
Jornal GGN – O cineasta Glauber Rocha foi vítima de espionagem e perseguição pela ditadura. Neste sábado (16), a Comissão da Verdade do Rio de Janeiro revelou documentos produzidos pelas Forças Armadas contra o diretor. Ele foi acusado de difundir calúnias contra regime militar e classificado como “um dos líderes da esquerda no cinema”. As informações são da Agência Brasil.
A entrega do dossiê militar à família de Glauber foi feita com uma série de atividades que marcam os 50 anos do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, completados no último dia 10. Oficialmente, Glauber morreu de septicemia (infecção), na década de 1980.
Produzidos pelo Serviço Nacional de Informação (SNI), os documentos compilam atividades do cineasta, declarações dadas aos jornais fora do país e lista artistas ligados à Glauber e que criticavam o regime militar, como, também o cineasta Luiz Carlos Barreto, apontado como “porta-voz da esquerda cinematográfica nacional”.
Presidenta da Comissão da Verdade, Nadine Borges destacou que os documentos encontrados no Arquivo Público do Estado do Rio contém marcas que expressam a intenção dos militares de eliminar Glauber. Ela se referia as palavras “morto”, em lápis, no alto do dossiê, na primeira página.
“Recebemos a informação de um agente da repressão que atuou na época, que, em geral, era hábito escrever à mão um indicativo de ordem. Então, isso nos faz pensar que ele estava marcado para morrer. Por sorte, ele se exilou antes”, comentou.
A presidenta cobra que o general José Antonio Nogueira Belham, que assina um dos documentos, preste depoimento para esclarecer esse e outros casos.
No dossiê, estão transcritos ainda trechos de artigos de Glauber. Entre eles, uma justificativa para sua atuação, contra o regime. “O cinema não será para nós uma máscara, porque, o cinema não faz revolução – o cinema é um dos instrumentos revolucionários e para isto deve(-se) criar uma linguagem latino-americana, libertária e revelador”, disse à revista Cine Cubano, em 1971, segundo SNI.
Com informações da Agência Brasil
agincourt
17 de agosto de 2014 4:24 pmironia
Ironia: Glauber morreu elogiando Golbery e os militares.
Jair Fonseca
17 de agosto de 2014 6:42 pmGlauber morreu difamado como
Glauber morreu difamado como apoiador da ditadura, sendo que o que ele apoiou foi o fim da ditadura, a abertura democática, orquestrada por Golbery. Aliás, a citação feita de seu elogio a este, no célebe depoimento a Zuenir Ventura, em 1974,na revista Visão, é sempre feita pela metade. Sempre “esquecem” a seguda metade da frase, que é a seguinte: Com “Para surpresa geral, li, entendi [o livro Geopolítica do Brasil] e acho o general Golbery um gênio – o mais alto da raça ao lado do professor Darcy [Ribeiro].”
Filipe Rodrigues
17 de agosto de 2014 7:51 pm…e ele nunca defendeu
…e ele nunca defendeu impunidade para torturador, como alguns desses neo-conservadores de hoje.
agincourt
17 de agosto de 2014 11:52 pmglaubices
Nada do que foi dito acima invalida a ironia.
E, por favor, vamos esquecer essa história de ditabranda.
Jair Fonseca
18 de agosto de 2014 12:06 amQuem falou em ditabranda
Quem falou em ditabranda aqui? Você…
Filipe Rodrigues
17 de agosto de 2014 7:49 pmGlauber percebeu que os militares não eram todo esse mal
Glauber foi talvez o 1º exilado a voltar ao Brasil, 2 ou 3 anos antes da anistia.
Em 1971, Brasil vivia o auge da repressão, mas em 1974 quando deu a famosa entrevista a Zuenir Ventura dizendo que Golbery (e Darcy Ribeiro) eram gênios da raça o Brasil iniciava a abertura.
O próprio João Goulart em um encontro com Glauber no exílio elogiou Geisel (pois o conhecia como chefe militar no Rio Grande Do Sul), isso o influenciou.
Em 1974 o Peru era governado por uma ditadura militar de esquerda (com assessoria de Darcy Ribeiro) e o próprio cineasta testemunhou a Revolução dos Cravos quando os militares restauraram a democracia em Portugal.
Glauber Rocha percebeu que os militares em sua maioria vinham das classes populares e previu o surgimento de Hugo Chávez com duas décadas de antecedência.
Artaud
18 de agosto de 2014 12:33 amNa terra do Sol.
Elogiar um dos maestros da ditadura militar e em seguida elogiar um intelectual progressista é álibi.
Glauber foi mestre em criar “polêmicas” e polêmicas como ninguém (Caetano também é).
Mas era bom cineasta, sim.
Agora, essa que saiu aqui, que os militares golpistas eram na maioria “oriundos das classes populares”, foi de lascar.
Jair Fonseca
18 de agosto de 2014 1:26 amVocê não entendeu o que o
Você não entendeu o que o colega disse sobre o Glauber, que se referiu não “aos militares golpistas” como “oriundos das classes populares”, mas aos soldados em geral. Quanto à sua primeira afirmativa, Glauber era realmente um polemista, mas a referência a Darcy depois de Golbery não era “álibi”. Interessava a Glauber, em sua alegoria do Brasil, o pensamento sobre o Brasil, os projetos de nação, à esquerda e à direita porque ambos compunham dialeticamente esse quadro, sendo intelectuais que eram também homens de ação. Veja abaixo o que o “álibi” disse sobre Glauber.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=aKjAovc7YC4%5D
Jair Fonseca
18 de agosto de 2014 1:28 amEm Câncer, experimento
Em Câncer, experimento filmado em 1968 e montado em Havana e Roma, em 1972, Glauber fala do processo ditatorial, da resistência e chega a dizer (ou gritar) que nesse último momento “tinham matado Marighela, tinham matado o Capitão Lamarca e reinavam os integralistas, o partido integralista e o terceiro ditador se chamava Médici, o torturador” (1.13). As falas do próprio Glauber, logo no início do filme, também são muito esclarecedoras.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=KwOzL2J7QL4%5D