3 de junho de 2026

Campos Neto comanda um ataque ao Real, exigindo prudência de Lula, por Luís Nassif

Em um primeiro momento, Lula fez bem em apontar sua ação deletéria.  Agora, é a hora da pausa, por diversas razões.
Fabio Rodrigues Pozzebom - Agência Brasil

É hora do presidente Lula dar uma trégua em sua guerra com Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central.

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Campos Neto é, talvez, o mais irresponsável presidente da história do banco, desde que era apenas a Sumoc (Superintendência de Moeda e Crédito). Joga politicamente, não teve pudor em induzir a uma reversão de expectativas, mesmo a economia brasileira apresentando fundamentos sólidos.

Começou com o discurso em evento em Washington e prosseguiu com telefonemas pessoais a pessoas do mercado e da economia real, visando criar um clima de desestabilização do governo.

Em um primeiro momento, Lula fez bem em apontar sua ação deletéria.  Agora, é a hora da pausa, por diversas razões.

  1. O quadro nos Estados Unidos é bastante complexo, com a proximidade das eleições e as indefinições do Partido Democrata.
  2. As dúvidas do FED em relação à taxa básica.
  3. O fato de que, no segundo semestre, a inflação sofrerá problemas com a alta de alimentos.

Nos últimos dias instaurou-se uma corrida contra o Real. É uma corrida sem fundamento. O que significa que poderá ser revertida em um ponto qualquer do futuro, quando parte do mercado entender que a desvalorização tanto do Real quanto das ações foi excessiva.

Mas esse primeiro momento é irracional, porque não baseado em análises técnicas. Corre-se atrás da depreciação porque Campos Neto preparou o estouro da boiada e a formação da taxa Selic é controlada por um cartel da Faria Lima. Em outros tempos, havia outros investidores na dívida pública brasileira. As loucuras do período Bolsonaro afastaram gradativamente os investidores internacionais, permitindo a Paulo Guedes, assessorado por Campos Neto, transformar o Banco Central e o mercado em um campo de experimentos para suas manobras.

Os diretores nomeados por Lula agiram corretamente na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) não abrindo divergência – sabendo que, em qualquer hipótese, haveria maioria para a paralisação da queda da Selic. Sua estratégia consiste em não confrontar o mercado e, com a mudança na presidente do BC, haver uma condução técnica em direção a uma taxa civilizada de juros.

É hora de Lula se dar conta desse jogo e não fornecer mais álibi para as manobras do cartel. Especialmente porque, no segundo semestre, ao que tudo indica, o grande fantasma a ser enfrentado será o câmbio, mais que as taxas de juros.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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14 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    28 de junho de 2024 5:30 pm

    Esse cara usa o cargo público para sabotar o país, maximizar lucros privados, prejudicar um governo eleito e criar um clima de instabilidade política que pode ser explorado por golpistas. Mas o novo PGR segue cochilando no sofá do mercado. Ele também sonha com um cargo no STF?

  2. sassámutema

    28 de junho de 2024 6:07 pm

    E sobre Americanas, hein? Nassif jogou na lama nome dos controladores e agora não fala nada?

  3. emerson57

    28 de junho de 2024 8:57 pm

    Com bolçonário solto, Guedes nem indiciado, máfia lavajatista sendo protegida no supremo de phrango, o fim está cada vez mais próximo.
    Só a guilhotina salva!

  4. Francisco Eduardo Almada Prado

    29 de junho de 2024 4:50 am

    A alta do dólar tem muitas razões. Barateia as ações que têm feito um movimento de baixa induzida principalmente pelos juros injustificavelmente altos .Essas baixas têm também
    um componente técnico , e logo proverá um momento propício para atraírem os capitais estrangeiros para aumentarem sua participação principalmente nas joias brasileiras , como Petrobrás e Vale , (a preços em dólares principalmente) historicamente baixos . Seria um bom momento para o fundo soberano brasileiro (reservas cambiais) , recomprá-las e retomar seu controle , e fonte de
    receitas . Outro aspecto a ser considerado , é a implementação da CDBC (https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Moeda_digital_do_banco_central) , que já começa aos poucos , que juntamente com o PIX e o Open Banking , passarão a universalizar o controle dos indivíduos. O termo “vulnerável” abrangerá a todos ! A existencia e manutenção da moeda física é Imprescindível !
    O dólar alto favorece enormemente é balança comercial , e deveria ser fonte de receita com uma bem estudada e aplicada tributação do comércio exterior (não apenas o consumidor brasileiro deve carregar o ônus) pois o Brasil , felizmente têm produtos de que o mundo necessita , dentre eles , os novos e os escassos minerais , que os antipatriotas concederam em grande parte aos estrangeiros. Esse é um tema de Segurança Nacional.

  5. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    29 de junho de 2024 8:02 am

    O surto psicótico da especulção pelos parasitas financeiros, só passará quando for solucionada a indicação do presidente do BACEN. Se o presidente Lula aceitar a chantagem e nomear um sacerdote-economista do deus mercado, a marola finda. Como já expus em outros comentários, neste jornal, se o presidente conseguir um acôrdo para compartilhar o controle do BACEN, nomeando um presidente de sua confiança, será uma grande vitória. O drama que estamos vivendo, só comprova que não existe banco central independente, pelo menos no planeta terra.

  6. DOUGLAS BARRETO DA MATA

    29 de junho de 2024 8:13 am

    Ah, sim.

    Lula tá certo, mas tá errado.

    Hum, dilema né?

    Dilema falso né?

    Claro, se mantido o jogo no ambiente em que está, por certo Lula nem deveria abrir a boca, para não chegar onde chegou.

    Mas a pergunta é:

    O monetarismo é a única política econômica possível?

    Essa falácia, essa invenção criminosa de que taxa de juro controla inflação vai continuar a vigorar até quando?

    Bem, pelo jeito, temos mais uma rendição.

    Nassif é morto, como dizem os Italianos.

  7. +almeida

    29 de junho de 2024 8:53 am

    Discordo da opinião. Em tempo de intenso bombardeio da direita e extrema direita. Penso que: com uso de todo jogo sujo possível para sabotar o governo no que for possível; com todas as tentativas que fazem para destruir o positivo planejamento de crescimento estável, seguro e duradouro; com todo esforço que fazem, com ajuda do irresponsável, para abarrotar a pança das amebas rentistas da elite inimiga do Brasil e dos governos progressistas que sempre aposta no quanto pior melhor, eu considero um erro fatal dar trégua a flagrante, visivel e premeditada irresponsabilidade. Nós vimos no 08 de Janeiro que não se deve subestimar qualquer tipo de extremismo, ditadura, sabotagem ou totalitarismo fascista. A história está repleta de exemplos onde mostra os tipos de traições, jogos sujos e covardias que derrotaram potências,em todo mundo, principalmente por conta do derrotado não ter subestimado como deveria, as supostas boas intenções de trégua.
    Eu acredito que com a irresponsabilidade não existe acordo e muito menos trégua.
    Não se deve dar a mão ao azar, nem as costa ao inimigo.

  8. AT

    29 de junho de 2024 10:17 am

    Campos Neto é o tipico sabotador pensado qdo inventaram a tal “indecência” do BACEN.
    Foi aí q sequestraram essa instituição ao interesse da rapinagem do Brasil.
    É urgente e necessário acabar com isso de alguma forma.
    Campos Neto prática vassalagem contra o país e o povo brasileiro.

  9. George Santos

    29 de junho de 2024 12:54 pm

    Governo Lula acabou, até abril-maio de 2025 o impeachment estará liquidado. Comprou briga com os donos do dinheiro. Acabou.

  10. Observando

    29 de junho de 2024 12:58 pm

    Tenho U$ 1.000.000….

    Na cotação de:

    R$ 5,39 => R$ 5.390.000

    Na cotação de;

    R$ 5,60 => R$ 5.600.000

    Bom pra comprar as ações da Sabesp!

  11. Francisco Santos

    29 de junho de 2024 2:13 pm

    Onde o nassif vê risco eu acredito que seja uma oportunidade pro Brasil se manter no topo das referências mundiais de democracia e economia de mercado
    É urgente uma criminalização da atuação de agências reguladoras e diretorias de banco que contrastam com a visão progressista e desenvolvimentista do governo e que prejudicam a população de maneira velada, ou o governo ficará à mercê do mercado, como já está do congresso e das referidas agências
    Aí acaba o presidencialismo e o governo vira fantoche do mercado
    Como os EUA

  12. José Carvalho

    30 de junho de 2024 3:07 pm

    Essea economia tocada na base do improviso tem se mantido entre as economias em desenvolvimento, numa colocação de destaque naquilo que refere à posição do ranking oferecido. Foi e vai ser assim. A grande questão é que a condição acerca do desenvolvimento, não é alcançada. Não se trata de metas de inflação ou metas fiscais, mas do rompimento de um modelo que prendeu o País num tipo de exploração financeira que não aceita reduzir nem os juros e nem a inflação. Sem a alternativa de atrair ou fazer investimentos que alterem a estrutura do País, permitindo de fato entrar no grupo de quem possui desenvolvimento , existe uma economia que tem para aqueles situados nas classificadas classes A/B, crescimento positivo. Não por culpa, mas para esses grupos o modelo em andamento pode como tem sido até aqui, ir em frente. As necessidades de sobrevivência obrigam o País a se virar como puder. Em cada momento há um vilão para ser responsabilizado pelo risco de inflação. Agora são as declarações do presidente Lula. Antes ou depois, o déficit fiscal, o dólar, etc. Baixo crescimento, baixo desenvolvimento. Isso é somente um resultado.

  13. Flávio

    2 de julho de 2024 9:15 am

    Concordo em partes c/ o artigo do Nassif,no tocante aos malefícios que a taxa de juros representa p/ a economia brasileira. Porém, acredito que atribuir a causa desse problema à pessoa do RCN, num ato deliberado de sabotagem do Governo c/ o qual não se identifica, um REDUCIONISMO INACEITÁVEL do problema.

    Trata-se das estruturas de poder no Brasil, sedimentada a partir do Plano Eeal, que confere aos Bancos a gestão da macroeconomia.

    É importante lembrar que Luís Inácio não é opositor a esse modelo, ao contrário, sua primeira passagem no Governo foi de aprofundamento dessa relação tóxica, via Henrique Meirelles. Essa promiscuidade que o PT pratica junto à Banca nao é de hoje, remonta à Carta ao Povo Brasileiro de 2002. A campanha de reeleição de Dilma, em 2014, foi a mais cara da História republicana (e permanecerá no posto, uma vez que as doações empresariais foram abolidas pela legislação eleitoral) com a contribuição milionário dos Bancos e empreiteiras, ou seja, das elites que parasitas o Estado desde o Império.

    Luis Inácio não é de esquerda, não é sequer progressista, seu compromisso é c/ um projeto de poder que se distingue do bolso nazismo mais pela indumentária e pelo discurso do que pelas suas efetivas práticas.

    Essa discussão sobre a taxa de juros é só um discurso vazio,um factóide pra atribuir a um suposto inimigo externo o fracasso deste Governo. A redução da taxa ee juros é um passo crucial p/ a retomada do crescimento, mais essa medida nao vira c/ esse Governo, por força do compromisso que Luis inácio tem com as elites brasileiras.

    Quando mudar o Presidente do BC, Luis Inácio ficará totalmente desmoralizado, pois cria uma falsa esperança de que esse estado de coisas se altere, coisa que ele e sua equipe de neoliberais capitaneada por Fernando “Guedes” Haddad, não será capaz de fazer. Estão umbilicalmente ligados aos rentistas.

    Restará a Luis Inácio mais um recuo e algum discurso populista pra dizer que as coisas precisam ser assim porque sim, para a imediata adesão de sua imensa massa de apoiadores lobotomozados.

    E daí é procurar outro bode expiatório para as suas mazelas e tentar continuar enganando o povo brasileiro.

    De onde menos se espera é de onde nunca sai nada mesmo.

  14. ROBERTO São Paulo-SP

    3 de julho de 2024 12:18 pm

    Saldo balança comercial US$ 40 Bilhões até agora.

    Exportador pisando no acelerador, importador pisando no freio, até o final de ano pode mais do dobrar.

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