21 de maio de 2026

A Lava Jato 2 continua, por Luís Nassif

No horizonte das eleições, duas narrativas: uma é o projeto de Brasil de Lula e a outra é a mídia e seu denuncismo barato para atacá-lo
Lula em foto de Ricardo Stuckert

Eleições de 2026 terão disputa centrada no projeto de Lula e denúncias da oposição sobre casos Master e INSS.
Ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques terão papel decisivo na disputa eleitoral e no comando do TSE.
Mídia realinha comentaristas para a guerra eleitoral, enquanto análises de especialistas podem ter interesses políticos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Nas eleições de 2026, a disputa se dará em torno de dois eixos narrativos.

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O primeiro é o projeto de Brasil que Lula pretende brandir: o salto proporcionado pela Nova Indústria Brasil e pela Transição Energética, com as terras raras, assumindo finalmente a paternidade das duas políticas — além da questão da segurança pública.

O segundo é o denuncismo em torno dos casos Master e INSS, a ser explorado pela oposição.

Dois personagens terão peso decisivo nessa disputa. Um é o ministro André Mendonça, que assumiu o comando das duas operações e atua em conluio com a Polícia Federal — que segue abusando de vazamentos seletivos, agora com o concurso do COAF. O outro é o ministro Kassio Nunes Marques, que deverá assumir o comando do Tribunal Superior Eleitoral.

Aliás, a ministra Cármen Lúcia tratou de antecipar em dois meses o final de sua presidência no TSE, explicando a fuga com uma frase de desprendimento. Como diriam os italianos, foi “paura”.

A delação de Maurício Camisoti, peça central do escândalo do INSS, fechada exclusivamente com a PF, certamente terá o mesmo direcionamento das delações da Lava Jato, com a anuência óbvia da mídia.

O papel dos três principais grupos jornalísticos continuará sendo o de fustigar Lula diariamente. Um exemplo recente: na reportagem sobre os grandes pagamentos do Master, havia uma boa soma destinada a Henrique Meirelles — que foi ministro da Fazenda de Michel Temer. Na reportagem, porém, ele é apresentado como ex-presidente do Banco Central de Lula. Só falta qualificar o próprio Temer, que também recebeu valores do Master, como ex-vice-presidente de Dilma Rousseff.

É curioso o movimento da mídia nos últimos meses. Depois de um início promissor da CNN Brasil, a GloboNews recuperou a liderança com um modelo de jornalismo mais barato — jornalistas em estúdio conversando com a desenvoltura de um chat de WhatsApp, mas com diversidade e bom nível editorial.

À medida que 2026 se aproximou, o canal tratou de se realinhar, afastando comentaristas mais à esquerda e substituindo-os por nomes de posição conservadora. É um movimento que não pode ser brusco, para não chamar a atenção do espectador. O UOL fez movimento semelhante, abrindo mão de comentaristas de boa audiência e posição progressista para dar lugar a outros saídos das profundezas da ultradireita.

Não são movimentos radicais — para preservar a credibilidade do veículo perante seu público. Mas são suficientemente indicativos dos preparativos para a guerra eleitoral.

É também um período em que analistas de pesquisa fazem a festa. A maioria se vale do chutômetro como qualquer observador comum, mas tenta dar verniz técnico às apostas. Pior: muitas análises publicadas funcionam como cartão de visita para atrair contratos com partidos e candidatos.

O caso clássico é o de Alberto Carlos Almeida, autor de A Cabeça do Brasileiro. Em determinado período, tentou aproximar-se do PSDB. No início da campanha de 2018, previu no X que, assim que começasse o horário eleitoral, Geraldo Alckmin dispararia e se habilitaria para o segundo turno. Alckmin teve 4,6%. Depois, migrou para a órbita do PT e passou a publicar análises anunciando o fim do antipetismo.

Recentemente, entrevistei outro especialista, do Recife, que elogiava com entusiasmo a moderação de Ronaldo Caiado. Estranhei a análise — até me informarem que ele assessora o candidato.

Muito cuidado, portanto, com análises de “especialistas” em período eleitoral. Elas frequentemente servem a dois propósitos simultâneos: atrair mercado para pesquisas e cumprir a contrapartida exigida pelos grandes jornais — pau em Lula.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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4 Comentários
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  1. Marcelopontojota

    10 de abril de 2026 8:50 am

    Acrescento Skaf na Pan EVOCANDO O BRASIL depois de ter apoiado a terra arrasada na Indústria no País na era lavajato/Temer e Bolso tudo isto com o acobertamento da midia e a incompetência da resistência política q ao assumir o governo se esquece dos mal feitos visando possíveis alianças com aqueles defendem os 1 por cento apoiadotes de guerras e orgias surubas financeiras de grupos criminosos infiltrados até na casinha do cachorro e engraçados q bom são eles e Lula q segurou na unha a pressão contra o STF e as quadrilhas bancárias é q é o ruim,só pq os bilionários mimados o odeiam ,quem recebeu valores maiores do grupo Master foi uma grande emissora anti brasil sabotadora do País desde sempre AFF !!!

  2. fabricio coyote

    10 de abril de 2026 9:46 am

    o grande projeto do Partido dos Trabalhadores foi a revogação do art. 192 da Constituição e a lei de consignados. Incapazes arrostarem esse tema, tragando todas as famílias pobres ao endividamento excessivo e sufocante. Se a oposição souber trabalhar esse nicho vai levar de lavada. Ciro Gomes (a quem Lula tem respeito reverencial) já anunciara na última campanha presidencial que o superendividamento seria a morte do povo brasileiro. Chegamos ao kaos! Os bancos agora aplicam golpes com consignados, e juros rotativos, spreads, etc, nem que seja sobre a aposentadorias e benefícios de pessoas carentes.

    1. Rui Ribeiro

      10 de abril de 2026 1:37 pm

      Para enfrentar os bancos tem que se ter uma correlação de forças favorável. São eles que mandam no mundo.

  3. Veritas

    11 de abril de 2026 11:02 am

    Uma imprensa que não defende as liberdades fundamentais para todos,sobretudo a presunção de inocência, o devido processo legal, a soberania popular, a democracia, a liberdade de pensamento, o direito ao trabalho, à moradia digna, à preservação do meio ambiente, o direito ao desenvolvimento científico e tecnológico, ao desenvolvimento nacional, à distribuição de renda, a um ambiente econômico propício ao empreendedorismo, em suma, uma imprensa ligada ao poder financeiro e seus interesses sempre defenderá policiais, militares e oligarquias reunidos em agrupamentos fascistas pseudo liberado que entende liberdade como o direito de familícias fazerem o que quiserem.
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