A comunidade judaica é majoritariamente conservadora, assim como a comunidade sírio-libanesa.
Lembro-me quando, em março de 2010, Lula visitou Israel e Palestina, Jerusalém e Ramallah, na Cisjordânia. Foi recebido de forma consagradora, em desfile a carro aberto nas duas localidades. Na ocasião, entrevistei uma jornalista judeu-brasileira que testemunhou o evento. Saiu a matéria. Ela me ligou assustada com a reação negativa que despertou no clube Hebraica.
Anos depois, a Hebraica do Rio de Janeiro viveria episódio grotesco, aplaudindo Jair Bolsonaro em sua fala grotesca, com judeus democratas protestando na porta.
Sobre o conservadorismo sírio-libanês, quem poderá falar é o Ministro Fernando Haddad e sua experiência no Clube Monte Líbano.
Ser mais ou menos conservador não depõe contra uma comunidade.
Nos últimos anos, porém, em função da guerra e do genocídio de Gaza, multiplicaram-se as críticas contra Israel. E houve uma reação desproporcional dos órgãos representativos da comunidade judaica, misturando críticas políticas com antissemitismo.
Pesaram para tanto a carga história de perseguição aos judeus, uma radicalização irracional de certos setores da comunidade – pressionando as organizações – e o oportunismo dos que gostam de cavalgar ondas de linchamento.
Eu mesmo fui surpreendido com uma campanha pesada de cancelamento, no X. Começou uma onda forte contra as declarações de Paulo Nogueira Batista Júnior, no TV GGN 20 horas, consideradas antissemitas. Depois, virou para o meu lado. “Nassif foi pior, porque não rebateu Paulo Nogueira”.
Fiquei intrigado com a derivação e procurei acompanhar as mensagens. Percebi que partiam da Federação Israelita de São Paulo, e não me conformei. Como uma federação que já teve José Mindlin, Celso Lafer e outros, entraria nessas catarses?
Logo descobri o autor: Milton Seligman, um lobista da Ambev, que foi Ministro de Fernando Henrique Cardoso e, depois, trocou a função por lobista profissional, indignado com as denúncias que eu fazia contra seu chefe, Jorge Paulo Lemann. Em momentos de catarse, a multidão é facilmente manobrada, seja uma torcida de futebol seja um cancelamento de rede social. Os provocadores misturam-se com a multidão e jogam a conta para a organização representada. E ele aproveitou para a revanche, pensando não se expor.
Identificado o provocador, a ofensiva se desfez. Mas, se não tivesse ido atrás, ficaria a impressão de uma ofensiva programada pelas entidades máximas da comunidade judaica. Nos comentários de redes sociais, vários comentaristas me apontavam como antissemita. E os próprios Lottenbergs sabem que não sou.
No auge do genocídio de Gaza, a Conib (Confederação Israelita Brasileira) e as federações exorbitaram no uso do antissemitismo. Tudo isso em função de uma pressão pesada de alguns setores da comunidade, tendo atrás de si os traumas históricos carregados pelos judeus.
Agora, gradativamente, as coisas vão entrando nos eixos. Cessaram as ações judiciais indevidas e vai-se, gradativamente, separando o que é antissemitismo do que é crítica política ao governo de ultradireita de Israel.
É antissemitismo e deve que ser combatido e punido:
- A negação do Holocausto.
- Defesa do nazismo.
- Ataques ao que consideram vícios da raça judaica.
- Atribuir aos judeus doenças e pragas.
- Agressões físicas, ameaças e pichações com símbolos nazistas.
- Tratar todos os judeus como responsáveis pelos crimes de Israel.
Não é antissemitismo:
- a denúncia do genocídio de Gaza.
- a defesa dos direitos dos palestinos.
- a crítica ao governo ultradireitista de Netanyahu.
Ao aceitar um convite de Lula, a Conib e demais organizações judaicas mostram uma volta à razoabilidade e a um início de diálogo. Falta apenas retirar as ações judiciais abusivas.
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Eliseu Leão
30 de janeiro de 2026 11:46 amSegundo varias agencias de noticias internacionais e até o mainstream, Israel, Estado assassino, reconhecidamente covarde e terrorista admite (oficialmente) ter massacrato cerca de 70 mil palestinos (com cerca de 20 mil crianças). O governo israelita continua seu programa de exterminio porque conta com o apoio de pouco menos de 80% da população, tanto é que agencias de turismo de Israel continuam oferecendo visitas diarias para o turista apreciar o exterminio de palestinos (de longe, com binoculo e guia turistico). Povo barbaro e assassino, com ou sem sionismo. Veja: https://www.cuatro.com/noticias/internacional/20250105/turismo-gaza-bombas-convierten-espectaculo-prismatico_18_014421782.html).
Nota: As poderosas Forças militares israelitas são temíveis quando se trata de massacrar mulheres, crianças e civis sem defesa. Contra o Iran pediram arrego em apenas 12 dias. O atual Iran, antiga Persia, ainda pode corrigir o erro historico do rei Dario que liberou esse povo do cativeiro na Babilonia.
evandro
30 de janeiro de 2026 11:03 pmNão sãos as comunidades judaica e sírio-libanesas que são conservadoras. É uma questão de classe social. Os frequentadores dos clubes Hebraica e Monte Líbano pertencem à elite econômica deste país e são, sim, conservadores, não como entidades, mas como classe social.
CIVITAS
1 de fevereiro de 2026 2:04 pmA midia israelita reconheceu cinicamente 22 mil mortos como “verdade istantanea” promovida com a cumplicidade internacional para dar forma -momentanea- à maioria da opinião pública durante um arco de tempo suficiente para perseguir fins politicos. Hoje, segura da impunidade, a mesma midia admite – com escárnio -, 71.667 mortos (dos quais 20 mil combatentes do Hamas) com a quase totalidade do restante entre mulheres e crianças. Segundo entidades internacionais em nenhum lugar do mondo um conflito matou mais crianças em apenas 12 meses. — HAARETZ : “A Força de Defesa israelita (IDF) aceita o número de vitimas do Ministério da Saude de Gaza : 71.667 palestinos mortos durante a guerra”. ——- Nota 1 – o espírito maldito e a desfaçatez humana dos israelitas chama de guerra o massacre de civis palestinos ! —— Continua o jornal HAARETZ : “esse número não inclui residentes desaparecidos nos escombros, os mortos por fome, os mortos por falta de assistencia médica, nem os mortos pelo agravamento de doenças causado pelo conflito. Somente vitimas diretamente atingidas pelo fogo militar israelita”. ——- MALDITOS ISRAELITAS !! ——- Nota 2 – Entre o início da ação militar até os meses recentes os EUA transferiram mais de 14 mil bombas de alto potencial destrutivo MK-85 de 910 quilos, cerca de 6.500 bombas de 227 quilos, milhares de mísseis anti bunker, mais de 2.600 bombas de pequeno diâmetro lançadas do ar, só para citar parte do armamento belico que reduziram Gaza em mais de 42 milhões de toneladas de escombros e fez com que os operadores no campo perdessem a capacidade de contar os mortos há muitos meses. ******* “Esse genocídio não apenas destruiu a minha vida e tudo o que eu possuía : foi além. Destruiu-me internamente. Varreu a paz do meu coração, estrilhaçou a estabilidade da minha mente e contagiou-me com uma estranha síndrome da alma.” Poderiam ser palavras de um sobrevivente à Shoah… Na realidade são palavras de Wasim Said, sobrevivente do genocídio de Gaza e autore de um testemunho exclusivo.
En passant
2 de fevereiro de 2026 1:31 pmNesse último sábado de janeiro, dia 31, explodiu uma potente bomba em Telaviv, numa zona chic da cidade causando a morte de 31 pessoas e quase o mesmo número de feridos. Ainda não se conhece os autores desse crime imperdoável. Entre os corpos dilacerados conta-se pais de familia, três anciãos (um deles na cadeira de rodas), uma mulher grávida e até agora 8 crianças. Continua o trabalho desesperado, sem pausa, dos bombeiros e da polícia na procura de corpos entre os escombros. Diante dessa trágica notícia muitos se perguntam por que o noticiario ignorou e não publicou nada. O motivo é simples : a notícia é verdadeira mas os mortos são palestinos e a explosão aconteceu em Gaza, entre barracas improvisadas nos escombros do bombardeio anterior. Certa vez perguntaram a um pequeno agricultor palestino que cuidava das suas oliveiras: “O que o senhor acha da civilização hebraica?” O olhar do homem iluminou-se por um instante, que respondeu : “seria uma ótima idéia”.