Xadrez dos desdobramentos do Power Point

Peça 1 – a luta política global

Anos atrás, o ex-presidente espanhol Felipe Gonzáles alertou Lula, conforme testemunhou o governador do Piauí Wellington Dias:

— Lula, prepare-se que eles vão querer te processar, cassar ou prender. Se não conseguirem, vão tentar te matar.

O alerta, com pitadas trágicas, não épara ser ignorado. O próprio Gonzáles fora alvo de uma caçada implacável, parceria da mídia com o Ministério Público espanhol. Não apenas ele. Trata-se de uma luta política global que tem vitimado, uma a uma, as principais lideranças da socialdemocracia mundial. No caso brasileiro, de forma mais explícita devido ao baixíssimo nível dos principais protagonistas políticos, jurídicos e midiáticos envolvidos.

Por uma questão de realismo, para tentar traçar qualquer cenário futuro é importante que sejam consideradas as seguintes premissas:

1. Não se está definitivamente em um estado democrático de direito. Portanto, manifestações de isenção serão a exceção, não a regra.

2.  A pantomima montada pela Lava Jato de Curitiba é a comprovação cabal de que a Procuradoria Geral da República e a Lava Jato são personagens de um enredo maior, cujo objetivo final é liquidar com Lula e o PT.

3. A anulação de Lula exige um aumento dos abusos; e esse aumento dos abusos poderá despertar a consciência jurídica de setores até agora à margem dessa disputa.

4. Por tudo isso, o sub-show de ontem, em Curitiba, não encerra a temporada de caça a Lula e significa uma nova etapa na disputa política. Do mesmo molde que o vazamento das conversas de Dilma e  Lula – que expôs Rodrigo Janot –, e sua condução coercitiva – que expôs a Lava Jato. Agora, obrigará o Judiciário a tomar uma atitude, coibindo o arbítrio, ou rasgar a fantasia e assumir-se definitivamente como poder discricionário.

Peça 2 – a acusação

A peça de acusação leva aos limites da teoria do domínio do fato, comprovando definitivamente a orquestração política, da qual o MPF é peça central.

O que faz ela?

1. Descreve todas as injunções do presidencialismo de coalizão, mostrando que as barganhas são fundamentais para a governabilidade.

2. Depois, lista várias barganhas no governo Lula – entre as quais as diretorias da Petrobras – admitindo que eram essenciais para a governabilidade. Mas… no caso de Lula a barganha serviu para financiar os partidos, para enriquecimento pessoal e para perpetuar o PT no poder. Pouco importa os diversos depoimentos sustentando que barganhas com a Petrobras existem há décadas. E o maior beneficiário pessoal da corrupção foi Lula.

A prova do pudim é provar que Lula enriqueceu com dinheiro ilícito. Bate no tríplex:

Diz a acusação: Lula visitou o tríplex com o presidente da OAS e com dona Marisa. Logo é prova de que é dono do tríplex.

Diz a defesa: dona Marisa tinha cotas do edifício em questão. O tríplex foi oferecido a ela pela OAS. Lula visitou-o com Léo Pinheiro e dona Marisa. Não gostou e não ficou com o imóvel.

Prova do pudim: qualquer documento que comprove que Lula algum dia teve a propriedade do imóvel. A acusação não apresentou nenhum, porque “não temos provas, mas temos a convicção”. A defesa apresentou as provas de que o apartamento tem outro proprietário.

A segunda “acusação” foi a de que a OAS bancou a guarda dos bens que Lula acumulou, enquanto presidente.

Prova do pudim: provar que os bens têm valor monetário para Lula.

Realidade: são bens da Presidência de República sob guarda do ex-Presidente. Portanto, inegociáveis.

A comprovação final seria a investigação das contas do escritório Mossak Fonseca, especializado em lavagem de dinheiro. O tríplex em questão era de alguém com conta em paraiso fiscal montada pelo escritório. Mas, assim que se depararam com uma conta offshore em nome da família Marinho, a Lava Jato interrompeu as investigações sobre a Mossak Fonseca. Nada mais se disse, nada então vazou.

Montaram um edifício retórico em cima de uma estrutura de bambu com requintes de crueldade, ao indiciar dona Marisa. E agora?

Peça 3 – os desdobramentos políticos

O objetivo do carnaval foi influenciar as próximas eleições municipais e preparar a cama para a denúncia de organização criminosa que o PGR está prestes a apresentar ao Supremo.  Mas a  insuficiência da acusação cria um enorme problema para o juiz Sérgio Moro e o TRF4.

O envolvimento do juiz com a acusação – fato que afronta qualquer norma de direito – foi saudado como sinal de profissionalismo, do juiz que sabe o que está acontecendo e impõe mudanças no rumo das investigações, quando considera que não estão bem embasadas.

Moro derrotaria Moro, não aceitando a denúncia? Evidente que não.

A bomba, então, será transferida para o TRF4. O endosso à acusação significará um passo largo em direção ao arbítrio e um tiro no coração do argumento de que Moro jamais foi questionado pelos tribunais superiores por ser dotado de uma técnica jurídica superior.  Jamais foi questionado ou por afinidade política ou por receio do rugir da besta das ruas.

A prova dos 9 será a tramitação dessa denúncia que traz desdobramentos complexos para o nosso Xadrez.

Ela foi atacada pelo PT por razões óbvias; e por blogueiros estreitamente ligados ao Gilmar Mendes e José Serra, por razões sutis. O grupo de Gilmar se valeu da acusação para enfraquecer a Lava Jato, prevenindo eventuais futuras ações contra Serra e Aécio Neves. De um lado, festejam mais uma ofensiva midiática contra Lula. De outro, celebram a fraqueza penal da acusação.

Conseguindo emplacar a tese da mediocridade da peça acusatória – tarefa facilmente demonstrável – se fortalecerá a reação, quando, em um ponto qualquer do futuro, a Lava Jato se dignar a olhar para o PSDB. Saliente-se que a peça é vergonhosa, mesmo.

Mas, por outro lado, poderão prejudicar a estratégia macro, de inabilitação de Lula para 2018. Preso por ter cão; preso por não ter cão.

Como pano de fundo, tem-se movimentos tectônicos na política, com o quadro partidário começando a ser redesenhado após o terremoto.

Peça 4 – o fator PSDB e a frente do golpe

A lógica do xadrez é insuficiente para abarcar as múltiplas possibilidades que se abrem, pelo fato de haver vários atores aliando-se taticamente em um momento, entrando em conflito no momento seguinte, sem nenhuma coerência ideológica, nem histórico de lealdade pessoal. É quebra-pau de saloon de faroeste. O mais bonzinho traiu o melhor amigo no dia seguinte ao da sua nomeação.

A primeira grande confusão são as expectativas de cada ator que se uniu para deflagrar o golpe:

·       A camarilha dos 6, de Temer: apostando em ir além de 2018. Para tanto atuará em duas frentes: evitará medidas que possam ampliar a impopularidade; jogarão para adiar as eleições de 2018, inclusive apostando no endurecimento do regime. E, consequentemente, serão gradativamente deserdadas pelo mercado.

·       Os PSDBs: de Aécio e Alckmin em conflito cada vez maior com a camarilha dos 6 e entre si. Seu principal agente, o Ministro Gilmar Mendes, tem poder de fogo no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), podendo se dar por ali o desfecho dos conflitos. José Serra está fora do jogo maior, louco para ser abrigado pelo PMDB de Temer, e também tem Gilmar como aliado.

·       Temer equilibra-se entre os dois grupos. É político menor que se move por sobrevivência política de curto prazo e precisa ser guiado. Antes, o cão-guia era Eduardo Cunha. Agora é Eliseu Padilha e Romero Jucá. Se precisar se apoiar no PSDB, aderirá.

·       O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, começando a se entusiasmar com a possibilidade de ser um substituto de Michel Temer, caso o “Fora Temer” e os conflitos com o PSDB forcem o TSE a impichá-lo também.

·       O PGR Rodrigo Janot, jogando preferencialmente com o PSDB de Aécio Neves, mas tendo como objetivo maior a destruição de Lula e do PT. Adiará o máximo possível qualquer denúncia contra Aécio. É ambicioso e abraça apaixonadamente qualquer causa que lhe garanta poder, mesmo que seja totalmente contrária à paixão anterior.

·       O STF (Supremo Tribunal Federal), preso em suas contradições e temores.

Todas as alternativas abaixo são possíveis, dependendo das circunstâncias do momento:

1.     Uma aliança entre Gilmar-Aécio-Rodrigo Maia-Janot visando impugnar Temer a abrir espaço para um governo do PSDB tendo Maia como presidente, Gilmar atuando junto ao TSE e Janot junto ao STF, tirando da maleta mágica denúncias contra a camarilha.

2.     Uma aliança entre Gilmar-Temer-PSDB-Janot, com recrudescimento político, com o aumento da ofensiva do Ministro da Justiça e do Gabinete de Segurança Institucional com as PMs estaduais em torno da figura do inimigo interno. O PGR ampliaria o exercício do direito penal do inimigo, tentando conferir algum formalismo legal ao jogo e ajudando a dizimar os políticos recalcitrantes.

3.     Uma aliança Temer-Serra-Renan, esvaziando a camarilha sem abrir espaço para o PSDB.

Peça 5 – o fator Lula e PT  

É nesse quadro confuso, de um grupo de poder heterogêneo, sem lealdades e sem projeto de poder – a não ser o de leiloar o país – que se entende mais facilmente a ofensiva contra Lula. Depois do vexame de ontem, a Lava Jato virá com outro inquérito secreto, usando o modelo Gilmar Mendes no TSE, pretendendo investigar UMA empresa que contratou UMA palestra de Lula. Repito: UMA. A síndrome do Fiat Elba – que serviu para condenar Fernando Collor – não os abandona.

Nos próximos meses haverá mudança drástica no panorama dos partidos políticos, especialmente os de esquerda, com o PT dizimado pelo “mensalão” e o “petrolão”, e com uma direção incapaz de entender os novos tempos e sem a iniciativa de abrir o partido para a renovação, sequer para o belo think tank representado pelo Instituto Perseu Abramo.

Há dois caminhos possíveis:

1. A manutenção do PT atual, com algum arejamento na direção, ambicionando manter o protagonismo de uma frente de esquerda.

2. A criação de um novo partido, juntando o PT e partidos menores e políticos progressistas ainda aninhados no PMDB, PSB e outros.

O segundo caminho é defendido por lideranças expressivas do PT, como o governador do Piauí Wellington Dias. Seria a maneira de arejar o partido e permitir a montagem de uma grande frente.

Se o PT insistir em se colocar à margem, mantendo a gerontocracia que o governa, e pretender liderar essa frente de esquerdas, será engolido rapidamente por algum novo partido que surgir com esse propósito.

Por isso mesmo, prepare-se para, dentro de algum tempo, conviver possivelmente com uma nova sigla de esquerda.

Em qualquer quadro, a presença política de Lula é componente central: as esquerdas se recompõem sem o PT; mas demorarão muito mais a se recompor sem Lula.

Quem ouviu o discurso de Lula, ontem, saiu com a certeza de que, se o deixarem solto, em pouco tempo arregimentará seguidores para a frente das esquerdas. Por isso mesmo, seria medida de prudência ficar atento aos alertas de Felipe Gonzáles e reforçar a segurança de Lula.

A política ingressa definitivamente em um novo ciclo e Lula é a única liderança nacional sobrevivente desses tempos de terremotos e redes sociais.

 

155 comentários

  1. TÁ!

    E se eles resolverem fazer uma encenaçãozinha com Aécio ou Serra ou Padilha ou Moreira, um indiziozinho de araque, uma ação da PF na casa de um deles apenas para inglês ver e depois prender o Lula, dizendo, “ó, nós não somos parciais, tamos atrás dos tucanos, tbm”???

  2. De volta para o futuro

    Num  raciocínio simplista, partindo do princípio de que o mal deve ser combatido pela raiz, nada mais lógico que a Lava a Jato queira acabar com o PT.  Se o partido dos trabalhadores é ou não é a gênese da corrupção do Estado ,é uma questão que gera controvérsias e está dividindo a nação. Lula , seus seguidores e simpatizantes vão lutar para , no mínimo, hastear a sua bandeira de hosnestidade e de salvador da pátria. Daí, o segundo passo inevitável virá com a derrota dos “meninos” e sua turma seguido pelo sprint rumo a 2018. No meio do caminho tombarão Moro, Janot, Temer, entre outros. Mais do que uma jararaca é a poderosa Fênix que resurgirá . O tempo , só tempo é quem pode mostrar a foto da desilusão.

  3. Atualização BOMBA: FREUD explica CURITIBA!

    BOMBA: “Freud explica” aquele espetáculo patético de Curitiba! Tenho~convicção~e tenho~prova~também! Testemunhal! Do próprio! 

    Denúncia de “corrupção” em Curitiba? Na verdade, atentado ao pudor: Brasil obrigado a assistir à ejaculação precoce de um adolescente afeito à masturbação

    Por Romulus

    – “Denúncia” em Curitiba foi, na verdade, um atentado ao pudor: Brasil foi obrigado a testemunhar a ejaculação precoce do adolescente. E num sexo solitário: era apenas masturbação do jovem.

    – O perfeito casamento entre ignorância, “limitação intelectual” e má-fé. E ainda: inglês “the book is on the table” + PowerPoint nível corrente chata de email + conhecimentos de Ciência Política, Geopolítica e Economia – e até de Lógica! – dignos de um secundarista de província.

    – Memes… muuuuitos memes: dfinitivamente “a internet não soube lidar” com os PowerPoints do Dallagnol.

    – O pior é que, no final, cabia a nós fazer a pergunta clássica: foi bom para você quanto foi para mim, “doutor”??

    – E para fechar: Ciro d’Araújo, sem dó nem piedade, desnuda (oh!) o tal do adolescente afeito à masturbação. Ciro é fera: conta até por que Moro saiu correndo para devolver o passaporte da mulher do Cunha.

    – Mas não antes de uma BOMBA: “Freud explica” aquele espetáculo patético de Curitiba! Tenho~convicção~e tenho~prova~também! Testemunhal! Do próprio! 

    *   *   *

    Parte 1: ejaculação precoce do adolescente afeito à masturbação

    Instado até por leitores, ia escrever sobre o vexame da “Torça Farefa” da Lava a Jato em Curitiba ontem.

    Não preciso.

    O Nassif (“Denúncia inepta da Lava Jato expõe o Ministério Público”) e o meu amigo Ciro d’Araújo (como verão no final deste post) esgotaram o episódio. Assim, sinto-me dispensado de comentar aquela “ejaculação precoce” de adolescente – em não mais que uma masturbação! Um sexo solitário, auto-estimulado e sem outro destinatário além do praticante – que o Brasil inteiro foi obrigado, constrangido, a testemunhar ontem em rede nacional. Auto-estímulo egoísta… egocêntrico. Até mesmo um tanto autista… completamente descasado da realidade e do “pudor” da sociedade, ali ao redor.

    E o pior: nem assim! Nem no “cinco contra um” o cidadão teve bom desempenho!

    Ejaculação precoce, frustrada… para ele e para os seus. E momento paradigmático da expressão “vergonha alheia” para o resto de nós.

    O pior é que, no final, cabia a nós, alheios àquela sessão de masturbração, fazer a pergunta clássica:

    – Foi bom para você quanto foi para mim, “doutor”??

    A acusação daquele dia?

    Não pode ser outra:

    – Atentado ao pudor!

    E por falar em “pecado”…


    Pecado para mim é escrever “porque” no lugar de “por que”. Critérios diferentes…

    Mas fazer o quê? O cara só pensa “naquilo”… tá na “fissura”:

    À guisa de introdução ao que o Ciro diz no final do post acrescento apenas o seguinte:

    Comentava, no post de ontem (“Golpe: não basta raposa no galinheiro. Faltam mapa$ das mina$!”), que uma frustração minha é nunca ter “embarcado” numa plataforma de petróleo. Uma vez quase rolou uma visita, lá na Bacia de Campos.

    Eram outros tempos…

    Boom das commodities, Brasil menina dos olhos do mercado e do mundo, subindo de 7a para 6a economia, maior descoberta de petróleo em 3 décadas e o coroamento, com “graduação” do pais diante dos demais: a escolha para sede das Olimpíadas do “distante” 2016.

    Bons tempos:

    Quem diria que seria tão fácil de sabotar?

    Quem da minha geração, aquela que cresceu na redemocratização, cogitava que pudesse haver, no seu tempo de vida, um golpe de Estado?

    Digo, no Brasil – e não no Paraguai ou em Honduras. Ou na África.

    Quem poderia saber que 3 corporações do Estado – Judiciário, MPF e PF – iam se fechar numa guerra de tudo ou nada contra um dos polos políticos, pouco importando a terra arrasada que fica pelo caminho?

    Quem poderia saber que a mídia, jogando contra seus interesses econômicos não imediatos, ia articular esse exército?

    Quem poderia supor que a elite do funcionalismo público – procuradores e juízes federais concursados – regiamente pagos e com caros cursos de pós-graduação no exterior – fossem tão simplórios? Com conhecimentos de Ciência Política, Geopolítica e Economia – e até de Lógica! – dignos de um secundarista de província?

    Aliás, até conhecimento de Inglês lhes falta… o que não deixa de ser algo um tanto bizarro para esses americanófilos que confundem a narrativa a que assistiram na Disney – a “Disney” real e a figurada – com a História real dos EUA e com o funcionamento real das suas instituições.

    Anoto a falta de conhecimento do Inglês porque tenho hoje um certo ceticismo com relação ao aproveitamento que essa “elite” possa ter feitos dos cursos a que “assistiu” no exterior. Como pode alguém que fez um LL.M., mestrado jurídico (!) de um ano, em Harvard (!!), como o juiz Sergio Moro, traduzir expressão tão fundamental para o Direito como “rule of law” de forma – pseudo! – literal, como “a regra da lei” (sic)?!

    Sim, o juiz Moro o fez neste ano, numa sentença da Lava a Jato. Talvez na dos grampos – duplamente! – presidenciais. Já não lembro ao certo…

    Questiono hoje o aproveitamento das leituras e das aulas em Harvard de alguém que nunca percebeu que “rule of law” – de novo: expressão fundamental! – significa, na verdade, “império da lei”. Ou até mesmo “Estado de direito”!

    Se não sabia disso, o que terá compreendido do restante?!

    A sério: erro primário desses nem estagiário meu, na primeira semana de trabalho, cometeria. Isso porque se cometesse não teria sido nem contratado. Ora, já no processo seletivo eu cobrava – e eu mesmo fazia questão de corrigir – tradução de um texto jurídico em inglês.

    Diante da minha seleção – demasiado criteriosa? – é certo que não teria tido o prazer de ter o “Dr.” Moro – “Dr.”? Ele tem doutorado? – como estagiário.

    Mas os de Curitiba conseguem ir além:

    Os slides de Powerpoint do Dallagnol hoje não deixam dúvidas: trata-se do perfeito casamento entre ignorância, “limitação intelectual” e má-fé.


    Atenção! É neste slide em que a “Torça Farefa” (sic) determina a condução coercitiva do Sérgio Abranches. O intelectual não sairá da prisão preventiva do Moro até delatar esse tal  de “presidencialismo de coalizão”. E a paternidade do Lula, é claro!


    Dallagnol indo além no Pacote Office: ousou com as fontes no Word também.


    Mas ele é um menino tradicionalista: depois de brincar com as fontes, voltou à Times New Roman, 12, preto, espaço símples, texto justificado. Glória!


    Tá maluco? É claro que Dallagnol não entendeu esse meme. Vocês realmente acreditam que ele viu “Pulp Fiction”?! Não… enquanto crescia ele assistia a filmes com as aventuras da cachorrinha Lessie, a amiga da vizinhança.

     


    Por outro lado, tem gente do pá virada – será “encosto”? – que fuma um bagulho estranho e tem “brainstorm” muito mais interessante…


    “Procurador literário”. E sem medo de polêmica! É o Dallagnol ou Professor Antônio Cândido na foto? Fiquei confuso…


    Já já o Ciro te explica essa história… aguenta aí! A Claudia Cruz não vai a lugar nenhum! Oh, wait…


    Dallagnol esquece por um breve momento os hinos de louvor e se aventura com os Beatles. Mas não se preocupem: o menino não chegou nem perto de “Lucy in the Sky with Diamonds”. Tá amarrado e repreendido! Isso é coisa de tucano! Meia tonelada que voa de helicóptero…


    Ninguém segura! “Brasil Grande!”, “Brasil Potência!”. Olha o resultado das delações “de peso”: Kepler, Copernicus, Galileo e Newton. Como se diz no meu Rio de Janeiro: “Te mete com a “Torça Farefa” pra tu vê o que te acontece, mané!”… “Faca na Caveira!”… “Olha o Caveirão subindo o morro!”…
    “Ai, que loucura”? Não… meme errado…


    “Isentão”: Dallagnol não se deixa influenciar nem mesmo por matérias do oligopólio midiático brasileiro. Haja obstinação!


    Será que Dallagnol está flertando com uma nova fé? Saberemos de tudo logo mais no programa da Luciana Gimenez.


    Sejamos justos: muitos outros no mundo também têm convicções sem ter provas. Por que só pegamos no pé do Dallagnol?

    Até os famosos – e reacionários – “comentaristas de portal” acharam a peça acusatória do MPF um lixo inepto. Pergunta: isso importa no Brasil de hoje?

    Como se perguntou o meu amigo Ciro, enquanto assistia estarrecido à coletiva de imprensa:

    – Na peça acusatória o MPF também pede a prisão do Sergio Abranches, por cunhar o termo “presidencialismo de coalizão”?!

    Ora, tenham paciência: o Brasil é muito maior que as apostilas dos cursinhos preparatórios para concursos públicos!

    Nesse ponto, aliás, tenho que concordar com um ponto pisado e repisado pelo colunista André Araújo, aqui no GGN:

    – Quando que essas pessoas, tão “qualificadas”, conseguiriam os mesmos salários na iniciativa privada?

    Acrescento:

    – Com o inglês do Moro e os powerpoints do Dallagnol?

    Resposta:

    – Nunca!!

    *

    O resultado podia ser outro?

    Se me contassem, nos 4 “gloriosos”, de 2008 a 2012, que estaríamos aqui hoje, nunca acreditaria!

    *   *   *

    Parte 2: Ciro d’Araújo desnuda (oh!) o pobre adolescente afeito à masturbação


    Filme comédia-besteirol “safadinho” dos anos 90. A piada? A masturbação do jovem, ora. Que tinha uma afeição demasiada à “prática”… o que o levava, inclusive, a praticá-la em locais socialmente inadequados, como na frente de pessoas que não queriam testemunhar aquele vexame. Soa familiar?

    Diz o meu amigo Ciro:

    Minha opinião: Força Tarefa de Curitiba sentiu o cheiro do acordão que está desenhado em BSB (e por força tarefa de Curitiba entenda-se MP, PF, Juiz E mídia específica, especialmente a revista época). Não gostaram disso. Gostaram de ser o centro das atenções da política nacional. 

    Aproveitaram decisão crítica do Ministro Teori a pedido da defesa de Lula e a citaram na abertura de sua fala. Declaração essa que o ministro mandou retirar da decisão e disse arrependido de ter feito – depois da entrevista coletiva. Recado mais claro só se uma mão desenhasse MENE MENE TEKEL UPHARSHIM na parede da procuradoria em Curitiba.

    Número, Número, Balança, Divisão – essas são as palavras em aramaico que a mão divina escreve na parede do Rei Belshazzar, descrito pelo livro do profeta Daniel. A interpretação do profeta foi: seus atos foram pesados e achados inadequados, seu reino será dividido.

    Os procuradores de Curitiba, aproveitando a “contextualização” criaram uma peça de elevadíssimo conteúdo político e baixíssimo conteúdo jurídico: “Lula é o general da propinocracia”. Perguntados por que não o denunciaram por isso – jogam a bola para Janot e para o STF. Esperam que a opinião pública os mova na direção de sua inquisição contra a corrupção e que o STF novamente julgue com “a faca no pescoço”. Para isso contam com a mídia.

    Cometeram também outro erro elementar. Erro esse que talvez seja corrigido por Moro, que é mais sagaz. Arrolaram Dona Marisa na denuncia. Podem esperar uma reação corporativa generalizada de todo o espectro político. Existe uma razão pela qual Moro é tão cuidadoso com relação a Claudia Cruz.

    [Romulus: genial, meu amigo Ciro!!]

    “Lula agiu como lobista”… poderia ser uma acusação que se sustentasse com os elementos constantes na denuncia. Húbris (e alguns jornalistas que também sofrem do mesmo mal) os fez mirar mais alto. Com direito a pergunta de jornalista internacional “é necessário usar alguma teoria de direito estrangeira para fazer essa denuncia”? Se referindo, claro, à denuncia que não foi feita, por incompetência jurídica – a de organização criminosa.

    Outra coisa que não contam é com a reação dos verdadeiros donos do poder. O mercado queria tirar a rainha estatista do poder, mas agora quer que as coisas voltem a normalidade. O acordão está desenhado com a aprovação do mercado. Agora podemos voltar à nossa programação normal – mas quem ganhou poder não quer se desfazer dele. 

    Curitiba não quer ceder a condição de capital de volta a Brasília. Cederá, por bem ou por mal.

    A bola vai ficar com Janot. Ele que cuide da guerra civil juridico-política que se instalará. 

    “Quem pariu Mateus, que o embale”, já dizia o ditado.

    E o Ciro fecha com:

    PS:  Nem nos neologismos esse pessoal consegue ser original. “Propinocracia” é versão tabajara da “Tangetopolis” italiana. “Cleptocracia” é uma palavra tão mais bonita e elegante.

    [Romulus: concordo em gênero, número e grau com Ciro. Em tudo. Até com a falta de requinte linguístico na “criação” de neologismos lá em Curitiba]

    *   *   *

    Vídeos aleatórios do dia

    Anote, pervertido: por que “masturbação é pecado”?

    (?!?)

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=U295VScshRU%5D
    Assistir a esse vídeo, mesmo que por apenas uns 30s, deixou algumas coisas claras para mim sobre ontem…

    Sabe… Freud?

    Sabe… sublimação de instintos básicos e os seus reflexos deletérios sobre a personalidade?

    Então…

    Sorry, mas a citação do pai da psicanálise vai em inglês mesmo:

    >> Sublimation of instinct is an especially conspicuous feature of cultural development it is what makes it possible for higher psychical activities, scientific, artistic or ideological, to play such an important part in civilized life. If one were to yield to a first impression, one would say that sublimation is a vicissitude which has been forced upon the instincts entirely by civilization. But it would be wiser to reflect upon this a little longer. In the third place, finally, and this seems the most important of all, it is impossible to overlook the extent to which civilization is built up upon a renunciation of instinct, how much it presupposes precisely the non-satisfaction (by suppression, repression or some other means) of powerful instincts. This cultural frustration dominates the large field of social relationships between human beings we know already that it is the cause of the antagonism against which all civilization has to fight.

    Fala sério!!

    Dr. Freud não era fraco não, hein…

    Olhando a recíproca de outra citação do (esse sim!) “doutor”, chegamos à seguinte paráfrase:

    >> Muuuuuitas vezes um charuto não é apenas um charuto.


    Ôô!!
    “Freud explica” sim… e como!!

    Concluo com um apelo desesperado:

    – Chamem o alienista com urgência! Afinal, “Bagé” não estã tão longe de Curitiba… é questão de Segurança Nacional!

    *

    E, depois do riso, o choro.

    Requiem pelo Brasil:

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=YO7obfP6MJI%5D
    Outra dica do Ciro. O cara joga nas 11!
    E não é de perder tempo com “5 contra 1″… afinal, seus 13 anos já passaram…

    *   *   *

    (i) Acompanhe-me no Facebook:

    Maya Vermelha, a Chihuahua socialista

    (perfil da minha brava e fiel escudeirinha)

    *

    (ii) No Twitter:

    @rommulus_

    *

    (iii) E, claro, aqui no GGN: Blog de Romulus

    *

    Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como “uma esquerdista que sabe fazer conta”. Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

  4. PGR

    Já viram as declarações estapafúrdias do PGR, agora (17/9 às 16 horas) no portal da Globo? Os meninos mimados de Curitiba não estavam sós, ao cometerem o crime da denúncia vazia … 

  5. O que a politica faz

    Sem entrar no mérito do conteúdo jornalístico e nem na fundamentação das informações do texto abaixo, isoladamente poderia ser a leitura de um jornal da década de 1950 até meados da década de 1960. Continuamos os mesmos politicamente, isto é verossímil?

    “Anos atrás, o ex-presidente espanhol Felipe Gonzáles alertou Lula, conforme testemunhou o governador do Piauí Wellington Dias:

    — Lula, prepare-se que eles vão querer te processar, cassar ou prender. Se não conseguirem, vão tentar te matar.

    O alerta, com pitadas trágicas, não é para ser ignorado. O próprio Gonzáles fora alvo de uma caçada implacável, parceria da mídia com o Ministério Público espanhol. Não apenas ele. Trata-se de uma luta política global que tem vitimado, uma a uma, as principais lideranças da socialdemocracia mundial. No caso brasileiro, de forma mais explícita devido ao baixíssimo nível dos principais protagonistas políticos, jurídicos e midiáticos envolvidos.”

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