25 de junho de 2026

As duas Argentinas de Milei, por Luís Nassif

Consultor e autor de livro sobre classe média, Guillermo Oliveto, alerta que as duas pontas da pirâmide social estão cada vez mais distantes.
Shutterstock

Uma análise da estrutura de consumo da Argentina dá uma ideia clara da concentração de renda, após os choques de Milei. Vamos conferir, a partir de levantamentos feitos pelo diário El País.

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  1. Bens essenciais (alimentos, medicamentos)
    • Nas classes média e alta houve uma expansão, devido à alta dos salários reais (62,5% no 1º semestre, acima da inflação).
    • Nos setores vulneráveis, queda de consumo de itens básicos e aumento da dependência de redes de apoio social.
  2. Bens duráveis
    • Venda de carros cresceu 82% no semestre, mas concentrada em consumidores urbanos de renda média-alta, as chamadas ilhas de prosperidade.
  3. Serviços (turismo, lazer)
  • explodiu o turismo internacional, aumento de voos para Miami, Madri e outros destinos de elite, devido ao peso mais caro.
  • o setor gastronômico urbano também vem se beneficiando, nos restaurantes voltados para o público de alta renda.

Por classe social, o quadro fica assim:

Baixa renda (metade da população) – restrição severa, com queda no consumo de alimentos, roupas e remédios, grande parte não conseguindo chegar até o final do mês. Substituição de carne bovina por frango ou massas e maior dependência de ajuda estatal ou comunitária. E desemprego subindo para 7,9%;

Classe média – recuperação parcial dos salários, que cresceram 62,5% contra inflação de 39%, permitindo retomada de bens duráveis e consumo digital. Como o reajuste do salário leva em conta a inflação passada, em caso de queda da inflação, há aumento real.

Elites urbanas – explosão de consumo em carros novos, restaurantes lotados e turismo internacional.

Autor do livro “Classe Média: Mito, Realidade ou Nostalgia”, o consultor Guillermo Oliveto, alerta que as duas pontas da pirâmide social estão cada vez mais distantes. 30% da população aproveita ou conseguiu se acomodar no modelo econômico. Mas na classe média baixa informal e na classe baixa não pobre, sobressai a cultura do “não”: sem dinheiro, sem marcas famosas, sem prêmios, sem passeios e com o mês terminando no dia 20.

Segundo a consultoria Moiguer, 50% das pessoas têm renda insuficiente para cobrir as despesas do mês e 30% precisam adiar ou cancelar despesas para pagar por serviços.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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3 Comentários
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  1. twa

    20 de agosto de 2025 10:39 am

    Desde a classe média baixa se poupa em dólares, o ajuste nas contas tem sido o mais brutal do mundo já visto, o setor que vejo mais prejudicado são os aposentados. Apesar disso tudo Milei tem razoável apoio entre a população, pois a alternativa era, e é inviável. Os Peronistas e Kirchneristas estão em guerra fraticida e enfraquecidos com a líder presa.
    A maioria das reformas tem sido no sentido de resgatar o mínimo do estado (lembrando que algumas províncias tinham até 60% de funcionários fantasmas ou como eles chamam nhoques.
    O plano econômico com o FMI não me parece consistente (Argentina tem economia bi monetária), e algumas ações me parecem totalmente malucas, como o fechamento do INTA (a Embrapa deles). Redução sobre as retenções aumentarão a produção de grãos.
    Como na segunda eleição da Dilma (golpe eleitoral) muito coisa está a compasso de espera e escondido até as eleições de outubro. Em novembro vamos ver o que vem de verdade.

  2. AMBAR

    21 de agosto de 2025 2:40 pm

    A considerar-se o teor dos levantamentos feitos pelo “El País” a Argentina vai bem. Parece estável economicamente, com a população controlada e sem crise.
    Milei agora está quietinho e o seu falecido cachorro, parece, não está mais participando da administração do país.

  3. Silvio Torres

    23 de agosto de 2025 9:41 am

    Nas redes sociais, muita gente questiona a afirmação do câmbio forte, ou favorável, na Argentina. Na cotação de ontem, o peso valia 0,0065 de real. Ou seja, com uma moeda de cinquenta e outra de cinco centavos, você tem cem pesos argentinos. Não quero nem pensar nessa conta em dólar. É incompreensível o milagre econômico do Milei mirando apenas o câmbio.

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