O plano Guedes para os combustíveis é indecente, por Luis Nassif

É mais um capítulo de um processo de assalto ao Estado brasileiro iniciado com o governo Temer.

Foto: Agência Brasil

O projeto Paulo Guedes para os combustíveis é uma das manobras mais vis da história econômica do país. Na maioria dos países, altas excessivas de petróleo são taxadas, mesmo porque o lucro das companhias é bancado pelo consumidor. Por aqui, para não tocar nos lucros dos acionistas privados (já que os lucros da União entram no orçamento), Guedes inventou um modelo de isentar o combustível de impostos federais e estaduais, com a União ressarcindo os estados.

Alguns números para comprovar a pornografia proposta:

  • A redução de receita seria de cerca de R$ 48,6 bilhões em um semestre. Em um ano, seria de R$ 92,2 bilhões (o consumo nas metades do ano é diferente).
  • O BPC (Benefício de Prestação Continuada), auxílio pago para idosos e pessoas com deficiência muito pobres, custa R$ 71,7 bilhões por ano. 
  • O seguro desemprego leva R$ 38,8 bilhões anuais. 
  • O investimento federal em “obras” leva R$ 43 bilhões.
  • O Auxílio Emergencial, que dá comida para 18 milhões de famílias, custa R$ 89 bilhões por ano. E isso, em um momento em que 33 milhões de brasileiros passam fome.

É mais um capítulo de um processo de assalto ao Estado brasileiro iniciado com o governo Temer. Desmontou-se a busca da auto-suficiência em refino, vendendo refinarias da Petrobras em vez de estimular o investimento privado em novas refinarias. Agora, com a privatização da Eletrobras, aplica-se mais um golpe, que provocará uma explosão nas tarifas de energia – e um custo adicional, caso o próximo governo resolva retomar o controle da empresa.

Por onde se olhe, há golpes. No período da pandemia, muitos tratamentos e intervenções custosas, para os planos de saúde, acabaram adiados, com receio dos pacientes se contaminarem nos hospitais. Esse movimento permitiu ganhos expressivos aos planos. Quando a pandemia amainou, voltaram os procedimentos acumulados. A Agência Nacional de Saúde sancionou o maior aumento anual da história, para ressarcir os planos, sem a menor intenção de compensar as perdas atuais com os lucros anteriores.

O Supremo Tribunal Federal sancionou a medida que livrava os planos de saúde de fornecer tratamentos não previstos na relação oficial da ANS. Só que a ANS não é uma agência confiável. Os procedimentos deveriam ser analisados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que teve um procedimento impecável na pandemia.

A única notícia relevante, dos últimos dias, foi a decisão do STF de reconhecer o direito dos sindicatos de participarem das negociações, em caso de demissão coletiva. Esse direito recebeu até o voto de Luis Roberto Barroso – Ministro que jamais reconheceu a desproporção do poder do trabalhador na negociação individual com a empresa -, e de Alexandre de Moraes que, anteriormente, havia votado contra essa obrigatoriedade.

Mostra que a luta do STF em defesa da democracia está abrindo os olhos de alguns Ministros para a parte mais relevante da Nação: seu povo.

6 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Ligia

- 2022-06-12 14:22:59

O “Supremo Tribunal Federal” sancionou a medida que livrava os planos de saúde de fornecer tratamentos não previstos na relação oficial da ANS. Errata. O Superior Tribunal de Justiça …

Cleiton do Prado Pereira

- 2022-06-10 11:56:48

Que plano Nassif? Este senhor é apenas mais um Dom Quixote deste desgoverno, caçador de moinhos de vento. ele e seu chefe, juntamente com todos DIREITALHAS estão estacionados nos anos 80, muito antes da queda do Muro de Berlin e o fim do comunismo com a URSS. Como a DIREITALHA só sabe roubar e dar golpes, nunca tiveram plano para não ser dar GOLPES.

EDSON PLAZZA

- 2022-06-09 10:06:45

É "modus operante" do governo fazer bonico com chapéu alheio (para não usar uma frase mais chula de p.c.c.dos outros). Aquece a economia com FGTS e PIS/PASEP do próprio trabalhador, baixa combustível com o lucro publico e com a ginastica dos estados, cobre-se gastos com vendas de ativos do povo brasileiro.

Joaquim Novaes

- 2022-06-09 09:23:58

É um governo nefasto da pior qualidade.

Silvio Torres

- 2022-06-09 08:30:16

É a mesma "jogada" que foi aplicada no sinistro governo fhc para sumir com os ditos cem bilhões de dólares que foram arrecadados com indecentes privatizações. Agora, eles nem querem esperar uma crise externa para cair de boca na grana da Eletrobras. Já armaram uma arapuca pra chafurdar nos ditos 50 bilhões.

José de Almeida Bispo

- 2022-06-09 08:22:49

Tudo que os Marinho aplaudem através da sua Globo, tem algo de pode por trás. Não importa se é pra tirar um Garnero da frente ou uma presidente reconhecidamente honesta à frente do governo do país. Tudo. Até agora na Globo só firulas supostamente contra Bolsonaro e tapete vermelho para o gerente da cafua, Guedes. O gerente dos Marinho.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador