O orçamento público é uma peneira vazada por todo tipo de lobbies. O grande trabalho da Fazenda tem sido garimpar subsídios indevidos, plantados ao longo de anos. Fernando Siqueira, vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, levanta um tema relevante.
Em 2010 foi aprovada a Lei no. 12.351, ou Lei da Partilha, estabelecendo o regime de partilha da produção para a exploração de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos em áreas do pré-sal e outras áreas estratégicas da costa brasileira.
Em seu artigo 42, a lei diz o seguinte:
Art. 42. O regime de partilha de produção terá as seguintes receitas governamentais:legjur.com+1facebook.com+1
I – royalties; elegis.senado.leg.br+3facebook.com+3legjur.com+3
II – bônus de assinatura.facebook.com+1legjur.com+1
§ 1º. Os royalties devidos à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios serão pagos em dinheiro, conforme estabelecido em lei específica.
§ 2º. O bônus de assinatura não integra o custo em óleo e corresponde a valor fixo devido à União pelo contratado, devendo ser estabelecido pelo contrato de partilha de produção e pago no ato da sua assinatura, sendo vedado, em qualquer hipótese, seu ressarcimento ao contratado. legjur.com
Essas disposições visam garantir que a União e os entes federativos recebam compensações financeiras adequadas pela exploração dos recursos naturais, assegurando uma distribuição justa dos benefícios provenientes da produção de petróleo e gás natural.
O que está ocorrendo na prática:
1) O Royalty – no percentual de 15% da produção de petróleo – entra no custo de produção reduzindo o óleo/lucro da União;
2) O royalty pago é ressarcido em petróleo (portanto, a União é que está pagando o royalty aos estados e municípios);
3) O consórcio produtor abate o royalty no Imposto de Renda e na CSLL;
4) A Petrobras exporta 52% da sua produção sem pagar imposto, só pagando 29% (participação acionária) de dividendos à União;
5) Os parceiros da Petrobras nos consórcios exportam toda a sua parte na produção sem pagar imposto e muito menos dividendos à União.
Lembra ele que, enquanto os países produtores ficam com 80% do petróleo produzido em seus territórios, o Brasil está ficando com menos de 10% do petróleo produzido no pré-sal.
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Renato Cordeiro
5 de junho de 2025 10:24 amÉ surreal que o Brasil exporte 52% da sua produção de petróleo e não reduza significativamente o preço dos combustíveis ( gasolina e diesel) para aliviar a vida da população.
Emanuel Oliveira
6 de junho de 2025 9:43 amAs nossas refinarias não são suficientes para processar os barris, ou a qualidade (pesado ou leve) do óleo não é compatível com as mesmas. Por isso o governo (Lula e Dilma) estavam fazendo refinarias, mas os (des)governos do Temer e Bolsonaro vendendo as refinarias, para engordas os seus (Temer e Bolsonaro) lucros.
AUGUSTO CESAR DE OLIVEIRA ROSA
16 de julho de 2025 11:18 pmSe o petróleo é extraído e refinado no Brasil, pq os gringos levam a maior parte?
emerson57
5 de junho de 2025 10:45 amTodos os dias, qualquer que seja o governo, faça chuva ou faça sol, quando acordamos pela manhã percebemos que fomos roubados.
Além da inevitabilidade da nossa própria morte, essa é a outra certeza que nos resta.
emerson57
5 de junho de 2025 2:08 pmEm março de 2000
Aloysio Biondi
O Brasil virou trilionário, mas o povo não sabe, o Congresso não sabe, e FHC vai entregar tudo
Nunca é demais repetir: o brasileiro ficou bilionário, ou trilionário, e não sabe. Não é exagero, não. Em fevereiro do ano passado, o campo de Marlim, explorado pela Petrobrás na bacia de Campos, produzia 200.000 barris de petróleo. Por dia. Um único campo. Agora, em janeiro de 2000, o mesmo campo produziu 400.000 barris por dia. Qual o faturamento da Petrobrás, do governo brasileiro, com essa produção fantástica? É fácil fazer as contas: 400.000 barris por dia significam 12 milhões de barris por mês, ou algo como 150 milhões de barris por ano. Ao preço atual de 30 dólares o barril, são 4,5 bilhões (com a letra b) de dólares por ano, ou 9 bilhões de reais por ano. Mesmo que o preço atual, que está exagerado, venha a cair para 25 dólares o barril, o faturamento chegará a 3,75 bilhões de dólares, ou 7,5 bilhões de reais.
Cifras fantásticas, e que vão ser duplicadas em poucos meses, pois os estudos da Petrobrás mostraram que as reservas da região permitem dobrar o número de poços perfurados. Serão, portanto, uns 18 bilhões de reais de faturamento por ano e com uma margem de lucro fantástica. Por quê? Os poços da plataforma brasileira têm uma produção também espantosa, igual à obtida nos campos do Irã, Iraque, Arábia Saudita, com 7.000 a 10.000 barris produzidos por dia. Em cada poço.
Assim, mesmo calculando todos os investimentos feitos, o custo de produção de cada barril não passa de 2,5 a 3 dólares, o que significa um lucro de 27 dólares o barril, ou 1.000 por cento, isto é, dez vezes o custo, por barril Somente nesse campo de Marlin, portanto, o povo brasileiro pode faturar 18 bilhões de reais, o equivalente a um mês e meio da arrecadação federal. E há muitos outros campos de petróleo no litoral brasileiro, já descobertos pela Petrobrás, a serem explorados. Alguma dúvida diante da afirmação? Então, é só relembrar que, em janeiro, o presidente da República fez questão de anunciar pessoalmente (precisava de marketing otimista) a descoberta de um megacampo, Roncador, mais ao sul do litoral fluminense, e já situado na bacia de Santos (formação geológica equivalente à da bacia de Campos e que, apesar no nome, estende-se até o litoral do Rio).
O que isso significa? Que Marlim e Roncador, juntos, feitos os mesmos cálculos, podem oferecer um faturamento de 36 bilhões (com b) por ano, cobrindo, sozinhos, mais de quatro meses de todas as despesas do governo federal (deixando de lado os juros, como o FMI faz). E por quanto tempo esses campos poderão ser explorados, com essa produção e esse faturamento? De quinze a vinte anos, representando portanto, multiplicando-se pelo valor de 36 bilhões de faturamento anual, de 540 a 720 bilhões de reais. De meio trilhão a três quartos de trilhão. Uma fortuna. Uma fábula em apenas dois campos do litoral. Uma enxurrada de reais e dólares que poderiam, se usados para tirar o Brasil das mãos do FMI e dos credores internacionais, com recursos para investir, voltar a crescer, resolver problemas sociais, criar empregos. Voltar a ser um país, e não uma colônia-capacho dos países ricos.
Não há exagero nenhum, portanto, em gritar aos quatro ventos que o povo brasileiro, com as reservas de petróleo, e mais ainda, com os campos fantásticos descobertos pela Petrobrás, tirou a Mega-Mega Sena. Virou trilionário. Mas não sabe disso. O povo não sabe, o Congresso não sabe. Por isso, o governo FHC prepara-se para nova rodada de leilões destinados a entregar o petróleo brasileiro a multinacionais. Ou, mesmo, já vem entregando indecentemente o petróleo descoberto pela Petrobrás, que pertence efetivamente a cada cidadão brasileiro, a meia dúzia de empresários nacionais e banqueiros nacionais e estrangeiros. Exemplo? O fantástico campo de Marlim, com sua produção de 400.000 barris / dia, por exemplo, foi repartido agora com meia dúzia de sócios que se juntaram em uma empresa de fundo de quintal para fornecer parte do dinheiro necessário para duplicar a produção. Essa operação já seria um assalto contra a sociedade brasileira, mesmo que os sócios realmente desembolsassem a cifra de 1,5 bilhão de reais para financiar sua parte no projeto de exploração de Marlim. Nem isso existe. A empresoca de fundo de quintal tem um capital fajuto de 200 milhões de reais, e foi formada como narrado em nosso livrinho O Brasil Privatizado apenas para tomar 1,2 bilhão de reais emprestados no exterior, que obviamente a própria Petrobrás poderia obter. Um negócio da China, um assalto: uma mina de outro, capaz de faturar centenas de bilhões de reais, entregue por 200 tostõezinhos fajutos. A Mega-Mega Sena ganha pelo povo brasileiro, e que seria sua redenção, está sendo literalmente tungada pelo governo FHC.
O Congresso Nacional não pode continuar impassível diante dessas aberrações. O povo brasileiro tem o direito de partilhar diretamente dos lucros da exploração do seu petróleo, através de vários caminhos, dos quais dois podem ser prontamente lembrados aos congressistas: utilização de 6 bilhões reais esquecidos em contas do FGTS, e que foram reunidos em um fundo congelado (a Petrobrás teria bilhões para investir e os rendimentos das ações da empresa, no caso, pertenceriam ao FGTS, isto é, a todos os trabalhadores que contribuem para o fundo). A outra alternativa, diferente de proposta já cogitada pelo governo, é a venda de ações novas, relativas a um aumento de capital da empresa, para milhões de brasileiros, com um sistema igual ao adotado por Margaret Tatcher na Inglaterra: vendas a prestação, e com garantia de recompra pelo governo. A esperança, hoje, está no Congresso, pois os sindicatos, como dos petroleiros, e entidades como a Aepet Associação dos Engenheiros da Petrobrás que, tradicionalmente tomavam posição diante dos desmandos do governo, estão estranhamente silenciosos. Muito, muito estranhamente. Mesmo.
Fonte: Revista Caros Amigos , março de 2000
Pedro Eneas
6 de junho de 2025 10:14 amGosto desse caminho. Acabaria com algumas negociatas e não mexeria no direito dos pobres.
AMBAR
7 de junho de 2025 2:11 pmAh! e os 10% do que sobram da partilha da venda do nosso petróleo, caso ela se dê como acontece no pré-sal, que se poupe uma soma considerável para acudir as conseqüẽncias do desastre ambiental que sucederá após a exploração da margem equatorial do Amazonas. Véspera de muito, dia de nada. Essa ânsia exploratória que vemos, capaz de desmantelar todo um ministério e mandar o meio ambiente às favas, trará uma devastação sem precedentes que os exploradores não viverão, porque distantes, Somente o entorno e o povo “beneficiado” , como aconteceu no Equador, por exemplo, saberão dizer do que se trata.
Silvio Torres
8 de junho de 2025 8:20 pmA cruzada amarga de Monteiro Lobato? Petróleo. O tiro no peito de Getúlio? Petróleo. O golpe contra Jango? Petróleo. As fantásticas e absurdas entregadas de FHC? Petróleo. O mensalão? Petróleo. O indecente impeachment de Dilma? Petróleo. As fantásticas e absurdas entregadas de Temer e Bolsonaro? Petróleo. A nova cruzada contra Lula? Petróleo. Essa terra é teta mais gorda e mansa que já existiu para grande homem branco do norte.