A entrevista de Alberto Ramos, diretor de pesquisa para a América Latina do Goldman Sachs, ao Valor, é uma versão macroeconômica da praga do CEO genérico. Por tal, entenda-se o executivo, com visão estritamente financeira, colocado no comando de empresas do setor real, sem conhecer as características do mercado onde a empresa atua. Sua visão é meramente financista, tendo em vista dois objetivos: melhorar o balanço trimestral à custa de corte indiscriminado de custos.
Essa imprudência já liquidou com grandes empresas nacionais, como a Sadia, o Unibanco, trouxe prejuízos enormes à Valer, à BRF.
As características do CEO genérico são conhecidas.
- Uso abusivo do “suponhamos que”,
- Análise sempre compartimentalizada, vendo cada tema isoladamente, sem analisar os desdobramentos sobre as outras variáveis.
- Inversão das relações de causalidade, trocando as causas pelos efeitos.
- Transformar cada tema em questão de vida ou de morte para a economia.
A lógica da macroeconomia é a capacidade de correlacionar indicadores e definir claramente relações de causalidade.
Vamos analisar a entrevista.
Diz ele:
Sobre os fatores de recessão
O motor de crescimento da economia brasileira sofreu um dano estrutural (…) Para ele, o problema é resultado de fatores como o “baixo nível de investimento, a grande alavancagem [endividamento] financeira dos três grandes agentes da economia – famílias, empresas e governo – e a má alocação de recursos causada pelas distorções da Nova Matriz Macroeconômica”.
Baixo nível de investimento é consequência, assim como a alavancagem financeira dos três grandes agentes da economia. Ele menciona a Nova Matriz Econômica, que se encerra em 2014. Nada diz sobre as políticas econômicas implementadas a partir de 2015, com Joaquim Levy – que deu um choque tarifário, aumentou os juros e travou o crédito, seguindo recomendações de mercado – , prosseguindo com Henrique Meirelles e Paulo Guedes, mantendo o arrocho fiscal e não adotando nenhuma medida anticíclica. Se um dos problemas centrais é o tríplice endividamento do Estado, empresas e família, a análise deveria se debruçar sobre as medidas que impediram a solução desses obstáculos.
Vamos a um fluxograma simples sobre o que move a economia.
A peça chave para um ciclo virtuoso é o aumento da demanda. É ela que resolve o problema de emprego e renda, as questões fiscais, a volta dos investimentos.
Todas as discussões teóricas se dão em torno do tema: como aumentar a demanda. Os ortodoxos acreditam no poder da fé: se as empresas acreditarem no equilíbrio fiscal, voltam a investir. Os heterodoxos acreditam no poder da demanda. Se o ajuste empobrecer o país, reduzir a renda, impedirá a recuperação da demanda e não haverá investimento. Investir para vender para quem? Portanto a fé só moverá as montanhas do investimento, se promover, antes, a recuperação da demanda.
Sobre os fatores de recuperação
Com grande ociosidade e inflação e juros baixos, porém, haveria espaço para a aceleração da recuperação cíclica, mas isso tampouco tem ocorrido. (…) . A retomada cíclica não ganha força por esbarrar em especial na incerteza política e institucional ainda relativamente elevada. Também atrapalha o nível de endividamento de famílias, de empresas e do governo.
Vamos analisar, então, as medidas sugeridas pelo mercado, e adotadas por sucessivos Ministros da Fazenda a partir de 2015.
Travamento do crédito, somado aos juros reais elevados. Segundo o Banco Central, para impedir aumento da inflação com o realinhamento tarifário. Foi o principal responsável pelos níveis de endividamento de empresas e famílias. E, pela não recuperação da economia, pelo aumento da relação dívida/PIB do Estado.
PEC do Teto: reduziu ainda mais a demanda agregada, especialmente junto às famílias de baixa renda. Impactou os gastos com saúde, educação, zerou os investimentos públicos, travou a recuperação da economia, impedindo a melhoria do emprego e renda e, por consequência, a redução dos níveis de endividamento.
Redução dos programas sociais: gastos de famílias de baixa renda são injeção na veia do consumo. Em famílias de maior renda, parte dos ganhos é poupado, parte vai para consumo de ostentação, com grande peso dos importados.
Ou seja, todas as medidas tomadas impactaram negativamente a demanda. Impactando, não houve recuperação, apesar do próprio economista admitir que níveis elevados de ociosidade facilitam a recuperação econômica. Então por que não houve a recuperação? A resposta racional seria que as medidas de arrocho aprofundaram a recessão e impediram a recuperação da demanda. Mas, aí, se entra em matéria de fé. Se o economista admitir isso, será crucificado pelo mainstream. A saída, então, é buscar explicações subjetivas, presentes no campo da fé: a recuperação foi abortada por causa das incertezas política e institucional, como se as incertezas fossem causa, e não consequência.
Um dos grandes sofismas do mercado, aliás, é confundir causa com consequência. Vamos a alguns exemplos:
Causa-consequência 1 = demanda agregada
Endividamento das famílias
Se deveu à precarização do emprego, aumento do desemprego, aumento dos juros e restrição do crédito. Motivo: queda na demanda.
Endividamento das empresas
Porque tinham determinado nível de capital de giro e, com a queda abrupta da demanda, ficaram com estoques encalhados, sem condições de honrar as dívidas contraídas e sem espaço para renegociar o crédito. Motivo: queda da demanda.
Endividamento do Estado
Porque houve queda da demanda que resultou em queda das receitas públicas e queda do PIB. Com menos receita e PIB menor, aumentou o déficit e a relação dívida/PIB. Motivo: queda da demanda.
Crise política
Devido ao descontentamento da população com a queda de renda que levou às medidas atrapalhadas na segunda metade do governo Dilma e à manutenção do mal estar econômico nos governos Temer e Bolsonaro. Motivo: queda da demanda.
Crise institucional
Provocada pela desorganização total da política e da opinião pública com a crise econômica, motivada pela queda da demanda, trazendo mal-estar generaliado. Pode-se argumentar que, no Brasil, a queda da demanda esteve associada à queda dos preços internacionais das commodities . Esse é um dado da realidade, que deveria ser enfrentado com medidas eficazes de política econômica visando a recuperação da demanda.
Dos três entes econômicos – Estado, família e empresas – o único em condições de puxar a demanda seria o Estado, que tem o controle da moeda e a capacidade de aumentar o endividamento.
As medidas adotadas não foram suficientes. Então, toda análise tem que ser focada para entender a razão de não terem sido bem sucedidas.
Causa-consequência 2: ajuste fiscal vs déficit fiscal
Aqui não se trata de explicações didáticas sobre a teoria, mas do que ocorreu de fato com o Brasil nos últimos anos.
O déficit primário é o resultado de uma conta simples: Receita – despesas.
Há três maneiras de reduzi-lo: aumentando as receitas, reduzindo as despesas, ou combinando ambas. Obviamente, a arte da política econômica consiste em encontrar um nível ótimo de aumento de gastos, que resulte em uma aumento da receita maior do que o aumento dos gastos.
Entenda o quadro:
Déficit primário
Gastos de governo significa receita do setor privado. Se a queda da receita fiscal for maior do que a economia nas despesas, além de derrubar a atividade, o corte provoca um aumento do déficit primário.
Déficit nominal
Aumentando o déficit primário, segundo a visão dogmática do mercado, precisaria haver um aumento na taxa de juros, para ser superior à taxa de crescimento do PIB. Não peça explicações lógicas para essa correlação. É princípio religioso. Aumentando os juros, há um aumento do déficit nominal (que inclui Receita – despesa – conta de juros).
Relação dívida/PIB
Com elevação dos juros em uma ponta, e arrocho fiscal, na outra, ocorre uma queda no PIB. Com o PIB caindo, aumenta automaticamente a relação dívida/PIB, um dos principais indicadores de solidez fiscal.
80 / 100 = 0,8
80 / 95 = 0,84
Aumentando a relação dívida/PIB, segundo os fundamentalistas de mercado, haveria um desestímulo aos investimentos. Só que aumentou a relação porque o PIB caiu e os juros aumentaram. Mas a saída proposta, em lugar de ser a redução dos juros, para melhorar o PIB, é dobrar a aposta nos cortes de despesas e na redução dos direitos sociais.
Sobre os juros
Juros têm impacto sobre o nível de atividade, sobre a dívida púbica e sobre o déficit nominal. O que diz nosso campeão:
O nível dos juros não é o problema (…)Para ele, a política monetária é hoje estimulativa e a inflação projetada está na meta. Não haveria então motivos para o BC cortar mais a Selic.
E nada mais disse, nem lhe foi perguntado.
Sobre a dívida pública
Para estabilizar a dívida, Ramos calcula ser necessário um superávit de 2% do PIB. No entanto, quando o esforço primário chegar lá, a dívida estará na casa de 80% a 90% do PIB, nível muito alto e que não confere espaço de manobra à política fiscal. Desse modo, o ideal é alcançar um superávit que a reduza, o que seria algo na casa de 3% a 3,5% do PIB.
Ou seja, no seu modelito, descartou qualquer mudança nos juros e não se estendeu nem um pouco sobre como conseguir e quais os impactos de um superávit primário de 3,5% do PIB no nível de atividade e na oferta de serviços públicos.
Conclusão
Quando André Lara Resende, algo tardiamente, fala da importância de submeter a teoria às análises empíricas, ele queria dizer isso. Não se trata de formulações abstratas, mas de conferir se a teoria respeita princípios mínimos de racionalidade econômica, os princípios básicos da teoria econômica.
Mas o uso do cachimbo entortou a boca da macroeconomia de mercado. Comprtam-se com a irracionalidade de um Bolsonaro ao Twitter. E, pior, suas conclusões são aceitas como científicas pela mídia.




WG
8 de abril de 2019 7:28 pmPor mais que Nassif insista, não dá para acreditar que os economistas da banca/mídia desconheçam o óbvio, devidamente exposto no post. Penso que defendem e aplicam essa política econômica, plenamente conscientes de que seus resultados beneficiam exclusivamente as corporações que representam.
Renato Lazzari
9 de abril de 2019 12:00 amTenho visto diretores, gerentinhos e até piões da administração, gente que vive de salário, comemorando anúncio de lucros recorde de bancos e outros especuladores, o pessoal a que se chama de “banca”. Ambientes de economia estagnada são bons para a “banca” assim como cenários de violência e medo, de terrorismo, são bons para a polícia. O caos, enfim, é bom para quem se arvora salvador. E quem de nós rejeita a crença de que só o dinheiro salva?
Capitalismo, bah… há alternativas. A China tem encontrado umas boas, por exemplo.
otavio barros da silva [email protected]
8 de abril de 2019 7:51 pmok
Monarquista
8 de abril de 2019 8:10 pmO pensamento do Nassif sobre macroeconomia é simples (todos nós entendemos) e profundo (mudaria a realidade do país e de toda a América Latina, somos muito parecidos com Argentina, Chile, Venezuela). Com exceção da Venezuela, os economistas do tipo chicago boys estão tudo destruindo de norte a sul no continente.. torçamos para o kirchnerismo ganhe as eleições da Argentina e a coloque de novo no eixo, apagando o mal deixado pelo Macri, quem sabe será o renascimento da esquerda no continente.
Naldo
8 de abril de 2019 10:11 pmA mídia né, ora, a mídia……
A parte escrota do que se denomina mídia, a maior parte, nos trata como idiotas………
Exemplo? Foi só ser aventada a hipótese da esposa de Haddad ser candidata a algum cargo espocam notícias difamatórias a seu respeito…
E. o pior, aparecem em meu smartphones de sites obscuros que jamais acessaria, e querem que pense que é aleatorio?
Marcos Videira
8 de abril de 2019 10:31 pmMas de que adianta iluminar a verdade num país dominado pelos ignorantes e entreguistas ?
De que adianta apresentar as saídas, se as forças políticas de oposição preferem a fragmentação, colocando os interesses de grupos acima dos interesses nacionais ?
Renato Lazzari
9 de abril de 2019 12:04 amQuanto pior ficar mais fácil será alguém gritar que “só o FMI pode nos salvar”…
Marcos Azevedo
9 de abril de 2019 4:29 amO STF é a correia de transmissão do facismo.
Nabantino Gonçalves
9 de abril de 2019 6:34 amOs chamados economistas do maistream apenas fornecem explicações fajutas para justificar as medidas praticadas pelos golpistas para sufocar o país, destruir o estado e assim facilitar a entrega do país à sanha dos especuladores abutres do grande capital, financiador do golpe.
Floripes Antiqueira da Silva
9 de abril de 2019 7:00 amPerfeito! O texto é limpo, claro e esclarecedor!
Anônimo
9 de abril de 2019 7:35 amDesculpe Nassif, mas é muito power point para o mesmo gosto.
Jossimar
9 de abril de 2019 9:37 am“Crise política
Devido ao descontentamento da população com a queda de renda que levou às medidas atrapalhadas na segunda metade do governo Dilma e à manutenção do mal estar econômico nos governos Temer e Bolsonaro. Motivo: queda da demanda.
Crise institucional
Provocada pela desorganização total da política e da opinião pública com a crise econômica, motivada pela queda da demanda, trazendo mal-estar generaliado. Pode-se argumentar que, no Brasil, a queda da demanda esteve associada à queda dos preços internacionais das commodities . Esse é um dado da realidade, que deveria ser enfrentado com medidas eficazes de política econômica visando a recuperação da demanda.”
Aqui nada foi dito sobre a imensa responsabilidade da parceria mídia/lava jato. Em 2013 somente com a globo na incitação dos protestos contra o governo Dilma por descontentes com a melhora da situação de vida dos mais pobres e com as políticas de cotas.
A partir de 2014 com a parceria lava jato/midia que acabou de destruir tudo que poderia estar nos ajudando a sair do buraco hoje.
E foi exatamente esta parceria que destruiu o Brasil.
Lembro com clareza a Globo gritar 24 horas por dia que o governo havia perdido o controle sobre a inflação quando a inflação estava dentro da meta. Todo dia tinha um vilão, do tomate ao feijão, falado 24 horas por dia. Era Mau dia brasil, ana maria praga dos infernos, jornal da tarde , jornal nacional, jornal da meia noite, globonews, etc etc
Neste momento, tanto o tomate quanto o feijão estão em cerca de R$ 10,00 o kilo.
Onde está a globo e seus funcionários vagabundos?
Não digo que deveriam estar fazendo terrorismo econômico hoje, o que digo é que não deveriam fazer este mesmo terrorismo naquela época.
Arrebentaram com o Brasil e na minha opinião NÃO PODEM FICAR IMPUNES.
Paulo Dantas
9 de abril de 2019 9:49 amAs teorias econômicas em geral são boas , os fatos é que comportam mal …
José Antônio
9 de abril de 2019 11:33 amNassif, desculpe postar neste assunto, mas queria outra informação. Você vem em Araxá dia 24/04 para lançar o seu livro no Projeto Sempre um Papo?
Eugenio
9 de abril de 2019 2:40 pmCaro Nassif,
Muito obrigado por sua explanação, houvesse condições minhas de assinar seu jornal, teria o maior prazer, mas me encontro em condições parecidas com o de boa parcela da população: estou desempregado.
Se os economistas quisessem melhorar suas análises, até mesmo diante do problema da previdência, consideraria a estratificação do desemprego por faixa etária e, poderiam concluir o quanto do modelo proposto, tornará a aposentadoria improvável, já que na faixa acima de 40 anos, a probabilidade de retornar ao mercado, independentemente da formação e experiência, é muito menor.
Mas retornando ao seu artigo, aprecio muito por conta do abandono ao menos parcial dos modelos econométricos, mas ainda falta aproximar mais do aspecto comportamental dos agentes, que interfere nos seus modelos. Já leu o livro misbehaving do Thaler? recomendo a leitura. Creio, irá enriquecer seus modelos.
Por ora, gostaria de considerar alguns pontos em relação a todo seu modelo, que é o trade off. Seu modelo induziu me a relembrar a armadilha de Nash, pois os movimentos de um agente, sem a adequada resposta do outro, haverá desequilíbrio e com isto, apenas um, no máximo dois, ganham.
Como a natureza da perda é algo dificilmente digerido, ninguém fará o movimento que possa conduzir a este risco. Logo, o problema do modelo é que a má vontade de um agente, anulará os esforços.
Não acreditam? veja, se o governo desonera a carga tributária, é mais provável que o empresariado aproveite para ampliar sua margem, do que gerar empregos ou consumo via aumento da remuneração.
Se ampliamos a capacidade de consumo via crédito, há o inegável risco do empresariado não ampliar os investimentos para suportar a demanda, bastando apenas aumentar o preço para capturar essa circulação maior.
É parte da mística da eficiência, do obter maior resultado com menor gasto. Crença tão poderosa que atinge qualquer espectro politico indiscriminadamente, ainda que favoreça fundamentalmente, o capitalismo.
Tenho comigo que a razão do sucesso do Plano Real foi a insatisfação da população com aquela situação. Lembro, como executivo na época, que estávamos fartos daquela instabilidade, da ausência de parâmetros racionais. Era preferível um fim com horror do que o horror sem fim (Goethe), como se viu até com o Collor, quando inicialmente aceitou-se a tunga como sacrifício para um fim. Depois que se descobriu que os sacerdotes saquearam o esmoler, a revolta foi grande. A sagacidade do André Lara em utilizar o URV (tabelamento móvel) foi genial. Ele simplesmente manteve aspecto de preço absoluto para referencia enquanto ocultava a real variação de preços (tabela de conversão).
Mas repito: só foi possível porque estávamos fartos. Ninguém mais achava engraçado receber agora e correr para o mercado e fazer compras do que visse, já que ao final do dia, ninguem saberia os preços.
Agora, para vencer este impasse que apontei, somente uma vontade geral, cansada dos desatinos que os desatinados estabeleceram.
Somente quando a população compreender claramente que o inimigo não é o governo, mas aqueles que manipulam o governo e a população para atender aos seus interesses. Ou em uma crise de iluminação (algo provável, acredite) resolvam que é momento de dar trégua para que não percam os dedos.
Seu modelo é, em minha modesta opinião, límpido. De clareza quase irrefutável, mas que não considera estas disposições, estes comportamentos e vieses.
Cabe a um grande estadista, neutralizar esses vieses por poderosa negociação.
Aonde estão essas pessoas?
romanelli
10 de abril de 2019 5:11 amHá mais de década q vc sabe q pensamos igual ..mas
..mas por não ter colocado em suas análises os atos políticos DELIBERADOS que visaram corroborar com os erros de Dilma pra que chegássemos aonde chegamos (refiro-me a lava jato e seus efeitos dantescos e nocivos) ..então só te dou nota cinco
Em tempo ..entenderia se vc argumentasse q a inclusão desta variável complicaria em demasia o entendimento, para o leigo, do ocorrido ..de QQ forma fica o registro
Anabi Resende Filho
12 de abril de 2019 11:32 amNão, Romanelli, se ele fosse fazer isso perderia a clareza cristalina com que se expressou. Economicamente, “apenas”.
Tinha – ou ainda tem – um economista cubano, Carlos Rafael Rodriguez, que dizia que resolveu aprender economia para não ser enganado pelos economistas. E o nosso Paulo Francis gostava de repetir que nos países ricos economista nunca vira ministro da Fazenda, tarefa destinada a quem “sabe pegar o boi pelo chifre”. Lá, eles atuam para redigir documentos, a fim de evitar ambiguidades, dizia ele.
É isso aí, não?
AMORAIZA
10 de abril de 2019 12:52 pmSua exposição é de uma clareza meridiana. Não há como não entender o que acontece e fazer as associações cabíveis nesse círculo satânico que se retroalimenta.
O que a gente não quer admitir é que esse modelo é de absoluto sucesso e a que providência de ” contenção das despesas” – satisfação para o público para dar a impressão de que o governo “se preocupa” – é não só necessária quanto desejada pelo capital para gerar lucro.
O capital cria as suas próprias razões para se reproduzir, e elas se fundam, necessariamente na expropriação do outro através dos juros. Assim, não é interessante que haja governos com economia equilibrada e estável. Eles não dão lucro.
Há que se criar crises e colocar pessoas incompetentes para administra-las de modo a se se tirar proveito da confusão causada e ao tempo distrair a atenção das vítimas e entidades do fato de que elas estão sendo roubadas.
Fábio de Oliveira Ribeiro
10 de abril de 2019 2:39 pmSua análise é muito sofisticada. Bolsonaro não tem qualquer sofisticação. Ele é apenas um Lobsang edipiano (ou Edipo lobsanguiano), cujo terceiro olho nasceu no lugar do cu. Ele quer matar o pai (o Brasil) para foder a mãe (nossa economia). A fantástica biologia do desenvolvimento espiritual dele explica inclusive porque Bolsonaro só consegue ver conspirações gayzistas quando o olho que ele tem no cu se abre e pisca.
Boeotorum Brasiliensis
12 de abril de 2019 10:41 amEstamos todos aqui a pregar a convertidos. Não creio que economistas ortodoxos e conservadores em geral sejam leitores assíduos do site. Mas, its never matters, at least for me. So, we go ahead.
Há tempos, desde antes do paper produzido por economistas do Banco Mundial, aquele antro de heterodoxos e outros tipos de comunistas, entitulado Neoliberalism: Oversold (https://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm) vemos economistas como o prêmio Nobel. Joseph Stiglitz esbravejar contra a desigualdade, a concentração absurda de riqueza e renda e a financeirização desbragada e desesperante causadas pelas práticas neoliberais. O mundo observa isso desde os anos 80, desde Reagan e Tatcher e até há pouco impávida ou bovinamente passivo.
As coisas parecem estar mudando. Ainda de maneira muito incipiente. Mas vale a penas oberservar e ficar de olho no que ocorre nos Estados Unidos. Há uma corrente política liderada por Bernie Sander e Ocasio-Cortez fazendo muito barulho e com grande repercussão por lá. Ataca de frente o neoliberalismo e o capitalismo americano, defendendo abertamente o socialismo democrático como alternativa de poder. Somente o fato de se declarar socialista no congresso americano e não virar cinzas em meio a autocombustão já é sinal de mudança. Mais ainda é ser popular e, ainda mais é ser popular em meio ao pessoal da Wall Street (o que pode preocupar), quando defendem uma radical mudança na politica econômica aplicando a chamada Teoria Monetária Moderna. Alguns chamam de maluquice, outros veem como solução. O fato é que maluquice é continuar a seguir o modelo que nos trouxe até aqui, à beira de um ataque mundial de nervos, com consequências previsíveis. Isso torna o momento atual no Brasil mais e mais distante do que se entende como tendência de progresso social e econ^mico e nos mantém presos a um modelo falido ouvindo pessoas cuja visão de mundo não vai além do saldo de sua conta de investimentos.