22 de maio de 2026

Indústria não mostra sinal de reativação, por Luís Nassif

Os resultados de junho dão um rascunho da desindustrialização da última década e da falta de expectativas de melhora da economia
Agência Brasil

A Pesquisa Mensal da Indústria, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é apresentada com diversas subdivisões. Uma delas são as “grandes categorias econômicas”: 

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  • bens de capital
  • bens intermediários
  • bens de consumo
  • bens de consumo duráveis e 
  • bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Os resultados de junho dão um rascunho do profundo processo de desindustrialização da última década e da falta de expectativas de melhora da economia, apesar de um aumento nas projeções do PIB (Produto Interno Bruto).

Em relação a maio, houve queda de todas as categorias, com exceção de uma alta modesta em bens de consumo.

Em relação ao ano passado, uma queda substancial em bens de capital (aqueles que precedem o aumento da produção na indústria) e queda em todos os demais grupos, com exceção de bens intermediários.

E, nos últimos 10 anos, queda substancial em todos os grupos.

Quando se analisam as três grandes categorias – indústria geral, indústrias extrativas e indústria de transformação – observa-se um crescimento apenas nas indústrias extrativas, que dependem fundamentalmente do mercado internacional e têm pouco impacto na geração de emprego e de valor agregado.

Analisando-se uma outra divisão da pesquisa – produção física industrial por seções e atividades industriais – a maior absoluta dos setores está em queda, tanto em relação ao mês anterior como a 12, 48 e 120 meses atrás.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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2 Comentários
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  1. evandro condé

    2 de agosto de 2023 9:24 am

    Ir a loja de produtos domésticos, ir a loja de roupas, ir ao mercado livre, ir aos supermercados e atacadistas. Estamos inundados de produtos importados. Pq são melhores ou mais baratos? Se o preço do produto final ficar mais caro, será melhor importar que produzir. Não há como se pensar em política industrial sem ver o básico. Nem entrando no mérito dos produtos com tecnologia embarcada.

  2. José Carvalho

    2 de agosto de 2023 3:19 pm

    A questão da indústria vai bem além de se ter ou não uma indústria. O ponto central é o que interfere para o todo da economia, um setor industrial capaz de se desenvolver. Raramente vai haver o progresso do setor industrial de um país, movido por indústrias estrangeiras. Elas ocupam um espaço para seus interesses, mas dificilmente farão avanços nos segmentos em que atuam. Em um lugar como o Brasil os serviços e o comércio tem volume muito grande e garantem trocas de dinheiros que façam funcionar a economia. A indústria promoveria maior intensidade no dinamismo da economia. Sem a busca por apresentar capacidades melhores, será difícil sair desse quadro mostrado pelo IBGE e reproduzido aqui no GGN. O encolhimento da indústria nesses 10 anos e o sobe-e-desce sem sair do lugar posteriores, expressam ato consequente da falta de busca por saídas que envolvam todas as partes.

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