21 de maio de 2026

Caldas, cidade mineira, pode virar depósito de material radioativo

A intenção por trás da ação seria a venda de dois terrenos em locais valiosos. A notícia não caiu bem em Caldas e, a partir daí, começaram as ações públicas para impedir o envio do material radioativo para a cidade.
Caldas - Instalação Industrial - INB

Jornal GGN – A pequena cidade de Caldas, em Minas Gerais, está ameaçada de se tornar um depósito de Torta II (material radioativo), informa a jornalista Tania Malheiros em seu blog. No município, está prevista a construção de estruturas de concreto enterradas, próximas à superfície, como era em Goiânia, palco de um acidente por contaminação com césio-137, há 34 anos.

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A notícia foi dada no dia 20 de outubro pelo superintendente de desenvolvimento da Diretoria de Recursos Minerais da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Diógenes Salgado Alves. A fala se deu em audiência pública na Câmara dos Vereadores de Caldas, com objetivo de encaminhar destino de cerca de 12 mil toneladas de Torta II, lá estocados. Todo esse material tem como origem uma mina de urânio esgotada, mantida pela INB, além do envio deste material radioativo de outras unidades paulistas da estatal.

Malheiros já havia denunciado a situação de Caldas em 27 de agosto, quando o INB avisou que já estaria conversando com o Ministério Público Federal de São Paulo e Pouso Alegre sobre a transferência de mais material radioativo para a unidade em Caldas, vindas da Usina de Interlagos (USIN) e de Botuxim, em Itu. A intenção por trás da ação seria a venda de dois terrenos em locais valiosos. A notícia não caiu bem em Caldas e, a partir daí, começaram as ações públicas para impedir o envio do material radioativo para a cidade.

A jornalista relata a origem de maior parte deste material, acumulados durante 20 anos na Nuclemon, no Brooklin, em São Paulo, empresa da INB, que funcionava desde a década de 70. A empresa gerou incontáveis prejuízos materiais e humanos, como a contaminação de trabalhadores, que manusearam elementos radioativos sem o saber. A empresa foi fechada em 1992 e até hoje não houve solução para os ex-funcionários.

As vítimas da Nuclemon fundaram a ANTPEN (Associação Nacional dos Trabalhadores da Produção de Energia Nuclear) para defesa dos atingidos. São dezenas de pedidos de indenização na Justiça Paulista e, até hoje, o máximo que conseguiram foi um plano de saúde.

A INB, na Justiça, aponta Caldas como lugar perfeito para receber o material radioativo, bem como o município de Buena, em São Francisco de Itabapoana, no Rio de Janeiro.

A necessidade de transferência do material radioativo, pela INB, é desocupar terreno em lugar valorizado, para venda. Foi o que aconteceu no Brooklin e agora acontece na USIN.

Redação

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