A dias do recesso e fim da Presidência na Câmara, Maia faz discurso criticando Bolsonaro

"Eu precisava fazer esse discurso para resguardar a imagem da Câmara e da minha Presidência", disse o deputado Rodrigo Maia

Maia recebendo Jair Bolsonaro, em fevereiro de 2019 - Foto: Divulgação

Jornal GGN – A poucos dias do recesso do Congresso Nacional, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aproveitou o palanque do Plenário nesta sexta (18) para traçar duras críticas ao governo Bolsonaro e tentar elevar sua imagem antes de encerrar o ano legislativo.

Maia afirmou que será “leal adversário” de Jair Bolsonaro, concordando com a agenda de Paulo Guedes “nas pautas que modernizam” e se opondo ao “que é ruim para o Brasil”.

“Como essa é a agenda do presidente [Bolsonaro], continuarei sendo seu leal adversário naquilo que é ruim para o Brasil e serei aliado do governo, e não do presidente, nas pautas que modernizam o Estado Brasileiro”, disse.

Avalado como um dos possíveis nomes para a disputa de 2022, Maia também criticou a falta do pagamento do 13º do Bolsa Família, acusando o presidente de “mentiroso” por alegar que não havia recursos para este repasse e associar a decisão a ele.

“O próprio ministro Paulo Guedes hoje confirmou que o presidente é mentiroso quando disse que de fato não há recursos para o décimo-terceiro do Bolsa Família”, disse. “Ontem, fiquei muito irritado porque nunca imaginei que em um País como o Brasil um presidente da República pudesse, de forma mentirosa, tentar comprometer a imagem do presidente da Câmara ou de qualquer cidadão brasileiro”, continuou.

Acusou, também, o governo de não ter tido interesse na votação da prorrogação do auxílio emergencial, obstruindo a Medida Provisória que instituiu o benefício, não colocada em votação na Câmara. “Amanhã, a narrativa vai ser que nós acabamos com o auxílio emergencial porque não votamos a MP. Então, foi muito importante o governo entrar em obstrução contra a MP 1000, porque isso ficou registrado na imprensa e aqui na Casa.”

Sabendo, ainda, que o Congresso Nacional entrará em recesso oficialmente a partir da próxima terça (23), até o dia 1º de fevereiro, com as articulações já feitas para as definições dos representantes que trabalharão de plantão no recesso, Maia voltou a lembrar que ele sugeriu não ter recesso.

“Propus não termos recesso, nem a Câmara, nem o Senado nem o Judiciário para trabalhar em janeiro na construção de um programa social dentro da realidade do Orçamento primário do Brasil.”

Entretanto, o mês de janeiro está sendo visto como crucial para a Câmara e o Senado definirem o próximo presidente das Casas Legislativas, que assumem no ano que vem, no lugar de Davi Alcolumbre (DEM) e de Maia.

Assim, no discurso que poderá ser um dos últimos do deputado como presidente da Câmara, Maia elogiou as medidas tomadas pela Casa e contra o governo Bolsonaro, no ano de pandemia do coronavírus. “Eu precisava fazer esse discurso para resguardar a imagem da Câmara e da minha presidência”, admitiu.

 

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