5 de junho de 2026

As consequências da indicação de Galípolo para o BC, por Luis Nassif

Galípolo tem o desafio de convencer o Copom a reduzir a taxa Selic, o que dependerá de boa argumentação e relacionamentos

A indicação de Gabriel Galípolo para a diretoria de política monetária do Banco Central terá resultados mais rápidos do que o processo de conquista da maioria do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central. O Copom é responsável pela definição da taxa básica de juros, a Selic. São 8 membros, mais o presidente do Banco Central. Portanto, o Ministro Fernando Haddad conseguirá emplacar apenas 2 membros.

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Mas Galipolo poderá desempenhar dois papéis relevantes.

O primeiro, como diretor de política monetária. Dos 9 membros do Copom, a diretoria de Política Monetária é a única que atua diretamente no mercado, sendo responsável pela implementação das operações de mercado aberto, compra e venda de títulos públicos.

Nessa função, e com sua experiência de mercado, Galípolo poderá imprimir outro ritmo nas operações. Nos últimos anos, o BC atuou passivamente no mercado aberto, na política cambial, indo a reboque do mercado.

Não é pouca coisa. Uma puxada nas taxas de juros longas, uma oscilação no mercado cambial,  são fatores de instabilidade, ajudando a consolidar as convicções do Copom sobre as taxas de juros.

Tem mais desafios pela frente. A maneira de controlar a liquidez do sistema é através das chamadas operações compromissadas – o BC vende títulos aos bancos com o compromisso de recomprar no dia seguinte. Todos esses pontos encarecem a dívida pública, já sobrecarregada pelos excessos da taxa Selic.

Não se sabe até onde Galípolo pretende ousar. Especialmente porque o segundo desafio – convencer o Copom a reduzir a taxa Selic – dependerá de boa capacidade de argumentação e de uma boa relação com os colegas. E terá bons argumentos pela frente.

Um deles é o IGP-DI (Índice Geral de Preços, Disponibilidade Interna) da Fundação Getúlio Vargas, que registrou deflação de 1,01% em abril e 0,34% em março e 2,57% em 12 meses.

Outra é o próprio Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) do IBGE. O fator que pesou no último IPCA foi o item Transportes, que depende exclusivamente de preços administrados. Com a Petrobras reduzindo os preços, haverá impactos deflacionários no IPCA.

Finalmente, pesa a favor de Galípolo o amplo conhecimento do mercado de PPPs (Parcerias Público Privadas) e de parcerias entre crédito público e fundos de investimento.

E, mais que isso, a pressão das empresas, ante a derrocada de setores relevantes – como os de varejo, planos de saúde, alimentos – sufocados pela crise de crédito e pelo custo do capital.

Conspira mais uma vez contra essa estratégia o tempo político. Lula continua apostando nos investimentos internacionais como saída para contornar as limitações impostas pelo BC de Roberto Campos Neto ao crédito dos bancos públicos.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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7 Comentários
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  1. Rui

    9 de maio de 2023 8:49 am

    Taxa de juros estratosférica não é suficiente para combater a inflação, pois, segundo o BCB, regra fiscal ‘sólida’ pode ajudar no combate à inflação. Mas será que taxas de juro estratosféricas são necessárias para combater a inflação?

  2. Mário Mendonça

    9 de maio de 2023 9:28 am

    Como explicar mais um indicado oriundo do perverso mercado financeiro? Será que não possuímos acadêmicos progressistas para um cargo tão importante como as diretorias do BC? André Araújo devia estar aqui para mais um esculacho! Com a palavra Paulo Nogueira!

    1. JEFFERSON COSTA SOUZA

      12 de maio de 2023 7:56 pm

      Galipolo não é simplesmente um cara de mercado, antes é um grande acadêmico e já escreveu dois livros com Belluzzo seu mentor. Belluzzo é desenvolvimentista, assim como Galipolo, além de ser um dos grandes keynesianista e ter uma excepcional leitura atual de Marx. Vocês não devem ter lido nem o Belluzzo, tampouco o Galipolo.

  3. jotapontomarcelo

    9 de maio de 2023 10:48 am

    Desculpe Nassifão,debate técnico é balela,conversa pra boi dormir,a questão é INTERESSES MONETÁRIOS (lucro) só q o País está se desfazendo devido as “reformas”acabou-se com o mercado interno e as condições para investimentos está precarissima, vão esconder ao máximo q nossa economia arrasada é devido a isso e ainda jogarão no colo do pt e lula esse b.o,poxa um partido e aliados q não conseguem fazer propaganda nem de si mesmos, têm q falar em nome do País,o 77 foi recebido pelo rei Charles,talvez o maior feito conseguido por um político e…esconderam a foto do momento histórico só pra não dar nenhuma moral ao Brasil,peçam nos detalhes,na comunicação,depois a oposição (ao país) só desqualifica e minimiza QQ feito do presidente, aliás sempre foi assim e os aliados deveriam se unir e usar a mesma tática da imprensa pois os nazistas bolsonaristas estão fungando no cangote,Lulao precisa dizer claramente a herança maldita deixada por bolso e ocultada pela imprensa,q o arcabouço tão querendo aprovar só mediante um “orçamento secreto”ou cheque em branco,precisa jogar no colo do congresso os b.os da economia,falta de emprego, corrupção,o povão está bem crítico, já está sabendo ver a verdade,aqueles q disserem mais a vdd se dará bem,é semente plantada mesmo q. não dê frutos agora(caso do vc)a MENTIRA BATEU NO TETO !!!

  4. jotapontomarcelo

    9 de maio de 2023 10:53 am

    Desculpe Nassifão,debate técnico é balela,conversa pra boi dormir,a questão é INTERESSES MONETÁRIOS (lucro) só q o País está se desfazendo devido as “reformas”acabou-se com o mercado interno e as condições para investimentos está precarissima, vão esconder ao máximo q nossa economia arrasada é devido a isso e ainda jogarão no colo do pt e lula esse b.o,poxa um partido e aliados q não conseguem fazer propaganda nem de si mesmos, têm q falar em nome do País,o 77 foi recebido pelo rei Charles,talvez o maior feito conseguido por um político e…esconderam a foto do momento histórico só pra não dar nenhuma moral ao Brasil,peçam nos detalhes,na comunicação,depois a oposição (ao país) só desqualifica e minimiza QQ feito do presidente, aliás sempre foi assim e os aliados deveriam se unir e usar a mesma tática da imprensa pois os nazistas bolsonaristas estão fungando no cangote,Lulao precisa dizer claramente a herança maldita deixada por bolso e ocultada pela imprensa,q o arcabouço tão querendo aprovar só mediante um “orçamento secreto”ou cheque em branco,precisa jogar no colo do congresso os b.os da economia,falta de emprego, corrupção,o povão está bem crítico, já está sabendo ver a verdade,aqueles q disserem mais a vdd se dará bem,é semente plantada mesmo q não dê. frutos agora(caso do vc)a MENTIRA BATEU NO TETO !!!

  5. Wilson Ramos

    9 de maio de 2023 10:58 am

    Galípolo é acadêmico progressista com experiência no mercado financeiro, discípulo do Belluzzo e coautor de livro com Haddad. O tipo que você descreve, que não coaduna com Galípolo, tem emprego no mercado financeiro e usa a porta giratória do BC como plano de carreira. Nada quer ver com o novo diretor do BC.

  6. +almeida

    9 de maio de 2023 2:45 pm

    Será que as diversas Barbaridades dos cortes drásticos de verbas, dos fechamentos e esvaziamentos de instituições ligadas ao meio ambiente, a cultura, a saúde, a educação e ao trabalho e que foram comandadas, para mim, pelos dois piores e incompetentes governos de todos os tempos (Temer e Bolsonaro) contribuíram ou poderiam servir de armadilhas para qualquer candidato que derrotasse Bolsonaro? E se ele vencesse, como estaria se comportando os atuais 9 do Apocalipse?

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