Não se tenha dúvida: o estadista do próximo século será o presidente que conseguir cortar o nó górdio da política monetária e transformar o crédito em elemento central do desenvolvimento.
O Brasil está preso a essa armadilha desde a gestão Marcílio Marques Moreira, no governo Collor. E mais ainda após o Plano Real — consolidando-se com o regime de metas inflacionárias instituído por Armínio Fraga no segundo governo FHC.
O modelo é fatal para qualquer processo de desenvolvimento.
O mecanismo funciona em camadas. A primeira institui uma taxa básica, a Selic. A segunda elimina gradativamente todos os mercados que operavam com taxas inferiores. No caso do BNDES, trocou-se a moeda de referência por outra atrelada à Selic. Qualquer tentativa de financiamento a taxas menores passou a ser apontada como alimentadora do déficit público — uma distorção que foge a qualquer lógica econômica consistente, pois impede qualquer esforço de investimento.
Gradativamente, tentou-se esvaziar o FGTS. Mais recentemente, apontou-se para a redução progressiva, até o desaparecimento, da caderneta de poupança e dos financiamentos habitacionais. Em paralelo, todo o financiamento do setor público foi sendo securitizado: contratos de dívida lançados em fundos privados, com cotas oferecidas ao mercado tendo como piso mínimo a Selic.
Sobre essa camada já exorbitante de juros, aceitou-se ainda o spread bancários, o mais violento entre todas as economias comparáveis.
O resultado é que a política monetária se tornou o maior obstáculo a qualquer projeto de país — e a qualquer Plano de Metas. É responsável pelo maior processo de concentração de renda da história brasileira: mais intenso do que no período militar, mais do que na República Velha.
Este é o capítulo inicial, a pedra fundamental de qualquer projeto sério de reconstrução nacional.
É hora de encerrar a mitomania de que a Selic visa combater a inflação de demanda. O que existe, na prática, é carry trade: captação de dinheiro barato nos países centrais e aplicação nas elevadas taxas de juros de economias periféricas como o Brasil, que obriga uma Selic permanentemente elevada, para impedir a fuga do capital gafanhoto para outras economias emergentes. Quando se chega a essa conclusão, fica evidente onde reside o pecado capital que impede o desenvolvimento: o livre fluxo de capitais — e a confusão deliberada entre o capital financeiro especulativo, o capital gafanhoto, e o capital produtivo.
É um desafio que exigirá enorme coesão nacional. Para tanto, é urgente que a discussão comece agora.
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Sergio Navas
22 de abril de 2026 8:53 amPerfeito Nassif, com muito atraso, porém perfeito. A dificuldade, porém, é conseguir força política para alterar, já que aqueles que se beneficiam do esquema atual, nacional e internacionalmente são muito poderosos e não vão querer largar o osso.
Pedro Rocha
22 de abril de 2026 3:37 pmCarlos Matus, apesar de seus muitos ensinamentos, praticamente desconhecido do meio intelectual e político brasileiro. Numa dessas lições, reserva espaço considerável para falar sobre os tabus, “assuntos que a sociedade não aceita discutir”. Quando fala em “coesão nacional”, mobilização e outros falam em estímulos, inspiração e sonhos minha pergunta é: até que ponto temos políticos capazes de enfrentar tabus? A questão principal não é o nível dos juros, mas o que podemos fazer com ele: aumentar o salário dos professores? construir metrôs nas grandes metrópoles? despoluir rios? planejar bairros públicos? Permitir autonomia econômica de entes federativos? Criar mídias públicas de comunicação e informação? Repetingo: a questão é nossa covardia de falar a respeito do que devemos ser.
Maria E
22 de abril de 2026 6:33 pmPenso não ter muito tempo de vida ,Portanto não verei este país livre e soberano . O mais constrangedor é que nestas terras parece que só chegaram imigrantes que siguen subservientes aos USA e Europa , aos negros, pardos e índios restou a miséria . Cansada de ver, ler e ouvir tantos desamores , tanta hipocrisia, acompanhando um povo domesticado .
jose machado
22 de abril de 2026 8:51 pmControlam o Congresso Nacional, deputados e senadores, portanto controlam as leis, tanto para
beneficiar quanto para não ameaçar o esquema. Controlam a mídia, no pacote de desinformação
e controle da opinião pública. E isso é muito importante para o esquema deles, criar milhões de idiotas
para votar nos políticos de direita (e de quebra, odiar e perseguir os da esquerda), isso é o núcleo central
do esquema. Que alimenta a roda do esquema. E controlam o Banco Central, o qual é a magnitude.
Eles sabem que o castelo de cartas pode cair, e o caminho para isso é a Democracia, participação popular
no Congresso Nacional. A estabilidade política que leva à estabilidade econômica. É tudo que eles tentam evitar.
J...Marcelo...
22 de abril de 2026 9:11 pmNassif na nossa nação os bilionários não querem mais trabalhar,é jogar grana na JOGATINA FIMANCEIRA e ficar no celular só vendo,jhj rendeu um milhão e meio,hj cortei um milhão de gastos trabalhistas,AFF,até os criminosos comuns da ralé estão assim,nosso País está ficando igual ao Euaaa esta nação cassino maior consumudora de produtos químicos e COMUNISTA pq tem MUITO MAIS ESTATAIS q o Brasil,AFF,enquanto isto as mentes brasileiras são direcionadas pelos funcionariozinhos do jogo sujo dos patrões mimados da midia brasileira cito a “crise” do Real Madrid e as “noricias”na midia brasileira culpando Vini pq os jogadores estão insatisfeitos com atitudes de Vini(quais e quem)ou q SUPOSTAMENTE o técnico o protege sendo assim vão MOLDANDO PENSAMENTOS e mudando a percepção da realidade na mente dos mais fracos,sem falar na política incentivando sentimentos e ações negativas contra os inimigos da mídia nivelando por baixo toda discussão de uma sociedade inteira,fazendo lavagem cerebral e implantando gatilhos inconscientes nas oessoas de forma vil,antiética e ilegal,para não falar desumana !!!