4 de junho de 2026

GGN lança documentário “Ossadas da Vala Clandestina de Perus, de 1970 a 2015”

Depois de mais vinte anos e uma articulação em todos os níveis, prefeitura, governo federal, universidade, MPF e profissionais estrangeiros tentam dar respostas a desaparecidos políticos; o GGN acompanhou esse processo e produziu um documentário
 
 
Jornal GGN – Vinte e cinco anos se passaram desde que as ossadas de desaparecidos políticos da ditadura brasileira (1964-1985) foram encontradas na vala clandestina de Perus, no cemitério Dom Bosco, na zona norte de São Paulo. No ano passado, os resquícios dos mortos pela ditadura começaram a receber a devida investigação, após períodos de negligência. Esse importante capítulo de correção histórica e de marco na antropologia forense mundial foi acompanhado pela equipe GGN, resultando na produção do documentário “Ossadas da Vala Clandestina de Perus, de 1970 a 2015”, com lançamento neste sábado (30), no Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca, em São Paulo.
 
A estreia do documentário contará com uma programação completa para quem quer conhecer a fundo o que se passou nesses 25 anos, desde que a vala foi aberta, e como atua a criteriosa equipe do Grupo de Trabalho Perus. Outros dois documentários sobre o tema serão exibidos. Por fim, o cinema será palco para um debate com mediação do jornalista Luis Nassif e participação confirmada da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, da procuradora da República Eugênia Gonzaga, presidente da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do coordenador do Centro de Arqueologia e Antropologia Forense, Prof. Dr. Rimarc Gomes Ferreira, e da cineasta Clara Ianni. 
 
 
Formado por diversos especialistas, o Grupo de Trabalho Perus é fruto da iniciativa do então secretário Municipal de Direitos Humanos e Cidadania Rogério Sottili, em articulação com a então ministra de Direitos Humanos Ideli Salvatti, apoio do Ministério Público Federal e a estrutura da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Com experiências internacionais, profissionais da Cruz Vermelha, peruanos e argentinos também foram trazidos para compor a equipe que trabalha incessantemente, sob o rigor da técnica e do calendário, com o objetivo comum de trazer respostas.
 
O processo de identificação de, ao todo, 1.049 ossadas tem por fim buscar nomes: de quem eram os resquícios encontrados. Entretanto, o longo processo de negligência a que foram submetidos os ossos prejudicam a investigação. Ainda que não seja possível definir todas ou alguma das identidades, o Grupo conseguirá fazer um balanço de informações: como aquela pessoa foi ferida, como morreu, se era homem ou mulher, criança ou adulto. 
 
“Eu acho que o Brasil está vivendo um novo momento que quer dizer o seguinte: chegou a hora de virar essa página da história! Não é mais possível a gente viver com fantasmas de generais de reserva, se pronunciando a cada semana sobre uma barbaridade e amedrontando o Estado. Isso não é mais possível! Até porque, se a gente não contar essa história e não enfrentar essa verdade vamos ficar sobre fantasmas de pessoas que estão a beira de desaparecerem”, disse Rogério Sottili, em entrevista ao GGN.
 
 
“A ciência chega até a um certo lugar, depois não há nada a fazer. Creio que o mais importante para as famílias é que, finalmente, está se fazendo algo sistemático. Ou seja, a intenção existe!”, afirmou o antropólogo peruano da equipe José Pablo Baraybar. “Perus é um pretexto, tem que ser um pretexto, para entender como é que um país moderno, o maior da América Latina, uma potência como é o Brasil, poderá terminar um jogo de mais de mil pessoas que não têm identidade”, refletiu.
 
“Vai chegar um momento que nós teremos que dar condições dignas, um sepultamento digno pra essas ossadas, mas não teremos identificação”, manifestou a reitora da Unifesp Soraya Smaili. “Nós temos que trazer isso à tona! Perus nos ajuda a enxergar isso. O papel da universidade vai além, tem a função de se abrir e de ir para a sociedade colocar suas contradições”, apontou.
 
“Se eu não tivesse feito nada como prefeita de São Paulo, teria valido para tomar essa iniciativa, ter coragem de enfrentar as consequências, as ameaças, a possibilidade de fracasso, poderia não ter dado certo”, contou Luiza Erundina, que à época da abertura de Perus era prefeita de São Paulo e determinou os primeiros passos para as identificações. “Eu me sinto gratificada ao povo de São Paulo, de ter me dado um mandato, e agradeço a Deus a oportunidade de ter tido esse poder, e colocá-lo a serviço de uma causa, que tem sido para mim o sentido da minha vida”, disse ao GGN.
 
 
O documentário “Ossadas da Vala Clandestina de Perus, de 1970 a 2015” (2015, 22 min), da Equipe GGN, será exibido em conjunto com os documentários “Vala Comum” (1994, 30 min), de João Godoy, e “Apelo” (2014, 13 min), de Clara Ianni e Débora Maria da Silva. Após as tramissões e o lançamento do curta, às 11h, o Espaço Itaú de Cinema dará início ao debate.
 
Acompanhe as entrevistas e reportagens da série “Ossadas de Perus: A Difícil Transição”.
 
Cine Direitos Humanos
 
30/5, sábado, 11h
Local: Espaço Itaú de Cinema – Shopping Frei Caneca 
Rua Frei Caneca, 569, Consolação
Entrada gratuita
 
Programação:
“Vala Comum” – João Godoy (1994, 30 min)
“Ossadas da Vala Clandestina de Perus, de 1970 a 2015” – Equipe GGN Notícias (2015, 22 min)
“Apelo” – Clara Ianni e Débora Maria da Silva (2014, 13 min)
Debate: após a exibição dos documentários
 
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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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14 Comentários
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  1. carlos afonso quintela da silvacar

    27 de maio de 2015 4:22 pm

    Claro que a identificação das

    Claro que a identificação das ossadas é importante para resgatar a história de desaparecidos políticos e permitir que as famílias tenham enfim acesso aos restos mortais de seus parentes. O que me preocupa todavia não é apenas essa satisfação que a sociedade deve aos familiares, mas sim verificarmos se efetivamente ali estão enterradas apenas vítimas da ditadura ou se há também acertos pessoas de contas. Afinal, o caráter dessa gente que desaparece com pessoas que lutavam tão somente para terem reconhecidos seus direitos à liberdade e democracia, nos permite supor as mais torpes barbaridades imagináveis.

    1. PedroGarbellini

      27 de maio de 2015 5:36 pm

      Epidemia de meningite na época

      Oi Carlos,

      vale lembrar que na Vala Clandestina de Perus estavam muitos corpos mortos de uma epidemia de meningite que atingiu São Paulo à época, muitas crianças inclusive. No meu ver, a questão-mor é porque foram todos enterrados sem identificação!?

  2. Maria Luisa

    27 de maio de 2015 5:26 pm

    Direitos Humanos

    Que bom que o GGN encampou a questão das ossadas de Perus, que era uma pedra no meio do caminho dos prefeitos paulistanos. Gostaria muito de ver esse documentario. Apos a projeção no Espaço Itau, ele saira em outras salas ou na Internet?

    1. PedroGarbellini

      27 de maio de 2015 5:33 pm

      no Youtube

      Oi Maria Luisa,

      o Jornal GGN está buscando outras salas de exibição, enquanto isso, após exibição no Cine Direitos Humanos, o documentário estará no Youtube 😉

      1. Maria Luisa

        27 de maio de 2015 6:47 pm

        Beleza!

        Obrigada.

  3. Ninguém

    27 de maio de 2015 5:53 pm

    Por falar em documentário…

    É sempre importante relembrar do documentário “Brasil, a report on torture” de Haskell Wexler e Saul Landau.

    https://www.youtube.com/watch?v=6aUu-zGGg08

  4. alfeu

    27 de maio de 2015 7:51 pm

    *

    Parabéns GGN por esse trabalho de resgate histórico e da cidadania. Aliás interrogações como esta, deixadas pela ditadura, são várias; a profundidade desse caso do Cemitério de Perus deve esclarecer muita coisa.  Os fatos desse período sombrio e vegonhoso precisam ser lembrados e relembrados para não se repetirem, inclusive aos que hoje sentem “saudades” dessa época que não viveram, tomarem boas doses de realidade.

    Ansioso para poder ver o documentário, mais uma vez parabéns a todos.

  5. Odonir Oliveira

    27 de maio de 2015 8:50 pm

    Em qual Espaço Itaú de Cinema? Pompeia ? Frei Caneca?

    Por favor, deem o endereço.

    1. Patricia Faermann

      27 de maio de 2015 9:26 pm

      No Espaço Itaú de Cinema do

      No Espaço Itaú de Cinema do Shopping Frei Caneca: Rua Frei Caneca, 569, Consolação, SP. Atualizamos a informação na reportagm. Mais informações no evento do facebook: https://www.facebook.com/events/932179276803892/

  6. +almeida

    29 de maio de 2015 1:03 am

    Olho vivo

    Espaço Itaúuuuuu…. Xiiiiiiiiiiiiiiii….., sei não!  Como diz o Silvio Luiz: “De olho no lannnnnnce”. 

  7. Marilia Oliveira

    29 de maio de 2015 10:58 am

    filme

    Só haverá esta sessão?

  8. Aleardo Baraldi

    31 de maio de 2015 12:29 pm

    Ossadas da Vala Clandestina de Perus, de 1970 a 2015

    Parabéns, GGN, pela elaboração do documentário!

    Tomara possa ser exibido em mais oportunidades para mostrar aos ingênuos que defendem a ditadura o que é viver sob uma ditadura.

  9. Aracy_

    1 de junho de 2015 12:50 am

    Parabéns pelo documentário

    A sociedade precisa de um trabalho investigativo assim para acreditar que se quer mesmo passar a limpo os episódios tenebrosos da nossa História.

    Quanto ao sepultamento das vítimas da epidemia de meningite da década de 1970, escamoteada pela ditadura, o caso dá um documentário à parte:

    http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Revista&id=216

    http://www.hospitalar.com/livros/liv1231.html

     

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