Garantindo comissões, PT decide apoiar candidato do DEM na Presidência do Senado

Adversário histórico do DEM, o PT anunciou o apoio à candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) na Presidência do Senado

Pacheco (DEM-MG) e o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jornal GGN – Adversário histórico do DEM, o PT anunciou o apoio à candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) na Presidência do Senado. Pachecho tem também o apoio do presidente Jair Bolsonaro. O anúncio, feito nesta segunda (11), ocorre após a negociação de duas comissões de interesse da sigla.

Apesar de contar com o apoio do presidente, o PT tinha como objetivo evitar a vitória de outros nomes de maior segurança ao mandatário, mesmo dentro da bancada do MDB, como o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), e o líde do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

Segundo a bancada, tanto Gomes quanto Bezerra são vistos como excessivamente alinhados ao governo Bolsonaro e também perderam força nos últimos dias. Entre os cotados também estava a opção de Smone Tebet (MDB-MS), alinhada à pautas lavajatistas.

Segundo o senador Humberto Costa (PT), apesar de deter hoje o apoio de Bolsonaro, Pacheco não teria compromisso com as pautas bolsonaristas: “esse foi um dos principais pontos que nos levou a prestar esse apoio”, disse ao Uol.

As negociações, ainda, foram feitas com algumas condições. A bancada do PT no Senado apresentou ao senador uma lista de compromissos, como a independência do Legislativo, defesa da Constituição, dos direitos humanos e liberdades individuais.

Todos estes itens foram expostos em nota oficial da bancada, divulgada horas após o anúncio. “A Bancada do PT no Senado, considerando a grave situação econômica, social e política do país; e, considerando a necessidade de reforçar a institucionalidade e a legalidade democráticas no âmbito do Estado brasileiro, decidiu por unanimidade apoiar a candidatura do Senador Rodrigo Pacheco (DEM/MG) para a Presidência do Senado Federal.”

O partido indicou, também, que o apoio teve como garantia a contribuição da sigla na agenda da Casa, com o objetivo de “contribuir com a superação da gravíssima crise que o Brasil atravessa, que perpassa esforço corrente para rejeitar iniciativas voltadas para o desmonte do Estado Democrático de Direito, incluindo propostas visando minar direitos civis, políticos, sociais e econômicos, muitas delas carentes de transparência e estofo técnico e científico”.

Além disso, segundo reportagem do Valor, o PT garantiu o controle da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e de outros dois colegiados, caso Pacheco obtenha a vitória: as comissões de Direitos Humanos (CDH) e do Meio Ambiente (CMA), importantes nos esforços das garantias de direitos e também na proteção da Amazônia.

Pacheco é ainda a escolha do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Na nota, a bancada afirmou que o apoio não significa uma aliança no campo político.

“O PT tem bastante claro que a aliança com partidos dos quais divergimos politicamente, ideologicamente e ao longo do processo histórico se dá exclusivamente em torno da eleição da Mesa Diretora do Senado Federal, não se estendendo a qualquer outro tipo de entendimento, muito menos às eleições presidenciais.”

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