O depoimento de um pai adotante homossexual

 
Jornal GGN – Vanderlei Fernandes conta que o filho não foi uma “adoção procurada”. Na época ele era evangélico – não tinha admitido sua homossexualidade – quando uma amiga da igreja lhe contou que um casal tinha abandonado seus filhos. Ele decidiu ver de perto como estavam as crianças. “Quando cheguei vi o Vitor [com cerca de 1 ano], e o pai dele. Na conversa ele disse que, na verdade, os outros filhos eram de outros pais. Então cada uma das famílias de cada pai pegou suas crianças e levou. E o Vitor ficou com o pai dele, que estava desempregado e era viciado e álcool”. Foi então que Vanderlei combinou de ficar com o garoto, enquanto o pai não arranjava emprego. Mas, após alguns meses o pai foi preso. Com o passar do tempo, Vanderlei viu a necessidade de ir até o Conselho Tutelar de onde recebeu um termo de responsabilidade.
 
“Ele chegou a visitar o pai na prisão. Eu nunca escondi a história, sempre fui muito transparente com o Vitor. Até porque acho que é fundamental em qualquer relacionamento a transparência”. Após cerca de 4 anos, o pai da criança saiu da prisão. Vanderlei entrou em contato e explicou que haviam criado um vínculo afetivo. O pai, então, deu autorização para a adoção ser encaminhada. Hoje a documentação está na Justiça.
 
“Sofri muito quando fui adotar o Vitor porque as pessoas falavam que eu iria influenciar [a sua opção sexual]. O Vitor [hoje] não dá nenhum indício de que será homossexual. Ele chega em casa e fala das menininhas da escola e tudo que uma criança fala. Não tenho o menor medo de cuidar do Vitor, não tenho o menor receio. Quero formá-lo um doutor”, conta. 
 
Hoje, no Brasil, mais de 5.400 crianças esperam na fila de adoção, segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), que também aponta que 33.289 pessoas estão na fila para adotar uma criança. Existe um número mais significativo de famílias procurando uma criança para adotar, do que o número de crianças em abrigos, porque a maior parte deseja menores de seis anos. Segundo o CNA, a raça não é um entrave. Cerca de 27% dos interessados em adotar querem crianças brancas, enquanto 45,20% não ligam para esse critério. Por outro lado, 32,16% das crianças disponíveis para a adoção são brancas, 18,49% negras e 48,56% pardas.
 

https://www.youtube.com/watch?v=Ax2Jwt5rTVw width:700

 

0 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador