Estudos da UFRJ estimam uma queda de até 11% no PIB, por Luis Nassif

A variável emprego é uma das mais afetadas. Nos três cenários - otimista, referência e pessimista - as projeções são respectivamente de redução de 4,7 milhões, 8,3 milhões e 14,7 milhões de empregos.

Uma equipe de 11 economistas do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Grupo Indústria e competitividade, juntou forças para tentar estimar os efeitos do Covid-19 no PIB deste ano [i].

Recorreram ao modelo matriz-insumo – que permite avaliar tendências no consumo, exportações e investimentos em 123 bens e serviços, agregados em 12 setores produtivos, com base na classificação das Contas Nacionais do IBGE.

O estudo trabalha com três cenários.

O pessimista prevê queda de 11% este ano; o otimista, queda de 3,1% e um cenário de referência prevê queda de 6,4%.

A variável emprego é uma das mais afetadas. Nos três cenários – otimista, referência e pessimista – as projeções são respectivamente de redução de 4,7 milhões, 8,3 milhões e 14,7 milhões de empregos.

Entraram na conta as estimativas de demissão de trabalhadores e de diminuição das horas trabalhadas. O impacto maior será em setores de salário médio inferior.

As estimativas de queda da receita fiscal são de 4,1%, 8,2% e 13,9% para os três cenários.

Os cenários são os seguintes:

Cenário otimista – sugere crise em V. Ou seja, uma queda brusca com rápida recuperação da atividade econômica. Depende de um período de isolamento social e de ação eficaz do governo para minimizar impactos na renda da população e no fechamento das empresas e, no setor externo, de uma recuperação da economia mundial no 2o semestre, puxada pela China

Cenário referência – recuperação em U, com retomada lenta após um período maior de isolamento social e de adoção de medida protetivas menos eficazes. No cenário externo, um período mais prolongado de recuperação da economia mundial.

Cenário pessimista – recuperação em L ou U prolongado no cenário doméstico, por medidas inadequadas de contenção da epidemia e de mitigação dos efeitos econômicos sobre o mercado de trabalho, a pobreza e a desigualdade. No cenário externo, recuperação lenta da atividade econômica apenas a partir de 2021, com a proliferação de medidas protecionistas.

Devido à redução dos fluxos internacionais de bens e serviços, haverá queda significativa das exportações, além de mudança em sua composição, com aumento de participação dos bens agrícolas – de menor valor agregado. Em todos os cenários a redução as exportações será maior que a redução das importações, impactando o saldo comercial.

Como haverá maiores perdas relativas na indústria de transformação, haverá uma redução gradativa da especialização no trabalho, significando menores salários e piores empregos.

Nesse trabalho, constatou-se a fragilidade do consumo das famílias e das empresas, e incapacidade de investimento do setor privado. No caso dos gastos e investimentos do setor público, limitou-se a trabalhar com os projetos até agora anunciados, de compra de equipamentos de saúde e do plano Pró-Brasil, de R$ 40 bilhões em investimentos.

O grupo promete um trabalho adicional, estimando um cenário de flexibilização das emissões monetárias e de aumento sensível do investimento público, assim como da recomposição das receitas dos Estados e das famílias.

 

 

[i] Esther Dweck (coordenadora), Carlos Frederico Rocha, Fábio Freitas, João Carlos Ferraz, Julia Torraca, Kaio Vital, Kethelyn Ferreira, Maria Christina Vilar, Marilia Bassetti, Marta Castilho e Thiago Mguez.

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