No acordo com o PCC, o tabu da grande chacina de maio

O Estadão de hoje publica uma bela reportagem de Alexandre Hisayasu sobre o acordo celebrado em 2006, entre o estado de São Paulo e o PCC. Não foi acordo: foi rendição.

A reportagem faz um balanço das vítimas do PCC: 23 PMs, 7 policiais civis, 3 guardas, 8 agentes penitenciários, 4 civis e 107 supostos criminosos. Faltaram mais de 600 inocentes nessa conta.

Descreve os encontros entre os dois secretários do governo paulista – Saulo de Castro Abreu, da Segurança, Nagashi Furukawa, da Administração Penitenciária – com Marcola e como, depois do encontro, cessaram os ataques.

Antes disso, Marcola tinha dois pedidos: autorizar visitas no Dia das Mães e permitir que os detentos pudessem falar com seus advogados. Saulo preferiu partir para o enfrentamento. Terminou rendendo-se aos fatos e aceitando o acordo.

A reportagem para por aí, para não entrar no terreno minado do maior massacre da história de São Paulo, que ocorreria nos dias seguintes por determinação expressa do Secretário Saulo de Castro Abreu.

O então governador Cláudio Lembo certamente irá se lembrar de um encontro que tivemos no Palácio dos Bandeirantes. Ele havia demitido Nagashi e reforçado o poder de Saulo. Fui até o Palácio e alertei que Saulo estava fora de si. O alucinado Saulo invadira a Assembleia Legislativa acompanhado de dezenas de PMs; ameaçara de prisão o dono de um restaurante, meramente por não conseguir estacionar seu carro.

Contei-lhe das conversas que tivera com Nagashi e o Secretário de Justiça Alexandre Morais. Ambos relataram que reuniam-se com Alckmin para traçar a política de segurança. E as reuniões foram interrompidas pela radicalização de Saulo, transformando as discussões em questões pessoais. Em vez de enquadrar Saulo, Alckmin optou por interromper as reuniões e, com isso, esfacelou o sistema de segurança do estado. Os criminosos eram presos, ficavam sob a guarda da Secretaria de Administração Penitenciária, mas as investigações tinham que ser conduzidas pela Secretaria de Segurança. E Saulo considerava-se rompido com Nagashi e nada fazia.

Foi em vão. Lembo não estava a par. Disse-me que a informação que recebera era a de que Saulo era eficiente e Nagashi muito mole. Naqueles dias trágicos, Saulo tornou-se seu principal interlocutor.

Foi o período em que PM saiu às ruas das periferias de São Paulo e da Baixada Santista com os rádios desligados para não serem acessados por jornalistas, com a missão de matar qualquer vulto que se movesse. Foram mais de 600 assassinatos em poucos dias. A raiva não foi despejada em membros do PCC, mas – na maioria absoluta dos casos – em jovens inocentes de periferia, estudantes indo para as escolas. Assassinaram a sangue frio até uma jovem cujo parto estava marcado para o dia seguinte.

Foi um espetáculo dantesco, mil vezes pior que o massacre de Carajás.

Homens encapuçados, em motos, alvejavam as pessoas. Em seguida, apareciam viaturas da polícia para destruir as provas. Os corpos eram encaminhados ao IML (Instituto Médico Legal) para as provas finais serem destruídas em laudos inconclusivos.

A matança só cessou quando bravos procuradores federais e médicos do Conselho Regional de Medicina correram para o IML para acompanhar os laudos. A experiência com os mortos da ditadura demonstrava que o laudo era a peça central para a abertura de inquéritos. Ao chegarem no IML, os médicos se depararam com dezenas de cadáveres com tiros na nuca, nas costas, em clara comprovação de execução. Assim que assumiram a vigília o número diário de corpos caiu de uma centena para menos de dez.

Aqui, o Blog criado pelas mães de maio para denunciar o massacre: http://maesdemaio.blogspot.com.br/2011/11/mestrado-denuncia-massacre-de-maio-de.html

Nada foi apurado pelo Ministério Público Estadual, pela Justiça de São Paulo, pela imprensa paulista. Uma brava procuradora federal levantou o caso enviou para Brasilia, para federalizar a apuração. O Procurador Geral Rodrigo Janot sentou em cima do caso, que não anda.

Restaram apenas os lamentos e as denúncias das mães de maio.

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,estado-fez-acordo-com-pcc-para-cessar-ataques-de-2006–mostra-depoimento,1732413

40 Comentários

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Leo V

- 2015-07-28 15:54:40

Onde está escrito que alguém

Onde está escrito que alguém acha que a culpa é do governo federal?

Onde alguém tira a responsabilidade do governo estadual?

O que ocorre aqui é que você blinda completamente o governo federal, diferentemente das pessoas que tem visão crítica.

Enquanto o governo federal cria a Comissão da Verdade, um massacre que mata mais gente do que em toda a ditadura ocorre em algumas semanas sob suas barbas e ele silencia. Há um cumplicidade pelo silêncio, é disso que se trata.

Leo V

- 2015-07-28 15:51:55

Legal vc mostrar esse link em

Legal vc mostrar esse link em que Lula dá ajuda a Lembo, o chefe das forças policiais que efetuaram o massacre.

Como vc bem mostra, o governo federal silenciou sobre o massacre perpetrado pela polícia paulista.

Leo V

- 2015-07-28 15:49:44

No caso da Bahia, o governo

No caso da Bahia, o governo estadual não silenciou, mas sim apoiou a chacina. O governo federal silenciou nos dois casos. O de São Paulo é o mais gritante, pela proporção do massacre.

Pedro Mundim

- 2015-07-28 13:18:59

Monopólio do PCC

A violência na periferia não diminuiu, tornou-se exclusividade do PCC. Aí só se vê os cadáveres carbonizados no lixão da favela, ninguém diz nada e fica por isso mesmo.

sergiodemoraespaulo

- 2015-07-28 12:26:16

Serra
LN, Tudo o que escreveu é interessante, porém incompleto. A matéria do Estadão informa mas não esclarece. Notícia mas não denuncia. Ataca Alckmin mas não compromete. Qualquer um sabe que a segurança pública e a educação são os pontos mais fracos do governo Alckmin. Impossível esconder tantos erros mesmo na mídia amiga. O que faltou perguntar é por quê o Estadão retoma Est assunto agora. Aécio e carta fora do baralho. Não ganhou nem em MG e isso é um fato. A disputa real está entre Serra e Alckmin. Lendo a matéria fica fácil apostar a quem o Estadão quis agradar com um assunto tão incômodo para Alckmin...

MarcRenton

- 2015-07-28 05:54:03

Alckmin e PCC, amor a primeira vista

Adivihem quem era o governador na época? É o mesmo que colocou um advogado do Pcc como secretário de segurança. Pode isso, Arnaldo?

Flavio Martinho

- 2015-07-28 03:35:54

É facil. Porque quando se

É facil. Porque quando se trata de PSDB - como todos são bonzinhos, honestos e competentes - não há investigação, denuncia, processo, eventual condenação e prisão. Sntam em cima. SEMPRE ou de cara livra a cara do honestissimo. Até quando o brasileiro medio não perceberá isto? Acho que nunca porque tambem ele age igual às nossas otoridades.

Vanderli

- 2015-07-28 03:05:26

Graça ao PCC

Uma coisa é fato. A violência na periferia de SUMPAULO abaixou graça ao PCC. Para poder matar alguém tem que pedir permissão. O que negado, restando o entendimento das partes.

 

 

Sérgio Rodrigues

- 2015-07-28 02:39:05

Arre!

Eta PSDB!>>>!.......

sergio m pinto

- 2015-07-27 23:17:10

Voltando bastante na

Voltando bastante na história, alguém sabe como se formou o PCC? Foi no presídio de Tremembé (no vale do paraiba) e, de início, o que os presos queriam? Melhoria nas condições do presídio (comida, colchões e coisas afins). Foram atendidos?

sergio m pinto

- 2015-07-27 23:12:10

Engano seu. A mídia é que foi

Engano seu. A mídia é que foi eficiente, com o auxílio luxuoso do judiciário paulista.

Jose de Almeida Bispo

- 2015-07-27 21:17:48

O PCC vai muito além de um

O PCC vai muito além de um mero grupo criminoso.

Gabriel B. F. Silva

- 2015-07-27 20:23:52

Tá tudo correto o que vc

Tá tudo correto o que vc retratou, Nassif, só não esqueça que o Alckmin, nas eleições de 2014, teve consagradora maioria de votação em quase todas as periferias paulistas, eleito em primeiro turno com grande ajuda da periferia de São Paulo. Conclusão: ele tá CERTO

Carlos Mam

- 2015-07-27 20:09:37

Chacinas em São Paulo

Alguém podia me explicar por quê a justiça federal, PF, MPF, o Janot, o Moro, o STF, não abrem processo contra os ex governadores tucanos e o atual em SP ? Mais de vinte anos de impunidades! Até quando vão ficar impunes ? E a população de SP, os eleitores destes governos, será que já não cansaram de tanta impunidade? E a midia de São Paulo se calando, coniventes com estes governos paulistas, a Folha de SP, o Estadão, a Veja ? Esta última até fez campanha para que não se proibissem as armas no nosso país!!! Estado mais bárbaro e desumano do Brasil! E dizem que é o mais desenvolvido? A Alemanha na 2ª guerra também era um Estado bárbaro e desumano e desenvolvida!!!

naldo

- 2015-07-27 18:53:02

Olha, só quem morava na

Olha, só quem morava na periferia, e eu morava numa cohab na zona leste nessa epoca, sabe o que foi isso.

Zé Roberto

- 2015-07-27 18:51:35

Holocausto paulista, mais um.....

E a imprensa fica falando do holocausto no período da segunda guerra.  Aqui tem holocausto e com a conivência e silencio criminoso da imprensa que é fortemente comandada por Judeus no Brasil.  Direitos humanos devem ser válidos e defendidos para todos sempre, e não apenas quando convém, DIREITOS HUMANOS ou valem para todos, ou para ninguém.

mcn

- 2015-07-27 18:07:52

Conta outra bobagem. Em 2006,
Conta outra bobagem. Em 2006, data do massacre tucano, o Brasil era presidido pelo Lula. Um órgão federal JAMAIS poderia ter patrocinado um massacre dessa proporção. Aliás, de nenhuma proporção. O PT não possui DNA fascista. Dá para entender?

Professor Raphael

- 2015-07-27 17:53:22

Excelente reportagem! Mais

Excelente reportagem! Mais uma do tipo que devemos arquivar!

Juliano Santos

- 2015-07-27 16:54:18

A impunidade dos tucanos é

A impunidade dos tucanos é uma lei não escrita em vingência no Brasil hoje. Com a palavra o Janot, e o STF, claro

Aracy_

- 2015-07-27 16:34:51

Mais do que boa vontade

O MPF pediu a participação do Conselho Regional de Medicina (CREMESP) na apuração dos crimes de maio de 2006 e, em 2008, foi firmado acordo de cooperação entre ambos após o descumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta pela autarquia federal sobre demissão de pessoal previamente contratado sem concurso:

http://noticias.pgr.mpf.mp.br/noticias/noticias-do-site/combate-a-corrupcao/mpf-sp-e-cremesp-firmam-termo-de-cooperacao

Ambas as instituições se comprometem a dar assistência recíproca, inclusive formando forças-tarefas em casos de maior gravidade

O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF/SP) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) assinaram hoje, 20 de maio, termo de cooperação nos quais ambos os órgãos se comprometeram a garantir assistência recíproca na realização de seus objetivos institucionais, de acordo com as atribuições legais de cada entidade, pelo prazo de cinco anos (60 meses).

O termo de cooperação firmado entre o MPF e o Cremesp, assinado pela procuradora da República Adriana Zawada Melo e pelo presidente da entidade, Henrique Carlos Gonçalves, está previsto nas cláusulas do termo de conciliação judicial firmado entre o Cremesp, o Ministério Público do Trabalho e o MPF na execução do Processo 1530.2008.041.02.00-5, que tramitou na 41ª Vara do Trabalho de São Paulo.

Segundo a procuradora da República Suzana Fairbanks Lima de Oliveira, responsável pelo caso, pelo MPF, o processo de execução foi pedido, em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT), em virtude do descumprimento, pelo Cremesp, de termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado com o MPF, em 2005, que exigia a demissão de todos os empregados dos quadros do Conselho contratados sem o devido concurso público. A conciliação previu, entre outras prestações de serviços à comunidade, a cooperação assinada hoje entre o Cremesp e o MPF, como forma de compensar o descumprimento do TAC.

A cooperação firmada hoje entre o Cremesp e o MPF/SP poderá ser estendida futuramente e permite, inclusive, a criação de força-tarefa para apuração conjunta de fatos de maior gravidade. Em maio de 2006, por exemplo, o MPF pediu o auxílio do Cremesp para a obtenção e análise de cópias dos laudos necroscópicos de todas as vítimas de arma de fogo no período de 12 e 20 de maio daquele ano, período em que ocorreram os ataques a policiais e civis promovidos por uma facção criminosa que afirma controlar os presídios do estado e a posterior reação estatal.

Além da assistência recíproca, o MPF e o Cremesp se comprometeram a realizar conjuntamente palestras, cursos e seminários sobre saúde pública; permitir o acesso, restrito às dependências de cada órgão, a material bibliográfico de interesse comum (membros do MPF poderão consultar obras sobre medicina e associados do Cremesp poderão consultar livros sobre direito, por exemplo) e a realização de outras atividades de cooperação em conformidade com o termo.

Entre as atividades que o Cremesp poderá desenvolver a pedido do Ministério Público Federal em São Paulo estão: a) orientação e apoio técnico visando apurar fatos decorrentes da má prática da medicina, sejam em processos de interesse coletivo ou individual homogêneo, dentro das possibilidades estruturais do Conselho e sem prejuízo aos procedimentos de ética médica que lhe competem, e b) orientação e apoio técnico para apuração de fatos decorrentes de qualquer inadequação, omissão ou má administração de estabelecimentos hospitalares quando haja possibilidade de dano ou lesão aos interesses tratados na letra anterior.

Já ao MPF/SP caberá também, dentro de seus limites estruturais e de sua atuação institucional, fornecer subsídios para a realização de ações conjuntas, visando, sempre, a melhoria do exercício da medicina, das condições de atendimento ao paciente e da saúde pública em geral.


Assessoria de Comunicação
Procuradoria da República em São Paulo
11-3269-5068
[email protected]

 

Paulo Falcao

- 2015-07-27 16:30:08

Falsa acusação, autodesmentida.

A matéria acusa o governo de São Paulo de negociar com representantes do PCC. Isto induz a pensar em algo escuso, em algo ilegal, mas a própria matéria ressalta que a advogada do PCC e o próprio Marcola deixam claro o contrário. Quando dizem que "se os responsáveis pelo comando dos atentados nas ruas fossem informados de que Marcola estava bem fisicamente, que não havia sido torturado por policiais e que os presos amotinados não seriam agredidos pela Polícia Militar, os ataques seriam encerrados" estão dizendo que se fosse comunicado que a lei estava sendo cumprida no presídio, os ataques cessariam. Trata-se de uma acusação que os fatos desmentem mas mesmo assim dá-se mais ênfase à acusação infundada que aos fatos.

Fabio Pereira Veloso

- 2015-07-27 16:16:03

Cadê os leitores da Veja?

O curioso nessas reportagens é que os valentões leitores da veja não aparecem. De repente desaprendem a escrever.

Jose mestre Carpina

- 2015-07-27 16:13:38

Sobre " processos que não andam "...

O Lewandovsky podia  ampliar  a  abrangência do novo procedimento de " limites de prazo"   também para  estes tipos de processos.

Se  a  autoridade responsável não efetuar a  análise  no prazo X determinado, já começa  a  moer !!

Melhor correr atrás  com os recursos, do que ficar na geladeira  este tempo todo, denotando descaso  ou mesmo casuísmos !!

Luccas Jr

- 2015-07-27 16:02:54

600 inocentes ?

Conta outra Nassif ! Vc diria o mesmo se a ação pudesse ser atribuída a algum orgão federal  ?

Se essas mortes realmente ocorreram me parece muito mais o PCC exterminando seus desafetos.

 

Imagine só a retaliação que PCC iria fazer. Melhor nem imagnar, isso sim seria dantesco.

Luccas Jr

- 2015-07-27 15:56:41

Diferença

A única diferença é que o PCC não pode fazer "doações legais" ou pagar "consultorias" sem chamar a atenção.

Wellington Ferreira de Jesus

- 2015-07-27 15:51:18

E o desgraçado do Saulo de Castro

E o desgraçado do Saulo de Castro, bem como meu irmão que é Coronel da PM paulista, acusaram o PT de ter negociado com o PCC para "fazer terrorismo" no período eleitoral. Infelizes! Todavia, isto é um processo que tenho observado: todo o período que antecede as eleições sejam majoritárias (nacionais) ou das prefeituras e câmaras de vereadores, especificamente no caso de São Paulo, ocorrem assassinatos de PM. Façam um levantamento e verifiquem! Isso não é "teoria da conspiração", apenas uma constatação "empírica" que vale um estudo como metodologia apropriada!

Renato Lazzari

- 2015-07-27 15:46:33

Acordo com o PCC me lembra

Acordo com o PCC me lembra leniência com os administradores das construtoras...

- "Ou vocês nos deixam livres ou o prejuízo pode ser bem maior, hein?"

erivaldo

- 2015-07-27 15:15:26

noticia requentada,mas sempre assustadora

Noticia requentada,mas sempre assustadora.Tambem ventilada pela FOLHA O PIG esgotou seu arsenal de noticiário contra o governo federal e contra petistas , agora que equilibrar a balanca, da APARENTE ISENÇÃO, CONTUDO, vai direto no calcanhar de aquiles do tucanato paulista, mas Não foi acordo: foi rendição  

João de Paiva

- 2015-07-27 14:17:13

Excelente reportagem, Nassif.

Excelente reportagem, Nassif. O pior é que existem pessoas com a ilusão de que um MP independente seja capaz de combater, de forma eficaz, o crime organizado e o chamado "crime de colarinho branco". Não defendo a tese "poliânica" de que o MP deva ser independente; a esse respeito, os leitores podem ler o debate entre mim e o procurador Antônio José Campos Moreira, no blog do jornalista Marcelo Auler, sobre a matéria intitulada "Forçada e Barra", que foi republicada aqui no GGN. 

A reportagem publicada aqui demonstra a crise institucional vivida pelo País. Ela mostra também como agem a imprensa e as autoridades públicas paulistas: governador, secretários, MPE, polícias, IML e PJ. Peço licença ao jornalista Luís Nassif, para reproduzir aqui o penúltimo parágrafo, o qual sintetiza e demonstra que os MPs (seja o estadual ou federal) atuam de forma política; mais do que isso: esse parágrafo mostra que tal atuação é orientada por interesses político-partidários. "Nada foi apurado pelo Ministério Público Estadual, pela Justiça de São Paulo, pela imprensa paulista. Uma brava procuradora federal levantou o caso enviou para Brasilia, para federalizar a apuração. O Procurador Geral Rodrigo Janot sentou em cima do caso, que não anda."

Ronaldo Almeida

- 2015-07-27 14:01:26

Silêncio geral

Assim como silencia o governo da Bahia diante do massacre dos jovens no Cabula.

Alan Souza

- 2015-07-27 13:56:52

Fazendo o que mais adoro

Expor a hipocrisia e a mentira dos direitistas é o que mais gosto:

Lula oferece ajuda a Lembo por ocasião dos ataques de 2006. Lembo recusa:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1507200601.htm

E Serra vai pedir ajuda.. aos EUA!

http://www.cartacapital.com.br/politica/serra-pediu-ajuda-aos-eua-contra-ataques-de-pcc

Alan Souza

- 2015-07-27 13:52:32

Ah, tá bom...

A culpa agora é do Governo federal, que "silenciou". O governo estadual está absolvido de tudo, pois o federal "silenciou".

Essa obsessão desses black-blocks em atacar o governo federal por tudo é bem conveniente pra livrar a cara dos Tucanos...

Pedro Mundim

- 2015-07-27 13:45:36

O mistério do acordo

Tudo indica que houve um acordo entre o governo e o PCC naquele dia, mas é difícil dizer quais foram os termos. O objetivo da cúpula do PCC era evitar serem enviados ao presídio de segurança máxima, mas acabaram indo todos para lá no dia previsto.

Certeza, só tem quem estava presente, mas a impressão que ficou, a qual não será admitida nem pelo governo nem pelo PCC, pois é vergonhoso para os dois, foi que a reação violenta da polícia é que abortou o acordão e fez os bandidos botar o galho dentro.

De lembrança, ficou a lenda de que a polícia matou 600 inocentes atirando a esmo pelas ruas da periferia. Se tivesse sido realmente assim, teria havido uma revolução, pois por muito menos eles botam fogo em ônibus. Com certeza muitos dos mortos eram inocentes, mas a verdade que precisa ser dita é que a grande maioria não valia uma lágrima.

O episódio pode ser considerado um ponto de inflexão no histórico da criminalidade brasileira: naquele dia, o poder dos comandos chegou ao auge, mas desde então passou a diminuir. Nunca mais aconteceu coisa semelhante em SP, e no RJ, quando os bandidos tentaram fazer o mesmo, a resposta foi as UPP´s. Talvez naquele dia a polícia paulista tenha salvado o Brasil de tornar-se um México.

vera lucia venturini

- 2015-07-27 13:43:23

E dizem que o estado

E dizem que o estado democrático de direito está plenamente em funcionamento no Brasil. Só se for para firulas políticas e juridicas (especialmente se for para atender o Psdb) das elites.

Estado de direito para pobre no Brasil em nada difere das ditaduras mais cruéis ou das execuções do Estado Islâmico. Civilização está muito longe deste paiseco de ditadura policial e judicial. Saiu o exército e entrou a POLICIA e o JUDICIÁRIO. A sociedade não tem poder algum sobre esses homens da lei corruptos, partidários e criminosos que sentam em cima de crimes contra a humanidade sem o mínimo de cobrança ou fiscalização da sociedade civil. É mais um caso de TARJA PRETA.

 

Sergio Saraiva

- 2015-07-27 13:28:38

A história dos governos Alckmin é a história dos nassacres.

Castelinho, Pinheirinho, Buraco do Metrô, Maio de 2006 e Novembro de 2012, quando o secretário da segurança proibiu o policiais de "socorrerem" as vítimas para poder diminuir o número de homicídios.

Casos tirados de memória. Isso para não citar o assassinato na prisão do acusado pelo sequestro da filha de Silvio Santos a quem Alckmin tinha pessoalmente dado garantia de vida para que ele se entregasse.

Esse é um traço dos governos Alckmin. Por quê?

Seria interessante que algum sociológo ou cientista político estudasse por que o nosso governo mais conservador (dizem que Alckmin e membro da Opus Dei) também é o mais assassino.

Walter Hatakeyama

- 2015-07-27 13:19:35

Execuções.

Vale lembrar que, depois do acordo feito e o massacre em andamento, eram da corregedoria os últimos policiais executados.

 

Antonio - Minas Gerais

- 2015-07-27 13:00:40

Se as pesssoas

Se as pessoas executadas fossem brancas e pertencentes à elite dominante, tal barbarie seria rotulada de ataque terrorista, mas em se tratando de pessoas negras ou pardas e moradoras da periferia, seguramente caminha para o esquecimento por parte das autoridades públicas.

alfredo machado

- 2015-07-27 12:35:38

insegurança

Nassif,

O PCC de marcola é o grupo "do outro lado" mais preparado do país, o único que se mostra capaz de negociar com o Estado ou mesmo enfrentá-lo.

Sua atuação é conhecida há muitos anos, conforme demonstra as matérias de uma jornalista da qual me foge o nome a respeito daquela facção, mas tanto as tais matérias quanto o assunto em si são rotulados pelo Poder paulista como proibido, tarja preta. Considero perfeitamente factível a existência de um acordo PCC/governo paulista até hoje.

No dia em que alguns grupos de criminosos tupiniquins conseguirem se organizar, se comportar como os principais grupos de traficantes do México, que executam dezenas de milhares a cada governo, fuzila jornalistas, políticos e qualquer um que lhes cruze o caminho, aí sim, começará o clima de inferno ao vivo por aqui.

Como as otoridades de segurança do patropi são perfeitamente medíocres e incapazes de reconhecer tal realidade, continuarão acreditando que determinhados grupos de elite serão capazes de dobrar as tais organizações bem estruturadas, ou seja, um engano brutal por parte de qem nunca conseguiu dominar sequer um CV.

 

Leo V

- 2015-07-27 12:35:38

Belo artigo Nassif. Algo que

Belo artigo Nassif.

Algo que não pode ser esquecido, e não pode ser calado.

Vemos como a tal 'democracia' se restringe apenas aos que tem direito de viver.

O governo federal silenciou também.

joel lima

- 2015-07-27 11:51:06

O senhor Claudio Lembo, sem

O senhor Claudio Lembo, sem dúvida muito inteligente e articulado e com um humor sofisticado, deveria ter a coragem de, pelo menos, se comprometer a escrever um livro relatando o que houve nesse período - e que fosse publicado após sua morte. Mas aí é exigir demais da nossa medíocre elite política. Ah, e o senhor Saulo continua perto do poder e Nagashi, me parece, está fora. Isso é Brasil. 

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