Procuradoria-Geral do RJ falha no controle externo da polícia, diz HRW

Viaturas entraram na comunidade do Jacarezinho e destruíram memorial que homenageava vítimas de chacina ocorrida em 2021

Ricardo Moraes – Reuters

Policiais armados com fuzis entraram na comunidade do Jacarezinho na última quarta-feira (11/05) com o único objetivo de destruir o memorial construído pelos moradores em homenagem aos 28 mortos em operação policial realizada em 06 de maio de 2021.

Com a alegação de que o memorial fazia “apologia ao tráfico de drogas”, a polícia civil então amarrou a estrutura a um veículo blindado e a derrubou e, em seguida, policiais civis destruíram os pedaços da estrutura com marretas.

A própria declaração da polícia é uma contradição uma vez que as mesmas autoridades declararam que duas vítimas, incluindo um rapaz de 16 anos, não tinham ficha policial e, embora tenha afirmado que as outras 25 tinham registro de passagem pela polícia, não se disse se alguma foi de fato condenada por algum crime.

Segundo César Muñoz, pesquisador sênior do Human Rights Watch, as investigações do caso foram prejudicadas por uma série de falhas, entre elas as insuficientes oitivas com testemunhas.

Um exemplo disso envolve a morte de Matheus Gomes, de 21 anos, que foi fotografado reclinado em uma cadeira de plástico sobre uma poça de sangue, mas o pesquisador lembra que “nem a polícia nem o Ministério Público resguardaram a cadeira para fazer uma perícia”.

Além disso, as 25 vítimas que a polícia levou ao hospital alegando que estavam vivas chegaram mortas – o que pode ser considerado uma armação para destruir evidências do crime.

“A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio, cujo mandato inclui garantir que a polícia cumpra a lei, não investigou adequadamente o comando da polícia civil por sua responsabilidade na operação”, disse Muñoz.

“Com um controle externo tão falho, não é de se admirar que a polícia civil do Rio se sinta empoderada para tentar destruir até mesmo a memória de suas ações brutais”, finaliza o pesquisador.

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