26 de junho de 2026

Um merecido presente para São Paulo: transformar o Jockey Club em um novo Ibirapuera, por Álvaro Rodrigues dos Santos

Há muitos fatores históricos e funcionais que sugerem a pertinência e a justeza dessa proposta.
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Um merecido presente para a população paulistana: transformar o Jockey Club em um novo Ibirapuera

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por Álvaro Rodrigues dos Santos

É notória e conhecida a grande carência de áreas verdes voltadas a propósitos ambientais e ao lazer público na cidade de São Paulo.

Em seu crescimento a cidade tem-se progressivamente impermeabilizado com concreto e asfalto, descuidando-se de providências voltadas a resguardar sua qualidade ambiental e sua capacidade hidrológica de reter águas de chuva. As consequências desse grave descuido não fizeram por esperar: enorme déficit ambiental e enorme aumento do escoamento superficial de águas pluviais, principal fator causal de enchentes cada vez mais constantes e graves.

Esse quadro negativo exige que a capital paulistana adote uma estratégia corajosa e ambiciosa de criação de novas áreas verdes florestadas, condição em que se tem a maximização dos benefícios ambientais e hidrológicos para os quais urbanisticamente se vocacionam.

A transformação do atual Jockey Club, com sua área de 60 hectares, em algo semelhante ao Parque Ibirapuera poderá significar um ato demonstrativo da disposição da cidade em abraçar essa estratégia.

Há muitos fatores históricos e funcionais que sugerem a pertinência e a justeza dessa proposta. O Jockey Club da Cidade Jardim (Hipódromo de Cidade Jardim) tem a administração pública como agente essencial em sua criação e em sua sustentação desde sua origem. Inaugurado em 1941 foi idealizado por Fábio Prado, seu então presidente e, por feliz coincidência, Prefeito de São Paulo. A viabilização do empreendimento envolveu o interesse direto da Cia City, que buscava a valorização da região, e a seção para a municipalidade da área ocupada pelo antigo Hipódromo da Mooca.

Mas o que pareceu ser à época um bom arranjo negocial para as instituições envolvidas, hoje, com a plena consolidação da expansão urbana da capital para sua zona oeste e seu uso e ocupação por milhões de paulistanos, o antigo arranjo deixa dúvidas sobre sua pertinência social.

O Jockey, tendo como seu carro-chefe de atrações as corridas de cavalo, atende somente as expectativas de alguns poucos milhares de aficionados desse esporte e de seu sistema de apostas. Um gigantesco empreendimento com um minúsculo alcance social em uma cidade em que milhões de habitantes carecem de áreas de lazer e de uma melhor qualidade ambiental de vida.

Essa necessidade de que tal patrimônio tenha um melhor e mais humano resultado social não tem passado despercebida das autoridades públicas municipais. Projetos de requalificação do Jockey tem se sucedido no intuito de melhor integrar o espaço à cidade e de equacionar as grandes dívidas do clube com a Prefeitura paulistana. Mas não tem alcançado esse intento, perdendo-se nas naturais e sucessivas mudanças de comando do clube e da Prefeitura. É preciso que decisões desse tipo, para sua consistência e garantia de execução, envolvam representações sociais e políticas mais amplas, como a Câmara Municipal e as representações comunitárias de bairro. Sem esse fator emulante, sua tendência natural é o arrefecimento.

E é preciso mais coragem e ousadia, a transformação que se faz socialmente necessária deverá incluir a seção de nova área em região externa da cidade para que um novo Jockey se instale, condição indispensável para o reaproveitamento público integral da atual área ocupada pela instituição.

Nesse quadro, a área hoje ocupada pelo Jockey seria radicalmente transformada, abrigando um grande bosque florestado (algo como 34 ha) na área hoje ocupada pelas pistas de corrida, e um grande número de funções de lazer, artísticas, esportivas e culturais em suas áreas construídas. Essas as idéias básicas para um projeto a ser concebido, talvez via um concurso público especificamente voltado para tanto.

Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos ([email protected])

Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT e Ex-Diretor da Divisão de Geologia 

Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Diálogos Geológicos”, “Cubatão”, “Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções”, “Manual Básico para Elaboração e Uso da Carta Geotécnica”, “Cidades e Geologia”

Consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente

Jockey hoje

Jockey florestado, integrado à cidade

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  1. Edivaldo Dias de Oliveira

    27 de outubro de 2021 12:07 pm

    Aqui na Zona Sul de São Paulo, tem o Santa Paula Iate Clube, na Represa de Guarapiranga. Um clube que está fechado há décadas, se deteriorando, arquitetura projetada por Vilanova Artigas em concreto Bruto. A dívida do clube com a prefeitura deve ser maior do que o valor do imóvel e entra governo sai governo, inclusive petistas como eu, e esse espaço não é aproveitado em beneficio da população.

    Na administração Haddad, justiça seja feita, O Clube Tietê na Zona Norte e o Parque do Jockey na Francisco Morato, Zona Oeste foram municipalizados em troca de dívidas com IPTU, o Santa Paula bem que merece o mesmo destino em prol da gente da Zona Sul.

  2. Gabriel

    27 de outubro de 2021 3:07 pm

    Ok, a ideia é legal e até válida… agora ter que lidar com um autor que não sabe escrever “cessão”, não distingue “estas” de “essas” e no final do texto dá uma carteirada afirmando ser “autor de livros”, “gestor público” e dono de algum tipo de diploma universitário é dose… as “imagens” do final do artigo chegam a ser constrangedoras, qualquer criança que nunca usou photoshop faz algo melhor.

  3. Lazlo Kovacs

    27 de outubro de 2021 6:37 pm

    Grande ideia. Em seguida, o lance é a concessão à iniciativa privada.
    Igual ao Ibirapuera.
    Eis aí a máxima expressão da terceira via; quer ser uma opção, mas tem um lado, bem verdinho e tilintante.

  4. ÁLVARO RODRIGUES DOS´SANTOS

    27 de outubro de 2021 8:01 pm

    Caro Gabriel,
    Você quis dar sua opinião ou quis se exibir? Poderia positivamente ter me alertado para erros gramaticais, pelo que lhe agradeceria, mas essa obsessão pelo exibicionismo é-lhe mortal.

  5. Heraldo Campos

    30 de outubro de 2021 8:57 am

    Boa, Álvaro.
    Concordo integralmente com o “grande bosque florestado”.
    Vou repassar adiante a proposta.
    Grande abraço,
    Heraldo

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