O discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU foi um marco histórico. Firme e conciso, reafirmou os pilares clássicos da diplomacia brasileira: a autodeterminação dos povos, o multilateralismo, as políticas sociais como fundamentos da democracia e a defesa intransigente da soberania nacional.
Mais do que projetar Lula como um líder global pela paz, o discurso consagra definitivamente o papel do Itamaraty como guardião da soberania nacional. Ao longo da história, a diplomacia brasileira foi o único setor que, de forma consistente, defendeu os interesses do país com autonomia e inteligência estratégica — desde o Barão do Rio Branco até os dias atuais.
No final do século XIX, ainda nos primórdios da República, o Itamaraty já atuava com protagonismo. O Barão do Rio Branco ampliou o território brasileiro por meio da negociação diplomática, evitando conflitos armados com Guiana, França, Argentina, Bolívia e Peru. Teve papel central na defesa da Doutrina Drago, que condenava a intervenção militar estrangeira para cobrança de dívidas soberanas.
Essa doutrina ganhou força após o Bloqueio Naval da Venezuela (1902–1903), quando Inglaterra, Alemanha e Itália bloquearam portos venezuelanos para forçar o pagamento de débitos. Rio Branco liderou a resistência à intervenção e defendeu a arbitragem como solução para controvérsias internacionais. Essa posição foi incorporada aos fóruns pan-americanos e, posteriormente, consolidada como o princípio da não intervenção, presente na Liga das Nações e na ONU.
Em 1907, na 2ª Conferência de Paz de Haia, o Brasil se posicionou como potência regional autônoma. Rui Barbosa, alinhado à Doutrina Drago, denunciou a prática de intervenção como forma de rebaixar os países latino-americanos à condição de protetorados.
Entre as décadas de 1930 e 1940, o governo Vargas soube explorar com habilidade a rivalidade entre Alemanha e Estados Unidos, obtendo concessões que impulsionaram a industrialização brasileira.
Na fundação da ONU, em 1945, o Brasil conquistou a tradição de abrir anualmente a Assembleia Geral. O Itamaraty, por sua vez, atuava intensamente em defesa da autodeterminação dos povos africanos e asiáticos.
Em 1956, o Brasil defendeu no Conselho de Segurança da ONU uma solução pacífica para a crise de Suez, posicionando-se contra a intervenção militar. Pouco depois, com a Operação Pan-Americana idealizada por Augusto Frederico Schmidt, o país tentou se afastar da influência norte-americana.
Nos anos 1960, com San Tiago Dantas e Araújo Castro, o Brasil buscou uma política externa independente, evitando a polarização entre Estados Unidos e União Soviética. Na década de 1970, o chanceler Azeredo da Silveira convenceu o presidente Ernesto Geisel a reconhecer a independência de Angola e a assinar um tratado nuclear com a Alemanha, desafiando o monopólio tecnológico internacional.
Em 2003, sob a liderança de Celso Amorim, o Brasil enfrentou Estados Unidos e União Europeia na Organização Mundial do Comércio, articulando o Sul Global contra os subsídios agrícolas. Em 1991, liderou a criação do Mercosul; em 2008, da Unasul.
Hoje, o Brasil recusa alinhamentos automáticos com potências como EUA ou China, fortalece fóruns como BRICS e G20, e lidera as grandes discussões ambientais globais.
Que o espírito de soberania e autodeterminação, tão bem representado pela diplomacia brasileira, inspire também outros setores da vida nacional — fortalecendo nossa autonomia, nossa democracia e nosso papel no mundo.

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Luiz
24 de setembro de 2025 1:21 pmAltivez. É a palavra que define a posição diplomática do Brasil nos governos Lula e Dilma. Mesmo contra a vontade de uma mídia colonizada, direita e extrema-direita sabujas. A manchete de capa do portal O Globo da manhã desta quarta-feira, dia 24, é eloquente prova dessa sabujice: “Lula pode oferecer minerais críticos e regulação de big techs em negociação com Donald Trump”.Como é que é, cara pálida?!! O sujeito faz um monte de diatribe ou sandice, se preferir amenizar a crítica, e a gente oferece chá e biscoitinhos de goma? Homens não negociam com cara fechada, ofensa ou ameaças. Chefes de Estado têm outros rituais e rapapés, mesmo tendo encarregado de negócio desafiador ou mero papagaio para garantir o emprego. Viva o povo brasileiro!!!!
Cidadão sem cidadania
24 de setembro de 2025 1:23 pmEsse é o verdadeiro Lula, um homem de discurso e nada mais ,na hora da briga finge que não é com ele ,contínua a doar o pré sal ,sem ao menos tentar reendustrializar o país, não está salvando as empresas de equipamentos militares ,imagina as civis,Lula vai privatizar rios da Amazônia, e etc daqui a pouco vem o crédito social com o dinheiro digital, somos uma nação sem rumo e sem um estadista, mas com presidente e presidenciáveis temos vários.
Naldo
24 de setembro de 2025 3:36 pmEnquanto engravatados discursam na ONU, o povo palestino continua passando fome e\ou morrendo, discurso e promessa de político não servem pra nada. . …lembra aquela do bolo crescer? Se cresceu ou não cresceu muitos morreram sem ver nenhuma fatia …
Marconi Cavalcante
25 de setembro de 2025 2:50 pmÉ preciso que americanos, brasileiros, portugueses e todos conheçam um fato histórico pouco comentado. Quando da invasão total do Império Romano à Israel, com a destruição do Segundo templo de Salomão, em 70dC ocorreu a diáspora dos judeus. Os judeus da tribo de Judá, da qual fazem parte Cristo, Maria, José, Isaías e todos os profetas bíblicos, foram para a Península Ibérica, notadamente para a região atual de Portugal e Galícia, onde fundam um reino multirracial, de congraçamento de povos, com propósitos voltados para a promoção da tolerância, da paz e da espiritualidade. Mais tarde, os descendentes da tribo de Judá vão dar origem ao Brasil, inicialmente chamado de Ilha de Vera Cruz. Já os judeus da tribo de Efraim Manassés, tribo que dominava as finanças e o belicismo, na diáspora, vão para a região da Inglaterra. Depois, seus descendentes seguem para a América do Norte, onde dão origem aos Estados Unidos, nação que sempre fomentou propósitos financistas e bélicos. Desde antes de Cristo, as divergências de propósitos entre estas tribos geraram vários momentos de crise ou conflito entre elas. Hoje, o mundo já não aguenta mais as destruições e os desperdícios de trilhões em armamentos que muitas nações efetivam. Faz-se necessário que os descendentes da tribo de Efraim e Manassés e os que os seguem abandonem o belicismo e o financismo e ajam ou invistam em cooperações e realizações benéficas para todos os povos, como bem apontou o Brasil na última Assembléia Geral da ONU.