os meetings do partido nazista, onde se os judeus eram apontados como causadores de toda aquela pobreza e miséria; nos comícios dos primeiros as pessoas dormiam e se entediavam, e nos dos segundos, era aquele verdadeiro frenesi, chapéus atirados para o alto, gritos entusiasmados, etc. Qualquer semelhança…e uma vez instalado no poder o fascismo, assim que ficar claro, ao populacho, que não há qualquer intenção, por parte do Capital, de fazer prosperar o povo, ou sequer de melhorar, minimamente, sua qualidade de vida, as posições de força entram em ação, apelando às mesmas ficções de anticomunismo, moral, corrupção, e…bingo!!! Lá vai o povo, novamente, atrás de uma cruz e uma espada. Penso nos ‘recortes de realidade’, de que falou o prof. José Geraldo, àquela deputada mentecapta. O povo não sabe o que é comunismo; não sabe qual é a verdadeira corrupção; não sabe, sequer, o que é civilidade. Mas basta que um desgraçado qualquer saia por aí, bradando que é necessário impedir que o país seja entregue aos comunistas, que é necessário fuzilar os corruptos, e que é necessário acabar com a ‘ideologia de gênero’, e lá vai a turba, ensandecida, atrás de mais um messias. É preciso abandonar as ilusões, o idealismo de enxergar a população como uma tabula rasa. Qualquer coisa pode preencher uma tabula rasa. E o lado do fascismo, do obscurantismo, tem muito mais traquejo para isso, pois enxergam o povo como ele é: uma massa de manobra. O golpe fascista de 2022 fracassou, lição aprendida: é preciso arregimentar apoios, internos e externos; já estão fazendo isso. Enquanto isso, ficamos aqui, confiantes que o povo saberá separar o joio do trigo. Não sabe, e nem saberá; estou no meio dele, e vejo isso todos os dias. O Nassif ficou espantado, ao constatar como era simplório o pensamento de um procurador (procurador!) da república, e sua absoluta incapacidade de compreender o jogo geopolítico. Eu lido com gente simples, pobre, incapaz não de compreender esse jogo, mas de compreender uma exposição simples de ideias, e de concatenar uma resposta. O povo é carol de toni, pablo marçal, bolsonaro, prezado Nassif. E, pelo andar da carruagem, jamais será um cerqueira leite, ou josé geraldo. A incivilidade é a fórmula atual. E o fascismo, seu corolário.