5 de junho de 2026

A hora de radicalizar o papel da pequena empresa, por Luís Nassif

Se o Ministro Márcio França tiver tirocínio, poderá abrir caminho para o início da grande revolução produtiva

O Nobel de Economia Joseph Stiglitz tem sido claro em suas palestras e livros. Vive-se um momento de corte na história do capitalismo. Chega ao fim a era do neoliberalismo selvagem que, a exemplo do período iniciado nas três últimas décadas do século 19, levou à desregulamentação de todos os mercados, ao fim do padrão ouro, à liberdade total ao capital financeiro, gerando o chamado capital gafanhoto, que invadia os países, destruía a economia produtiva, ganhava nas arbitragens de preço e, depois, ia cevar outros países.

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Só que esse modelo legou grupos politica e financeiramente influentes. E o desmonte, a legitimação de um novo modelo, com ênfase na produção, na geração de emprego, no investimento em tecnologia e inovação, exigirá medidas drásticas.

Mas como ser drástico em um país com o Congresso dominado pelo Centrão, o Supremo Tribunal Federal tendo sido peça ativa no desmonte do Estado e dos direitos sociais, uma mídia com absoluta incapacidade sequer de divulgar o debate econômico que ocorre em nível global. A discussão econômica tornou-se uma enorme pregação de papagaios, repetindo mantras do mercado financeiro, misturadas com ecos da guerra fria?

Mas há um caminho a percorrer, que passa por colocar as PMEs (Pequenas e Médias Empresas) no centro das políticas públicas. O grande caminho de Lula será utilizar seu poder de mobilização para levantar a bandeira da PME e do empreendedorismo – não do jovem que se forma em engenharia e vai para o mercado financeiro, mas do empreendedor que ergue empresas, cria empregos, aposta no seu crescimento permanente.

E, para tanto, há um caminho pronto, com um conjunto de ativos nacionais preciosíssimos, e pouco utilizados: as organizações nacionais, aquelas que cobrem todo o território nacional.

Alguns exemplos:

  • Confederações e Federações de Empresas
    • Confederação Nacional da Indústria
    • Federações
      • Sistema SESI e SENAI
    • Confederação Nacional do Comércio
    • Confederação Nacional da Agricultura.
    • Sebrae
  • Centrais Sindicais
  • Organizações sociais
    • Sistema cooperativo
    • Associações comerciais
    • Movimento dos Sem Terra
    • Movimento dos Sem Teto
    • Central Única das Favelas
  • Organizações públicas
    • Bancos públicos
      • Banco do Brasil
      • Caixa Econômica Federal
      • BNDES
    • Correios
  • Sistema de inovação
    • Ministério de Ciências e Tecnologia
      • CNpQ
    • Ministério da Educação
      • CAPES
    • Fundações de Amparo à Pesquisa
    • Laboratórios públicos e universitários
    • Embrapii
  • Grandes estatais
    • Petrobras
    • Eletrobras reestatizada

Agora, com o novo O Ministério da Pequena Empresa, das Cooperativas e do Empreendedorismo Individual, se o Ministro Márcio França tiver tirocínio, poderá abrir caminho para o início da grande revolução produtiva, devolvendo a autoestima ao empreendedor, dando voz às Confederações e Federações que se calaram ante o desmonte industrial do país.

E essa bandeira, pelo alcance que tem, poderá se impor junto ao Congresso, ao STF – que parece ter descoberto que sindicatos fortes são garantia de democracia – e os meios de comunicação.

Poderá ser a grande revolução, que permitirá aprofundar a democracia, legitimar o desenvolvimento e abrir espaço para enfiar um pouco de cérebro na cabeça da mídia.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. Flavio Emieni

    26 de setembro de 2023 10:22 am

    Taí um ministério desprezado com potencial para mudar o panorama econômico e social do Brasil. Um verdadeiro pré-sal, com a vantagem de ser descentralizado em milhares de pequenos negócios.

    Se Márcio França for esperto, vai consolidar um programa tão ou mais importante que o Bolsa-família e fazer seu nome.

    Se for mais esperto ainda, vai mirar o norte da Itália para aprender com o modelo fabril italiano, concentrado em centenas de parques de pequenas e médias, todas atuando em sinergia, baseadas no trinômio ‘tecnologia, inovação e design’.

    Se encontrar a vocação do Brasil e fomentar esses negócios, arrisco dizer que em 10 anos muda o cenário brasileiro.

  2. José de Almeida Bispo

    26 de setembro de 2023 4:52 pm

    A mídia, quanto à ideologia, sempre releasista, depois do fim da Cortina de Ferro, EM TODO O MUNDO, no Brasil, em particular se converteu em mero boletim. Ora partidário, ora religioso, identitário e econômico MONETARISTA. De vez em quando sobra um espaçozinho para o setor produtivo. MUITO POUCO. E release 24 horas por dia. E NOTÍCIA… nada! Tudo parece as ‘radjas’ político-partidárias dos coronéis do interior.

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