A falsa relação entre redução das desigualdades e preservação ambiental, por Luis Nassif

A inclusão deve obrigar a uma radicalização nas outras formas de preservação ambiental.

O sociólogo e economista Marcelo Medeiros deu uma entrevista instigante ao Valor. Nela, diz ser impossível reduzir a desigualdade pelo modelo atual de crescimento.

Sua lógica é simples:

  • O mundo está perto do esgotamento de seus recursos.
  • Há uma enorme desigualdade de renda. Mas qualquer tentativa de melhoria na situação dos mais pobres acelerará mais ainda o esgotamento das reservas, se a redução da desigualdade se der em ambiente de crescimento econômico.
  • Como os mais ricos são os grandes consumidores de recursos naturais, o único caminho seria reduzir o crescimento e a desigualdade. Assim, os mesmos recursos seriam repartidos por mais pessoas, sem esgotar os recursos naturais.

A redução das desigualdades é fundamental por diversos motivos. Mas não como condição essencial para o meio ambiente.

A razão é simples.

Apenas um percentual da renda dos mais ricos se destina ao consumo. Quanto mais rico, mais a parcela maior de renda se destinará a acumulação e ao reinvestimento. Já a renda do mais pobre se destina totalmente ao consumo.

A explosão do consumo de commodities, alimentos e minérios, nas últimas décadas, se deveu ao enorme processo de inclusão ocorrido nos BRICs, especialmente na China e na Índia.

Evidentemente, a única forma de reduzir desigualdade não é a renda. O orçamento público pode ser um formidável indutor de distribuição de renda indireta, ampliando os gastos com saneamento, educação, saúde, renda básica. Mas este é o primeiro passo da inclusão. O segundo passo é a autonomia financeira da família e sua entrada no mercado de consumo.

Não significa que se deva reduzir o ritmo de inclusão, para não exaurir as possibilidade do planeta. Significa que a inclusão deve obrigar a uma radicalização nas outras formas de preservação ambiental.

A segunda grande dúvida é a distribuição de renda sem crescimento. Lula conseguiu tirar 40 milhões de família da miséria porque, na outra ponta, o crescimento da economia permitia ganhos para os diversos setores econômicos. E aí se entra em um campo político, desconsiderado tanto por Medeiros como por André Lara Rezende, outro defensor da tese do não crescimento.

Já se formou um consenso entre a Nova Esquerda europeia que não se consegue reduzir a desigualdade através de política fiscal, porque o poder político acumulado pelos donos de capital impede qualquer avanço.

Em um país de mentalidade colonial, como o brasileiro, o quadro é muito mais complexo.

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Caro Nassif, Gostaria de entender melhor teu raciocinio. Nao valeria convidar o Marcelo medeiros para um debate? Trabalho com gestão de residuos, não sou economista, e gostaria de entender o que ha de inadequado nesse raciocinio: 1. O crescimento econômico demanda incessantemente recursos naturais. 2. A demanda de recursos cresce incesantemente 3. A pegada material per cápita nos países de alta renda é muitas vezes maior que nos países de baixa renda. 4. Ha indicadores de que se ultrapassou límites de sustentabilidade 5. Portanto é necessário diminuir a extração e processamento de recursos naturais a níveis que não comprometam os sistemas de manutenção da vida e investir em processos regenerativos. 6. Sem a estória do bolo que cresce no futuro, se destaca o tema da distribuicao do que se tem no presente.

30 comentários

  1. Nassif, reduzir a população, antes que a catástrofe ambiental a faça. Não entendo porque não escuto o tema demografia na discussão ambiental, me parece tão cristalino.

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    • Não escuta o tema demografia na discussão ambiental simplesmente porque é falsa a hipótese. Todo o pais que diminuiu a desigualdade naturalmente diminuiu a natalidade, ou seja, não é a demografia que comanda a desigualdade, ao contrário a causa é a pobreza e a miséria, o efeito é o aumento da população e não o inverso.
      Mesmo sem grande redução da desigualdade a taxa de natalidade no Brasil despencou, procure se atualizar no lugar de dizer bobagens.

      • Ola Rogerio, agradeço pelo seu “sábio” esclarecimento, mas estou falando de quantidade de pessoas num espaço limitado, no caso, o nosso planetinha. Ou vc conseguirá me convencer de que 10 bilhões de pessoas podem continuar consumindo Água que não irá haver problema algum. 10 bi é a projeção da ONU para daqui a 31 anos. Entao, como demografia não tem a ver com a discussão sobre sustentabilidade?

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        • Espaço para gente, tem. É só olhar a absurda concentração de pessoas nas metrópolis. Há países em que a população está mais bem distribuída, em que não há absurdos como São Paulo, Cidade do México etc.

          Essa concentração é um dos misteres do capitalismo. A ideia do capitalismo é concentrar, não distribuir e isso não se restringe à concentração de poder político ou econômico. Induzir as pessoas a adotarem padrões de comportamento o mais uniformes possível favorece o consumo. O capitalismo precisa do efeito manada.

          Agora, consumo de água? Tenho a impressão de que a grande vilã não é a pessoa que mantém a torneira aberta enquanto escova os dentes, hein? Aliás esse negócio de “não jogue garrafa PET no rio” é bom para aterrorizar a burguesia, que adora uma culpazinha principalmente para policiar o vizinho, mas já viu o que poluem as indústrias? O que consomem de água, energia elétrica e muito outros itens cuja racionalização é sempre encarada como “você está querendo impedir meu negócio de crescer!” Definitivamente a grande responsabilidade pelo exaurimento de recursos e poluição do meio ambiente não é da pessoa comum. A pessoal comum usa em quantidades pessoais; a indústria em quantidades, ué… industriais.

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  2. E vendo a triste imagem da foto onde muitos, para sobreviver catam coisas nos lixões, vê-se que até isto está em risco. Vai ter mais pessoas comendo do lixo, pois viver de tirar renda do lixo colapsará em breve, já que a China que comprava mais da metade do lixo reciclável do planeta deixou de fazê-lo e isto vai fazer cair mais o preço do quilo de recicláveis, tornando-os mais abundantes nas naturezas terrestres e marinhas.

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  3. Nassif, parabéns por trazer para discussão este tema. A impossibilidade de crescimento econômico por tempo indeterminado já é conhecida há muito tempo. Há quem diga que só sendo economista para acreditar em crescimento econômico indeterminado. Tudo o que gera riqueza no mundo, inclusive serviços, tem a ver de alguma maneira com recursos naturais, alguns dos quais em ritmo acelerado de esgotamento. Fico pensando que no Brasil, as propoatas mais sensatas para a economia, apresentadas na última eleição presidencial, eram daquele tipo desenvolvimentista tradicional, tipo fazee crescer a economia que o resto se ajeita. O Ciro, por exemplo, volta e meia faz de pouco da questão ambiental. Imagino que aprenderemos pela dor, não sei quando mas logo, no momento em que o meio ambiente estiver irremediavelmente degradado e nenhum crescimento econômico salvará nenhuma nação. Precisamos no entender como apenas mais uma espécie, e não a única, a habitar o planeta. Assim, o entendimento de que dependemos de um ambiente equilibrado para sobreviver vem a reboque, junto então com o respeito as demais espécies e ao ambiente como um todo. Mais ecologia e menos economia.

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  4. Exatamente Nassif, quem convence algum rico a abrir mão de algum dinheiro, de algum rendimento, ou de alguma fração de patrimônio? Fica a questão: estarão os mais ricos dispostos a abrir mão dos excedentes de riqueza para resolver a crise planetária de forma “civilizada”, ou persistirá a ganância e o egoísmo, o que conduzirá a crise a um desfecho selvagem?

    • “Já se formou um consenso entre a Nova Esquerda europeia que não se consegue reduzir a desigualdade através de política fiscal, porque o poder político acumulado pelos donos de capital impede qualquer avanço.”

      Não abrirão mão. Ninguém abre mão do que tem, ninguém. Se os donos do capital impedem redução das desigualdades porque têm poder político, sem tirar esse poder dessas pessoas continuaremos afundando na incivilidade. Como ninguém abre mão do que tem, só arrancando esse poder, à força mesmo.

      E parece que essa tal de Nova Esquerda européia não é socialista, de forma alguma. Sem ser através da política fiscal, reduzir as desigualdades como? Através do consumo? Isso, entre outros, o PT tentou e todo mundo viu o que acontece: pobre elevado à classe média perde consciência de classe, vira pobre de direita ou, em outras palavras, coxinha. Poder de consumo entorpece. Poder de compra não é poder político. Parafraseando o poeta, “a gente não quer só comprar, a gente quer”… se desenvolver, evoluir, civilizar-se, realizar o potencial humano inato a todos nós, construir um mundo bom. Sem luta mesmo infelizmente isso não vai acontecer. Quem abre mão do que tem?

    • Tem é que tirar o poder político dos donos do capital, isso sim, por bem ou por mal. Ou então continuarmos nessa senda de engambelarmo-nos uns aos outros, entorpecidos, “mudando” (mas só na aparência) para continuar tudo igual.

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  5. Caro Nassif,

    Gostaria de entender melhor teu raciocinio. Nao valeria convidar o Marcelo medeiros para um debate?

    Trabalho com gestão de residuos, não sou economista, e gostaria de entender o que ha de inadequado nesse raciocinio:

    1. O crescimento econômico demanda incessantemente recursos naturais.
    2. A demanda de recursos cresce incesantemente
    3. A pegada material per cápita nos países de alta renda é muitas vezes maior que nos países de baixa renda.
    4. Ha indicadores de que se ultrapassou límites de sustentabilidade
    5. Portanto é necessário diminuir a extração e processamento de recursos naturais a níveis que não comprometam os sistemas de manutenção da vida e investir em processos regenerativos.
    6. Sem a estória do bolo que cresce no futuro, se destaca o tema da distribuicao do que se tem no presente.

  6. quer dizer q toda a destruição ambiental está relacionada à igualdade material entre os cidadãos?

    é muita parvoíce. mais um discurso para mantença do status quo com o cavalo de troia do meio ambiente. como se a Terra não tivesse milhões de anos de existência à frente…

    e a propósito Aziz Ab Saber era um dos qur questionavam o aquecimento global…
    e não há registros nos anais q fosse de extrema direita…

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      • o excedente de produção e a falta de planejamento familiar somado a isso a falta de segurança alimentar são fatores a serem considerados ao se tratar dos mais carentes. associar a derrocada do meio ambiente à distribuição equitativa do q se produz parece, parece!, um subterfúgio da especulação financeira manter-se inquestinável. até q haja a migração dos mais ricos a outros planetas…

        apud https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Last_and_First_Men

        https://en.m.wikipedia.org/wiki/Last_and_First_Men

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        • Recorrer à Barsa Moderna, não necessariamente é o melhor caminho. Se permite posso lhe mostrar outra perspectiva para você avaliar: a expansão desenfreada do consumo de proteína animal. Você tem ideia quanto um frango consome de água numa linha de produção? quanto este animal e outros animais, consomem de água, tanto para serem produzidos, quanto para sobreviver? Não somos a única espécie que demanda água. Voce sabia que a indústria consome quase 2/3 de toda água produzida? Seu conceito de redução parte do lado inverso da equação, pois a indústria deve servir às pessoas e não o contrário como é hoje. Logo, deve-se reduzir o esforço industrial e encontrarmos melhores e mais moderadas de alimentação, consumo e comportamento.

          • Acrescentaria: há um comercio internacional de “água virtual”. Porque será as commodities que demandam uso intensivo de água e energia estão ficando para o Brasil? Esta é uma questão de segurança hídrica! Mas este debate não é para o Brasil, certo? Se não conseguimos ver isso na questão das florestas (que são reais) que diria dos fluxos virtuais?

  7. A conta dele despreza que a “preservação” não é atividade neutra.
    Ou seja, a tecnologia de produção menos destrutiva também gera riqueza e valor.
    Em suma: é politica a decisão, por exemplo, de reverter os enormes ganhid da economia digital em favor da distribuição de renda auferida.
    Incluindo aí a remuneração do ócio gerado pelo desemprego que tais novas tecnologias geram.
    Mas sso é anticapitalista?
    Pois é…

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  8. Esse economista devia ser PRESO ..basicamente este “!consumo” pegaria em insumos recicláveis ou em COMIDA e/ou derivado de safras NÃO EXTRATIVAS.
    Absurdo ..aqui por exemplo, há muita terra ociosa (ande por MG e reflita) ..terra (latifúndios hereditários) desperdiçada, ora em pastos desérticos, ora terras mal tratadas ou condomínios VAZIOS de portas fechadas aguardando só as temporadas e o êxodo das grandes metrópoles. (uma mentalidade de chacrinha que deve ser COMBATIDA em toda região SUDESTE do BRASIL e BAHIA)
    Malthus, diante do avanço tecnológico, errou feio ..eram outros tempos ..já esse cara, é uma ofensa ao bom senso ..ademais aqui é aquilo, cada país tem suas próprias características e DESAFIOS

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  9. contra-reforma da Previdência aprovada em 1o. turno no Senado, avançando velozmente a brutal implementação do projeto BolsoNazi: aumento exponencial das desigualdades sociais e da destruição ambiental.

    e a Ex-querda? catatônica e apoplética. cretina e traidora.

    sempre se pautando como se houvesse firmado um acordo com a classe dominante, muito embora esta quanto a pacto e conciliação nem sequer ofereceu um mínimo esboço de intenções.

    e ainda pior: uma Ex-querda sempre a espera da volta de D. Sebastiào, aquele que foi, sem nunca ter ido.

    enquanto o país, sua população e o meio-ambiente são destroçados, o debate é em torno da tornozeleira de Lulinha, sempre Paz e Amor.

    “o cara” já deu várias entrevistas, sem em nenhuma delas convocar os Bacuraus para o vôo.

    muito até pelo contrário. não se cansa de repetir que “acredita na Justiça”…

    este é um site, um espaço virtual, no qual Lula desfruta, e sempre desfrutou, de enorme prestígio. por isto, é aqui que precisa ser registrado, apesar de ser antipático e inconveniente:

    – LULA É UM MAL PARA O BRASIL! SEM NOS LIBERTARMOS DO FANTASMA DE LULA, JAMAIS SEREMOS CAPAZES DE LUTAR POR SOBERANIA.

    Lula já provou ao longo da História, e repetidamente no passado recente, que nunca será a liderança a organizar a luta pela Independência do Brasil.

    e ainda muito pior: Lula nada aprendeu com os assassinatos de JK, Jango, Lacerda, Castelo Branco, Costa e Silva, além das dezenas de tentativas de eliminar Brizola.

    dentro ou fora da prisão, com ou sem tornozeleira, tendo ou não um acordo, Lula corre, e sempre vai correr, sério risco de vida.

    e contra isto, não terá na Paz e o Amor uma defesa eficaz.
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    • Surtou, Arques?
      Como você propõe que a ex-querda se recomponha nas circunstâncias de ódio, mentira e desordem jurídica em que vivemos?
      Como, em sã consciência desconheceremos a firme, ousada e inacreditavelmente desafiadora liderança de Lula enquanto agressividade passiva?
      Quem você apontaria capaz de reorganizar uma esquerda eficiente e eficaz neste momento?
      Lula só não superou JK porque nenhum dos putos que o encarceraram teriam peitos ou colhões de estourarem seus miolos em praça pública.

  10. Pois é. O capitalismo e suas escolhas de Sofia. Se concentrar quebra. Se distribuir destrói??? Desenvolvimento não é crescimento. O PIB cresce e a desigualdade aumenta. É necessário mudar o capitalismo caspita. Leia os artigos do próprio GGN…

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  11. A explicação da questão do crescimento e da desigualdade não será respondida por economistas heterodoxos e muito menos ortodoxos. Depois de 2008 estão todos completamente perdidos. A questão fulcral é que a única maneira de distribuir renda (e não riqueza, que nunca se distribui) no sistema capitalista é por meio do crescimento econômico.

    Mas existem dois empecilhos. Primeiro, o crescimento implica em aumento de produção de mercadorias e pressiona o meio ambiente, já em estado calamitoso. Segundo, o sistema entrou numa situação de estagnação econômica, que os governos não estão conseguindo reverter, mesmo com política keynesianas, como as aplicadas por Alemanha e China.

    Os únicos economistas capazes de explicar tal situação com teorias que fazem sentido e não contrariam os dados empíricos são os marxistas, mas ninguém quer ouvi-los. E não se quer ouvir os marxistas porque o que eles dizem é que o capitalismo está num beco sem saída. Se ele não arrumar uma forma de crescer, a paz social e a queda de lucratividade vão levá-lo ao colapso. Se o crescimento for retomado nos termos capitalistas e mais pessoas entrarem no padrão de vida classe média consumista é o meio ambiente que não aguentará.

    A solução que resta, dizem os marxistas (e ninguém quer ouvi-los, ainda) é mudar a sociedade para algum tipo de comunismo, não à maneira soviética, mas de uma forma em que as decisões sejam planejadas e executadas de forma partilhada pelas comunidades, de forma a atender as necessidades de todos sem consumismo e, portanto, degradar o meio ambiente. Seria necessária uma revolução, mas não política, e sim antropológica, da qual nasceria um novo ser humano, ancorado em valores como a solidariedade, a cooperação e o coletivismo, em oposição ao egoísmo, competição e individualismo atuais.

    É isto ou a barbárie que já se anuncia no neoliberalismo predador das corporações e na praga neofascista que se espalha pelo mundo.

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    • Perfeita a análise, num verdadeiro sistema socialista não se pode reproduzir “a maneira soviética de produção” que era uma cópia da capitalista. Isto foi diagnosticado já na época que a FIAT introduziu uma fábrica na União Soviética e tanto o produto como o modo de produzir (com as relações de comando dentro da fábrica) era uma cópia da FIAT italiana.

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  12. Pelo menos por enquanto é sem chance reduzir desigualdade sem crescimento.
    Sem contar que essas medidas de desigualdades geralmente são muito sub avaliadas, no geral é muito mais fácil medir renda e patrimônio de quem nada tem do que medir dos que tem muito, as medidas ficam escondidas neste segundo caso.
    Creio que o que se deve buscar é o aumento tecnológico, para se pode crescer usando menos recursos e menos devastação ambiental, é a única possibilidade de uma maior inclusão e redução das desigualdades.

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  13. Agradeço ao Nassif por essa analise. A entrevista de Marcelo Medeiros repercutiu nas redes sociais e tem muita gente (de esquerda) achando que ele esta totalmente certo.

  14. Meu avô era um marceneiro e carpinteiro que com grandes dificuldades (para os parâmetros atuais) criou sua família. Costumava dizer aos netos que devíamos ser homens honrados, pois ele mesmo se recusava a cumprimentar alguém que mesmo rico, houvesse alcançado tal posição às custas da exploração descarada.
    Em 1974, Celso Furtado e outros, já alertavam sobre o “esgotamento dos recursos naturais” ou “exploração descarada”, decorrente do tantálico padrão de consumo dos habitantes dos “países desenvolvidos”.
    À medida que os padrões de consumo de todos os países igualitariamente vai se aproximando do tal padrão “desenvolvido”, acelera-se o esgotamento dos recursos e seus efeitos como poluição ambiental.
    Questiono: reduzir a desigualdade elevando o padrão de consumo de todos, é a solução? É a elevação deste padrão que nos torna menos desiguais? qual a medida da dignidade humana? qual nível de propriedade nos satisfaz?
    Utilizar renda como padrão de medida das desigualdades, parece de uma miopia pavorosa, pois precisamos todos de US$ 60 mil anuais? Isto nos tornará mais iguais?
    Porque não declaramos os valores, as posses que nos tornam iguais? Ah sim, o mito capitalista diz que devemos sempre querer mais, mais, mais, mais, mais, mais…
    E aparentemente, nem por isto, nos tornamos iguais.
    Qual é a medida de uma vida digna, senhores? vale a pena continuar vivendo sob os padrões que assistimos hoje?
    É hora de refundar e limitar nossas ambições.

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  15. Licença para matar o clima, por Norbert Trenkle.
    Fundamental. Avassalador.
    Escrevo aqui para parabenizar o GGN por publicar o artigo de Norbert Trenkle.
    Não encontrei outro local para comentar. Então deixo meu comentário aqui.
    Acredito que o artigo vem de encontro ao que foi publicado ontem pelo Nassif: A falsa relação entre redução das desigualdades e preservação ambiental.

  16. Em tempo: a titulo de colaboração para o debate, para o caso do consumo de energia, vale lembrar que há grupos de estudos olhando para além da “eficiência” e falando na “suficiência” energética. Veja este grupo francês por exemplo: https://negawatt.org/en. Além disso, há iniciativas em vários países pensando na certificação de produtos e serviços com foco na atenção às necessidades dos usuários e não nos equipamentos (infraestrutura de serviços). É claro, há a dificuldade de se definir o que seja a “necessidade básica do cidadão médio” mas, no entanto, a Agenda 2030 vem avançando na customização de indicadores que respeitam as especificidades de cada região e sociedade. Também é o caso da certificação Well americana (https://www.wellcertified.com/) e do grupo de estudo https://www.humancentriclighting.org/.

  17. Aparentemente essa premissa de que evitar o crescimento econômico evita um colapso dos recursos naturais é perfeita… para os rentistas que independem da economia real e obtém ganhos astronômicos no cassino do sistema financeiro.

  18. + comentários

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