Poucas vezes o país conseguiu se unificar em torno de um evento, o discurso de Lula na ONU (Organização das Nações Unidas). A temática é a mesma do início do primeiro governo Lula. Lula é o mesmo democrata, conciliador, pacificador, profeta das causas sociais. O que mudou foram os tempos.
Há uma frase clássica de Victor Hugo: “Nada é tão poderoso como uma ideia cujo tempo chegou”.
O mundo ocidental viveu uma fase de solidariedade no pós-guerra, a partir do acordo de Bretton Woods. Disciplinou-se o fluxo de capitais, criaram-se instituições incumbidas de promover desenvolvimento.
Esse mundo acabou no governo Nixon, quando desacoplou-se o dólar do ouro e se permitiu a liberdade sem limites dos movimentos financeiros. Gradativamente o mundo mergulhou em crises periódicas, um processo profundo de concentração da riqueza, uma perda generalizada do dinamismo econômico, até eclodir na crise de 2008.
Se 2008 foi um divisor de águas, de lá para cá criou-se um vácuo, uma perda de rumo, potencializada pelas mudanças no mercado de informações, com o advento das redes sociais e a manipulação dos algoritmos.
O envolvimento dos Estados Unidos e da Europa na guerra da Ucrânia foi resultante dessa perda de rumo. Com os governantes cada vez mais distantes dos eleitores, a guerra foi uma maneira de tentar reconectar-se. Em vez de pressionar a Rússia para um acordo de paz, estimularam a guerra, com consequências concretas sobre a economia mundial e sobre as economias nacionais.
O tremendo impacto do discurso de Lula mostra que o tempo chegou. Mas não é apenas um discurso. Valendo-se do fracasso do modelo norte-americano, que não consegue oferecer sequer saúde para seus próprios cidadãos, a China empenha-se em uma estratégia de pacificação e desenvolvimento, investindo em países pobres e promovendo transferência de tecnologia.
Muitos dos objetivos de combate à desigualdade, presentes no discurso de Lula, já estão em andamento no Ministério dos Direitos Humanos, do Ministro Silvio Almeida.
O Ministério definiu cinco públicos:
- pessoas com deficiência
- Idosa
- LBTGQIA+
- Criança e adolescente
- Pessoa em situação de rua
Recentemente, Lula indicou sua preocupação com a situação dos presídios. O MDH está reestruturando todos os programnas de proteção de testemunhas, especialmente nos casos de crianças ameaçadas de morte.
Em relação à população de rua, será lançado o Plano Nacional em Defesa da População de Rua, regulamentando a Lei Padre Lancelotti, com envolvimento dos Ministérios da Saúde, Educação, Cidades e programa Primeira Moradia.
Ponto central na nova visão de direitos humanos – presente no discurso de Lula – é que o desenvolvimento econômico é peça essencial. Daí a necessidade de se pensar em projetos de desenvolvimento, algo que falta ao país.
O MDH irá atuar em duas áreas. A primeira, montando uma comissão, com estudos do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) para analisar os efeitos da nova industrialização nos direitos dos trabalhadores e do ambiente social.
O segundo projeto será valer-se de um fundo especial para amparar a parte mais dinâmica do Brasil atual: os movimentos sociais como o MST (Movimento dos Sem terra), MTST (Movimentos dos Sem Teto), CUFA (Central Única das Favelas). A ideia será financiar projetos desenvolvidos por eles.
Fator Globo
Chamou a atenção a inédita unanimidade dos comentaristas da Globo em relação ao discurso de Lula.
Antonio Uchoa Neto
20 de setembro de 2023 9:39 amBretton Woods, na minha visão, é o marco final da Conferência de Berlim de 1884-85, demandada pela Alemanha (potência capitalista industrial retardatária) para retalhar o continente africano entre as potências européias. Como o Capitalismo é um câncer em metástase, logo essa necessidade de retalhar terras ricas em recursos naturais se estendeu ao resto do mundo. Não há, nem nunca houve, fases de solidariedade no mundo, e muito menos em tempos de pós-guerra; é sempre necessária a guerra – ou, ao menos, conflitos em escala razoável – para aquecer a economia e manter a atividade de indústrias de grande valor agregado, como a bélica, além de garantir a posse, ou influência, sobre essas terras ricas. Não por acaso, a Europa assumiu a hegemonia do mundo a partir dos Grandes Descobrimentos, e, posteriormente, da Revolução Industrial: lá, em se plantando, pouca coisa dá; e os recursos, principalmente minerais, não dão para fazer prosperar nem uma aldeia de 1.000 habitantes, que dirá de um país industrializado inteiro. É simples assim. Não foram criadas instituições incumbidas de promover desenvolvimento, e sim para garantir a manutenção do controle das potências vencedoras sobre essas mesmas terras ricas em recursos naturais, principalmente aqueles que movem as nações industrializadas (petróleo e minérios, basicamente). Ora, a II Grande Guerra foi vencida em nome da Liberdade. Curiosamente, as duas nações européias envolvidas eram potências colonialistas, e os EUA uma nação imperialista. A URSS, como sempre, tinha como motivação subjacente a própria sobrevivência. Liberdade zero. Diversos países africanos e asiáticos não tardaram a perceber o engodo. E tinham o exemplo da “libertação” mequetrefe das “nações” latino-americanas para evitar agir como essas; em vão. Fizeram exatamente a mesma coisa, deixaram a tal “libertação” nas mãos dos extratos sociais superiores de cada um desses países. Só podia dar no que deu; e o fim do padrão-ouro significou apenas o final de uma era que sequer havia começado, a tal fase de solidariedade entre os povos. Lula sabe de tudo isso, mas tem como única alternativa agir como age; quem não tem poder concreto (financeiro e militar, em outras palavras) tem que perseguir ideais inatacáveis, como a Paz Mundial. Quimera perde. Como diria o mendigo no filme de Kiéslowski, é preciso agarrar-se a algo. Nem que seja um ideal inalcançavel. Avante Lula, avante Sílvio Almeida. Fazer algo é melhor que não fazer nada, e melhor que escrever comentários pessimistas. Mas isso é o melhor que eu posso fazer. Enquanto eles nos tolerarem. Quem se dá ao trabalho de ler – e tolerar – meus comentários, sabe de que ‘eles’ estou falando.
+almeida
20 de setembro de 2023 3:58 pmAproveito a pertinência do tema “discurso” para solicitar a Lula que escreva e faça um discurso em desagravo aos aposentados e aposentadas no Brasil. Em respeito a quem já faleceu, a quem está doente e por quem está passando por graves dificuldades de sobrevivência sem necessidade. Tudo por conta de um conto do vigário usado contra os aposentados no Brasil, desde da criação do famigerado “fator previdenciário”.
Quando peço para Lula “escrever” é porque assim fazendo, ele sentirá muito mais a incômoda injustiça que roubou dos aposentados os direitos legítimos, legais e indiscutíveis, referente as contribuição que eles pagaram dos seus salários durante anos, mas que no momento de suas aposentadorias foram enganados e subtraídos de seus legítimos direitos, sob a conivência dos três poderes, da OAB, da Grande Mídia, do empresariado, dos sindicados, etc.
Todos os prejudicados, que preenchem todos os quesitos para terem seus direitos reconhecidos, atualizados aos valores de hoje e devolvidos com urgência, aguardam desesperadamente que essa inominável covardia seja reparada para ontem, já que estão com idade mínima acima dos 65 anos e já perderam muito sangue e muitas lágrimas, por conta do descaso, do abandono e do abuso de poder que subtraiu ilegalmente os direitos de toda uma vida de contribuições, que subtraiu ilegalmente parte do passado, que subtraiu ilegalmente o presente e que subtraiu ilegalmente a esperança de um futuro melhor. Se não houvesse a ilegalidade já reconhecida, todos teríamos planejado uma vida melhor, porque a renda e as reservas seriam a que esperávamos e que são totalmente justas.Sim, assim seria o que certamente aconteceria se tivéssemos a posse dos valores reais e legais da aposentadoria que nos impediram de recebê-la, apesar de todo nosso direito. STF, INSS, RECEITA FEDERAL e MINISTÉRIO DA FAZENDA, acordem e lembrem-se dessa irresponsável injustiça a que estamos sendo submetidos e em todas as vezes que se dirigirem ao povo.
Lembrem-se também que ela já provocou perto de 30 anos de existência. Lembrem-se também que,ao mesmo tempo, também provocou por perto desses quase 30 anos passados, a antecipação de vários óbitos de quem aguardava a reparação. seja por ansiedade, por decepção, por indignação e mesmo por raiva, muitas e muitas vidas se foram, e nada da reparação. E ainda hoje, após quase 30 anos passados, o pouco caso continua e as ilustradas excelências brasileiras que governam o país, se sentem no direito de não ter pressa em nos devolver o que nos foi covardemente usurpados.
E quando peço que faça um discurso de desagravo é porque sei que ele sentirá na pele, no coração e na alma a agonia da ansiedade, do desespero, do sentimento de injustiçado e a tragédia de continuar sendo a eterna vítima do descaso, da desconsideração e da covardia governamental.