O Nobel de Economia Joseph Stiglitz tem sido claro em suas palestras e livros. Vive-se um momento de corte na história do capitalismo. Chega ao fim a era do neoliberalismo selvagem que, a exemplo do período iniciado nas três últimas décadas do século 19, levou à desregulamentação de todos os mercados, ao fim do padrão ouro, à liberdade total ao capital financeiro, gerando o chamado capital gafanhoto, que invadia os países, destruía a economia produtiva, ganhava nas arbitragens de preço e, depois, ia cevar outros países.
Só que esse modelo legou grupos politica e financeiramente influentes. E o desmonte, a legitimação de um novo modelo, com ênfase na produção, na geração de emprego, no investimento em tecnologia e inovação, exigirá medidas drásticas.
Mas como ser drástico em um país com o Congresso dominado pelo Centrão, o Supremo Tribunal Federal tendo sido peça ativa no desmonte do Estado e dos direitos sociais, uma mídia com absoluta incapacidade sequer de divulgar o debate econômico que ocorre em nível global. A discussão econômica tornou-se uma enorme pregação de papagaios, repetindo mantras do mercado financeiro, misturadas com ecos da guerra fria?
Mas há um caminho a percorrer, que passa por colocar as PMEs (Pequenas e Médias Empresas) no centro das políticas públicas. O grande caminho de Lula será utilizar seu poder de mobilização para levantar a bandeira da PME e do empreendedorismo – não do jovem que se forma em engenharia e vai para o mercado financeiro, mas do empreendedor que ergue empresas, cria empregos, aposta no seu crescimento permanente.
E, para tanto, há um caminho pronto, com um conjunto de ativos nacionais preciosíssimos, e pouco utilizados: as organizações nacionais, aquelas que cobrem todo o território nacional.
Alguns exemplos:
- Confederações e Federações de Empresas
- Confederação Nacional da Indústria
- Federações
- Sistema SESI e SENAI
- Confederação Nacional do Comércio
- Confederação Nacional da Agricultura.
- Sebrae
- Centrais Sindicais
- Organizações sociais
- Sistema cooperativo
- Associações comerciais
- Movimento dos Sem Terra
- Movimento dos Sem Teto
- Central Única das Favelas
- Organizações públicas
- Bancos públicos
- Banco do Brasil
- Caixa Econômica Federal
- BNDES
- Correios
- Bancos públicos
- Sistema de inovação
- Ministério de Ciências e Tecnologia
- CNpQ
- Ministério da Educação
- CAPES
- Fundações de Amparo à Pesquisa
- Laboratórios públicos e universitários
- Embrapii
- Ministério de Ciências e Tecnologia
- Grandes estatais
- Petrobras
- Eletrobras reestatizada
Agora, com o novo O Ministério da Pequena Empresa, das Cooperativas e do Empreendedorismo Individual, se o Ministro Márcio França tiver tirocínio, poderá abrir caminho para o início da grande revolução produtiva, devolvendo a autoestima ao empreendedor, dando voz às Confederações e Federações que se calaram ante o desmonte industrial do país.
E essa bandeira, pelo alcance que tem, poderá se impor junto ao Congresso, ao STF – que parece ter descoberto que sindicatos fortes são garantia de democracia – e os meios de comunicação.
Poderá ser a grande revolução, que permitirá aprofundar a democracia, legitimar o desenvolvimento e abrir espaço para enfiar um pouco de cérebro na cabeça da mídia.
Flavio Emieni
26 de setembro de 2023 10:22 amTaí um ministério desprezado com potencial para mudar o panorama econômico e social do Brasil. Um verdadeiro pré-sal, com a vantagem de ser descentralizado em milhares de pequenos negócios.
Se Márcio França for esperto, vai consolidar um programa tão ou mais importante que o Bolsa-família e fazer seu nome.
Se for mais esperto ainda, vai mirar o norte da Itália para aprender com o modelo fabril italiano, concentrado em centenas de parques de pequenas e médias, todas atuando em sinergia, baseadas no trinômio ‘tecnologia, inovação e design’.
Se encontrar a vocação do Brasil e fomentar esses negócios, arrisco dizer que em 10 anos muda o cenário brasileiro.
José de Almeida Bispo
26 de setembro de 2023 4:52 pmA mídia, quanto à ideologia, sempre releasista, depois do fim da Cortina de Ferro, EM TODO O MUNDO, no Brasil, em particular se converteu em mero boletim. Ora partidário, ora religioso, identitário e econômico MONETARISTA. De vez em quando sobra um espaçozinho para o setor produtivo. MUITO POUCO. E release 24 horas por dia. E NOTÍCIA… nada! Tudo parece as ‘radjas’ político-partidárias dos coronéis do interior.