5 de junho de 2026

No DF, policiais pagam fiança e fazem compras para ajudar desempregado

Jornal GGN – No Distrito Federal, policiais civis ficaram sensibilizados com a situação de um ladrão. O ladrão não o era por profissão, mas por precisão, que a situação estava extremamente virada e complicada. Um eletricista desempregado, ao ver seu filho passar necessidade, se aventurou no roubo. Não deu certo. Foi denunciado e a polícia civil o prendeu. Mas ao ver a real situação do eletricista, a polícia resolveu o problema de forma diferente, pagando a fiança e fazendo compras para que o pai pudesse dar conta da família por algum tempo.

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O homem, ao ser preso, desmaiou na delegacia. Fome de dois dias. Contou depois que ia comprar a carne mas o valor era superior ao que tinha. Tentou esconder. Vive do Bolsa Família e o dinheiro ainda não tinha caído na conta. A fome de dois dias era para que o menino pudesse consumir o que tinha ainda em casa, de pão. 

Depois de ouvirem a história do eletricista desempregado, os policiais se reuniram e tentaram ajustar um pouco a situação. Leia a matéria do G1.

Compras feitas por policiais para ajudar desempregado que tentou furtar 2 kg de carne no Distrito Federal (Foto: Ricardo Machado/Arquivo Pessoal)Compras feitas por policiais para ajudar desempregado que tentou furtar 2 kg de carne no Distrito Federal (Foto: Ricardo Machado/Arquivo Pessoal)

do G1

Policiais se comovem, pagam fiança e fazem compras para ladrão no DF

Ele disse que estava havia 2 dias sem comer e tentou furtar carne para o filho.
Cena foi flagrada por câmera de segurança, e dono de mercado denunciou.

Raquel Morais Do G1 DF

Policiais civis do Distrito Federal se sensibilizaram com a história de um ladrão e deram um final surpreendente a uma tentativa de furto de 2 kg de carne: pagaram a fiança e fizeram compras para o eletricista desempregado, que contou em depoimento ter praticado o crime para alimentar o filho de 12 anos. O homem cria o menino sozinho desde que a mulher se mudou para a casa de um filho mais velho, de outro casamento, para se recuperar das sequelas de um acidente.

Ele cuida da casa e do menino pela manhã e à tarde vai atrás de bicos, mas não conseguiu nada nos últimos dois meses. A gente sabe que o crime não é certo, mas eu me ponho no lugar. Imaginei a minha filha passando fome. O que eu não faria nessa situação?” – Ricardo Machado, agente da Polícia Civil

O incidente aconteceu nesta quarta-feira (13), em um mercado de Santa Maria. De acordo com o agente Ricardo Machado, o desempregado contou em depoimento que se confundiu com as datas e achou que já tivesse caído na conta os R$ 70 que recebe mensalmente por meio do Programa Bolsa Família. Ele foi então ao comércio comprar pão, muçarela, mortadela e carne.

Na hora de passar as compras no caixa, o homem descobriu que o valor que tinha de saldo – R$ 14 – era insuficiente e tentou esconder a carne na bolsa. Os 2 kg do alimento custavam R$ 26. A ação foi flagrada pelas câmeras de segurança, e o dono do estabelecimento não aceitou as desculpas do ladrão e acionou a polícia.

Machado conta que o desempregado desmaiou pouco depois de chegar à delegacia. Questionado se estava bem, o homem respondeu que estava havia dois dias sem comer, porque deixou o filho consumir sozinho o pão que restava em casa.

O agente terminou de ouvir a história do suspeito – que narrou ter perdido o emprego com carteira assinada por ter precisado acompanhar a mulher nos oito meses em que ela ficou internada em coma no hospital – e procurou os colegas. “Dei a ele R$ 30 para pagar a carne e depois fui contar aos colegas o que estava acontecendo no plantão. Ficou todo mundo comovido, e logo um tirou R$ 5, outro R$ 10, outro R$ 20 do bolso”, lembra.

A ocorrência foi registrada na delegacia do Gama Oeste, e a fiança foi estipulada em R$ 270. Sensibilizada, uma agente pagou sozinha o valor, enquanto os colegas arrecadavam mais dinheiro para comprar mantimentos para o ladrão.

Ele disse que tinha mais de mês que não escovava os dentes com pasta, e pedimos que ele pegasse lá, então. Ele, na humildade dele, voltou com a menorzinha e mais barata. Brincamos que isso não dava nem para um dia e pegamos logo cinco, aí pegamos sabonete e todo o resto” – Ricardo Machado

Quatro policiais acompanharam o eletricista desempregado até o supermercado, onde compraram arroz, feijão, macarrão, biscoito e itens de higiene. “Na hora que passávamos pela seção de higiene, um colega perguntou se ele tinha pasta de dente. Ele disse que tinha mais de mês que não escovava os dentes com pasta, e pedimos que ele pegasse lá, então. Ele, na humildade dele, voltou com a menorzinha e mais barata. Brincamos que isso não dava nem para um dia e pegamos logo cinco, aí pegamos sabonete e todo o resto.”

Os agentes acompanharam o homem até a casa dele. Machado diz que ele “não conseguia acreditar e não parava de agradecer”. “Ele cuida da casa e do menino pela manhã e à tarde vai atrás de bicos, mas não conseguiu nada nos últimos dois meses. A gente sabe que o crime não é certo, mas eu me ponho no lugar. Imaginei a minha filha passando fome. O que eu não faria nessa situação?”, questionou.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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18 Comentários
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  1. Ricardo Cesar

    14 de maio de 2015 2:11 pm

    Culpa da Dilma que não

    Culpa da Dilma que não depositou a Bolsa Família!

    1. Malú

      14 de maio de 2015 3:20 pm

      Acho que você não leu

      Acho que você não leu direito, ele ainda tinha 14 reais do Bolsa Família, mas não dava para pagar a conta. 

      1. Lionel Rupaud

        14 de maio de 2015 4:44 pm

        E depois os mais preparados de São Paulo

        chamam o Bolsa Família de Bolsa Vagabundos, já que, segundo eles, o valor é tão alto que os pobres não precisam mais trabalhar.

  2. Patricinho

    14 de maio de 2015 2:15 pm

    Caramba!

    Finalmente encontraram uma utilidade para a polícia.

  3. Álvaro Noites

    14 de maio de 2015 2:18 pm

    Se for para frente esse

    Se for para frente esse inquérito, é bem provável que o juiz arquive a ação por insignificância.

  4. Helena/S.André SP

    14 de maio de 2015 2:20 pm

    Triste, muito triste

    Triste, muito triste ver a situação desse homem. E ainda tem gente que fala mal do bolsa família. Não é o ideal mas ajuda pessoas a matar sua fome e de sua família. Esse senhor não é um vagabundo. Tem uma profissão, só não tem tido a sorte de encontrar serviço. Sabendo dessa história fico a pensar nesse triste constraste: enquanto tem gente que tem tanto e esbanja em futilidades, vemos a história desse homem humilde, que teve que roubar para dar o que comer para o filho. Comovente a solidariedade desses policiais civis. 

  5. Luis Armidoro

    14 de maio de 2015 2:24 pm

    Notícias assim me enchem de

    Notícias assim me enchem de esperança, de uma Humanidade mais solidária e fraterna

  6. Mogisenio

    14 de maio de 2015 2:31 pm

    Superávit primário aplicado.

    Atitude louvável . A solidariedade ainda existe no mundo “atemporal”, “natural” , “utilitarista”, “meritocrático” , “individualista” etc.

    Todavia, a politica pública aplicada pelos policiais NÃO resolve nada!

     

    Enquanto isso… os economistas pensam.

    Hummm, se mantivermos o controle da inflação com um bom superávit primário com um dollar sob controle e selic “atraindo” poupanças alienígenas,mantendo-se a boa “responsabilidade fiscal” entre outras BABOSEIRAS,  ai sim, o Brasil estará no “caminho certo”.

  7. Ataíde Coutinho

    14 de maio de 2015 2:44 pm

    alegria da oposiçao

    Para alegria da oposiçao a situaçao de pleno emprego ja faz parte do passado ha um ano nao havia filas nos postos da CAT ,hoje ja há,espero que o governo federal mude os rumos da politica economica senao essas historias serao comuns. . .

    1. Ulisses s

      14 de maio de 2015 3:12 pm

      A construção civil ainda está aquecida

      Aqui em Campo Grande MS, conseguir trabalhador dea área de pedreiro, encanador e eletricista para reforma de casa é dificil. EStão trabalhando até no final de semana, para atender alguns casos. Só se vê obras, predios e casas em construção! Este eletriscista ou está numa maré de azar ou é Brasilia está desaquecida.

  8. Franbeze

    14 de maio de 2015 2:52 pm

    Meus parabéns

    para esses policiais. 

    Me revolta em saber que tem gente que passa fome no mundo atual que tem alimento mais do que suficiente para alimentar todos. Eu sei o que é passar fome. Já senti na pele.

     

  9. Photios Andreas Assimakopoulos

    14 de maio de 2015 3:05 pm

    Foram…

    …mais sensíveis, bondosos e cientes da realidade que os governantes que elegemos e do que aqueles que defendem mecanismos que fazem com que pessoas cheguem a situações como essa.

  10. naldo

    14 de maio de 2015 3:08 pm

    È o nosso governo

    È o nosso governo “trabalhista”, cortam direitos de trabalhadores, servidores e aposentados enquanto seus senadores e deputados vão curtir a vida nos lugares mais exclusivos do jet set, sem nenhum pudor, vergonha, vergonha, vergonha.

    1. Emilia Silva

      14 de maio de 2015 4:30 pm

      Sua crítica é inoportuna. A

      Sua crítica é inoportuna. A situação do sujeito chegou ao ponto que chegou por circunstâncias trágicas e não por culpa de políticas do governo. Veja trechos da matéria:

      “O homem cria o menino sozinho desde que a mulher se mudou para a casa de um filho mais velho, de outro casamento, para se recuperar das sequelas de um acidente.”

      “…a história do suspeito – que narrou ter perdido o emprego com carteira assinada por ter precisado acompanhar a mulher nos oito meses em que ela ficou internada em coma no hospital…”

       

  11. Pereira LF

    14 de maio de 2015 4:27 pm

    Roubo convencional dá cana….

    Estória comovente. Dá o que pensar. E é confortante imaginar a existência de “puliças”  solidários a esse ponto. Mas é patente a ingenuidade do pobre eletricista desempregado: pra roubar impunemente é preciso passar pelo crivo eleitoral, isto é, ser eleito para cargos do Legislativo ou ascender a cargos do Judiciário ou do Executivo. Aí fica garantido.

  12. Djijo

    14 de maio de 2015 5:33 pm

    Não passou por um juiz

    Se o caso fosse parar na mão de um juiz, como ele agiria? Por um pote de manteiga uma mulher ficou um bom tempo presa.

    http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI1288126-EI5030,00-SP+mulher+que+roubou+pote+de+manteiga+e+condenada.html

     

  13. Alan Souza

    14 de maio de 2015 6:28 pm

    Sugestão ao eletricista

    Filie-se ao PSDB. Tucano não vai preso nunca!

  14. Bruno Cabral

    19 de maio de 2015 9:02 am

    Emprego

    Numa reportagem seguinte parece que o rapaz recebeu uma oferta de emprego, afinal é eletricista.

    Nem quero imaginar se fosse a policia do Richa ou do Alckmin que pegasse esse cara…

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