5 de junho de 2026

Suicídio de Getúlio Vargas adiou golpe militar por 10 anos, diz Lira Neto

Jornal GGN – No último 24 de agosto, o suicídio de Getúlio Vargas completou 60 anos. Com a data, ganhou os holofotes da mídia Lira Neto, que escreveu “Getúlio – Dos anos de formação à conquista do poder (1882-1954)”. O biógrafo concedeu uma entrevista à jornalista Cynara Menezes (CartaCapital), publicada no blog Socialista Morena, falando sobre um ponto específico: o atraso, por 10 anos, do golpe militar de 1964, após e em função da morte de Vargas.

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Para o escritor, a hipótese, aceita, já é alvo de estudo para diversos especialistas. “Basta dizer que os almirantes, brigadeiros e generais que assinaram os três célebres manifestos militares exigindo o afastamento de Getúlio do poder em agosto de 1954 foram os mesmos que derrubaram João Goulart em 1964. Até o pretexto de que Getúlio planejava instaurar uma república sindicalista se repetiu na deposição de Jango.”

Leia a entrevista completa, abaixo:

Biógrafo Lira Neto: ao se matar, Getúlio Vargas adiou o golpe militar por dez anos

Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena

Já passava das 11 horas da noite do dia 7 de setembro de 1979, na praça Maurício Loureiro, centro de São Borja (RS), quando Leonel Brizola (1922-2004) subiu no palanque para fazer seu primeiro discurso em território brasileiro após voltar dos 15 anos de exílio que lhe foram impostos pela ditadura militar. Diante de 1500 pessoas, o trabalhista Brizola fez questão de destacar uma teoria que muitos ainda hoje ignoram ou rejeitam: o suicídio de Getúlio Vargas em 24 de agosto de 1954 foi capaz de deter por dez anos o golpe que se abateria sobre o Brasil em abril de 1964.

Segundo Brizola, ao escrever “saio da vida para entrar na história” na célebre Carta-Testamento, Getúlio publicava “uma denúncia e ao mesmo tempo uma antevisão”. Prevendo o golpe, Vargas se matava para deter a quartelada que se desenhava com o manifesto assinado, na véspera, por 19 generais exigindo sua renúncia –entre eles, o mesmo Castelo Branco que se tornaria presidente à força dez anos depois. Aeronáutica e Marinha já haviam feito idêntico pedido.

“Isso não é aceito pelas elites de nosso país, pela maioria dos sociólogos, pela maioria dos cientistas políticos, mas estou convencido que o Presidente Vargas anteviu este regime, até pensando que viesse no dia imediato à sua morte, mas foi o impacto emocional de seu gesto que ainda permitiu que as nossas liberdades fossem respeitadas durante mais dez anos”, afirmou Brizola, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo, citado no livro El Caudillo, de FC Leite Filho.

Getúlio deixara com João Goulart, seu ex-ministro do Trabalho, uma das três cópias da Carta-Testamento, sinalizando que ele seria seu principal herdeiro político. Alçado ao poder em 1961, Jango herdaria também o ódio das mesmas forças que levaram Getulio ao suicídio: os militares, o conservadorismo e a imprensa.

(Jango e Tancredo Neves à frente do funeral de Getúlio em 1954)

Procurei o autor da monumental biografia de Getúlio, Lira Neto, para averiguar se ele concorda com a visão de Brizola e também para saber de que forma, ideologicamente, ele situaria o complexo Vargas. Vejam a entrevista.

Brizola dizia que, ao se suicidar, Getúlio adiou o golpe militar em dez anos. É verdade?
Lira Neto: Mais do que uma tese defendida por Brizola, esta é uma constatação histórica, esposada por vários especialistas e estudiosos. Basta dizer que os almirantes, brigadeiros e generais que assinaram os três célebres manifestos militares exigindo o afastamento de Getúlio do poder em agosto de 1954 foram os mesmos que derrubaram João Goulart em 1964. Até o pretexto de que Getúlio planejava instaurar uma república sindicalista se repetiu na deposição de Jango. Em um e outro caso, os mesmos udenistas e setores conservadores do empresariado forneceram o apoio político-civil aos quartéis para derrubar um presidente constitucionalmente eleito.

Dá para imaginar hipoteticamente o que teria acontecido com o Brasil se Getúlio não tivesse se matado?

Lira: Ao optar pelo suicídio, Getúlio neutralizou os adversários que já se consideravam vitoriosos e com o poder nas mãos. O golpe civil-militar já estava em plena execução. Muito provavelmente, Getúlio seria retirado do palácio e levado para a prisão e, posteriormente, para o exílio. Os militares jamais repetiriam o “erro” de 1945, quando após derrubá-lo permitiram que ele permanecesse livre, em território nacional, recolhido a São Borja, articulando as circunstâncias de sua volta ao poder, o que afinal ocorreu em 1950, por extraordinária votação popular. Nos três livros, mostro como, desde sempre, já a partir de 1930, Getúlio trabalhou com a perspectiva do sacrifício pessoal como um ato político de resistência, como um protesto eloquente contra os inimigos. Ele jamais se permitiria passar à posteridade como um derrotado, exposto ao vexame, eternizado por um fracasso. Nesse sentido, encontrou, na morte, a sua vitória.

Brizola e Jango eram seguidores do trabalhismo. Darcy Ribeiro via o trabalhismo como uma espécie de socialismo. Você concorda?

Lira: Na verdade, Getúlio era um homem pragmático, que se amoldava de acordo com as circunstâncias, para além das convicções ideológicas. Em 1929, em entrevista a um jornal gaúcho, disse que sua grande inspiração política era, textualmente, “a renovação criadora do fascismo de Benito Mussolini”.  No momento em que a democracia e o sistema representativo se encontravam em xeque, com a quebra da Bolsa de Nova York e a Grande Depressão norte-americana, ele se posicionava como um simpatizante assumido dos regimes autoritários europeus, incluindo o nazifascismo, que surgia como pretenso antídoto para a crise do regime democrático. Chegou, inclusive, a cogitar o apoio brasileiro ao Eixo durante a Segunda Guerra, mas acabou aderindo aos Aliados por questões econômicas e estratégicas.

Alguns avanços de Getúlio na área trabalhista são modernos até hoje, tanto é que sofrem críticas dos setores mais conservadores da economia. Neste aspecto, pode-se dizer que Getúlio era “de esquerda”?

Lira: Quando Getúlio, após a queda em 1945, retornou ao cenário político em 1950, em pleno contexto da Guerra Fria, a defesa que sempre fizera do Estado intervencionista o colocou, pelo menos no plano do discurso, à esquerda do espectro político. Enquanto seus adversários pregavam a manutenção do alinhamento incondicional aos Estados Unidos, interpretando assim de modo esquemático qualquer negação ao liberalismo como uma opção pelo comunismo russo, ele passou a defender a “democracia social”, reforçando a ideia geral de que se convertera ao socialismo. Tratava-se, é claro, de uma simplificação, de um reducionismo. Getúlio sempre foi um anticomunista ferrenho. E, a rigor, com sua política de industrialização e de urbanização do país, promoveu a gênese do próprio capitalismo no Brasil.

Mesmo seu primeiro governo tendo sido uma ditadura severa, você considera que Getúlio teve qualidades como presidente? Quais?

Lira: Getúlio, com todas as suas inúmeras contradições, deixou pelo menos dois grandes legados para o país. O primeiro foi o seu projeto nacional desenvolvimentista, que nos legou por exemplo a Petrobras, a siderúrgica de Volta Redonda e o BNDES, conduzindo assim um país agrário, semifeudal, monocultor, para o caminho da industrialização. O outro legado, sem dúvida, foi a vasta legislação trabalhista, que impôs um relativo equilíbrio na relação entre capital e trabalho e representou um inegável avanço para uma nação que, numa perspectiva histórica, se encontrava recém-saído da escravidão. Em síntese, Getúlio ajudou a modernizar o Brasil.

Mas, mesmo nesse caso, é preciso evitar o pensamento simplista. As conquistas no campo do trabalhismo não podem ser entendidas como um gesto benevolente e magnânimo de um “pai dos pobres”. Elas foram conquistas da própria classe trabalhadora. Getúlio teve a sensibilidade histórica e a astúcia política de responder a uma demanda pré-existente. O movimento sindical dos anos 20, controlado por anarquistas e comunistas, pressionava por mudanças. Ao decretar leis favoráveis ao trabalhador, Getúlio tomou-lhes a bandeira e passou a tutelar o sindicalismo, por meio do Ministério do Trabalho. Bom lembrar que não havia sindicatos livres durante o Estado Novo.

Por último: por que São Paulo não tem nenhuma avenida com o nome dele?

Lira: A rusga dos paulistas com a memória de Getúlio remete, é óbvio, ao trauma da Revolução Constitucionalista de 1932. Contudo, como bem salientam vários historiadores e cientistas políticos, São Paulo acabou sendo o grande beneficiado pela política de industrialização da chamada Era Vargas. Com um detalhe: na sua volta ao poder, nas eleições de 1950, Getúlio teve a campanha financiada por membros da emergente burguesia industrial paulista.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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26 Comentários
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  1. implacavel

    26 de agosto de 2014 3:07 pm

    Lula e Getúlio
    Cada vez mais me convenço de que Lula ideologicamente se coloca em muito ao lado de Getúlio Várias!

    1. aliancaliberal

      26 de agosto de 2014 3:47 pm

      Correto Lula, Getulio,

      Correto Lula, Getulio, Stalin, Hittler estão alinhados  ideologicamente todos fascistas.

      1. Vixe

        26 de agosto de 2014 4:08 pm

        Lula fascista?
        Prove!

        Lula fascista?

        Prove!

        1. aliancaliberal

          26 de agosto de 2014 8:45 pm

          Primeiro o fato de ser de

          Primeiro o fato de ser de esquerda já seria o bastante , mas adicionando, Foro de São Paulo, Apoio a diversos regimes totalitários, o impeto anti democratico, corporativismo.

      2. J. Alberto

        26 de agosto de 2014 4:21 pm

        Tá “serto”

        Bom é o Cerra, esse é imbatível… Até a PF já percebeu

      3. Mauricio Salles

        26 de agosto de 2014 5:22 pm

        Toda generalização contamina

        Toda generalização contamina o raciocínio sereno. Posso admitir que Hitler e Stalin foram mais do que fascistas. Foram genocidas. Concordo que Getulio tenha empunhado algumas poucas bandeiras fascistas e que tenha permitido torturas, o que faz dele uma pessoa de caráter reprovabilíssimo. Não acho que Lula seja nem fascista, nem genocida, nem revolucionário, nem tenha um caráter tão reprovável como os demais. Em todo o caso, Stalin e o povo russo foram responsáveis por salvar a Europa de Hitler, imolando mais vidas do que os EUA e os aliados. Lula, com sua política social retirou mais de 30 milhões de pessoas (na maioria negros) da linha da miséria. Portanto, considerando-se, as contradições imensas que esses homens viveram, não vejo como a sua afirmação possa ser admissível. Quanto ao Nelson Rodrigues, é um gênio da literatura e tambem um polemista de mão cheia. A maioria de suas frases de efeito são entimemas. Tem aparência de verdade, mas não o são. Haja vista a forma como ele emprega o sentido da palavra “reacionário”, atribuindo a noção de gosto que, como se sabe não se discute. Logo, um recionário é aquele que emite frases sem nenhum compromisso com o debate racional e sereno de ideias. Grande abraço!

         

         

         

  2. aliancaliberal

    26 de agosto de 2014 3:53 pm

    Getulio era um fascista, os

    Getulio era um fascista, os que o defendem são os mesmos fascistas de sempre.

    O que querem é o estado inchado para  se lucupletarem dos recursos da sociedade.

    O intervencionismo estatal sempre tem este objetivo criar uma elite de burocratas.

    Os meios e a retórica para se chegar ao estado totalitário ate mudam com o decorrer do tempo mas o objetivo final não muda.

    Os militares que viram ao vivo o que o fascismo produz são os que detiveram a ascensão do fascismo no país .

    Como lutar contra Mussoline e Hittler e não lutar contra Getulio.

  3. Motta Araujo

    26 de agosto de 2014 4:34 pm

    http://3.bp.blogspot.com/-i1D

    http://3.bp.blogspot.com/-i1DzJvt0Stg/Twdu6zIOJTI/AAAAAAAAE9E/QoEk55cDQ0Y/s1600/Getulio+Vargas+jogando+golfe.jpg

    Getulio Vargas nem remotamente tem QUALQUER semelhança com Lula em trajetoria politica, formação psicologica, origem, classe social, biografia, visão de mundo, modus operandi politico, Getulio Vargas era um membro da alta aristocracia rural brasileira, filho de General, com excelente formação cultural, longuissimo curriculo administrativo antes de ser Chefe do Governo Provisorio, depois Presidente duas vezes eleito, nada, absolutamente nada a ver com Lula, muito menos em ideologia, Getulio foi fascista lado a lado com Mussolini, do qual copiou toda a legislação trabalhista e sindical até hoje em vigor e perseguiu a ferro e fogo as esquerdas, com muito maior violencia do que o regime de 1964.

    1. Mogiseno

      26 de agosto de 2014 5:43 pm

      Equívoco?

      Caro Motta,

      saia deste clichê de que a legislação trabalhista brasileira seria uma cópía da legislação facista.

      Quem diz isso ou está escancaradamente enviesado ou não sabe do que está falando.

      Espero que você tenha se equivocado  e não se enquadre em nenhum dos dois casos. Mas, se mesmo assim  v. continuar insistindo nesse equívoco, serei forçado a lhe pedir para provar. Prove que nossa legislação  trabalhista foi cópia da legislação facista.

      Aliás, o desafio está lançado: quem quiser que prove que nossa legislação trabalhista foi resultado de um cópia da legislação facista.

      Aguardo resposta. 

      1. Motta Araujo

        26 de agosto de 2014 6:18 pm

        Sendo o Brasil e a Italia

        Sendo o Brasil e a Italia paises completamente diferentes uma legislação precisa ser ajustada à realidade de cada Pais, então a palvra “copia” é usada como licença prosódica, poder-se-ia com mais precisão se dizer INSPIRADA na Carta del Lavoro do regime fascista. Há uma caracteristica ESPECIFICAMENTE fascista que copiamos e que nÃO EXISTIU ou EXISTE em nenhum outro Pais, com exceção da Italia fascista e do Brasil até hoje: o IMPOSTO SINDICAL.

        Para poder exigi-lo o sistema sindical é moldado em UM SINDICATO POR SERTOR POR AREA GEOOGRAFICA, isso é puro fascismo, os sindicatos não se ORGANIZAM LIVREMENTE, eles são resultado de uma CARTA PATENTE DO MINISTERIO DO TRABALHO, que não admite dois sindicatos rivais disputando a mesma base, na ponta da piramide emos a CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDUSTRIA e sua contraparte, a CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NA INDUSTRIA e assim em toda a economia. De onde vem essa inspiração?? VEM DO FASCISMO.

        Assim, se um péssimo sindicato tratar pèssimamente os trabalhadores de sua base, nem atender o telefone se um operario ligar, NÃO FAZ NENHUMA DIFERENÇA NA SUA ARRECADAÇÃO, ele recebe o imposto sindical da mesma forma, mesme se o presidente morar em Miami, isso vem da legislação fascista porque em nenhum outro Pais funciona assim.

        Fui claro?

        1. Mogisenio

          26 de agosto de 2014 9:48 pm

          Trabalho versus Capital , que não trabalha!

           

          Caro Motta,

          cópia é cópia e não tem essa de licença prosódica. Não me venha agora sair pela tangente. rsrs

          A legislação trabalhsta brasileira NÃO É cópia da carta del lavoro.

          E, só para não passar batido e também sem querer entrar muito no mérito do estado nazi-facista ou mesmo separando-se os “primos” nazismo e facismo, há muito papo furado enviesado nessa seara.

          Tem definição para todo que qualquer freguês. Se alguém vem com uma de que o facismo é fruto  da fúria dos trabalhadores , então eu volto com o “abatimento da democracia para salvar o capitalismo” com hábeis manobras políticas e posterior eugenia ariana à moda presidente negro do criador do saci pererê. E se insitirem então pergunta-se se tais aberrações políticas do século passado não teriam tido uma “ajudazinha” financeira de grandes “empreendedores” alemães, americanos, ingleses, e até japoneses.

           E a história é longa. Portanto, deixemos as questões sobre facismo e/ou nazismo de lado. Pura conversa enviesada para todos os lados!

          Voltemos à nossa legislação trabalhista.

          Note bem o próprio nome de nossa legislação trabalhista já nos dá  pistas de que não poderia ser uma cópia  da carta del lavoro.

          Aqui temos uma CONSOLIDAÇÃO de leis. Lá uma Carta do trabalho.

          Para início de conversa, a  CLT tem 922 artigos . A carta tem 11 princípios de direito do trabalho. Portanto, cópia já não poderia ser.

          Nove destes princípios da carta del lavoro JÁ EXISTIAM na INGLATERRA, NA ALEMANHA, NA ITÁLIA, FRANÇA etc. Em vários países ! Por exemplo: 8 horas de trabalho, indenização por dispensa injusta e aviso prévio. Tambem em países com a Argentina, o Uruguai , onde as LEIS SOCIAIS FORAM PRECOCES graças à migraçao de operários “brancos”.

          Regulamentação do trabaalho noturno, proibindo-o para mulheres e crianças , repouso semanal, férias, medidas de segurança do trabalho, salário maternidade etc, etc, etc. Sucessão de empregadores sem alteraração no contrato de trabalho.

          Rerum Novarum, ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO, primeira guerra mundial, TAYLORISMO E FORDISMO,  política do café com leite, tenentismo, partido comunista brasileiro, enfim, todos esses movimentos e mais dezenas de outros foram criando as leis esparssas trabalhistas no brasil.  Quer mais para acabar com a MENTIRA de que a CLT seria CÓPIA DA CARTA DEL LAVORO?

          Nada daqueles direitos citados  pode acima pode ser taxado de facista embora   tenham sido   copiados pela própria carta del lavoro  em seus princípios!  Note bem, a carta del LAVORO NÃO É PONTO DE PARTIDA PARA O DIREITO DO TRABALHO BRASILEIRO! Todavia, sabemos que  esse é o papo furado que  os economistas congelados no tempo gostam de vomitar por ai! 

          Então, prossigamos.

          Aqui no Brasil  foi prevista um JUSTIÇA DO TRABALHO enquanto que lá, na carta del lavoro e seus poucos princípios, foi prevista  uma magistratura del lavoro. Todavia, a PRIMEIRA justiça do trabalho  É DE 1906 NA NOVA ZELANDIA em seguida Austrália.   Depois no méxico em 1917, com a famosa constituição social criou-se a justiça do trabalho! Ué, então a nova zelandia 1906 teria, NUM ATO PROFÉTICO,  copiado   a carta del lavoro de 1927?

           Quanto à unicidade sindical. Realmente , a carta del lavoro tem este dispositivo  que também se observa na  nossa legislação do trabalho de 1939 – aproveitada na CONSOLIDAÇÃO das leis do trabalho.

          Agora note bem: a carta del lavoro é de 1927. E em 1917 a UNIÃO SOVIÉTICA instituiu a unicidade sindical  compulsória!

          Seria então uma inspiração facista na união soviética 10 anos antes da carta del lavoro?

          Note, é um principio de direito sindical e não surge com a carta del lavoro, a não ser que os PROFETAS da união soviética no uso de suas atribuições teriam feito tal façanha, isto é, prever  que em 1927 a carta del lavoro copiaria o principio que eles criaram em 1917.  Ai, anteciparam e compiaram dela o próprio principío que teriam criado. Um erro ATEMPORAL! ( será que os economistas atemporais da praxis conseguem nos explicar isso?)

          Todavia, na parte sindical concordo que há  um grande problema brasileiro onde “trilhões” de sindicatos acabam não representando empregado algum! Mas ai neste caso os economistas atemporais do picles não entram muito no mérito.  Aqui a turma dos economistas de escol gosta de empurrar os acordos do tipo caracu para as negociaões sindicais em busca do pacto “autônomo” que deve prevalecer no mercado assimétrico! Viva o pact sunt servanda, certo? Errado! Fugindo das nomras heterônomas, ditas FACISTAS mas que não são facistas coisa alguma! E mesmo se o fosse porque diabos teriam os “empreendedores da mão boba e visível foram financiar o facismo? 

          No caso brasileiro, creio que a turma atemporal – isto é, as múmias do tempo – querem por que  querem o retorno da Casa Grande. Mutatis mutandis: Empresa=Casa grande. Escravo = Empregado Subordinado!

          Curiosamente, os primeiros críticos da CLT , para alegria  os “naturalistas atemporais  desorientados de plantão”  foram exatamente os COMUNISTAS BRASILEIROS. Ué! Estavam pirados na época!?? Estariam raivosos com as liçoes de Saint Simon ou do Comte?

          Com o passar do tempo, de alguma forma que não vale perder tempo para descobrir, os neoliberais caudilhistas se aproriaram deste clichê e passaram a vomitar essa baboseira  com aquela eloquência de sempre  

          O ponto que pode ter em comum com a tal carta del lavoro seria este sindical. Mas, note bem, seria uma cópia do direito sindical de 1917 no mínimo. O devir social certamente pode trazer outros elementos anteriores a essa data. De qualquer forma, já seriam  10 anos antes da própria carta del lavoro!

          Ademais, em seu conjunto de artigos a CLT trata  muito mais do direito INDIVIDUAL que  do COLETIVO.

          Trata , mais especificamente,  da subordinação jurídica dos otários , ops, empregados brasileiros. Subordinação essa que teria ocorrido logo apos de la carta de la princesa Isabel mais conhecida como LEI ÁUREA! Esta sim, foi o pontapé inicial para fundamentar todo o direito do trabalho brasileiro. Afinal, nos praticamente 400 anos que se passaram antes dela, o direito do trabalho brasileiro tinha inspiração na CARTA DEL LOS  ESCRAVOS!  Quando muito, estes tinham acesso raríssimo a  CARTA DEL ALFORRIA, onde já deram início ao movimento  sem terra , sem feudalismo  e com  monocultura latifundiária na mão de ALGUNS! Alías, estudos apontam que a capitania da bahia era apenas de 2 famílias. Notemos bem! A bahia pertencia a 2 FAMÍLIAS!

          Puxa vida meu! “Batuque na cozinha Sinhã não qué!”

          Digressões a parte.Voltemos.

           

          Portanto, nossa maior inspiração para trocar o trabalho ESCRAVO pelo  SUBORDINADO foi ela,  a lei áurea. ” meio branca não? Para um país de mestiços!

          Nossas leis trabalhistas  resultam  das  manisfestações esparsas  que ocorreram de 1888 a 1930, sobretudo, com a ajuda dos humanos emigrantes ” brancos” que vieram para  trabalhar e, de quebra, “branquear” o país! Repita-se “humanos” , só os emigrantes mesmo… O resto é semovente sem alma!

          Isso sem falar na primeira guerra , e o consequente pacto inicial para formar a OIT, o (des)Tratado de Versalhes,  os direitos sociais, isto é, os de segunda geração, progressistas, culturais, econômicos e sociais, sobretudo, o de previdencia privada , forjando o Welfare state, que mais tarde seria traduzido pelas ideias de Keynes ( o filho) que por sua vez destruiu  toda aquela  baboseira NATURAL E ATEMPORAL SOFISTA dos amantes apenas  da MÃO BOBA E VISÍVEL DO ” MERCADO”. Mas o autor da mão boba morreu como funcionário publico? Vá entender essa gente….

          Isso não quer dizer que estou aqui defendendo nem criticando negativamente  o camaleão fazendeiro, autoritário, democrático, liberal e comunista “pai dos pobres”  Sr. Getúlio Vargas. Ele agiu de acordo com as circunstancias e aprovou uma consolidação de leis, já reunidas e pensadas por lindolfo collor ( ele mesmo o avó do cara) arnaldo sussekind entre outros.

          Consolidaram leis para os SUBORDINADOS urbanos deixando os RURAIS, isto é, A MASSA DE MUCAMBOS sem a tal proteção FACISTA!!!! Só sobrou vitória para os “sobrados”, com muito “ordem e progresso”…

           

          Ora, ora, ora,  saia dessa de querer propagar o engodo dos senhores de engenho do séc. XXI. Não  venha  me dizer que a CLT teria sido cópia da carta del lavoro.

          Para com isso…

          Tem mais argumento para acabar com essa falácia,  mas vou parar por aqui.

          Nos termos da carta del lavoro:

          La determinazione dei salario e sotratta  a qualsiasi norma generale e affidata  all accorrdo delle parti nei  con-tratti coletivi ( declaração XII)

          E não precisa acreditar em mim. Pergunte para o Mauricio Godinho o que ela pensa a respeito desta afirmação, isto é, de que a CLT teria sido uma cópia da Carta del lavoro!

          Saudações

           

           

           

           

          1. Motta Araujo

            27 de agosto de 2014 12:23 am

            Meu caro, parabens pela sua

            Meu caro, parabens pela sua proficiencia no tema, demonstra bons conhecimentos do assunto. Todavia não tem logica invocar modelo sindical da União Sovietica como argumento, em 1917 era um Estado comunista, portanto o unico empregador era o Estado exercendo uma ditadura completa, não tem sentido em falar em sindicalismo nesse tipo de regime, é um simples braço do aparelho do Estado e só pode ser dentro da unicidade, como poderiam haver sindicatos rivais em um regime autoritario onde tudo é do Estado?

          2. Mogisenio

            27 de agosto de 2014 1:35 am

            Obrigado pelos parabens mas,

            Obrigado pelos parabens mas, com o devido respeito,  isso é desnecessário. Minha intençao não foi a de adquirir um elogio, mas sim, a de destruir mais essa falácia que vem sendo propagada por ai.

            Se  pra você tem lógica ou não  ai, neste caso,com o devido respeito,  fica com você meu caro. Estou lhe dizendo o que consta da literatura séria sobre o assunto. Não se trata de uma opinião ou de minha opiniao.

            Concordo, no entanto, que o Sr. Getúlio e sua POLACA teria tido alguma inclinacao pelo facismo. Mas dai concluir que a nossa CLT seria uma cópia da del lavoro é um equívoco sério o qual só serve para banalizar nossas regras internas, sobretudo, a do direito do trabalho. Muitíssimo importante para todos nós, inclusive, para os empresários. O Getúlio , como sabemos, foi de tudo um pouco.

            De qualquer forma, é um tremendo equívoco dizer que a nossa CLT é  uma  carta del lavoro. Esse foi o ponto de minha discordancia.

            Quanto ä questao sindical também me parece bem lógico a sua criacao exatamente com a revoluçao socialista, naquele contexto.

            Sindicatos originaram partidos que pipocaram mundo afora naquela época. E partido precisava de unicidade ideológica para existir, frisa-se, naquela época! Não nos faltou a genialidade do  Charlie Chaplin para denunciar a falácia do taylorismo-fordismo sem limites! 

            Isso nao quer dizer que estou elogiando o nosso sistema sindical. Pelo contrário. Talvez, seja um ponto que precisa urgentemente mudado na legislacao brasileira. Nao necessariamente pelo problema da  contribuiçao sindical, mas sim, pela falta de representatividade. Muitos sindicatos diluídos que nao proporcionam o SER COLETIVO que anule a hipossuficiência do obreiro diante do  outro SER COLETIVO que são as pessoas naturais anonimamente associadas. 

            E ainda é preciso dizer que nossa legislaçao trabalhista mudou e vem mudando muito de lá pra cá. E são essas mudanças que desagradam a  “poupança externa” que ainda insiste em querer comprar mão de obra barata nessa terra de mestiços!

            Saudaçoes

          3. Celio Mendes

            27 de agosto de 2014 1:52 am

            Dá matemática sabemos que

            Da matemática sabemos que tangente é a razão entre o seno e o coseno, a tangente também e a trajetória por onde encontram a saída os Monumentos Intelectuais quando são apanhados falando asneiras.

          4. Celio Mendes

            27 de agosto de 2014 1:07 am

            Que aula, se isso não virar

            Que aula, se isso não virar post vou ficar muito decepcionado com o Nassif.

      2. Orlando Soares Varêda

        26 de agosto de 2014 7:09 pm

         
        De fato Mogiseno, tá mais

         

        De fato Mogiseno, tá mais pra equívoco. O  Motta às vezes peca por portar um conservadorismo extremo. Entretanto, não se trata de um desinformado depositário de tanta raiva e rancor, como o cidadão abaixo, um neo-liberal, aliás, ser já extinto, que a burocracia aindo não o informou. Daí, que o dito cujo acaba de vomitar logo abaixo de seu comentário.  

        Orlando

    2. alfredo sternheim

      26 de agosto de 2014 6:14 pm

      Getúlio fascista e cruel

      Concordo, Motta, Getúlio foi fascista. E não tem semelhança com Lula, o torneiro mecânico que virou presidente de viés social pleno. Democraticamente eleito, jamais esboçou qualquer gesto para se perpetuar no poder. E Getúlio ditador demonstra a medida de sua crueldade ao perseguir os que dele divergiam. Mas me irrita ver que, atualmente, existe uma tendência em endeusar Getúlio. A chamada quartelada de 1954 pode ter se servido de um grave deslize cometido pela guarda pessoal do presidente Vargas, ao executar o desastrado atentado da rua Toneleros. O filme Getúlio e os jornais da época deixam bem claro que Gregorio Fortunato, o segurança e “anjo” de Getúlio não só obedeceu ordem e plano de Benjamin Vargas, irmão de Getúlio, com ose beneficiou financeiramente de outras maractuais envolvendo negocios com outros irmão de Getúlio. Ou seja, a corrupção estava ampla no Palácio do Catete. Não vi nenhum getulista agora, diante do filme, e em 1954, no calor da indignação coletiva com tantos malfeitos, alguém desmentir essas constatações acima. Ao se matar´(se é que não foi suicidado), Getúlio alterou radicalmente o clima contra: como lembrou Janio de Freitas ontem, em 24 horas virou de corrupto a um martir reverenciado e explorado politicamente. Com isso silenciou as investigações contra a família Vargas. E Lacerda de herói virou vilão.Só mesmo passar dos 70 anos  para testemunhar tamanha virada na História. 

    3. Paulo F.

      27 de agosto de 2014 1:33 pm

      Simplificação sem base

      Caramba Andy!

      Voce é capaz de um comentário melhor que este!

      Getulio  fascista?  Por causa da copia da legislação trabalhista e sindical do Mussolini? Esta é a média dos legisladores nacionais! Copiam a torto e a direito. E a “Polaca”? Pelo que consta a Polonia, aliada de França e Inglaterra era o primor do “Mundo Livre”, ou na real,  era uma ditadura sustentada pelos coroneis? Perseguiu a ferro e fogo as esquerdas e as direitas também ou esqueceu o que aconteceu com Plinio e seus integralistas? Sim os fcistas verde-amarelo,o pessoal do “Anaue”? Dos quais alguns próceres das Arcadas do Largo de São Francisco, na época, eram diletos companheiros. Alguns até ministro da justiça foram, quando não publicaram obras basilares (provas do nosso viés autoritário) utilizadas até hoje como doutrina.

      Getúlio não admite simplificações. A melhor definição dele: fez um governo positivista na sua 1ª fase, e durante seu governo democrático, ai sim influênciado pelo trabalhismo britânico, um  governo quase social-democrata, mas comum ranço de culto à personalidade, no melhor estilo de Stalin, Mussolini, Chiang Kai-shek aka “General Cash-My-Check”.

  4. C. Acácio

    26 de agosto de 2014 5:25 pm

    O golpe aconteceu para

    O golpe aconteceu para atender aos interesses geo políticos norte americanos. No mês , na hora e no dia que lhes convinha … o resto é “pulp fiction” …

    1. aliancaliberal

      26 de agosto de 2014 10:26 pm

      Teu professor de história

      Teu professor de história mentiu para você.

  5. DanielQuireza

    26 de agosto de 2014 5:45 pm

    Apenas como curiosidade, Lira

    Apenas como curiosidade, Lira Neto, disse ontem, no roda viva, que pretende votar em Dilma.

    Não li os livros dele, estou pensando em fazê-lo, a partir de amanha, quando estarei me recuperando de uma pequena cirurgia.

    Alguem já leu e recomenda ? Há outras biografias de Getúlio melhores que esta do Lira Neto ?

    1. Maria Luisa

      26 de agosto de 2014 7:40 pm

      Daniel

      Li os dois primeiros tomos da trilogia “Getulio” de Lira Neto. Vale a pena, o jornalista narra detalhadamente sobre a época de Getulio e sua historia e nos narra uma epopéia, começando pela historia do Rio Grande do Sul (muito interessante). Estou à espera do terceiro e ultimo tomo da trilogia, que ja saiu.

      Parece que foi reeditada também a trilogia ” A Era Vargas”, de José Augusto Ribeiro. Essa ainda não li, mas é bem conhecida. 

      Discordo da Aliança Liberal ao dizer que Getulio foi um fascista e que por isso deveria ser combatido. Isso era mais ou menos o que nos ensinaram na escola (falavam em ditador), mas ao ler algumas biografias e principalmente, Getulio de Lira Neto, vê-se que Getulio foi um grande homem, grande estrategista, inteligente, culto, que ora esteve bem à frente de seu tempo, ora de extremo conservadorismo. Getulio foi complexo, mudou de ideia muitas vezes, e de lado também, dai a dificuldade de enquadra-lo em uma so coisa, numa so ideologia. 

      Saudações.

      1. DanielQuireza

        26 de agosto de 2014 8:16 pm

        Muito obrigado Maria Luisa,

        Muito obrigado Maria Luisa, tentarei ler.

  6. Orlando Soares Varêda

    26 de agosto de 2014 7:25 pm

     
    Eita merda! O rumo da

     

    Eita merda! O rumo da conversa descabou ladeira abaixo. Se não perder velocidade, até o fim da tarde, o Estabelecimento se equipara ao Blog do Noblat.

    Orlando

  7. altamiro souza

    26 de agosto de 2014 11:36 pm

    o homem histórico é o

    o homem histórico é o resultado do seu legado.,

    getúlio e lula comprovam isso porque foram grandes estadistas, queiram ou não os neoliberais,

    os quais, curiosamente, entram para a história como dfensores de ditaduras, .como milton friedman, que não só apoiou a ditadura de pinochet como deu ao ditador as teorias economicas para justificar suas atrocidades.

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