21 de maio de 2026

A face cruel e fracassada das políticas pós-2015, por Luís Nassif

Em todo esse período, vendeu-se a quimera de que bastaria equilibrar o orçamento - através de cortes profundos nas despesas - para cair a curva futura de juros e o investimento transbordar

O que aconteceu com o emprego brasileiro, depois de 7 anos de políticas ultraliberais, privatização, reforma trabalhista, reforma da Previdência. Como se recorda, toda a mídia ecoava o mercado e dizia que, se fosse feita a lição de casa a economia se tornaria mais eficiente, geraria mais e melhores empregos, e todos seriam felizes.

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Vamos a algumas comparações a partir da última PNADM (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Mensal).

Em comparação com nov-jan de 2015, o quadro fica assim:

  1. A População Economicamente Ativa (pessoas em idade de trabalhar) cresceu 12,6 milhões de pessoas. 
  2. A Força de Trabalho (população efetivamente atrás de emprego) aumentou apenas 7,9 milhões. Cria-se uma primeira defasagem aí.
  3. Mas a Força de Trabalho efetivamente empregada aumentou apenas 2,7 milhões.
  4. Já a Força de Trabalho desempregada aumentou 5,2 milhões.
  5. E o pessoal fora da Força de Trabalho cresceu 4,7 milhões.
  6. A soma de Desocupados + Fora da Força de Trabalho cresceu 9,9 milhões e representa inacreditáveis 44,7% de toda a População Economicamente Ativa.

Confira os números gerais, comparativamente, entre nov-dez-jan de 2015 e nov-dez-jan de 2022.

A Força de Trabalho aumentou 7,860 milhões de pessoas. Mas o emprego aumentou apenas 2,685 milhões. Por isso, a Força de Trabalho desocupada aumentou 5,175 milhões e o contingente Fora da Força de Trabalho aumentou 4,706 milhões.

O mesmo quadro, em termos percentuais, como proporção da População Economicamente Ativa. A Força de Trabalho ocupada caiu de 58% para 55,3%; a Força de Trabalho desocupada aumentou de 4,3% para 7%.

O desfecho é a explosão de Desalentados na Força de Trabalho – ou seja, aquelas pessoas que simplesmente desistiram de procurar empregos.

E também de Desocupados e Subocupados (os que vivem de bico).

Confira que não se trata de uma obra única de Paulo Guedes, mas de um trabalho sistemático de mercado que vem desde Joaquim Levy, o último Ministro da Fazenda de Dilma Rousseff.

Em todo esse período, vendeu-se a quimera de que bastaria equilibrar o orçamento – através de cortes profundos nas despesas – para cair a curva futura de juros e o investimento transbordar.

Obviamente nada disso aconteceu. O corte de despesas acentuou ainda mais a queda da economia e a reforma trabalhista veio acompanhada de ingredientes de crueldade social – como matar qualquer possibilidade de acesso dos trabalhadores à Justiça do Trabalho além de quebrar a perna dos sindicatos.

A pandemia e os erros de Guedes vieram apenas acentuar os vícios de um modelo que fracassou.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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5 Comentários
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  1. José Carvalho

    21 de março de 2022 8:02 am

    Os processos de intensificação da precarização do trabalho no Brasil,é o resultado de um longo caminho trilhado pelo País. Ao não se qualificar na medida do adequado, fazendo parte ou sendo vítima da globalização; optou-se por colher as consequências geradas pelas escolhas equivocadas. Os impactos são sofridos principalmente nas parcelas menos qualificadas dos trabalhadores, que além da baixa empregabilidade tem na redução dos direitos trabalhistas maiores motivos para buscar a informalidade.
    A falta de uma economia numa condição evolutiva dinâmica, e que necessite de constante busca por aprimoramento, tem condenado o País a uma sub-condição. Existem ilhas aqui e acolá, entre tantos e vários setores e empresas, numa melhor condição, mas irrisórios às precisões. São os caminhos e as consequências do percurso.
    Como um atleta dotado de potencial, faz a escolha do que quer, se a disputa por pódio e portanto o condizente esforço para evoluir seu desempenho na suficiência em obter esses resultados. Ou se apenas fará participação nas competições. Seu primeiro compromisso à partir dessa escolha é com ele mesmo. Tem que apresentar os índices para disputar pódio.
    Sem estímulos, até mesmo os formados com curso superior entram nesse mundo da subocupação e da informalidade. Cujos resultados ao País é o mesmo; ladeira abaixo. Não é a precarização de baixo que produz a de cima. Mas o inverso. Quando em cima não existe toda a interação de vida que leva ao melhor, tudo o que está abaixo é afetado.
    Resta apenas a busca pela sobrevivência; não há perspectivas em desenvolver-se profissionalmente com o consequentemente desalento. Caso o País não decida por se desenvolver, e só fará isso com investimentos. O rumo do Brasil será o fundo do poço, não apenas para a população dos trabalhadores, mas também das empresas. Produtividade e competitividade ficam somente nos argumentos.
    É necessário qualificar o País.

  2. Antonio Uchoa Neto

    21 de março de 2022 9:34 am

    Bom, pelo menos os robôs na imagem que ilustra esse post ainda não são/estão desalentados. Mas, em breve…

    Porque o novo Deus, e o segundo que nos escolheu como seu povo, dentro dessa nossa idiossincrasia judaico-cristã – onde não é o povo que escolhe ou consagra uma divindade, mas o contrário (curioso, não?) – não se preocupou com antropomorfismos, não deu a menor importância à imagem ou semelhança. O Algoritmo não tem imagem nem semelhança com nada nem ninguém. Como o Outro, ele é o princípio e o fim, e é Tudo – o que inclui, naturalmente, o nada. E o que é melhor – e mais prático – não se parece com nada, e com ninguém, e, portanto, é o tudo, e é todos. Porque a imagem é uma coisa, mas a semelhança é um conceito vago e variável. Os nossos amigos europeus, que, pelo menos até agora, estão de braços abertos aos seus semelhantes ucranianos – brancos de olhos azuis, e, o que é melhor ainda, cristãos – que o digam; mas, quando se tratou de abrigar refugiados mais moreninhos, de fisionomia mais angulosa, praticantes de cultos um pouquinho diferentes, os braços não se mostraram tão acolhedores…e quando os ucranianos deixarem de ser propaganda favorável, e começarem a pesar no orçamento nacional, hummm…

    O ilustrador da imagem nesse post ainda tem em mente uma visão antropomórfica do mundo. Não há outra, é claro: somos os embaixadores plenipotenciários do Criador, neste mundo. Mas há um novo deus à solta, por aí, e, consequentemente, há uma nova paixão humana à solta por aí – o que Joseph Conrad considerava o maior perigo possível aqui, em nosso planeta. Li sobre isso há quase quarenta anos – em “O Coração das Trevas” – e até hoje não consegui desmenti-lo.

    E esse novo deus não tem imagem, nem semelhança: o Algoritmo.

    Os seres humanos estão em vias de se tornar desnecessários – ou quase isso – na cadeia de produção e reprodução do capital. Quando todos os prazeres e desejos dos homens puderem ser, integralmente e sem qualquer prejuízo, satisfeitos virtualmente (e alguém ainda duvida que estamos a caminho disso?), nos tornaremos sucata. E os andróides, os robôs com forma humana, tornados obsoletos ainda antes que nós, já terão baixado a cabeça, sob a chuva, murmurando: “Hora de morrer”.

    Palavras de um desalentado, misturando alhos com bugalhos, envolto nesse noticiário deprimente de guerra, desemprego, etc., que quer – e não consegue – deixar de sê-lo.

    Hora de morrer?

  3. Rafael Ramos

    21 de março de 2022 8:15 pm

    Há poucas coisas a acrescentar a esse texto. Uma delas, que o Nelson Barbosa foi o último ministro da fazenda da Dilma. Outra, que o Guedes é últrapassado e a grande mídia passa a ideia que há um pensamento único na economia, fruto de um neoliberalismo cultural nas universidades dessa disciplina.

  4. Moacir R. de Pontes

    22 de março de 2022 6:40 pm

    O modelo não fracassou para nossos rentistas… pelo menos por enquanto.

  5. Fred Ghedini

    30 de março de 2022 12:36 pm

    Importante advertência aos governos pós-destruição.

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